Área temática: Transições justas e soberanias contestadas

Grupo de trabalhoEcologias políticas do Sul/Abya Yala

1. Nome do Grupo de Trabalho.
Ecologias políticas do Sul/Abya Yala
Coordenador(es) do Grupo de Trabalho
Felipe Milanez
Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura
Universidade Federal da Bahia
Brasil
Raquel Neyra Soupplet
Instituto de Estudos Ecológicos do Terceiro Mundo
ONGs
Equador
Martin Medina
Secretaria de Pesquisa
Faculdade de Filosofia e Letras
Universidade de Buenos Aires
Argentina

2. Perspectiva situada do tema no contexto latino-americano e caribenho, compreendida a partir de uma visão crítica e contextual do Sul Global.

Há várias décadas, a ecologia política vem se desenvolvendo como um campo de convergência, diálogo e retroalimentação entre diferentes disciplinas e os sistemas de conhecimento das comunidades, partindo de uma profunda crítica à fragmentação do saber científico e tecnológico que responde à ideia de uma crise ambiental única. Por essa razão, a proposta parte de uma necessária integração de perspectivas para abordar seus objetos de estudo, incluindo aquelas que emergem da escuta, do acompanhamento e da coparticipação nas lutas ambientais das comunidades. Dessa forma, a ecologia política se configura simultaneamente como uma perspectiva inter e transdisciplinar do saber acadêmico e uma prática política renovada, articulada com as lutas dos movimentos sociais, indígenas e camponeses.

Este campo de estudo não se preocupa apenas com os conflitos sobre a distribuição ecológica (Martínez-Alier, 2006), mas também com a exploração das relações de poder que se entrelaçam entre os modos de vida das comunidades que sustentam a coexistência socioambiental e as dinâmicas impostas pelo mundo globalizado. Ou seja, abrange o conflito político sobre a distribuição ecológica e as lutas sociais pela defesa dos bens comuns e da natureza em suas dimensões material e simbólica, bem como pela continuidade da vida no planeta.

Hoje, testemunhamos uma policrise generalizada do capitalismo global (Svampa, 2025), que se configura simultaneamente como uma crise financeira, social, econômica, cultural e ecológica, afetando também o bem-estar emocional e psicológico. Portanto, a ecologia política exige um diálogo interdisciplinar entre diversas áreas do conhecimento para formar uma visão transdisciplinar e complexa, com o intuito de melhor compreender a multidimensionalidade dos conflitos socioambientais de nossa época e construir alternativas concretas que nos permitam reorientar nossas formas de pensar o mundo e de nos desenvolvermos nele.

Nesse contexto, a ecologia política latino-americana se consolidou como um campo de pensamento distinto, com relevância internacional. Trata-se de um campo pluralista de análise, crítica e discurso, construído sobre a formação de redes acadêmicas latino-americanas que mantêm a continuidade com as tradições regionais de pensamento crítico, ambientalista, indígena, feminista, pós-colonial e anticapitalista. Adota uma perspectiva teórica interdisciplinar, construída na interseção da história ambiental e política, da economia política, da geografia crítica, da economia ecológica, dos estudos culturais, da psicologia social, dos estudos indígenas latino-americanos e do pensamento ambientalista do Sul Global.

A construção das sociedades humanas envolveu questões de apropriação e o estabelecimento de relações de poder que permitem a alguns atores o acesso à natureza e a tomada de decisões sobre seu uso, enquanto excluem outros. Essas relações de poder estão presentes na América Latina, particularmente desde a era colonial, e embora tenham passado por diversas fases ao longo dos séculos, continuam a perpetuar a colonialidade do poder sob a construção de uma modernidade eurocêntrica (Quijano, 2014). Dessa forma, o genocídio perpetrado desde a colonização e a reformulação desses mecanismos de expropriação e apropriação da natureza na atualidade são obscurecidos, assim como a destruição racista ou a subalternização de identidades (Alimonda, 2017). Portanto, a ecologia política concentra-se na análise do papel do Estado e de suas políticas públicas como fator relevante na configuração atual das relações sociedade-natureza e nas disputas que nelas emergem.

A ecologia política latino-americana não se limita ao chamado conhecimento "científico". Nos últimos anos, inúmeras vozes que atuam nessa área têm incorporado novas compreensões ao arcabouço conceitual a respeito da importância da diversidade intercultural na construção do conhecimento ambiental. Elas têm demonstrado que a diversidade biológica do planeta está intrinsecamente ligada à sua gestão por milhares de povos e comunidades locais ao longo da história, especialmente no Sul Global (Toledo e Barrera-Bassols, 2008).

Assim, o reconhecimento do saber plural e a necessidade de construir racionalidades alternativas (Leff, 2019) constituem outro ponto-chave na perspectiva teórica e prática deste campo do saber. O exercício do poder dentro da lógica da acumulação e do mercado, ao fragmentar o saber científico e tecnológico e orientá-lo para as suas próprias necessidades, subjugou a vasta diversidade do saber popular sobre a natureza. O saber indígena, baseado em séculos de convivência, observação e experimentação empírica em ecossistemas locais, foi descartado desde a Conquista e ao longo de uma colonialidade que persiste até hoje. A ecologia política pressupõe também uma epistemologia situada em territórios com uma perspectiva decolonial que transcende politicamente o projeto interdisciplinar de construção do saber para abarcar a ambientalização das lutas sociais (Ulloa, 2017).

A ecologia política latino-americana tem se desenvolvido por meio de uma relação ativa de constante troca e retroalimentação com os diversos movimentos e lutas que estão na vanguarda dos conflitos em diferentes escalas e em várias circunstâncias. Ela reúne críticas aos modelos hegemônicos de desenvolvimento e, juntamente com elas, delineia outros futuros possíveis. Nessa perspectiva, com lutas de baixo para cima, da esquerda e pela Terra (Escobar, 2017), a ontologia política e o paradigma da pesquisa-ação (Fals-Borda, 2025) tornam-se ferramentas urgentes e necessárias para combater o extremismo de extrema direita e denunciar as múltiplas formas de violência geradas pela constante expansão das fronteiras do capital e pela acumulação sob lógicas extrativistas. Isso é essencial não apenas para compreender a complexidade desses processos, mas também para apoiar lutas em defesa da Vida por meios comuns e deshierárquicos, dentro de uma estrutura de descolonização e diálogo multiescalar.

Para atingir esses objetivos, são propostas nove linhas de trabalho:

Conflitos ambientais, violência, autoritarismo e lutas em defesa da vida.

Capitaloceno e capitalismo de desastre

- Ecofeminismos e lutas de mulheres contra o extrativismo

Educação Ambiental na América Latina e no Caribe

Transição energética e injustiças climáticas na América Latina e no Caribe

- Movimentos por Justiça Ambiental e Justiça Hídrica no Sul do Caribe.

- Cosmopolítica e ecologias políticas multiespécies

- Caribe Insular

- Arte e ecologias políticas

- Ecologia política da alimentação

Durante esse período, planejamos ampliar o foco para três temas relevantes: ecologia política diante dos avanços tecnológicos, ecologia política do bem-estar e ecologia política das empresas.

Além disso, por meio de diversos projetos, atividades de pesquisa e iniciativas de divulgação, fortaleceremos os laços com outros Grupos de Trabalho com os quais já colaboramos: Territorialidades em Disputa e Resistência; Anticapitalismos e Sociedades Emergentes; Povos Indígenas, Autonomias e Direitos Coletivos; Fronteiras, Regionalização e Globalização; Pensamento Geográfico Crítico Latino-Americano; Estudos Críticos do Desenvolvimento Rural; Corpos, Territórios e Feminismos; Energia e Desenvolvimento Sustentável; e Transições Justas e Cuidado com a Nossa Casa Comum. Propomos também iniciar projetos conjuntos com outros Grupos de Trabalho que desejem colaborar e estabelecer redes de trabalho com o Paraguai e a Bolívia.

Ao mesmo tempo, temos interesse em iniciar um processo de diálogo e construção conjunta com pesquisadores, organizações e movimentos sociais de outros países do Sul Global, especificamente de

Alimonda, Héctor (2017). Em uma chave sulista: Ecologia política latino-americana e pensamento crítico. In: Alimonda, H et al. (orgs.) Ecologia política latino-americana: pensamento crítico, diferença latino-americana e rearticulação epistêmica. CLACSO.
Alimonda, Héctor. Descolonizando a Natureza: Rumo a uma Ecologia Política Latino-Americana: Textos Coletados de Héctor Alimonda 1982-2017 / Héctor Alimonda; compilado por Facundo Martín, Gabriela Merlinsky e Felipe Milanez; Prólogo de Facundo Martín, Gabriela Merlinsky e Felipe Milanez - 1ª ed. - Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO, 2025. Livro digital, PDF - (Legados)
Escobar, Arturo (2017). De baixo, da esquerda e com a terra: A diferença de Abya Yala/Afro/Latino/América. In: Walsh, Catherine (org.) Pedagogias Decoloniais: Práticas Insurgentes de Resistência, (Re)existência e (Re)vivência, pp. 55-76. Abya Yala.
Fals Borda, O. (2025). Camponeses dos Andes e outros escritos antológicos. Universidade Nacional da Colômbia.
Leff, Enrique (2019). Ecologia Política. Da Desconstrução do Capital à Territorialização da Vida. Siglo XXI
Martínez-Alier, Joan (2006). O ambientalismo dos pobres. Icaria
Quijano, Aníbal (2014) Questões e Horizontes: Da Dependência Histórico-Estrutural à Colonialidade/Descolonialidade do Poder; selecionado por Danilo Assis Clímaco; com prólogo de Danilo Assis Clímaco. - 1ª ed. - Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO, 2014.
Svampa, Maristella (2025) Policrise: como enfrentar o esvaziamento da esquerda e a expansão de movimentos autoritários de direita. Siglo XXI
Toledo, V. e Barrera-Bassols, N. (2008). Memória biocultural. A importância ecológica da sabedoria tradicional. Icária, Barcelona.
Ulloa, Astrid (Ed.). (2011). Perspectivas culturais sobre o clima. Centro Editorial da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nacional da Colômbia.
Ulloa, Astrid (2017). Dinâmica ambiental e extrativista no século XXI: É a era do Antropoceno ou do Capitaloceno na América Latina? Desacatos, (54), 58-73.
3. Justificação e análise da relevância teórica, social e intelectual do tema em relação ao contexto analisado no ponto anterior.

A ecologia política busca compreender os processos que moldam a vida humana e não humana (Machado, 2016), afirmando que as sociedades são natureza e não existem fora dela. Nas últimas décadas, a ecologia política na América Latina e no Caribe consolidou-se como um campo dinâmico que transcende o âmbito teórico e se engaja com desafios globais. Emergindo das lutas por justiça ambiental e social, gerou conceitos — como passivos ambientais, zonas de sacrifício e dívida ecológica — que transformaram a compreensão das relações entre economia, sociedade e natureza no Sul Global. Essas contribuições ampliaram os arcabouços da teoria da dependência e dos estudos de desenvolvimento e foram adotadas em regiões como a África e a Ásia, onde noções como extrativismo, neoextrativismo e comércio ecologicamente desigual permitem uma análise mais profunda do sistema extrativista global e fortalecem o aprendizado entre os países do Sul Global. Da mesma forma, os movimentos agrários, a agroecologia e a soberania alimentar impulsionaram a ecologização das lutas sociais, gerando uma mudança política e epistemológica que renova estratégias, linguagens e ontologias (López-Gómez, Nova, Castro e Empinotti, 2025). Ideias como corpo-território, colonialismo verde e direitos da natureza estão ligadas a feminismos indígenas, afrodescendentes e comunitários, formando um espaço pluralista onde as linguagens relacionais se tornam centrais. Os ecofeminismos e hidrofeminismos latino-americanos emergem como forças críticas que desafiam as estruturas patriarcais e extrativistas, confrontam a criminalização e atuam como pontes de intercâmbio com outros Suls Globais, fortalecendo o debate e a ação coletiva.

Portanto, a presente proposta dá continuidade aos temas desenvolvidos em períodos anteriores e incorpora novos tópicos:

- Ecologia política do extrativismo. O extrativismo não é um fenômeno recente ou circunstancial, mas sim um problema estrutural e de longa data, uma modalidade de acumulação capitalista (Acosta, 2012) que remonta aos tempos da Conquista e da pilhagem de Abya Yala, mas que se intensificou claramente nas últimas décadas em todos os países da América Latina, aprofundando ainda mais a posição colonial, periférica, dependente e subordinada do continente no sistema mundial (Machado, 2016) e que enfrenta novos desafios diante do extrativismo Sul-Sul e Sudeste Asiático.

- Lutas em defesa da vida em contextos rurais e urbanos, que se esforçam diariamente para garantir as condições materiais e simbólicas para sua própria (re)produção e a dos ecossistemas em que vivem, em particular os Movimentos por Justiça Ambiental e Justiça Hídrica. Recorremos à tradição decolonial caribenha para identificar os processos de subalternização de corpos e territórios (culturas hidráulicas).

Os efeitos adversos das mudanças climáticas na região são sentidos com mais intensidade pelas comunidades locais e seus territórios, que travam lutas de longa data pela sobrevivência de modos de vida tradicionais em harmonia com o meio ambiente. É importante apresentar as visões alternativas de justiça ambiental oferecidas pelas comunidades mais vulneráveis: afrodescendentes, indígenas e raizal.

Destacamos e analisamos o papel preponderante e cada vez mais visível que as mulheres desempenham na defesa de territórios ameaçados e afetados; dando voz à violência com que o extrativismo as impacta de forma diferenciada e impulsionando esforços coletivos para persistir na subsistência, defesa e cuidado da vida. A defesa da vida é também uma luta para cuidar, curar, recuperar e reivindicar o corpo-território, reconhecendo e questionando as marcas do colonialismo, do patriarcado e do capitalismo (Lang, Bringel, Manahan, 2024).

A transição energética e as injustiças climáticas na América Latina e no Caribe são analisadas sob uma perspectiva que destaca a necessidade de uma transformação socioecológica dos múltiplos processos de produção e da gestão econômica global. Partimos do pressuposto de que o capitalismo energético nos apresenta falsas soluções, como as energias renováveis ​​e a transição energética corporativa.

- Conexão com a Educação Ambiental crítica que problematiza os efeitos negativos de um modelo de desenvolvimento devastador e as implicações insustentáveis ​​do conhecimento fragmentado. Propomos destacar e analisar como, em nossos territórios, a educação ambiental tem sido intimamente ligada a aspectos socioculturais e étnicos, levando à construção de um pensamento ambiental latino-americano distinto, em conjunto com a ecologia política (Saldi et al, 2025).

A análise do Capitaloceno é um conceito diagnóstico (Svampa, 2019), que destaca o espaço-tempo em que o capital penetrou na esfera da produção e reorganizou o processo de trabalho segundo a sua lógica. Nessa lógica expansiva e acelerada, o capitalismo de desastre, adotado pela classe empresarial e pelos governos, permite-lhes lucrar direta ou indiretamente com desastres e seus riscos, empregando doutrinas de choque e continuando a impor políticas neoliberais e ultraneoliberais.

Acreditamos ser necessário reconhecer que vivemos em um pluriverso, construindo um mundo compartilhado a partir de visões de mundo aparentemente irreconciliáveis. A cosmopolítica trata de entrelaçar a heterogeneidade. Os conflitos entre mundos não se limitam aos seres humanos; envolvem outras espécies, objetos, alimentos, infraestrutura e assim por diante. Portanto, a ecologia política multiespécie se engaja em redes de relações que possibilitam modos alternativos de existência.

O estudo dos modos de produção e consumo de alimentos a partir de uma perspectiva de ecologia política busca consolidar uma linha de pesquisa crítica contra o atual sistema alimentar hegemônico e seus impactos socioambientais, recuperando conhecimentos e práticas comunitárias que sustentam modos de vida baseados na soberania alimentar, na justiça ecológica e em epistemologias do cuidado, reconhecendo nas experiências camponesas, indígenas e agroecológicas alternativas concretas ao colapso do modelo agroindustrial.

Arte e ecologia política. A ecologia política ligada à arte surge como uma ferramenta poderosa para a conscientização e a transformação simbólica, fornecendo instrumentos para modificar regimes de poder (Giraldo e Toro, 2020).

- Continuaremos a promover o fortalecimento do campo da ecologia política nos países insulares do Caribe e na América Central, regiões que são especialmente afetadas pelas mudanças climáticas e pelo extrativismo devido à sua riqueza biocultural.

Neste período de 2026 a 2028, incluiremos novos eixos:

Ecologia política versus avanços tecnológicos: IA, ChatGPT desenvolvido por corporações com o objetivo de controlar corpos e mentes, bem como as implicações socioambientais da localização de centros de dados na região da América Latina.

A ecologia política do bem-estar emocional: analisa como os processos de dominação e exploração do capitaloceno afetam a emotividade da sociedade, criando perturbações em situações de incerteza.

A ecologia política das empresas analisa os casos de empresas e corporações responsáveis ​​por conflitos e danos socioambientais.

Acosta, Alberto (2012). “Extrativismo e neoextrativismo: duas faces da mesma maldição”. Ecoportal. Acesso em 8 de outubro de 2022.
Alimonda, Héctor (2011). Natureza colonizada. Ecologia política e mineração na América Latina. CLACSO, Buenos Aires.
Lang, Miriam; Bringel, Breno; Manahan, M. Ann (2024) Além do colonialismo verde, justiça global e geopolítica das transições ecossociais, Cidade do México, CLACSO.
López-Gómez, Aida; Nova, Mariluz; Castro, Edna; Empinotti, Vanessa (2025). A força criativa e transformadora da ecologia política latino-americana. Ecologia Política (69), 4-8.
Giraldo, OF; Toro, I. (2020) Afetividade ambiental: Sensibilidade, empatia, estética do habitar. Chetumal, Quintana Roo, México: El Colegio de la Frontera Sur: Universidad Veracruzana
Machado Aráoz, Horacio (2016). “Do debate sobre o “extrativismo” em direção a uma Ecologia Política do Sul. Um olhar; uma proposta” em: Navarro, L. e F. Daniele, Desapropriação capitalista e lutas comunitárias em defesa da vida no México. Chaves da Ecologia Política. Instituto de Ciências Sociais e Humanas “Alfonso Vélez Pliego” (México: Benemérita Universidad Autónoma de Puebla).
Saldi, L., Cosentino, P., Di Chiara Salgado, S., & Medina, M. (2025). Rumo a uma educação ambiental crítica na América Latina: diálogos e convergências com a Ecologia Política. lgarrobo-EL, 13, 1–16. Disponível em: https://revistas.uncu.edu.ar/ojs3/index.php/mel/article/view/8951
Svampa, Maristella (2019). O Antropoceno como diagnóstico e paradigma. Leituras globais do Sul. Utopia e Práxis Latinoamericana, 24 (84), https://doi.org/10.5281/zenodo.2653161
Toro-Pérez, C., (2024) Neocolonialismo, capitalismo de desastre, desapropriação cultural e territorial: o caso do furacão Iota em Old Providence (Colômbia), Plurivers, Ed. du Commun, Paris
4. Plano de trabalho de três anos (36 meses).
OBJETIVOS
ATIVIDADES
RESULTADOS ESPERADOS
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
(Ações para coordenar pesquisas sociais comparativas relevantes e rigorosas com uma perspectiva regional)
Aprofundar a consolidação teórica e prática da Ecologia Política do Sul como um campo transdisciplinar, decolonial e territorialmente situado, articulando a produção acadêmica e a ação política com os movimentos socioambientais da América Latina e do Caribe.


- Fortalecer o diálogo de conhecimento entre pesquisadores, comunidades locais, organizações sociais e redes acadêmicas para compreender e abordar os conflitos socioambientais contemporâneos. Em particular, buscaremos estabelecer vínculos com o Paraguai e a Bolívia e reforçar os já existentes com o Caribe insular e a América Central.
- Desenvolvimento de projetos de pesquisa comparativa sobre extrativismo, justiça ambiental, transição energética, soberania alimentar e arte a partir de uma perspectiva de ecologia política.


- Preparação de publicações coletivas por meio de subgrupos com base em livros e artigos, e submissão de propostas para os dossiês da revista Ecologia Política, bem como mapeamento de organizações civis e acadêmicos do Caribe insular, América Central, Paraguai e Bolívia.
- Produção de conhecimento transdisciplinar e situado que contribua para a compreensão crítica dos regimes extrativistas e das alternativas socioecológicas emergentes, fortalecendo a ligação entre universidade, território e movimentos sociais, promovendo influência efetiva nos debates públicos e nas políticas ambientais.
Expansão do campo acadêmico da Ecologia Política do Sul/Abya Yala, integrando novos eixos como arte, emoções, tecnologias, responsabilidade corporativa e impactos do capitalismo de desastre.
DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
- Realizar pesquisas colaborativas sobre ecologias extrativistas, justiça ambiental e hídrica, educação ambiental, cosmopolítica e ecologias multiespécies.
- Consolidação de linhas emergentes sobre a ecologia política das empresas, o bem-estar emocional e a alimentação, articuladas com a crise civilizacional do capitaloceno.

- Fortalecer o acordo de publicação com a revista Ecologia Política e promover um acordo de publicação com o Journal of Political Ecology e com o Grassroots Journal of Political Ecology.
- Organização de seminários, cursos de diploma, colóquios e encontros regionais e inter-regionais com a participação de movimentos sociais, grupos ambientalistas e acadêmicos.

- Publicação e distribuição do boletim informativo digital da GT. Promoção ativa da revista Political Ecology. Estabelecimento de contatos com o Journal of Political Ecology e o Grassroots Journal of Political Ecology.
Estabelecer contato com outras revistas científicas da área. Desenvolver materiais educativos com foco na educação ambiental crítica.
- Análise para apoio metodológico e técnico a comunidades afetadas pelo extrativismo e organizações territoriais na defesa de bens comuns.


- Participação em espaços de defesa pública e formulação de políticas ambientais, energéticas e culturais com foco na justiça ecológica e de gênero, com ênfase na publicação de dois dossiês no Journal of Political Ecology e dois dossiês na Revista de Ecologia Política, no âmbito de um acordo de cooperação com a CLACSO.
PROMOÇÃO DA RESPONSABILIDADE PÚBLICA E AÇÕES DE INTERVENÇÃO SOCIAL
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, gestores ou funcionários de políticas públicas, experiências comunitárias e territoriais)
- Promover a ligação entre a investigação académica e a ação territorial, reforçando a coprodução de conhecimento com as comunidades, os movimentos e os atores sociais empenhados na defesa dos bens comuns.


- Contribuir para a formulação e o monitoramento de políticas públicas ambientais e sociais a partir das perspectivas de justiça ecológica, gênero e decolonialidade.
- Criar grupos de trabalho, desenvolver programas de formação e capacitação em ecologia política, educação ambiental e gestão comunitária com organizações sociais, movimentos camponeses, comunidades indígenas e afrodescendentes para a troca de experiências e elaboração de diagnósticos participativos.

- Elaborar documentos de defesa de direitos, recomendações de políticas públicas e protocolos de ação para abordar conflitos socioambientais, em coordenação com instituições estatais e redes de cidadãos.
- Diálogo intensificado entre ciência, política e sociedade civil, através da incorporação de perspectivas territoriais nas agendas públicas.


- Geração de mecanismos participativos para monitoramento e intervenção em resposta aos impactos do extrativismo e das injustiças socioambientais.
ARTICULAÇÃO COM OUTRAS REDES E INSTITUIÇÕES
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
- Consolidar a cooperação Sul-Sul entre universidades, centros de pesquisa e redes de ecologia política, promovendo o intercâmbio horizontal de conhecimentos e experiências. Especificamente, estabelecer uma rede de universidades entre os membros do Grupo de Trabalho para desenvolver um projeto de cooperação interinstitucional para a criação de um Programa de Mestrado Interinstitucional (MINTER) ou um Programa de Doutorado Interinstitucional em Ecologia Política associado ao CLACSO.


- Integrar os debates da GT em espaços internacionais de reflexão sobre a transição socioecológica, a justiça ambiental e a descolonização do conhecimento.
- Participação em conferências internacionais: POLLEN, VI e VII CLEP, COLCA. Formação de painéis com membros de outros grupos de trabalho. Organização de reuniões online e seminários presenciais nas conferências para preparar uma proposta de programa interinstitucional de mestrado e/ou doutorado.

- Promover projetos conjuntos com universidades e centros de pesquisa no Caribe, América Central e América do Sul para pesquisa comparativa e mobilidade acadêmica; organizar encontros inter-redes e publicações colaborativas que conectem o pensamento ambiental latino-americano aos debates globais sobre sustentabilidade e justiça climática. Proposta para a criação de um programa de doutorado em ecologia política do Sul Global/Abya Yala.
- Expandir o impacto regional e internacional do GT por meio de redes acadêmicas. Firmar convênios entre as universidades participantes e consolidar uma proposta para um Programa Interinstitucional de Mestrado e/ou Doutorado em Ecologia Política.


- Produção coletiva de conhecimento situado que fortaleça a visibilidade do Sul Global como um espaço epistêmico e de ação diante da crise socioambiental e formação de pós-graduação para colegas com uma perspectiva de ecologia política do Sul.

5. Membros do Grupo de Trabalho
Número total de pesquisadores admitidos: 81
Charles Santos Trocate
Universidade Federal da Bahia
Brasil
Laila Sandroni
Doutorado em Ecologia Aplicada pela USP
Brasil
Aida Luz López Gómez
Universidade Autônoma da Cidade do México
Coordenação acadêmica
Universidade Autônoma da Cidade do México
México
Anabel Rieiro
Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da República (Uruguai)
Uruguai
Beatriz Bustos
Universidade do Chile
Chile
Malena Lucía Levi

Carlos Alberto Alvarado Hernández
Universidade Nacional de Agricultura
Honduras
maristela svampa
CONICET
Argentina
Maria Inés Rodríguez
Universidade Nacional de Rio Cuarto
Argentina
Stéphanie Nasuti

Mariano Salomão
Secretaria de Pesquisa e Publicação Científica
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional de Cuyo
Argentina
Felipe Cárcamo Moreno
Universidade Central do Chile
Chile
Felipe Milanez [Coordenador]
Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura
Universidade Federal da Bahia
Brasil
Luís Carlos Montenegro Almeida

Mario Pérez Rincón
Observatório de Conflitos Ambientais Urbanos. Universidade do Vale
Universidad del Valle
Colômbia
Sandra Milena Rátiva Gaona
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México
Facundo Martín
CONICET
Argentina
Facundo Rojas
CONICET e Universidade Nacional de Cuyo.
Argentina
Ana María De Veintimilla
Instituto de Estudos Ecológicos do Terceiro Mundo
ONGs
Equador
Emiliano Teran Mantovani
Centro de Estudos de Desenvolvimento
Universidade Central da Venezuela
Venezuela
Gustavo García López
Universidade de Porto Rico - Rio Piedras (Escola de Pós-Graduação em Planejamento)
Porto Rico
Gustavo Soarez Ioro
Universidade Federal de Juiz de Fora
Brasil
Beatriz Abreu Dos Santos
Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Oeste do Pará
Brasil
Aída Julieta Quiñones Torres
Pontificia Universidad Javeriana
Colômbia
Adrian Nel
Universidade de KwaZulu-Natal
África do Sul
Daniel Jeziorny
Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Economia
Brasil
Daniel Pena
Universidade da República (UY)
Uruguai
Enrique Leff
Instituto de Pesquisa Social
Coordenação de Ciências Humanas
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Lúcia Linsalata
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México
Juan Antonio Acácio
Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais
Universidade Nacional de La Plata - Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica
Argentina
Pablo Cosentino
Secretaria de Pesquisa
Faculdade de Filosofia e Letras
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Fabrina Furtado
Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA/UFRRJ)
Brasil
Grettel Navas Obando
Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental. Universidade Autônoma de Barcelona
Espanha
Liliana Buitrago Arévalo

Edgardo Lander
Doutorado em Ciências Sociais
Universidade Central da Venezuela
Venezuela
Bladimir Carlos Martínez Ordoñez
Rede Muqui
Peru
Gilca Garcia De Oliveira
Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Economia
Brasil
Alejandro Fabián Schweitzer
CONICET-CIT Santa Cruz / UNPA
Argentina
Ana Isabel Márquez Pérez
Instituto de Estudos Caribenhos
Universidade Nacional da Colômbia, Campus Caribenho
Colômbia
Raquel Neyra Soupplet [Coordenador]
Instituto de Estudos Ecológicos do Terceiro Mundo
ONGs
Equador
Sofia Avila Calero
Instituto de Pesquisa Social
Coordenação de Ciências Humanas
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Verônica Barreda Muñoz
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México
Miriam Lang
Universidade Andina Simón Bolívar, Área de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Equador
Mina Lorena Navarro Trujillo
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México
Joan Martinez-Alier
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Equador
Equador
Denisse Roca-Servat
Instituto de Estudos Regionais
Universidade de Antioquia
Colômbia
Catalina Toro Pérez
Departamento de Ciência Política
Faculdade de Direito, Ciências Políticas e Ciências Sociais
Universidade Nacional da Colômbia
Colômbia
Mariluz Nova-Laverde
Universidade La Salle
Colômbia
Martin Medina [Coordenador]
Secretaria de Pesquisa
Faculdade de Filosofia e Letras
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Omar Felipe Giraldo
El Colégio de la Frontera Sur
México
Marcelo José Lopes De Souza
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Brasil
Bruno Fornillo
Instituto de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Ana Lis Rodríguez Nardelli

Milson Berley Betancourt Santiago
Departamento de Ciência Política
Faculdade de Direito, Ciências Políticas e Ciências Sociais
Universidade Nacional da Colômbia
Colômbia
Gabriela Wyczykier
Pesquisador Científico e Tecnológico do CONICET e da Universidade Nacional de General Sarmiento – UNGS
Argentina
Lucrécia Soledad Wagner
Grupo de Pesquisa STAND (Rede de Ação e Treinamento do Sul para a Descolonialidade)
Espanha
Ricardo Teófilo Folhes
Núcleo de Estudos Superiores da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Brasil
Julian Ignacio Ramirez Guirao
IANIGLA-CONICET / UNCUYO
Argentina
Melissa Argento
Instituto de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Melissa Moreano Venegas
Programa de Estudos Latino-Americanos
Universidade Andina Simón Bolívar
Equador
Flor Mercedes Rodríguez Zornoza
Universidade Autônoma da Cidade do México
Coordenação acadêmica
Universidade Autônoma da Cidade do México
México
Vanessa Empinotti
Universidade Federal do ABC - UFABC - Brasil
Brasil
Tatiana Roa Avendaño
Censat Agua Viva Cedla - Uv Amsterdã
Holanda
Maria Gabriela Merlinsky
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Jorge Enrique González Rojas
Centro de Estudos Sociais
Faculdade de Ciências Humanas
Universidade Nacional da Colômbia
Colômbia
Diana Aguiar Orrico Santos
Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, Universidade Federal da Bahia
Brasil
Francisca Fernández Droguett
Vice-Reitoria de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação
Universidade do Humanismo Cristão
Chile
Yusmidia Solano
Instituto de Estudos Caribenhos
Universidade Nacional da Colômbia, Campus Caribenho
Colômbia
Maria Luisa Eschenhagen
Escola de Ciências Sociais
Universidade Pontifícia Bolivariana - Campus de Medellín
Colômbia
Orlando David Murillo Lizardo
Universidade Nacional de Agricultura
Honduras
Letícia Saldi
Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica.
Argentina
Arturo Escobar
Universidade da Carolina do Norte
Estados Unidos
José Antonio Figueredo Hernández
IANIGLA-CONICET / UNCUYO
Argentina
Edna Castro
Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/NAEA, da Universidade Federal do Pará.
Brasil
Horacio Machado Aráoz
Programa de Doutorado em Ciências Humanas
Faculdade de Ciências Humanas
Universidade Nacional de Catamarca
Argentina
Leonardo Javier Rossi
IRES-CONICET
Argentina
Daniela Havilio Moldovan

Aleida Azamar Alonso

Imagem de espaço reservado de Alberto Acosta
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Equador
Equador
Salvador Schavelzon
Universidade Federal de São Paulo
Brasil
Laura Alvarez Huwiler
Universidade Nacional de Quilmes
Argentina