Homenagem a Pedro Casaldáliga Plá
El Grupo de Trabalho CLACSO O futuro do trabalho e do cuidado com a nossa casa comum. Manifesta solidariedade ao povo brasileiro e presta homenagem a Pedro Casaldáliga Plá, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), falecido em 08 de agosto de 2020.
Espanhol, 93 anos, mudou-se para a Amazônia em 1968 e naturalizou-se brasileiro. Personalidade histórica da Igreja Latino-Americana, referência mundial na defesa dos direitos humanos. Notável defensor dos pobres e da Pan-Amazônia.
Uma vida totalmente dedicada aos outros. Anos de pobreza, anos indígenas, anos do povo negro, anos quilombolas, anos dos trabalhadores e a defesa da Amazônia.
Casaldáliga foi o primeiro religioso a chamar a atenção do mundo para a violência do capital contra os povos da Amazônia e a destruição do meio ambiente. Também foi o primeiro a denunciar a existência do trabalho escravo no Brasil. Em 1971, sua primeira carta pastoral foi intitulada “Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social”. Este seria o tom da sua atuação. Olhe para a Amazônia e suas terras como fonte de vida.
Pedro enfrentou não só o poder do agronegócio, mas também a ditadura militar. Ajudou a levantar o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), forte apoiador do MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) e de dois movimentos sociais e organizações de trabalhadores. Nomeado por Paulo VI, Pedro era um bispo pobre, despojado de poder e de ostentação. Esses bispos com uma ovelha cheirosa, a mitra deles era um chapéu de camponês; Seu cajado, um remo, seu anel era de Tucum. A sua casa, simples e pequena, está sempre aberta a qualquer pessoa. Sem dúvida, é da mesma magnitude de bispos como Helder Câmara, Larraín, Samuel Ruiz, Pironio, Angelelli, Gerardi, Proano e Oscar Romero.
Pedro conferiu à Igreja essa face pan-amazônica assumida pelo Sínodo da Amazônia.
Sua vida não abrange o tempo. A memória de Casaldaliga nos inspira com a urgência de cuidar da Casa Comum, de defender os trabalhadores e de denunciar as situações que destroem a vida das pessoas. América LatinaCalar nos tornaria cúmplices de uma economia que mata, como nos lembra o Papa Francisco.
“As minhas causas valem mais do que a minha vida”, disse Pedro. Que a sua memória seja uma inspiração para continuarmos a lutar pelas mesmas causas que marcaram a sua vida.
Agosto 8 2020
Elio Gasda, em nome de
Grupo de Trabalho CLACSO
O futuro do trabalho e do cuidado com a nossa casa comum.
Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho. O futuro do trabalho e do cuidado com a nossa casa comum. e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional da CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.
