Área temática: Conhecimento comum
Grupo de trabalhoFilosofia política: o princípio do bem comum
Centro de Estudos Sociais e Culturais
Universidade Bolivariana da Venezuela
Venezuela
Doutorado em Comunicação
Universidade de La Frontera
Chile
Problema de pesquisa
Este projeto, intitulado "O Princípio dos Comuns: Entre o Legado dos Comuns e a Contraofensiva da Extrema Direita Neoliberal", visa criar um mapeamento político-filosófico do conceito de "comuns" na América Latina e no Caribe, estabelecendo como eventos-chave o Fórum Social Mundial em Porto Alegre e a crise dos comuns decorrente do fortalecimento dos movimentos de direita na região. Em uma era que enfatiza o indivíduo, mas cujos principais problemas — aqueles que ameaçam a viabilidade planetária — remetem aos comuns, seu estudo não é apenas relevante, mas urgente (Danowski, D. & Viveiros de Castro, E. 2019). A compreensão e a prática dos comuns abrangem muitas camadas de significado. Esta pesquisa propõe uma metodologia multiescalar para o estudo dos "comuns", buscando compreendê-los e analisá-los a partir de uma perspectiva abrangente e complexa, incorporando (1) as escalas local, nacional e global; (2) as dimensões ontológica, epistemológica e político-econômica de análise; e (3) as abordagens filosófico-políticas da teoria dos bens comuns, das teorias comunitárias e das teorias distributivas dos bens comuns. Essa metodologia nos permitirá considerar diferentes “bens comuns”, por exemplo, visões normativas dos bens comuns, a compreensão e as práticas dos coletivos em relação aos bens comuns, o imaginário social contemporâneo dos bens comuns, as tensões entre o indivíduo e o comum e os processos de construção (ou destruição) social dos bens comuns. Reconhecendo essa complexidade teórica, política e cultural, este programa delimitará sua pesquisa aos seguintes pontos: (a) o legado dos bens comuns como prática teórica, política e filosófica latino-americana; (b) a reapropriação dos “bens comuns da identidade nacional” pela extrema direita na América Latina e no Caribe; (c) o deslocamento dos bens comuns pelo indivíduo no âmbito da cultura local-global e neoliberal; e (d) o reconhecimento das diversas conceitualizações dos “bens comuns”. ("comunal", "bens comuns", "direitos comuns", "comunidade") como formas que descrevem afetos e materialidades que transbordam os limites com que a extrema-direita neoliberal cerca o político.
Relevância do comum
O conceito de "comum" tem uma longa história na filosofia e na política mundial. Podemos remontar a Platão e Aristóteles para encontrar formulações do "comum" em seus textos, que se tornariam parte das elaborações filosóficas e políticas propostas para repensar a democracia e a igualdade no século XX (Rancière, J., 1996; Badiou, A., 2013; Esposito, R., 2003; Borón, A., 1999). Na questão do "comum" na filosofia política latino-americana, quatro fases distintas podem ser identificadas. Primeiro, o comum é abordado a partir da perspectiva dos direitos humanos (Roniger, L., 2018) e, em seguida, a partir da perspectiva dos direitos ao comum (Ostrom). Segundo, o comum é considerado a partir da reelaboração das cidadanias devido a um profundo questionamento do universalismo e da abstração (Ciriza, A.: 2014; Cabnal, L: 2010); terceiro, o "comum" é descrito a partir da comunidade, do comunal e das posições (des)coloniais (Gutiérrez, R: 2017; Roca-Servat, D & J. Perdomo: 2020; Torres, R. 2018); e quarto, a reapropriação do comum como "comum da identidade nacional" desenvolvido pela extrema-direita do continente (Bolcato, A & G.Sourgeon: 2020).
1. Dos direitos humanos aos direitos aos bens comuns
O mais importante dos ideais democráticos defendidos em meados do século XX é que o poder político deve expressar uma "vontade política comum", ou seja, a verdadeira vontade democrática de um povo. A tentativa de estabelecer como essa vontade política comum é formada tornou-se o tema central das teorias democráticas e jurídicas contemporâneas. A formação de uma vontade política comum só pode ocorrer dentro de um diálogo reflexivo no qual discutimos com os outros o que almejamos em comum, em que tipo de mundo queremos viver juntos como parte de uma comunidade (Villavicencio, S. 2025). Este mínimo comum se articula na necessidade de afirmar os direitos humanos como base para a descrição dos bens comuns (Gargarella, R.: 2021), garantindo o reconhecimento da interdependência, a proteção da diversidade e a promoção da participação (Acosta, a: 2013; Boelens, R & Vos, J. (2012). Garantir a vida e a igualdade implica garantir e regular os direitos dos bens comuns; nessa direção, a discussão sobre direitos avançou, incorporando a importante questão dos bens comuns (Bailo, G., 2018; Grueso, D. 2020).
2. O comum na alteração pelo singular situado
É importante destacar que a transformação do conceito e da prática dos bens comuns decorre do questionamento de seu universalismo. Um dos desafios mais interessantes vem do feminismo. Se mapeássemos os bens comuns do final do século XX até o presente, veríamos que foram as políticas ligadas ao feminismo (em uma definição ampla e complexa) que redefiniram os bens comuns a partir de perspectivas situadas (gênero, raça) e locais (etnia, território). A implementação, com diferentes graus de eficácia, de políticas voltadas para a expansão dos limites da representação política vinculará essa linguagem a discussões sobre participação e igualdade (Alterman E. 2019; E. Medina: 2021). O que na teoria política era percebido como o debate entre universalistas e comunitaristas, no discurso feminista se traduziu em uma forte crítica ao falso universalismo dos direitos. De uma perspectiva situada e concreta, mas afastando-se do liberalismo, avanços serão feitos na introdução de ética diferencial, justiça comunitária e políticas de cuidado (M. Salamanca: 2020; K. Batthyány: 2021). Outra área de desafio à universalidade abstrata dos direitos e da cidadania decorre das políticas LGBTI; estas intervêm crucialmente nos modos de representação do corpo e da sexualidade, bem como na criação de uma nova ordem jurídica não binária. Essas políticas abrangem áreas tão amplas quanto as artes, a literatura e as políticas institucionais: imagem, texto e leis (Gutiérrez, A. et al.: 2021). Essa expansão e transformação dos bens comuns é complementada pela emergência de feminismos antipatriarcais. Retomando as ações e posições feministas dos anos oitenta no continente, essa emergência feminista assumirá como seu principal nó articulador a crítica ao patriarcado e à violência sexual a partir de posições ecofeministas (Cumes, A., 2012; J. Díaz: 2021), instalando sua discussão e políticas nas relações de apropriação coletiva e bens comuns, imaginando formas de relacionamento guiadas pela cooperação e solidariedade (Fontánez, E.: 2023).
3. Os aspectos comuns, comunitários e baseados na comunidade da América Latina e do Caribe
Não surpreende que o livro "Comum", de Christian Laval e Pierre Dardot, identifique a "Batalha pela Água" em Cochabamba, Bolívia (Laval & Dardot, 2014), como um marco na transformação da prática política das democracias do século XXI. Isso porque é precisamente na América Latina que ocorreram as experiências políticas mais interessantes, experiências que visam transformar a natureza liberal e individualista das democracias do século XXI (Bonilla, 2018; Rueda et al., 2022; Massol, 2024). O conceito de bens comuns busca descrever um tipo de política caracterizada pela transversalidade, mutualismo e compromisso com a cooperação presente e futura. Sua geometria, articulada em linhas horizontais, busca desmantelar as hierarquias de alto e baixo para repensar a sociedade e a própria política, descrevendo-a como cada vez mais próxima de uma "ecologia política".
-Bailo, G. (2018), "Bens comuns nos primeiros códigos latino-americanos", Revista Dereito, N14.
-Batthyany, K. (2021), Perspectivas latino-americanas sobre o cuidado, Buenos Aires, CLACSO
-Badiou, A., República de Platão, Fondo de Cultura Económica
-Boelens, R. Vos, J. (2012), A construção do comum, Quito, FLACSO
-Bonilla, D. et al. (2018), Constitucionalismo nas Américas, Cheltenham, Reino Unido, Edward Elgar Pub.
-Sousa Santos, B. (2014), “Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes” em Boaventura de Sousa Santos & María Paula Menese (eds.), Epistemologias do Sul (Perspectivas), Madrid, AKAL.
-Bolcato, A & Gastón Souroujon (orgs., 2020), As novas faces da direita na América Latina, Argentina, Universidade Nacional do Litoral.
-Boron, Atilio A. (Comp.) (1999): Filosofia Política Clássica. Da Antiguidade ao Renascimento. Buenos Aires: CLACSO/Eudeba, 1999.
-Canal, Lorena. (2010). Feminismos Diversos: Feminismo Comunitário. Madri: Acsur-Las Segovias
-Ciriza, A. (2014) Sobre a noção de cidadania. Uma leitura feminista sobre genealogias, tensões e ambivalências, Revista para Educadores, Professores e Formadores, Vol. 5 (3)
-Cumes, Aura Estela (2012). Mulheres indígenas, patriarcado e colonialismo: um desafio à segregação abrangente das formas de dominação. In Anuário
Folhas de Warmi. Murcia, nº 17, pp. 1-16.
-Díaz Lozano, Juliana, Delmy Tania Cruz Hernández, Lina Magalhâes e Victoria Pasero (Coords.) (2021) Fronteiras e corpos contra o capital. Insurgências
Feministas e movimentos populares em Abya Yala. Buenos Aires-México: El Colectivo- Bajo Tierra.
-Danowski, D. & Viveiros de Castro, E. (2019), Existe um mundo por vir?, Buenos Aires, Caja Negra.
-Esposito, R. (2003), Communitas, Buenos Aires, Amorrortu
-Fontánez, E. (2023), O direito ao comum, Porto Rico, Edições Laberinto.
- Gargarella, R. (2021), O direito como diálogo entre iguais. O que fazer para que as democracias se abram -finalmente- ao diálogo cidadão, Buenos Aires, Siglo XXI
- Gutiérrez, R. (2012), Horizontes comunitários populares. Produção do comum para além das políticas estatais, Madrid, Traficantes de sueños.
-Gutiérrez-Díaz, A. et al. (2021), “Políticas públicas latino-americanas na comunidade LGBTIQ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, intersexuais, queer): revisão documental”, Revista de Pesquisa em Saúde, Universidade de Boyacá, 8 (1): 112-135.
-Grueso, D. (2020), "Corrupção, bens públicos e solidariedade social" em trajetórias humanas transcontinentais, edição especial, nº 7, pp. 39-55
-Massol, A.(2024), Autogestão Comunitária, Adjuntas, Porto Rico, Casa Pueblo Publishing House.
-Medina, E. & MJ Fernández-Gómez (2021), “20 anos de evolução na representação política das mulheres”, Revista Izquierdas, 50, agosto de 2021:1-19
- Montañez, D. (2020), “Rumo a um paradigma latino-americano dos comuns”, Revista Líder, 37 (22), pp.44-62
-Ostrom, E. (2015), Governando os bens comuns: a evolução das instituições para a ação coletiva, Cambridge, Cambridge University Press.
-Ranciére, J. (1996), Desacordo, Nova Visão.
-Roca-Servat, D. & Jenni Perdomo-Sánchez (Org., 2020), A luta pelos bens comuns e alternativas ao desenvolvimento diante do extrativismo. Perspectivas das ecologias políticas latino-americanas, Buenos Aires, CLACSO
-Rueda, E, Larrea, A., & Castro, A. (orgs. 2022), Retornando à origem. Narrativas ancestrais sobre a humanidade, o tempo e o mundo, Buenos Aires, UNESCO-CLACSO.
-Salamanca, M. (2020), “Ética do cuidado, decolonial”, Revista Redbioética, UNESCO, 1, 21, pp.
-Torres, R. (2018), O sentido do comum. Pensamento Latino-Americano, Buenos Aires CLACSO
-Villavicencio, S. (2025), "Cosmopolítica: o significado de um mundo comum", Pesca de Pérolas. Revista de Estudos Arendtianos, Vol. 4, nº 4, pp. 203-217
O cenário da teoria filosófica e política aborda o conceito de bens comuns a partir de pelo menos três perspectivas: 1) crise do padrão de acumulação; 2) transformação jurídico-constitucional; e 3) apropriação dos bens comuns pela direita.
1. O conceito de "bens comuns" evoluiu de uma noção central na teoria política sobre governança de recursos para um eixo fundamental da crítica ecológica ao capitalismo e para a transformação do padrão de acumulação (García Linera A.: 2011; Linsalata, L.: 2014). O conceito de bens comuns reflete a necessidade de propor práticas teóricas capazes de abordar a crise ecossocial (Gutiérrez, R.: 2018). A atual mudança em direção ao pensamento ecológico não é meramente uma extensão temática da filosofia política, mas uma reconfiguração radical da compreensão da acumulação capitalista (Toscano, A.: 2021). O padrão de acumulação neoliberal tem sido caracterizado pela acumulação por despossessão e desastre, ou seja, pela privatização de bens e serviços que antes eram públicos ou comunitários (Fontánez, E.; 2023), afetando a configuração da esfera sociopolítica, a produção de conhecimento e a vida como um todo. A crise ecológica deixa claro que o capitalismo não apenas explora o trabalho, mas também esgota os sistemas naturais e sociais dos quais depende. A noção de "bens comuns" surge aqui como um contraparadigma que desafia a lógica da propriedade privada e sua relação dominante com a natureza. A natureza não é simplesmente um recurso a ser gerenciado, mas o sistema vital do qual dependemos. As políticas que derivam de um conceito de "bens comuns ecológicos" são: (a) subversão do padrão de acumulação; (b) desmercantilização: remoção dos bens essenciais da lógica de mercado; (c) produção de valor qualitativo, ou seja, substituição da acumulação quantitativa de capital pela produção de valor de uso, focada na sustentabilidade e na satisfação de necessidades reais; e (d) promoção de formas de governança democrática. Este último ponto implica a substituição da governança hierárquica e tecnocrática por uma em que a tomada de decisões seja coletiva e participativa. A partir dessas reformulações do conceito de "bens comuns", passamos de uma ideia política abstrata para uma que necessariamente vincula ecologia e política. Esta definição de ecologia política fornece um quadro conceitual que não só tenta mitigar os danos da crise ambiental e econômica, como também oferece fundamentos teóricos e políticos situados para o desenvolvimento de alternativas ao padrão de acumulação capitalista neoliberal baseado na desapropriação e na externalização dos custos ecológicos. Nessa perspectiva, a transformação do padrão de acumulação só é possível por meio do estabelecimento de práticas comuns que coloquem a sustentabilidade da vida no centro da teoria e da ação política.
2. A perspectiva do comum nos novos constitucionalismos latino-americanos: o "novo constitucionalismo latino-americano" está intrinsecamente ligado à noção de "comum" ao institucionalizar princípios que desafiam o modelo liberal-individualista e o modelo tradicional centrado no Estado, integrando demandas históricas de movimentos sociais, especialmente os movimentos indígenas, feministas e ambientalistas. Autores como Boaventura de Sousa Santos e Carlos de la Torre analisam esse fenômeno a partir de uma epistemologia situada, buscando refundar o Estado e sua lógica extrativista. De Sousa Santos argumenta que existe um "terreno comum constitucional" Dá visibilidade legal a práticas sociais marginalizadas, como formas de governança comunitária e sua relação com a natureza (Sousa, S., 2009). Carlos de la Torre, por outro lado, concentra-se nas tensões entre a democracia radical e as estruturas institucionais nesses processos constituintes (De la Torre, C: 2023). Os principais casos na América Latina onde o "comum" A discussão constitucional aborda (a) a Colômbia (1991): A Constituição colombiana de 1991 foi pioneira no reconhecimento de um Estado "pluricultural" e no estabelecimento de mecanismos de participação cidadã e direitos coletivos (como os das comunidades negras e indígenas), lançando as bases para a inclusão dos "bens comuns"; (b) a Venezuela (1999): A Constituição de 1999 redefiniu a soberania para incluir a participação popular ("democracia participativa e protagonista"). Embora tenha centralizado o poder estatal, introduziu o conceito de "bens de domínio público" e o papel do Estado na proteção ambiental, refletindo uma retórica de reapropriação de recursos para o "comum"; (c) Bolívia (2009): A Constituição boliviana é talvez o exemplo mais completo da noção institucionalizada de "o comum". Ela estabelece o Estado Plurinacional e reconhece os direitos da Pachamama, concedendo personalidade jurídica à natureza. O princípio do Bem Viver (Suma Qamaña) é um eixo central que prioriza a comunidade e a harmonia ecológica em detrimento do desenvolvimento extrativista tradicional (d) Chile: a proposta de Constituição política (2022) dá grande ênfase aos "bens comuns naturais" (especialmente a água) e a um potencial reconhecimento da plurinacionalidade. Embora esse projeto constitucional tenha sido rejeitado, a noção de bem comum assumiu importância central durante o debate. A articulação entre "o comum" e o feminismo nesses debates constitucionais é fundamental para a compreensão da natureza da mudança conceitual nas apostas teóricas e políticas na América Latina. As formas que essas mudanças assumem são evidentes na crítica às formas tradicionais de representação; no surgimento da tomada de decisões em assembleias como um tipo de tomada de decisão coletiva; e na criação de espaços para autogestão e autocuidado. Neste último ponto, é possível destacar as práticas dos bens comuns dos feminismos comunitários e comunais. Parte da bibliografia essencial para esta discussão — em relação à reprodução social, ao extrativismo e ao papel das mulheres na resistência territorial — inclui os textos de Vandana Shiva, Staying Alive: Women, Ecology, and Survival in India (1991); Silvia Federici, Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation (1994); e Raquel Gutiérrez Aguilar, ¡A desordenar! (2013); e Lorena Cabnal, Feminismos Diversos: Feminismo Comunitário (2010).
3. A Perspectiva dos Bens Comuns Nacionais e da Identidade: A apropriação, pela nova direita, do discurso dos "bens comuns", ou mais precisamente, de um "bem comum da identidade nacional", representa uma mudança estratégica e eleitoral. A nova direita não busca a autogestão ou a desmercantilização, mas sim a defesa de uma comunidade política e cultural homogênea contra o que percebe como ameaças externas e internas: migração, globalização e políticas de gênero. Os eixos que descrevem essas posições são: (a) neoconservadorismo cultural: a "identidade nacional" é apresentada como o "bem comum" supremo que deve ser protegido; (b) populismo de direita: líderes da extrema-direita utilizam linguagem populista, dividindo a sociedade entre um "povo" virtuoso e homogêneo (a nação) e "elites corruptas" (políticas e culturais) que traem esse "bem comum nacional". Seguindo essa mesma lógica de apropriação, a extrema-direita toma a noção de soberania popular para justificar medidas autoritárias em nome da defesa da identidade nacional contra inimigos internos (progressistas, minorias) e inimigos externos (organizações internacionais, migrantes); e (c) gramscismo de direita: haveria uma estratégia consciente por parte da extrema-direita para influenciar a hegemonia cultural, criando "think tanks" para esse fim e usando a arquitetura da mídia (imagens, redes e plataformas) para fazer do bem comum uma defesa conservadora e nacionalista.
- Cardoza, Melissa (2014) As pessoas que vivem ao longo do rio Gualcarque contam suas histórias: a luta da COPINH contra a barragem de Río Blanco em Honduras. In Claudia Composto e Mina Lorena Navarro (orgs.). Territórios em disputa. Desapropriação capitalista, lutas em defesa dos bens comuns naturais e alternativas emancipatórias para a América Latina. México: Edições Bajo Tierra, pp. 203–219.
-Composto, Claudia e Navarro, Mina Lorena (2014). Chaves para a compreensão da desapropriação e das lutas pelos bens comuns naturais na América Latina. In Claudia Composto e Mina Lorena Navarro (orgs.). Territórios em disputa. Desapropriação capitalista, lutas em defesa dos bens comuns naturais e alternativas emancipatórias para a América Latina. México: Edições Bajo Tierra, pp. 33-74.
-Cruz Hernandez, Delmy Tania (2020). Feminismos territoriais de base comunitária de Abya Yala: mulheres organizadas contra a violência e o desapossamento. In Revista Estudios Psicosociales Latinoamericanos, 3, pp. 88-107. Disponível em: https://journalusco.edu.co/index.php/repl/article/view/2581/3983
-Díaz Lozano, Juliana, Delmy Tania Cruz Hernández, Lina Magalhâes e Victoria Pasero (Coords.) (2021) Fronteiras e corpos contra o capital. Insurgências feministas e populares em Abya Yala. Buenos Aires- México: El Colectivo- Bajo Tierra.
-Fernández Droguett, Francisca e Florencia Puente (2024. Feminismos ecoterritoriais na América Latina: cuidar, criar, reexistir. Buenos Aires: Fundação Rosa Luxemburgo.
-Fontánez, E. (2023), O direito aos bens comuns. Bens comuns, propriedade e justiça climática, Porto Rico, Ediciones Laberinto.
-Gargallo, Francesca (2013) Feminismos de Abya Yala. Buenos Aires: América Libre-Chichimora.
-Korol, Claudia (2016) Somos terra, semente, rebelião. Buenos Aires: América Livre.
-Longo, Roxana (2022) Feminismos críticos em territórios urbanos e rurais de Abya Yala. Buenos Aires: Teseo.
-Roig, Elisabeth (2008) Magui Balbuena. Semente para uma nova sementeira. Buenos Aires: edições Trompo
-De la Torre, C., (2023), Populismo e democracia, Equador, Editorial Curiquingue.
-Federici, S., (2004), Caliban e a Bruxa. Mulheres, o Corpo e a Acumulação Primitiva, NY, Autonomedia.
-García Linera, A. (2011), O poder plebeu, Havana, Casa de las Américas.
-Gutiérrez, Raquel (2018), Comunalidade, parcelas comunitárias e a produção do comum. Debates contemporâneos da América Latina, Oaxaca, México.
-Gutiérrez, R. (2013), ¡A desordenar! Por uma história aberta da luta social, México, Editorial Pez en el Árbol.
-Laval Ch. e P Dardot (2015), Common. Ensaio sobre a revolução no século XXI, Valência, Gedisa.
-Linsalata, Lucía (2014) Nem público nem privado: comum. Práticas e significados da gestão comunitária da água na zona sul de Cochabamba, Bolívia. In Claudia Composto e Mina Lorena Navarro (Orgs.). Territórios em disputa. Desapropriação capitalista, lutas em defesa dos bens naturais comuns e alternativas emancipatórias para a América Latina. México: Edições Bajo Tierra, pp. 249-268.
-Negri, A & M. Hardt, Commonwealth, o projeto de uma revolução comum, Madrid, Akal, 2011.
-Shiva, V. (2016), Permanecendo viva. Mulheres, ecologia e desenvolvimento, North Atlantic Books.
- Sousa Santos, Boaventura (2009), Epistemologias do Sul, Madrid, AKAL.
-Toscano, A. (2021), A abstração do real. Filosofia, estética e capital, Santiago, Palinodia.
(Ações para coordenar pesquisas sociais comparativas relevantes e rigorosas com uma perspectiva regional)
•Objetivos específicos:
-Definir temas de pesquisa e estabelecer subgrupos de trabalho para a produção coletiva de conhecimento (primeiro ano)
-Analisar a produção da filosofia política do “comum” desde o Fórum Social de Porto Alegre até o surgimento da nova direita na América Latina e no Caribe.
-Aprofundar os temas de trabalho individualmente e coletivamente.
- Expandir as redes de contato para incorporar pesquisadores e perspectivas.
- Produzir um produto editorial (livro) intitulado “Cartografias do comum”, com capítulos escritos pelos membros do grupo, apresentando os resultados do projeto sob diferentes perspectivas.
• Ciclos de apresentação e discussão de propostas de pesquisa e seu progresso.
• Reunião GT em um dos países da América Latina onde contaremos com o apoio do(s) centro(s) membro(s) local(is) da CLACSO (anual).
• Reuniões de trabalho virtuais com os Grupos de Trabalho da CLACSO “Ciência Aberta como Bem Comum”, “Metabolismo Social e Justiça” e “Justiça Ambiental”
• Construção de termos para compilação e edição da produção editorial coletiva de resultados de pesquisa
• Produção e edição do boletim informativo semestral “Filosofia para Transeuntes”.
• Realizar uma conferência presencial sobre o tema em um país da América Latina.
• Produção e participação dos membros do GT com apresentações sobre avanços da pesquisa em eventos acadêmicos (congressos, simpósios e reuniões) para apresentar as perspectivas desenvolvidas sobre o tema.
• Elaboração e divulgação, por meio dos canais institucionais, das áreas de trabalho que os membros do GT desenvolverão.
• Elaboração de agendas e eixos de trabalho do InterGts CLACSO para a organização de seminários internos de debate e apresentação de pesquisas individuais e coletivas.
• Edição e apresentação do livro “Cartografias do comum” através da coordenação das publicações da CLACSO e nos espaços dos Centros locais da CLACSO aos quais pertencem os participantes do GT.
• Produção de conteúdo para o site do Grupo de Trabalho de Filosofia Política da CLACSO, incluindo textos, edições e conteúdo multimídia sobre a história do pensamento político latino-americano e caribenho.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
• Conceber e criar o website do Grupo de Trabalho de Filosofia Política da CLACSO para divulgar a história e as atividades do Grupo de Trabalho e seu papel fundamental no pensamento latino-americano e caribenho.
• Continuar a publicação dos boletins informativos semestrais “Filosofias Transitórias”.
• Divulgar as atividades e os coletivos em que os membros do GT participam.
• Organizar e promover a apresentação da produção editorial (livro) da produção coletiva do GT
• Promover a divulgação das atividades de formação (cursos, seminários, diplomas avançados e redes de pós-graduação) como produto da GT
• Buscar fontes de financiamento, patrocínio e alianças institucionais para a organização da conferência presencial “(Re)configurações do comum” para a disseminação de avanços da pesquisa, Escola de Verão Itinerante e Rede de Pós-Graduação em Filosofia Política.
• Produção de conteúdo digital para a criação e manutenção do site do Grupo de Trabalho de Filosofia Política da CLACSO.
• Compilar, editar e distribuir os boletins informativos semestrais “Filosofias Transitórias”.
• Produção de comunicados de imprensa, entrevistas, posts e vídeos para redes sociais sobre as atividades individuais e coletivas do GT.
• Produção do lançamento e divulgação do conteúdo editorial da GT
• Divulgação das atividades de formação do GT
• Reuniões de patrocínio e apoio institucional para a conferência presencial de apresentação de resultados de pesquisa, a Escola de Verão Itinerante e a Rede de Pós-Graduação em Filosofia Política.
• Produção e edição do boletim informativo semestral “Filosofia para Transeuntes”.
• Realizar uma conferência presencial sobre o tema em um país da América Latina.
• Produção e participação dos membros do GT com apresentações sobre avanços da pesquisa em eventos acadêmicos (congressos, simpósios e reuniões) para apresentar as perspectivas desenvolvidas sobre o tema.
• Elaboração e divulgação, por meio dos canais institucionais, das áreas de trabalho que os membros do GT desenvolverão.
• Elaboração de agendas e eixos de trabalho do InterGts CLACSO para a organização de seminários internos de debate e apresentação de pesquisas individuais e coletivas.
• Edição e apresentação do livro “Cartografias do comum” através da coordenação das publicações da CLACSO e nos espaços dos Centros locais da CLACSO aos quais pertencem os participantes do GT.
• Produção de conteúdo para o site do Grupo de Trabalho de Filosofia Política da CLACSO, incluindo textos, edições e conteúdo multimídia sobre a história do pensamento político latino-americano e caribenho.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, gestores ou funcionários de políticas públicas, experiências comunitárias e territoriais)
• Criação do programa “Escola de Verão Itinerante” para que o pensamento político e filosófico produzido na academia esteja mais conectado com a realidade das organizações populares, movimentos sociais e sociedade civil.
• Chamada aberta, pública e democrática para jovens estudantes de graduação e pós-graduação se juntarem à rede latino-americana de Filosofia Política.
• Concepção e lançamento da Escola Itinerante de Verão de Filosofia Política Latino-Americana e Caribenha
• Série de entrevistas e intercâmbios entre líderes de organizações populares, movimentos sociais e civis que participam da escola itinerante de verão.
• Organização das edições anuais da Escola Itinerante de Verão
• Chamada pública a jovens estudantes de ciências sociais e humanas da região para a formação da rede latino-americana de filosofia política.
• Lançamento da primeira “Escola Itinerante de Verão de Filosofia Política Latino-Americana e Caribenha: Cartografias do Comum” e organização das próximas edições.
• Realização de encontros de intercâmbio entre líderes, atividades e participantes de organizações populares, movimentos sociais e sociedade civil, e divulgação desses encontros por meio dos órgãos de divulgação da GT e da plataforma CLACSO (InfoCLACSO).
• Produção e divulgação de novas edições da Escola de Verão
• Chamada para inscrições nos Cursos Itinerantes de Verão de Filosofia Política II e III (2027-2028)
• Resultados da primeira convocação para a formação da rede latino-americana de filosofia política.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
• Cooperação com grupos de cooperação internacional da UE, do Comitê de Bioética da UNESCO e do Laboratório Global de Pesquisa Literária da Universidade Aberta da Catalunha para a busca de cooperação e troca de experiências.
• Fortalecer as experiências de interação com organizações de movimentos civis, populares e sociais para intercâmbios, tematização e cooperação em matéria de resistência e defesa do bem comum.
• Participação dos membros dos GTs em atividades, projetos e programas dos GTs da CLACSO como colaboradores.
• Promover a criação da Rede Latino-Americana de Filosofia Política, Ciências Sociais e Humanas (REPFIPOL)
• Promover a criação da Rede Latino-Americana de Filosofia Política.
• Concepção e criação de um programa de pós-doutorado em Filosofia Política, Ciências Sociais e Humanidades, em conjunto com o Centro de Estudos Sociais e Caribenhos “José Antonio Portuondo”, da Universidade de Oriente, Santiago de Cuba.
• Ampliação das redes de contato e intercâmbio acadêmico entre os participantes do Grupo de Trabalho para a construção de uma instância de cooperação Sul-Norte
• Encontros e interações com organizações civis, populares, acadêmicas e movimentos sociais que desenvolvem atividades em torno das Humanidades, da Filosofia Política e da defesa dos bens comuns.
• Desenvolvimento de agendas e linhas de pesquisa e intercâmbio acadêmico entre os Grupos de Trabalho da CLACSO
• Criar a Rede Latino-Americana de Estudos de Pós-Graduação em Filosofia Política como um exemplo de intercâmbio e cooperação em torno do pensamento filosófico político latino-americano e caribenho.
• Reuniões com diretores de escolas, chefes de departamento e programas de pós-graduação em Filosofia na América Latina e no Caribe para a formação e articulação da Rede.
• Reuniões de planejamento e implementação do programa de pós-doutorado em Filosofia Política, Ciências Sociais e Humanidades como exemplo de cooperação e desenvolvimento profissional na academia caribenha.
• Produção conjunta entre os Gts das linhas de pesquisa a serem desenvolvidas no projeto.
• Produção de seminários para a troca de experiências e organização de linhas, programas e projetos de pesquisa e cooperação interinstitucional.
• Agenda de cooperação e intercâmbio internacional Norte-Sul para o fortalecimento dos estudos acadêmicos e da pesquisa em filosofia política, humanidades e ciências sociais.
• Fortalecimento dos processos de aprendizagem conjunta de grupos, organizações e movimentos ecofeministas e de educação popular na região, com ênfase em territórios impactados pelo extrativismo.
• Lançamento de uma agenda comum de pesquisa e intercâmbio entre os Grupos de Trabalho.
• Lançamento da Rede Latino-Americana de Pós-Graduação em Filosofia Política.
• Rede Latino-Americana de Filosofia Política.
• Lançamento do programa de pós-doutorado em Filosofia Política, Ciências Sociais e Humanidades na Universidade de Oriente, Santiago de Cuba.
Número total de pesquisadores admitidos: 35
Doutorado em Estudos Sociais
Faculdade de Ciências e Educação
Universidade Francisco Jose de Calda
Colômbia
Real e Pontifícia Universidade de São Francisco Xavier de Chuquisaca
Bolívia
Escola de Ciências Humanas
Escola de Ciências Humanas
Faculdade Universitária de Nossa Senhora do Rosário
Colômbia
Instituto de Natureza, Terra e Energia
Pontifícia Universidade Católica do Peru
Peru
Instituto de Natureza, Terra e Energia
Pontifícia Universidade Católica do Peru
Peru
Centro de Estudos das Transformações Sociais
Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica
Venezuela
Unidade de Pós-Graduação
Faculdade de Ciências Sociais
Universidad Nacional Mayor de San Marcos
Peru
Doutorado em Estudos Sociais
Faculdade de Ciências e Educação
Universidade Francisco Jose de Calda
Colômbia
Instituto de Estudos Equatorianos
Equador
Secretaria de Pesquisa e Publicação Científica
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional de Cuyo
Argentina
Universidade do Chile
Chile
UNILA
Brasil
Instituto de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Departamento de Sociologia da UnB
Universidade de Brasília
Brasil
UNAM
México
Departamento de Ciências Sociais
Faculdade de Ciências Humanas
Universidade Centro-Americana
Nicarágua
Instituto de Pesquisa Econômica e Social
Universidade Central da Venezuela
Venezuela
Dr. José A. Portuondo Centro de Estudos Sociais Cubanos e Caribenhos
Universidade do Oriente
Cuba
Faculdade de Ciências Humanas e da Educação
Universidade da República
Uruguai
Doutorado em Comunicação
Universidade de La Frontera
Chile
Secretaria de Pesquisa e Publicação Científica
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional de Cuyo
Argentina
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Universidade Católica de Temuco
Chile
Universidade Ibero-Americana, Cidade do México, Departamento de Filosofia
México
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Universidade de Barcelona
Espanha
Centro de Pesquisa e Documentação Socioeconômica
Faculdade de Ciências Sociais e Econômicas
Universidad del Valle
Colômbia
Vice-Reitoria de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação
Universidade do Humanismo Cristão
Chile
Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Transformações Políticas e Sociais
Venezuela
Centro de Estudos das Transformações Sociais
Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica
Venezuela
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Universidade Metropolitana de Ciências da Educação
Chile
Centro de Estudos Sociais e Culturais
Universidade Bolivariana da Venezuela
Venezuela
Base de Pesquisa Social
Paraguai
Filosofia e Letras UNAM
México