Área temática: Reconfigurações geopolíticas e multilateralismo
Grupo de trabalhoGeopolítica: Palestina e a nossa América
Grupo de Pesquisa STAND (Rede de Ação e Treinamento do Sul para a Descolonialidade)
Espanha
Programa Universitário de Estudos sobre a Ásia, África e Oceania
-Universidade Nacional Autônoma do México
México
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Departamento de Sociologia da UnB
Universidade de Brasília
Brasil
Uma perspectiva situada do estudo da Palestina no contexto latino-americano e caribenho, compreendida a partir de uma visão crítica e contextual do Sul Global.
O projeto que propomos se apresenta não apenas como uma iniciativa acadêmica legítima, mas também como uma intervenção intelectual e política urgente e necessária no contexto da tripla crise global contemporânea que vivenciamos: a crise multidimensional (ecológica, econômica e social), o retorno global de movimentos autoritários de direita e a profunda crise dos modelos democráticos liberais, particularmente visíveis na América Latina e na realidade colonial palestina, com atores como os Estados Unidos e Israel formando uma parceria política e estratégica na América Latina e no Oriente Médio.
Nossa justificativa está enraizada em referenciais teóricos críticos que oferecem chaves para a compreensão estrutural e possibilitam alianças estratégicas Sul-Sul não apenas por meio de nossos conceitos, mas também por meio de nossas instituições.
A proposta adota a estrutura do colonialismo de povoamento para analisar Israel/Palestina, indo além das análises excepcionalistas ou "centradas no conflito". Esse paradigma compreende o projeto sionista não como um mero conflito territorial, mas como uma estrutura de eliminação e substituição da população nativa, sustentada por um regime jurídico, militar e demográfico. Isso permite uma comparação estrutural com processos na América Latina que revelam a continuidade da lógica colonial, agora sob formas modernas de controle (muros, assentamentos, leis discriminatórias, extrativismo). Podemos contribuir significativamente para essa discussão e, ao mesmo tempo, aprender com a experiência palestina, com solidariedade e pensamento crítico.
Além disso, a referência ao "capitalismo fóssil" é crucial porque a Palestina está localizada em uma região-chave para hidrocarbonetos e rotas energéticas globais. O controle israelense, com apoio ocidental, atua como um agente regulador regional, garantindo a estabilidade de uma ordem energética extrativista. Isso vincula diretamente a opressão palestina à dinâmica do capital global e ao imperialismo contemporâneo. De forma semelhante, a América Latina sofre com o "extrativismo" como uma forma neocolonial de inserção subordinada na economia global, gerando conflitos socioambientais e desapropriação. O diálogo entre essas experiências revela como o padrão de poder global (Quijano) articula racismo, controle territorial e acumulação capitalista.
Por sua vez, o projeto também se alinha explicitamente com a virada decolonial ao rejeitar a epistemologia eurocêntrica que tem dominado a análise do "conflito" e ao buscar construir conhecimento a partir do Sul Global. O "Programa Sul-Sul" do CLACSO é o veículo ideal para isso. Trata-se de um ato de desobediência epistêmica: gerar estruturas teóricas a partir de experiências compartilhadas de colonização e resistência, criando uma ponte intelectual que contorna a mediação dos centros hegemônicos do Norte Global.
No contexto latino-americano, a ascensão global da direita radical, populista e autoritária (na Europa, nos EUA e na América Latina, com figuras como Bolsonaro e Milei) compartilha um fio condutor comum: a exaltação do etnonacionalismo, a securitização da política e o desprezo pelo direito internacional. O projeto israelense de anexação de fato e apartheid é, em muitos aspectos, um laboratório e um modelo para essas forças, podendo servir como foco de nossa análise.
1. Normalização do Apartheid: A impunidade de Israel normaliza políticas de segregação, muros e cidadania étnica, que ressurgem nos discursos sobre migração e segurança no Ocidente e na América Latina.
2. Alianças Reacionárias: Existe uma clara afinidade ideológica e uma cooperação concreta (na venda de tecnologias de vigilância e repressão) entre o governo israelense e governos de direita na América Latina. Estudar essa conexão é vital para desmantelar essas redes de poder autoritárias.
Ao comparar os movimentos de resistência palestinos (anticoloniais) com as lutas latino-americanas (indígenas, socioambientais, feministas), o grupo fortalece um arquipélago de pensamento e prática contra-hegemônicos contra o bloco reacionário. Esta pode ser a metodologia mais útil para a realização do nosso trabalho.
Outro elemento do contexto latino-americano é a crise da democracia liberal, que demonstra sua incapacidade de lidar com as desigualdades estruturais e sua cooptação pelas elites. Na Palestina, há uma "crise da democracia" em sua forma mais radical: a própria negação da soberania política. Diante disso, o projeto demonstra que a democracia genuína é impossível sob estruturas coloniais. O apartheid israelense é a antítese da igualdade de direitos. Essa compreensão é vital para a América Latina, onde a democracia formal muitas vezes coexiste com formas profundamente enraizadas de colonialismo interno e com a exclusão de povos indígenas e afrodescendentes.
Ao refletir sobre "as condições de coexistência", nosso grupo transcende o modelo falido dos Acordos de Oslo (baseado na fantasia da igualdade negociada sob ocupação) e pode explorar, a partir do diálogo Sul-Sul, horizontes políticos descolonizadores e verdadeiramente plurais, como o binacionalismo ou o confederalismo, também inspirados por experiências latino-americanas de plurinacionalidade.
Por fim, se considerarmos que a crise climática é impulsionada pelo capitalismo dos combustíveis fósseis, é preciso dizer que Israel participa da exploração dos recursos de gás do Mediterrâneo, privando a Palestina de sua Zona Econômica Exclusiva. Isso espelha o extrativismo na Amazônia ou no Cone Sul, permitindo ao grupo analisar a convergência entre o colonialismo de povoamento e o extrativismo como duas faces da mesma moeda, que é o mesmo sistema predatório.
Em conclusão, o Grupo de Trabalho que apresentamos é muito mais do que um espaço acadêmico. É um ato de solidariedade epistêmica e política em um momento de regressão histórica. Busca desmantelar narrativas hegemônicas (sionistas e orientalistas) e gerar suas próprias narrativas a partir do Sul Global, utilizando ferramentas como os estudos subalternos e a crítica pós-colonial.
Portanto, apoiar este projeto é investir em uma das batalhas intelectuais e políticas mais decisivas do nosso tempo: a luta contra a amnésia histórica, contra a normalização da opressão e pela construção de um horizonte comum de emancipação das ruínas que o colonialismo, o capitalismo fóssil e o autoritarismo deixaram na Palestina, na América Latina e no mundo. É um exercício necessário de imaginação política decolonial em um momento de profunda crise sistêmica.
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Checa Hidalgo, Diego. (2016). “Resistência civil e luta não violenta contra a ocupação nos territórios palestinianos.” In Siglo: Anais do V Congresso Internacional de História do Nosso Tempo, coordenado por Carlos Navajas Zubeldia e Diego Iturriaga Barco, 523-536. Logroño: Universidade de La Rioja.
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A apresentação deste grupo visa analisar os aspectos históricos e atuais que afetam a realidade dos palestinos na América Latina. A ideia é considerar como o colonialismo de povoamento, por meio da implantação populacional implementada pelo Estado israelense, fomenta o apartheid e o colonialismo na Palestina. Busca-se também examinar como a importância dessa região no capitalismo fóssil, no imperialismo e nessa continuidade do colonialismo impacta esses aspectos, comparando-os com diversas facetas da América Latina.
Este grupo de trabalho também contribuirá para o fortalecimento do Programa Sul-Sul promovido pela CLACSO e para o estímulo das relações entre a Palestina, a América Latina e o Caribe. As contribuições conceituais servirão para desenvolver as diversas linhas de pesquisa focadas na compreensão da realidade palestina em um contexto marcado pelo ressurgimento da política de direita e pela crise global da democracia.
Como é sabido, o conflito israelo-palestino tem recebido considerável atenção da mídia, da política e da sociedade. Tem sido interpretado e representado de diversas maneiras. Tem estado, e continua a estar, no centro da agenda diplomática e política internacional. A importância geopolítica, histórica e religiosa deste território, situado entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão, fez com que o conflito israelo-palestino fosse tema de inúmeros debates e publicações, tanto dentro como fora da academia. Contudo, a sua análise é indissociável do exame da região onde se situa. Esta questão abrange problemas contemporâneos e é também um espaço onde múltiplos preconceitos, essencialismos e ambições conflitantes têm desempenhado um papel importante.
Embora não seja um paradigma novo, o colonialismo de povoamento tem se consolidado como um campo de estudo em expansão. Esse arquétipo permite questionar o caráter excepcional que tem marcado numerosas análises sobre a Palestina-Israel, oferecendo a possibilidade de perspectivas comparativas com outros contextos e fenômenos, como os da nossa região. Dessa forma, o paradigma do colonialismo de povoamento não só é sugerido como a perspectiva mais útil para a compreensão da Palestina-Israel, mas também proposto como ponto de partida para uma análise decolonial dessa questão.
A causa palestina exige um renovado compromisso da política externa dos governos da América Latina e do Caribe, visto que a negação da Palestina tem sido uma operação intelectual e cultural excessiva. Este trabalho está estruturado em quatro seções: o papel desta região no sistema mundial, com foco na colonização da Palestina; a estrutura interna e as condições da Palestina; e as relações entre a Palestina e a América Latina. Em inúmeras ocasiões e em diversas versões, o conflito israelo-palestino tem sido explicado por meio de duas grandes estruturas interpretativas com raízes comuns: por um lado, o que se poderia chamar de sionismo maximalista e, por outro, o sionismo liberal ou de dois Estados. Ambas as abordagens contêm variações internas significativas, mas convergem para um fundamento semelhante: a negação da natureza colonial do problema israelo-palestino. Entre outros fatores, essas duas estruturas interpretativas têm sido e continuam sendo hegemônicas em grande parte do mundo, especialmente no Norte Global e fora dos territórios de maioria árabe e muçulmana. Assim como em outros contextos do Sul Global, elementos relacionados à colonialidade do saber têm sido de fundamental importância. O reconhecimento da questão palestina tem recebido atenção de diversas esferas políticas e acadêmicas; contudo, promove-se a distorção de informações sobre os direitos do povo palestino e suas reivindicações. Essa distorção se deve ao fato de que o pensamento eurocêntrico e americano, juntamente com suas ações concomitantes, exerceram pressão sobre as formas de pensar dos povos colonizados.
As conclusões que procuraremos alcançar a partir deste espaço de conhecimento e troca de experiências, juntamente com as contribuições das organizações que apoiam a libertação do povo palestino, podem servir de argumento para a promoção de uma política que vise alcançar a paz. Entre os objetivos para a realização de uma análise conjunta sobre a Palestina e o conflito na América Latina estão: - Desenvolver referenciais teóricos fora dos centros intelectuais hegemônicos para o estudo da Palestina, através da identificação de similaridades políticas, econômicas e sociais, a fim de gerar aprendizado mútuo. - Aprender sobre a cultura palestina e reconhecer suas relações com as culturas latino-americanas; - Incentivar a colaboração acadêmica entre intelectuais palestinos e latino-americanos; - Identificar elementos comuns entre os movimentos de resistência palestinos e latino-americanos; - Compreender os processos de colonização na Palestina e na América Latina; - Analisar a política externa palestina em relação aos países latino-americanos e vice-versa; - Analisar as particularidades de diferentes conflitos territoriais e situações coloniais, em relação às contribuições que esses diferentes casos ou situações coloniais oferecem quando colocados em diálogo. Estudar a Palestina a partir da América Latina: Analisar a Palestina sob diversas perspectivas das Ciências Sociais tornou-se necessário para compreender as diferentes dinâmicas políticas, econômicas e socioculturais que não são estranhas nem completamente distintas daquelas que se desenvolvem em outras regiões geográficas. A questão palestina tem sido estudada por diversos centros intelectuais, e a América Latina não é exceção. No entanto, é comum revisitar escolas de pensamento e fundamentos teóricos desenvolvidos e elaborados na Europa e nos Estados Unidos, relegando a segundo plano propostas teóricas de outros grupos de estudo. O objetivo fundamental deste grupo é refletir sobre os aspectos que convergem na busca do povo palestino pela autodeterminação. Adotando uma abordagem multidisciplinar, serão utilizadas diferentes metodologias no campo das ciências sociais para compreender os diversos fatores que afetam a Palestina como consequência da ocupação. Algumas das tarefas propostas por este grupo incluem o diálogo entre a produção de conhecimento e informação gerada na Palestina relacionada à ocupação e a produzida sobre o mesmo tema na América Latina. Por sua vez, o intercâmbio fomentado por este grupo promove preocupações teóricas; o objetivo é pensar a partir do Sul sobre os diferentes elementos epistemológicos que, desta região caribenha e latino-americana, podem contribuir para propor uma solução sustentável para os palestinos, orientada para a fundação e defesa da soberania deste povo. Este grupo de pesquisa também considera a disseminação de conteúdo relacionado à colonização na Palestina como um elemento estratégico; nesse sentido, a compilação e disseminação por meio de um site e outros meios é considerada prioritária devido à visão distorcida e à opacidade que existe sobre a realidade palestina, que, em sua maior parte, é posicionada na América Latina segundo a perspectiva orientalista da mídia e de outras plataformas da indústria cultural. Além disso, presume-se que o colonialismo sofrido pelos palestinos deve ser compreendido a partir do discurso de dominação e das ações concretas de poder do ocupante que estão expostas atualmente. Analisando a questão palestina a partir da América Latina, como parte do Sul Global.
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Ramos Tolosa, Jorge (2022) Palestina a partir das Epistemologias do Sul. CLACSO, Buenos Aires.
(Ações para coordenar pesquisas sociais comparativas relevantes e rigorosas com uma perspectiva regional)
1. Conexões políticas internacionais entre a América Latina e o Oriente Médio com base na Questão Palestina, explorando como essa questão articula agendas políticas, solidariedades, diplomacias e redes transnacionais entre ambas as regiões.
2. Temas diaspóricos e migração palestina na América Latina, abordando processos históricos e contemporâneos, identidades, mobilizações políticas e dinâmicas socioculturais das comunidades palestinas na região.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Painel inscrito em conferência internacional. De preferência, o Fórum de Doha 2027 no Catar, onde se reúnem os principais pesquisadores sobre a Palestina.
Curso híbrido em parceria com o Seminário de Estudos Palestinos da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e a Cátedra Jorge Alonso da Universidade de Guadalajara (México).
Perfil em redes sociais.
Participações em programas de televisão, rádio e mídia online.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, gestores ou funcionários de políticas públicas, experiências comunitárias e territoriais)
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
Articulação com o Seminário de Estudos Palestinos da UNAM e a Cátedra Jorge Alonso da Universidade de Guadalajara, México.
Ter organizado pelo menos uma reunião internacional convocada pelo grupo.
Número total de pesquisadores admitidos: 41
Grupo de Pesquisa STAND (Rede de Ação e Treinamento do Sul para a Descolonialidade)
Espanha
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Pós-graduação em Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
Centro de Estudos Culturais Latino-Americanos
Faculdade de Filosofia e Humanidades
Universidade do Chile
Chile
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Pós-graduação em Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
Programa Universitário de Estudos sobre a Ásia, África e Oceania
-Universidade Nacional Autônoma do México
México
Centro de Pesquisa de Política Internacional
Cuba
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Departamento de Sociologia da UnB
Universidade de Brasília
Brasil
Instituto de Pesquisa Adolfo Prieto
Faculdade de Humanidades e Artes
Universidade Nacional de Rosário
Argentina
Instituto de Pesquisa Adolfo Prieto
Faculdade de Humanidades e Artes
Universidade Nacional de Rosário
Argentina
Instituto de Pesquisa Adolfo Prieto
Faculdade de Humanidades e Artes
Universidade Nacional de Rosário
Argentina
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Pós-graduação em Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
Programa de Pós-Graduação em Estudos Latino-Americanos
Área de Coordenação de Pós-Graduação, Faculdade de Filosofia e Letras
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Grupo de Pesquisa STAND (Rede de Ação e Treinamento do Sul para a Descolonialidade)
Espanha
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Centro de Humanidades
Universidade Estadual do Ceará
Brasil
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Pós-graduação em Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Brasil
Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia
-Universidade Complutense de Madri
Espanha
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Pós-graduação em Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Pós-graduação em Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Instituto de Pesquisa Adolfo Prieto
Faculdade de Humanidades e Artes
Universidade Nacional de Rosário
Argentina
Universidade Autônoma da Cidade do México
Coordenação acadêmica
Universidade Autônoma da Cidade do México
México
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Pós-graduação em Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Estadual de Campinas
Brasil
Centro de Estudos Culturais Latino-Americanos
Faculdade de Filosofia e Humanidades
Universidade do Chile
Chile