Área temática: Transições justas e soberanias contestadas

Grupo de trabalhoProcessos emergentes e inovações territoriais nas margens

1. Nome do Grupo de Trabalho.
Processos emergentes e inovações territoriais nas margens
Coordenador(es) do Grupo de Trabalho
Raúl Gustavo Paz
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Jorge Wilson Gómez Agudelo
Faculdade de Ciências Humanas e Artes - Universidade de Tolima
Colômbia
Jimena Ramos Berrondo
Centro de Pesquisa e Ensino Econômico AC
México

2. Perspectiva situada do tema no contexto latino-americano e caribenho, compreendida a partir de uma visão crítica e contextual do Sul Global.

O grupo de trabalho busca identificar processos emergentes baseados em inovações territoriais que se desenvolvem em regiões marginalizadas do Sul Global, especialmente áreas semiáridas e montanhosas, e até mesmo nos arredores das cidades. Essas áreas têm sido historicamente interpretadas, a partir de perspectivas coloniais e da modernidade, como incapazes de gerar transformações sociais, econômicas e políticas que beneficiem suas populações. Alguns acadêmicos reforçaram essa visão justificando as desigualdades com base no determinismo geográfico, em valores culturais que servem à modernização ou em instituições consideradas "incapazes" de promover a inclusão (Acemoglu e Robinson, 2012).

Essa visão depreciativa do espaço baseia-se em concepções de progresso e desenvolvimento associadas ao controle do espaço em termos de eficiência, aumento da produtividade e criação de valor. Essas noções estão enraizadas no projeto da modernidade, que inexoravelmente traçou um curso que justificou a desapropriação e o extermínio de populações "improdutivas" nas Américas e, posteriormente, na maior parte da África, para dar lugar a colonizadores "produtivos" (Harvey, 2014, p. 55).

Locke (2010), em seu tratado escrito no final do século XVII, expressou que, se as terras não cultivadas das Américas representavam "desperdício", os europeus tinham um mandato divino para cercá-las e melhorá-las, como homens "industriosos" e "racionais" haviam feito no estado original de natureza. No século XIX, Juan Bautista Alberdi (2021), o intelectual autor da Constituição argentina, referiu-se ao "deserto" como áreas do nosso continente que abrigavam uma natureza "bruta" e "primitiva", interpretada como a causa da pobreza material estrutural. De fato, ele apontou para a necessidade de povoá-las por meio da imigração europeia e do domínio da natureza.

Sem dúvida, muitos outros exemplos poderiam ser apresentados que contribuem para essa concepção da nossa América, como o deserto ou a selva, percebidos como natureza primitiva e atraso, o que também se expressa na estrutura discursiva do "destino manifesto" que representa a política externa dos EUA desde o século XIX (Gómez-Agudelo e Pineda-Muñoz, 2019; Vega-Cantor, 2025). Essas concepções moldam o imaginário atual, as formas de produção de conhecimento, a elaboração de políticas públicas e a maneira como nos relacionamos com o meio ambiente, onde o território só é possível por meio de fatores exógenos à região, a fim de replicar processos bem-sucedidos incorporados nos modelos do Norte Global.

Assim, regiões marginalizadas como as áreas semiáridas, com suas características intrínsecas e naturais ligadas a um regime hídrico com escassez de chuvas, secas severas e precipitação irregular ao longo do ano, ou as áreas montanhosas, com seu terreno acidentado e vias de acesso limitadas, são vistas como limitadoras do desenvolvimento de um povo na perspectiva do modelo hegemônico. Da ideologia do progresso, essas regiões são um problema que deve ser enfrentado e resolvido por meio do "combate à seca", de políticas excludentes de conservação ecológica (áreas naturais protegidas) ou pelo enfrentamento de processos de desapropriação causados ​​pela mineração, que requer infraestrutura, conhecimento, recursos humanos e tecnologias necessariamente importados (Dantas, 2021).

Da perspectiva crítica em que esta GT é enquadrada, tanto a categoria semiárida quanto a zona montanhosa não são apenas uma taxonomia ambiental, mas também categorias políticas e sociais (multidimensionais) que permitem a justificação de certas relações de poder que geram o ocultamento de sujeitos construídos como alteridades que devem ser finalmente conquistadas e formas de existência submetidas ao ponto de sua aniquilação (Gramsci, 1974).

Tanto a teoria crítica latino-americana quanto a geografia crítica revelam como o território é configurado com base nas relações de poder estabelecidas em um determinado espaço, por meio de processos contínuos de territorialização que materializam formas de conexão e, portanto, de reprodução da vida (Mançano Fernandes, 2009). Esses processos de territorialização, que se manifestam em um espaço material específico, implicam também desterritorialização em territórios imateriais — definidos pelas ideias, conceitos e categorias que nos permitem pensar o mundo de uma maneira particular.

Nesse sentido, a região semiárida foi moldada por um projeto colonial que expressa uma forma de apropriação e conexão com esse espaço geográfico (Dantas, 2021; Bitencourt, 2025). Contudo, para que tal desapropriação material se materializasse nos níveis atuais, uma desapropriação prévia teve que ocorrer (Paz, 2021) no âmbito dos territórios intangíveis (Duer e Vegliò, 2019). Definidas dessa forma desde a conquista e redefinidas desde então, essas terras, que o capitalismo concebe como marginais, hostis e desprovidas tanto de investimento e infraestrutura quanto de habitantes, e que ainda não foram valorizadas segundo a lógica do capital, constituem uma oportunidade econômica para investidores de grande porte e novos negócios, tanto em nível local quanto global.

No entanto, o projeto colonial moderno está repleto de tensões e resistências. Dussel (2011) destaca que a hegemonia central e iluminista da Europa durou pouco mais de dois séculos, um período muito curto para transformar profundamente o "núcleo ético e político" de culturas universais e ancestrais como as da América Latina. Essas culturas foram mais do que dominadas; foram negadas ou desprezadas, visto que a conquista europeia se concentrou nas esferas política e econômica para exercer seu poder colonial (Alimonda, 2025).

Assim, a narrativa da modernidade é desafiada por grupos subalternos como povos indígenas, camponeses, comunidades nativas, dissidentes sexuais, mulheres camponesas e movimentos socioterritoriais, entre outros, que habitam essas regiões e atuam à margem do sistema capitalista (Paz, 2024). Dussel (2011) propõe a categoria de transmodernidade como expressão de todos os aspectos que se situam além e antes da estrutura europeia-norte-americana. Essas culturas universais, enquadradas em processos de desenvolvimento, confrontam os desafios impostos pela modernidade e pós-modernidade europeias-norte-americanas, mas a partir de uma perspectiva diferente. Ou seja, elas têm a capacidade de implementar soluções que são totalmente impossíveis da perspectiva da cultura hegemônica. Isso levanta a possibilidade de uma cultura transmoderna como um projeto rico e diverso, resultante do diálogo intercultural entre o Sul Global e a periferia, que apropria-se dos elementos da modernidade que, com base em suas visões de mundo (aprendendo com conquistas e fracassos e problematizando sua suposta universalidade), valoriza como positivos.

O Grupo de Trabalho busca desafiar a concepção de que o "semiárido" (e categorias análogas) seja interpretado como um espaço geográfico a ser conquistado e disciplinado, e almeja contribuir para o seu reconhecimento como um lugar no mundo habitado por povos. Ou seja, um lar existencial e um ponto de partida para pensar, a partir do que já acontece, processos de resistência em termos de reexistência e, portanto, de recriação e criação de alternativas diferentes daquelas impostas pelas lógicas da modernidade e do capital. Dado que, nas experiências a serem abordadas, o "intersticial emancipatório" coexiste com o "geral coercitivo" (Hopenhayn, 1994, p. 155), surge a questão de qual repertório de estratégias está em jogo e/ou pode ser mobilizado para a sustentabilidade desses tipos de projetos que, a partir das margens, propõem em seu trabalho outras formas de habitar essas regiões historicamente marginalizadas.

Acemoglu, D. e Robinson, J. (2012). Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza. Barcelona: Deusto SA Ediciones.
Alberdi, JB (2021). Bases e pontos de partida para a organização política da República Argentina. Buenos Aires: Teseo Editorial. https://www.teseopress.com/basesypuntos
Alimonda, H. (2025). Descolonizando a natureza: rumo a uma ecologia política latino-americana. Buenos Aires: Editora CLACSO. https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/252109/1/Hector-Alimonda.pdf
Bitencourt, SOM (2025). Produção espacial agrícola e luta pela soberania alimentar no semiárido latino-americano: uma análise comparativa das ações dos movimentos socioterritoriais no Território do Sertão do São Francisco (Brasil) e no Departamento de Figueroa (Argentina) [Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”] https://repositorio.unesp.br/entities/publication/8ae2c573-e6c3-4f48-b87f-7edd72ef85be
Dantas, JC (2021). Uma geografia de dois conflitos territoriais no semiárido brasileiro [Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”].
Duer, M. e Vegliò, S. (2019). Descolonizando territórios imateriais: Entrevista com Bernardo Mançano Fernandes. Journal of Latin American Geography, 18(3), 165-175
Dussel E. (2011). Transmodernidade e Interculturalidade (Interpretação a partir da Filosofia da Libertação). In E. Lander (Org.), A Colonialidade do Saber: Eurocentrismo e Ciências Sociais. Perspectivas Latino-Americanas (pp. 1-26). Buenos Aires: Edições CICCUS.
Gómez-Agudelo, JW e Pineda Muñoz, JA (2019). América latina. Um sinal indecifrável? No Canal C. Yáñez, R. Chavarría, D. Fauré, J. Mariscal e Ú. Rucker, (Eds.), Conceitos-chave de Gestão Cultural. Abordagens da América Latina (pp. 185-200). Santiago: Ariadna.
Gramsci, A. (1974). O Risorgimento. Buenos Aires: Ed. Granica.
Harvey, D. (2014). Dezessete contradições do capital e o fim do neoliberalismo. Madrid: Ed. Traficantes de Sueños.
Hopenhayn, M. (1994). Nem apocalíptico nem integrado. Santiago: Fundo de Cultura Econômica.
Locke, J. (2010). Segundo Tratado sobre o Governo Civil: Um Ensaio sobre a Verdadeira Origem, Extensão e Fim do Governo Civil. Editora Tecnos.
Mançano Fernándes, B. (2009). Sobre a tipologia dos territórios. In: MA Saquet e ES Sposito (Orgs.) Territórios e territorialidades: teorias, processos e conflitos (pp.197-216).São Paulo: Expressão Popular.
Paz, R. (2021). Censos agropecuários, territórios imateriais e processos de mercantilização. O caso das fazendas sem limites definidos na Argentina. Eutopía, Revista de Desenvolvimento Econômico Territorial (20), 114-131. DOI: 10.17141/eutopia.20.2021.5154
Paz, R. (2024). Agroecologia e economia política: o mundo camponês e as contradições do capital. Perspectivas Latino-Americanas, 51(1), 4–39. DOI: https://doi.org/10.1177/0094582X24123800
Paz, R. (2025). Agricultura familiar na América Latina: entre o disponível e o possível. Revista Agrociencia, 29(4). DOI: 10.31285/AGRO.29.1764
Vega-Cantor, R. (2025) Destino Manifesto, uma falácia racista e criminosa do imperialismo estadunidense. Left Magazine # 121.
3. Justificação e análise da relevância teórica, social e intelectual do tema em relação ao contexto analisado no ponto anterior.

A teoria social latino-americana tem dado contribuições fundamentais para a compreensão crítica dos conflitos territoriais e interseccionais e das desigualdades decorrentes das dinâmicas contemporâneas de acumulação capitalista. No atual cenário continental — marcado pela ascensão de novos movimentos de direita, estados de exceção, violência e metropolitanização — também emergem formas sociopolíticas, econômicas e epistêmicas que resistem e formulam alternativas a partir das margens geográficas e existenciais.

A sociologia das emergências destaca a necessidade de produzir conhecimento sobre e a partir das alternativas presentes no horizonte das possibilidades, identificando tendências futuras que expressam o "Ainda Não" (de Sousa Santos, 2011). Os processos emergentes, noção central do Grupo de Trabalho (GT), situam-se nessa perspectiva. Esses processos referem-se a iniciativas orientadas para a produção e reprodução da vida e a reafirmação de modos de existência subjugados pelas lógicas da modernidade/colonialismo e do capitalismo/patriarcado (Jara, 2024).

Vale destacar o potencial analítico e a complementaridade de dois termos teóricos: resistência e reexistência (Hurtado e Porto-Gonçalves, 2022). O primeiro refere-se ao poder que os indivíduos exercem e expressam no cotidiano (embora nem sempre publicamente) para se oporem e contrariarem as imposições de poderes e lógicas hegemônicas. O segundo termo, por sua vez, alude ao poder dos grupos subalternos de renovarem o sentido de sua existência no âmbito das relações de poder conflituosas; ou seja, muitas práticas, saberes e costumes do passado são reformulados e renovados nas lutas presentes e projetam novos futuros.

O conceito de reexistência proposto por Porto-Gonçalves (2006) surgiu inspirado pelas lutas históricas e cotidianas dos movimentos e comunidades camponesas no contexto latino-americano. Outros autores retomaram essas ideias e reconheceram diferentes dimensões do conceito, tais como: a) a reinvenção das identidades e dos meios de subsistência dos movimentos sociais e grupos subalternos em relação aos outros e à natureza (Leff, 2006; Escobar, 2014); b) o trabalho desses sujeitos para a preservação e reprodução de sua existência em condições de dignidade (Albán Achinte, 2016); e c) processos organizacionais que expressam continuidades entre passado, presente e futuro (Van der Ploeg, 2013; Fonzo Bolañez et al., 2025).

Em suma, os processos emergentes expressam práticas, saberes e identidades que moldam novos cenários e modelos alternativos de habitar, produzir e conhecer/aprender em espaços que foram disciplinados e considerados “inviáveis”, “improdutivos” e “marginalizados” pelas metrópoles do sistema mundial e por cada um dos países do continente. Da mesma forma, os processos emergentes envolvem estratégias baseadas na revalorização do saber, na reinvenção das formas de produção e habitação das comunidades, na construção de redes (com o não humano, o Estado e o não-Estado) e até mesmo na redefinição de instituições e marcos normativos (Garay e Fonzo Bolañez, 2025). Apesar dos avanços do pensamento latino-americano e caribenho na compreensão desses processos emergentes, é necessário identificar como eles têm levado à construção de inovações territoriais, ou seja, respostas organizacionais situadas a problemas sistêmicos como a globalização alimentar, as crises climáticas e ambientais, a ocidentalização da produção de conhecimento e a violência epistêmica, entre outros.

Portanto, nossa proposta como Grupo de Trabalho se concentra na identificação e análise de processos emergentes em termos de inovações territoriais; ou seja, focará em diferentes formas de fazer/conhecer que envolvam a quebra de rotinas, a mobilização e o fortalecimento da endogeneidade (práticas, saberes e redes relacionais) das comunidades, povos e movimentos do "semiárido" ou da fronteira (sul) - nos termos de Rodríguez-Rodríguez e Lugo Perea (2020) - com base na constituição e expansão de redes para construir autonomia diante de padrões e lógicas hegemônicas.

Nós, que compomos o Grupo de Trabalho, temos analisado experiências relacionadas a transições agroecológicas, projetos educativos emancipatórios, sistemas territoriais de produção e circulação de alimentos e a defesa de repertórios bioculturais em diferentes territórios do continente. Essas experiências mostram que muitas inovações emergem sem uma decisão deliberada, com pouca visibilidade e se desdobrando de forma descontínua, mas ancoradas em redes territoriais que prefiguram mudanças sistêmicas (Cittadini et al., 2025; Schneider et al., 2014).

Concebemos o “semiárido” como uma metáfora para o sofrimento (de Sousa Santos, 2023) e, simultaneamente, como uma metáfora para o que está disponível e o que é possível (Paz, 2025). A “interação entre o possível e o disponível” fornece uma chave interpretativa para a compreensão das margens de ação de atores que habitam regiões e territórios historicamente moldados pela escassez, pelo extrativismo — em todas as suas formas — e pela desigualdade. Trata-se de uma maneira criativa de se relacionar com a materialidade, a memória social e as redes comunitárias para ativar o potencial latente em contextos marcados pela precariedade estrutural. Essa interação dialética nomeia a capacidade dos indivíduos de desenvolver estratégias que combinam o que existe (os recursos materiais, simbólicos, imateriais, políticos e relacionais de um território) com o que poderia existir (as aberturas para futuros construídos coletivamente, a imaginação política, a reciprocidade e a reinvenção diária). Ao integrar-se com a sociologia das emergências, essa perspectiva permite ler as práticas territoriais não apenas como respostas adaptativas à desigualdade, mas como atos de criação política que, mesmo beirando a fragilidade, estabelecem horizontes alternativos de dignidade e reprodução ampliada da vida.

O conjunto de experiências que este Grupo de Trabalho abordará permite-nos delinear um campo comum de problematização numa perspectiva comparativa, centrado em pelo menos quatro eixos:

a) As tensões, contradições, desigualdades e reconfigurações territoriais ligadas ao impacto do agronegócio e da agroindústria, as crises de sucessão geracional nos sistemas camponeses e os conflitos distributivos em torno da água em regiões marginalizadas.

b) Os processos de agroecologias territorializadas que articulam o conhecimento ancestral e o conhecimento técnico contemporâneo no âmbito dos processos de reinvenção dos modos de subsistência.

c) Formas emergentes de organização sociopolítica que constroem autonomia e disputam significados sobre a reprodução da vida.

d) Dispositivos educacionais e metodologias de formação crítica que buscam reconstruir a ligação rural-urbana, valorizar o conhecimento popular e fortalecer as capacidades comunitárias para a soberania e a justiça alimentar.

Nossos esforços se concentrarão em documentar e analisar criticamente as desigualdades, exclusões e violência que historicamente permearam a produção desses espaços/territórios; também nos concentraremos em tornar visíveis e compreender gramáticas poderosas que se expressam em dispositivos e estratégias organizacionais plurais para confrontá-las e delinear outros futuros justos e soberanos possíveis.

Albán Achinte, A. (2016). Conferência Principal: Pedagogias da Reexistência. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gPa7QRkZdKE.
Cittadini, E.; Gutiérrez, M., Jara, C., Lance, F. e Ledesma, S. (2025). Aprendendo com nossas práticas de pesquisa e extensão rural. Algumas dimensões emergentes das inovações territoriais. In M. Gutiérrez e C. Jara (Eds.), Inovações territoriais para o desenvolvimento rural: experiências transformadoras na Argentina (pp. 11-17). Santiago del Estero: Universidade Nacional de Santiago del Estero - UNSE. Área de Publicação e Edição FHCSYS.
de Sousa Santos, B. (2011). Epistemologias do Sul. Utopia e Práxis Latino-Americana, 16(54), 17-39. https://www.redalyc.org/pdf/279/27920007003.pdf
de Sousa Santos, B. (2023). A divisão social do sofrimento. Análise da Realidade Nacional, 12(248), 53-60. https://rarn.usac.edu.gt/wp-content/uploads/2024/02/R248_Revista_248.pdf
Escobar, A. (2014) Territórios da diferença: território, territorialidade e territorialização. In: Sentir e pensar com a terra. Novas leituras sobre desenvolvimento, território e diferença. Medellín: Edições UNAULA.
Fonzo Bolañez, CY, Gómez Herrera, AG e Villalba, AE (2025). Reexistências comunitárias diante das desigualdades territoriais em Santiago del Estero. Mundo Agrário, Revista de Estudos Rurais. 26(62). DOI: https://doi.org/10.24215/15155994e282
Garay, A. e Fonzo Bolañez, CY (2025). Introdução ao dossiê Resistir, emergir e transformar diante da desigualdade. Santiago del Estero (Argentina). Mundo Agrario, Revista de Estudos Rurais. 26(62). DOI: https://doi.org/10.24215/15155994e280
Hurtado, LM e Porto-Gonçalves, CW (2022). Resistir e Reexistir. GEOgrafia, 24(53). https://doi.org/10.22409/GEOgraphia2022.v24i53.a54550
Jara, CE (2024) A questão agrária e os processos emergentes. Articulações teóricas e considerações epistemológicas. In CE Jara (Org.) A Questão Agrária e os Processos Emergentes (pp. 7-18). Cidade Autônoma de Buenos Aires: IADE. https://www.iade.org.ar/system/files/jara_cuestion_agraria_unse_def_compressed_1.pdf#page=9
Leff, E. (2006) O movimento ambiental pela reapropriação social da natureza: seringueiros, zapatistas, afrodescendentes e povos indígenas da América Latina. In: Racionalidade Ambiental. A reapropriação social da natureza. Argentina (pp. 396-456). México: Siglo XXI Editores.
Paz, R. (2025). Agricultura familiar na América Latina: entre o disponível e o possível. Revista Agrociencia, 29(4). DOI: 10.31285/AGRO.29.1764
Porto-Gonçalves, C.W. (2006). Uma Reinvenção dos Territórios: uma experiência latino-americana e caribenha. In: A.E. Ceceña, Os desafios das emancipações em um contexto militarizado (151-197). Buenos Aires: CLACSO, Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais. http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/clacso/gt/20101019090853/6Goncalves.pdf.
Rodríguez Rodríguez, LH, e Lugo Perea, LJ (2024). Florescimento de agroecologias nas fronteiras: um diálogo com intelectuais feministas latino-americanas. Ibagué: Editorial Universidade del Tolima.
Schneider, S., Menezes, M., Gomez da Silva, A., e Bezerra, I. (2014). Plantio de mudas e cultivo de brotos. In: S. Schneider, M. Menezes, A. Gomez da Silva e I. Bezerra (Orgs.) Sementes e brotos de transição: inovação, poder e desenvolvimento em áreas rurais do Brasil, (pp. 7-12). Porto Alegre: Editora UFRGS.
Van der Ploeg, J. (2013). Camponeses e a arte da agricultura. Para Chayanovian ele declarou. Canadá: Fernwood Publishing.
4. Plano de trabalho de três anos (36 meses).
OBJETIVOS
ATIVIDADES
RESULTADOS ESPERADOS
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
(Ações para coordenar pesquisas sociais comparativas relevantes e rigorosas com uma perspectiva regional)
1. Consolidar uma base conceitual e metodológica comum para o estudo comparativo das inovações territoriais na América Latina.

2. Produzir uma síntese regional que forneça novas categorias e chaves interpretativas para pensar a América Latina a partir de seus territórios, articulando pesquisa, debate crítico e projeção política.
1. Abertura de um workshop regional para discutir estruturas epistemológicas comuns, orientar linhas de pesquisa comparativa e definir estratégias metodológicas colaborativas.

2. Encontro presencial da GT em Santiago del Estero (Argentina), tomando como ponto de referência territorial um caso emblemático de inovação e disputa territorial em regiões semiáridas.
1. Consolidação de uma perspectiva latino-americana construída a partir dos territórios, que reconheça o poder político, epistemológico e organizacional das experiências locais.

2. Construir vínculos duradouros entre as equipes nacionais, que lhes permitam manter ao longo do tempo uma agenda comum de pesquisa crítica e colaborativa, voltada para a reflexão sobre a região a partir de suas próprias vivências.
DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
1. Realizar processos de socialização, comunicação e acesso aos resultados da GT por meio de publicações acadêmicas e divulgação pública da ciência através de plataformas digitais, conteúdo audiovisual e espaços de formação, garantindo o acesso democrático, a apropriação e a circulação do conhecimento.
1. Produzir material audiovisual (podcasts, curtas-documentários, entre outros) para destacar as inovações territoriais identificadas na perspectiva dos atores envolvidos.

2. Elaboração e implementação da proposta de treinamento
1. Podcast com entrevistas para a divulgação de avanços na pesquisa; curtas-metragens e documentários relacionados a experiências nos territórios.

2. Programa de treinamento. Curso de treinamento.
PROMOÇÃO DA RESPONSABILIDADE PÚBLICA E AÇÕES DE INTERVENÇÃO SOCIAL
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, gestores ou funcionários de políticas públicas, experiências comunitárias e territoriais)
1. Criar espaços para trabalho intersetorial (instituições acadêmicas, políticas públicas e movimentos sociais).

2. Propostas de design voltadas para a tomada de decisões políticas que permitam fortalecer inovações territoriais a partir de uma perspectiva de coexistência com o semiárido e com a ciência envolvida.
1. Participar e organizar reuniões e sessões de trabalho entre organizações e movimentos socioterritoriais e agências governamentais e não governamentais da região.

2. Elabore relatórios ou boletins com diretrizes políticas.
1. Realizar pelo menos um encontro anual entre organizações e movimentos socioterritoriais, juntamente com instituições de políticas públicas.

2. Institucionalização de redes de cooperação intersetorial por meio de acordos ou cartas de entendimento.
ARTICULAÇÃO COM OUTRAS REDES E INSTITUIÇÕES
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
1. Construir alianças estratégicas e sinérgicas com outros GTs e centros membros (especialmente da região da América Central) da Rede CLACSO, bem como com outras instituições.

2. Construir alianças estratégicas com organizações de ciência e tecnologia e outras redes de cooperação internacional.
1. Organização de cursos entre os programas de pós-graduação nos quais os centros membros que compõem o GT participam, em conjunto com outros GTs.

2. Organização de reuniões e eventos conjuntos que reúnam os membros do GT com outros grupos de trabalho com os quais colabora fora da CLACSO.
1. Consolidação e expansão das redes de cooperação interinstitucional nos níveis nacional, regional e internacional para promover a produção colaborativa e democrática de conhecimento, a formação de pesquisadores e técnicos profissionais, bem como para apoiar a implementação de inovações territoriais em regiões marginalizadas.

5. Membros do Grupo de Trabalho
Número total de pesquisadores admitidos: 36
José Irivaldo Alves Oliveira Silva
Comunidade de Estudos JAINA
Bolívia
Maria Belén Trejo
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde. Universidade Nacional de Santiago del Estero - FHCSyS/UNSE
Argentina
Rejane De Almeida
Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais e Territoriais
Universidade Federal do Tocantins - Campus Araguaína
Brasil
Leyson Jimmy Lugo Perea
Universidade do Tolima
Colômbia
Sara Latorre
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Equador
Equador
Andrea Geanina Gómez Herrera
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Rízia Mendes Mares
Universidade Estadual de Pernambuco
Brasil
Raúl Gustavo Paz [Coordenador]
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Martha Guerra Bustillos
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Equador
Equador
Maria Vitória Suarez
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Carlos David Blades Cabezas
Comunidade de Estudos JAINA
Bolívia
Gilvânia Ferreira Da Silva Ferreira Da Silva
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Brasil
Jorge Wilson Gómez Agudelo [Coordenador]
Faculdade de Ciências Humanas e Artes - Universidade de Tolima
Colômbia
Osvaldo Aly Júnior
Comunidade de Estudos JAINA
Bolívia
Maria Alejandra Chaves Torres
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Equador
Equador
Lara Dalpério Buscioli
Rede DATALUTA
Universidade Estadual Paulista - UNESP
Brasil
Myriam Paredes
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Equador
Equador
Marcelo César Contreras
Instituto Nacional de Tecnologia Agrícola
Argentina
Cláudia Pilar Lizárraga
Comunidade de Estudos JAINA
Bolívia
Brigido Vásquez Maldonado
Universidade Autônoma de Chapingo
México
Ana Virginia Soledad Barraza
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Marta Elena Gutiérrez
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Paula Milena Franco Jaramillo
Universidade do Tolima
Colômbia
Marta Inés Farias
Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA)
Argentina
Georgina Alethia Sánchez Reyes
CIATEJ
México
Viviana Graciela Gonzalez
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Jimena Ramos Berrondo [Coordenador]
Centro de Pesquisa e Ensino Econômico AC
México
Conrado Márquez Rosano
Universidade Autônoma de Chapingo
México
Luz Helena Rodríguez Rodríguez
Universidade do Tolima
Colômbia
Miriam Guadalupe Huerta Vázquez
Universidade Autônoma de Chapingo
México
Cristian Emanuel Jara
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
Leandro Vieira Cavalcante
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Brasil
Lorena Linda Paola Sanchez
Faculdade de Ciências Humanas, Sociais e da Saúde
Universidade Nacional de Santiago del Estero
Argentina
José Luis López González
Universidade Autônoma de Chapingo
México
Carlos Vacaflores
Comunidade de Estudos JAINA
Bolívia
Silmara Oliveira Moreira Bitencourt
Rede DATALUTA
Universidade Estadual Paulista - UNESP
Brasil