Desmantelando os totalitarismos comunicativos. Uma oficina sobre táticas narrativas para reinventar o comum.
COORDENAÇÃO
Amparo Marroquino (UCA, El Salvador), Omar Rincón (UniAndes, Colômbia) e Daiana Bruzzone (FPyCS – UNLP, Argentina)
Home: 18 / 06 / 2026 | Registo: 16/04/2026 al 17/06/2026
Modalidade: Virtual com aulas ao vivo e materiais exclusivos
Carga horária: 50 horas
Duração: Mensagem 1
As batalhas culturais são, sobretudo, disputas simbólicas e comunicativas sobre a opinião pública, a construção da hegemonia política e o estabelecimento de uma ordem narrativa. Nesse cenário, setores da direita sustentam que a “hegemonia do século XXI” pertence aos feminismos, aos movimentos progressistas e aos movimentos de direitos humanos, e organizam uma contraofensiva global contra o que chamam de “capitalismo woke” e as instituições que o reproduzem (cultura, ciência, universidades, políticas públicas).
O campo de batalha desses conflitos são os meios de comunicação e as redes digitais. Aqui, as táticas não se baseiam em argumentos ou razão, mas na manipulação emocional (provocação, zombaria, ódio, desprezo) e na desinformação para gerar conflito, caos e a destruição do outro. O objetivo é claro: conquistar o "senso comum" das massas.
Líderes como Javier Milei e Nayib Bukele se apoiam efetivamente nessas estratégias: simplificam conflitos, apelam para emoções intensas, produzem conteúdo facilmente compartilhável e respeitam as regras de visibilidade impostas pelas plataformas. Isso não significa que nossos espaços careçam de ideias ou legitimidade política, mas sim que, muitas vezes, continuamos a nos comunicar como se a disputa estivesse ocorrendo em um espaço regido pela argumentação racional e pela troca deliberativa.
Como resultado, o ecossistema de comunicação contemporâneo é caracterizado por tensão, polarização e narrativas fragmentadas. Assim, a extrema-direita ganha terreno ao falar as linguagens do desejo, do medo e dos valores morais; conquista corações com histórias convincentes e uma estética disruptiva. Enquanto isso, a comunicação progressista e de esquerda permanece presa a registros racionais e pedagógicos, limitada à denúncia de injustiças ou das controvérsias que a direita coloca em pauta. O resultado: alguns seduzem, outros explicam.
Esta oficina propõe explorar táticas, formatos e estratégias de comunicação para combater a batalha cultural a partir dos direitos e com os direitos. Para tanto, convidamos você a criar narrativas situadas que vão além da mera reação à direita e se posicionam como uma alternativa; narrativas que se libertem dos manuais que segmentam o público, que rompem com as bolhas e que fomentem a conexão.
Ao longo de seis sessões, pretendemos desafiar esses totalitarismos narrativos. Iremos interagir com a cultura e a política através dos ritmos, corpos, desejos e alegrias do povo comum. Exploraremos respostas práticas para estas questões: Como podemos nos libertar das bolhas algorítmicas para gerar conversas? Como podemos despertar emoções e mobilizar entendimentos compartilhados a partir de uma perspectiva baseada em direitos? Como podemos construir narrativas que ressoem com as emoções, desejos e experiências do dia a dia?
Hoje, o discurso público está encapsulado em múltiplas bolhas narrativas que raramente se cruzam. Assim, a guerra cultural envolve uma luta pelas próprias condições que permitem que certas narrativas existam, circulem e se tornem credíveis. Em tempos de polarização e sobrecarga de informação, as vozes não são mais silenciadas por proibições, mas sim a censura ocorre nas modulações da visibilidade que as plataformas digitais concedem ou diminuem.
Nesse cenário, a direita parece ter se apropriado da linguagem que atrai a atenção e ressoa com uma grande parcela da população. Enquanto isso, a esquerda e os movimentos progressistas parecem estar ancorados em discursos moralizantes ou explicativos que os distanciam das conversas cotidianas, ao mesmo tempo em que precisam desenvolver estratégias para se comunicar eficazmente em territórios caracterizados pela hiperconcentração da propriedade dos meios de comunicação e dos algoritmos.
Assim, deparamo-nos com um contexto de totalitarismo comunicativo, onde as habilidades narrativas e as possibilidades de alcance ou engajamento aumentam, criando uma lacuna política, econômica e tecnológica, e exacerbando as desigualdades. Esses regimes comunicativos — políticos, midiáticos ou algorítmicos — que concentram poder sobre a produção, circulação e validação de significados, condicionam a percepção da realidade e reduzem a pluralidade de vozes. A censura contemporânea não se caracteriza mais pela proibição, mas sim pela lógica da saturação e da manipulação da informação.
Enfrentamos um poder predatório que ameaça nossas formas de pensar, sentir e narrar; e o problema não é que não possamos mais falar, mas sim que não conseguimos influenciar os significados predominantes e as crenças da sociedade. A partir desta oficina, compreendemos a comunicação como um campo de luta simbólica onde as emoções, os sentimentos políticos e as próprias formas de democracia estão em jogo hoje.
Dessa forma, propomos uma intervenção pedagógica e estética que reativa o poder narrativo da esquerda, dos movimentos progressistas e dos movimentos sociais. Convidamos você a trabalhar no projeto. narrativa pessoal que concebem a comunicação como uma performance de identidades e narrativas contestadas, explorando significados políticos através da jornada simbólica e emocional das personagens que personificam o poder na nossa região atualmente.
É nesse sentido que este espaço propõe o desafio de criar narrativas militantes, populares e afetivas, capazes de contribuir para o discurso público. Esperamos que, em colaboração, professores e participantes experimentem com linguagens, enredos e formatos. Desafiamos vocês a pensar e contar histórias para além dos métodos estabelecidos, a saírem de suas zonas de conforto — morais, políticas e comunicativas — a fim de gerar alternativas simbólicas que ativem a cidadania por meio do prazer, da emoção e da experiência coletiva.
Para tanto, revisitam-se as contribuições da comunicação crítica latino-americana, em particular as reflexões de Jesús Martín-Barbero (1987) sobre mediações e culturas populares; as contribuições de Marita Mata (2023) sobre a indisciplina comunicacional, entendida como uma prática política situada e emancipadora; as noções de cultura y yopitalismo que Omar Rincón (2024) nos leva a desafiar as subjetividades contemporâneas; as estratégias narrativas para contrariar a comunicação espetacularizada da nova direita, como apresentado por Amparo Marroquín (2024); e as contribuições de uma epistemologia da lama e da esperança, como proposto por Florencia Saintout (2018), para fazer com que nossos meios de comunicação integrem os projetos de soberania cultural.
Assim, trata-se de um convite a revalorizar as línguas, reapropriar-se da estética plebeia e utilizar táticas ligadas às tecnologias digitais como aliadas narrativas para recuperar a dimensão sensível da política, reinventar o cotidiano, comunicar com, a partir de e para os direitos.
OBJETIVO GERAL
Desenvolver ideias, formatos, táticas comunicativas, simbólicas e populares para a batalha cultural a partir dos direitos e com os direitos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Que os alunos adquiram habilidades e capacidades para:
- Analise as estratégias e estilos de comunicação das narrativas de esquerda e progressistas.
- Explorar formas de narrativa política, artística e midiática a partir de perspectivas populares, contraditórias e afetivas. Isso significa pensar a política através da narrativa, da emoção, da performance e da construção de comunidade.
- Reapropriar ferramentas tecnológicas, estéticas e políticas a partir de uma perspectiva tática e situada.
- Produzir ideias, formatos e táticas que engajem por meio do humor, da ironia, da remixagem, da voz própria e do poder da narrativa coletiva.
- AULA 1: A BATALHA CULTURAL E O TOTALITARISMO COMUNICACIONAL
Professor responsável: Omar Rincón
Modalidade: síncrona
Resumo conceitual da aula
Idéia: A batalha cultural em que vivemos. Pelo que se luta? Por quê? Como? Quem define as regras? Quem está vencendo? Por que estão vencendo?
Conceitos: Significados políticos, narrativa, cultura popular, soberania cultural, ativismo. Mídias e redes digitais para a política.
Oficina:
- Conversação: Por que os movimentos de esquerda e progressistas não inspiram amor? O que significa ser politicamente sedutor na era digital?
- Análise Aspectos narrativos, estéticos e populares das táticas da direita.
- Análise táticas narrativas, estéticas e populares dos direitos.
- Primeira produção original.
- CLASSE 2: BUKELE, MILEI E OUTRAS ESPÉCIES
Professores responsáveis: Amparo Marroquín | Daiana Bruzzone
Modo: assíncrono
Resumo conceitual da aula
Os casos de Bukele e Milei são analisados como “modelos de sucesso” comunicativos e simbólicos na consciência pública, juntamente com sua luta contra os direitos humanos. O objetivo é examinar como esses políticos interpretam uma transformação e a narram sem serem tediosos ou excessivamente explicativos. São utilizados recursos como storytelling, humor, ironia e métodos de ensino não convencionais.
Oficina: Análise crítica de campanhas de direita versus campanhas progressistas. Critérios de análise: narrativa, estética, emoções, senso comum, apelo à ação.
Laboratório de Ideias: Narrar com desejo e sem culpa, dissolvendo a superioridade moral. Narrativas progressistas que ativam prazeres, contradições, risos e vivacidade. O prazer como poder político.
- AULA 3: POPULARIDADE DIGITAL
Professora responsável: Daiana Bruzzone
Modo: assíncrono
Resumo conceitual da aula
Apresenta-se como THE POPULAR em territórios e bairros de resistência. E à medida que THE POPULAR se digitaliza.
Oficina 1: Experiências populares de comunicação para a ativação de direitos.
Workshop 2: Experiências digitais populares para a ativação de direitos.
- AULA 4: LABORATÓRIO DE IDEIAS
Professores responsáveis: Omar Rincón | Daiana Bruzzone | Amparo Marroquín
Modalidade: síncrona
Resumo conceitual da aula
Esta seção foi criada para gerar ideias, formatos, conceitos e campanhas a partir de uma perspectiva baseada em direitos. Cada participante traz uma proposta. Os grupos são formados e temos que criar algo em uma hora. Performance, música, memes, paródia, corpos, vídeos, textos, imagens, sons, mixagens.
Conselhos de professores.
- AULA 5: MEU PROJETO PARA A BATALHA CULTURAL
Professores responsáveis: Amparo Marroquín | Daiana Bruzzone
Modalidade: síncrona
Resumo conceitual da aula
Oficina sobre a criação e o design de produtos finais: Tarefa: contar o que ainda não existe, imaginação insurgente, afetos como insumo criativo, narrativa que ganha vida.
- 6ª AULA: FEIRA DE IDEIAS
Professores responsáveis: Omar Rincón | Amparo Marroquín | Daiana Bruzzone
Modalidade: síncrona
Resumo conceitual da aula
Apresentação e partilha de produções. Estratégias para circular o próprio trabalho em redes, ruas, meios de comunicação e territórios.
Será feita uma apresentação com comentários.uma seleção dos trabalhos produzidos durante o curso.
- Amparo Marroquín (UCA, El Salvador)
- Omar Rincón (UniAndes, Colômbia)
- Daiana Bruzzone (FPyCS - UNLP, Argentina)
O talher O curso será ministrado virtualmente, combinando componentes síncronos e assíncronos. Ao longo de um mês, serão oferecidas seis aulas: quatro sessões ao vivo e duas sessões gravadas, disponíveis para visualização assíncrona. Cada aula integrará teoria crítica, estudos de caso e produção criativa.
As aulas serão realizadas ao vivo. por meio da plataforma Zoom, que permitirá a interação direta entre os participantes. Além disso, os alunos terão acesso a materiais exclusivos, disponíveis na sala de aula virtual, que complementarão o conteúdo abordado em cada sessão.
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Inscrições antecipadas (até 05/05) |
Inscrições gerais (6 a 11 de maio) |
Inscrição sem desconto |
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Centro de Membros Plenos ou Associados |
100 USD |
USD 150 |
200 USD |
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Sem link |
150 USD |
USD 225 |
300 USD |
Consultas: [email protected]