Área temática: Modelos de trabalho e produção
Grupo de trabalhoCrise e a economia mundial
Fundação para Pesquisa Social e Política
Argentina
Instituto de Pesquisa Econômica
Universidade Nacional Autônoma do México
México
A crise estrutural do capitalismo contemporâneo aprofundou-se na terceira década do século XXI, dada a persistência e o agravamento de suas contradições inerentes, sem sinais de resolução a médio prazo. O crescimento econômico baixo e prolongado, o endividamento persistente — tanto público quanto privado —, a inflação generalizada, a crescente desigualdade social, o agravamento da crise climática (com a iminência de outra crise sanitária de proporções pandêmicas) e as disputas geopolíticas que assumem dimensões cada vez mais ameaçadoras, semelhantes a guerras — incluindo o genocídio em Gaza — constituem um quadro de crise civilizacional. Esses processos expressam não apenas as tensões internas do capital global em sua fase atual, mas também sua incapacidade estrutural de garantir condições de vida dignas e sustentáveis e a reprodução social em escala planetária.
Particularmente na frente geopolítica, a crise exacerba o declínio da hegemonia global dos EUA diante da ascensão de potências rivais — principalmente a China — que desafiam a unipolaridade econômica e institucional que emergiu após o fim da Guerra Fria. Essa reconfiguração se reflete na perda de participação industrial dos EUA e de seus aliados na Europa e no Japão, no aumento da competição tecnológica e no questionamento da dominância do dólar como moeda de reserva internacional. Em resposta, os Estados Unidos buscam preservar sua primazia por meio de estratégias de contenção, sanções tarifárias e controle tecnológico, bem como reforçando sua influência sobre a América Latina e o Caribe por meio de mecanismos financeiros e diplomáticos, e até mesmo intervenção direta, como visto na região caribenha. Por sua vez, a China promove a Iniciativa Cinturão e Rota, a internacionalização do yuan e o fortalecimento de organizações alternativas, como o BRICS ampliado, moldando uma arquitetura econômica e política multipolar. Essa disputa transcende a esfera econômica e redefine as rotas de fornecimento de energia, os fluxos de investimento e as alianças estratégicas no Sul Global.
Particularmente na América Latina e no Caribe, essa crise assume um caráter ainda mais profundo, reativando os mecanismos históricos de dependência, desapropriação e subordinação que estruturam a integração periférica da região na economia global. Isso sublinha a posição subordinada que a América Latina e o Caribe continuam a ocupar na divisão internacional do trabalho e nas lutas geopolíticas contemporâneas, onde as tensões entre as potências globais se projetam em seus territórios, economias e modelos de desenvolvimento.
A crise atual não pode ser entendida como um episódio temporário ou um desvio circunstancial no curso do capitalismo global, mas sim como a manifestação prolongada de suas contradições estruturais. Da crise financeira de 2008 até o presente, a economia mundial vem vivenciando uma fase de estagnação caracterizada por baixo crescimento, endividamento excessivo e precariedade social. A expansão do capital fictício e dos mecanismos especulativos adiou os efeitos mais agudos da superacumulação. Mas esse processo, longe de corrigir as falhas do sistema, reproduz, em escala ampliada, as desigualdades estruturais e a instabilidade inerente (dado o potencial de estouro de novas bolhas financeiras) à acumulação capitalista global.
Ao mesmo tempo, a crise climática e ambiental expõe as limitações naturais e sociais desse modelo. A lógica da acumulação ilimitada entra em conflito direto com as condições materiais de vida e a sustentabilidade dos ecossistemas, enquanto a "transição energética" impulsionada pelas grandes potências reproduz, sob um novo disfarce, as relações desiguais entre o Norte e o Sul globais. Em nome da economia verde, processos de desapropriação territorial, extrativismo e subordinação tecnológica são revividos, impactando desproporcionalmente os países dependentes. Assim, a crise ecológica não é um fenômeno externo à lógica da reprodução capitalista, mas sim uma dimensão central da crise civilizacional do capital, que combina exploração do trabalho, depredação ambiental e dominação imperialista.
Na perspectiva da América Latina e do Caribe, esta crise se traduz em um agravamento dos mecanismos históricos de dependência e vulnerabilidade externa. A região está presa entre a pressão dos mercados financeiros internacionais, o peso da dívida soberana e a persistência de modelos de produção baseados na exportação primária e/ou na montagem (maquiladoras). O crescimento econômico repousa sobre bases frágeis, determinadas pela volatilidade dos preços das commodities e pela concentração de riqueza. A isso se somam os efeitos sociais devastadores da pandemia, o aumento do emprego informal e a desigualdade de gênero, que aprofundam a desigualdade estrutural de nossas economias. Diante dessa realidade, a América Latina e o Caribe perpetuam sua posição subordinada na divisão internacional do trabalho, confirmando a relevância contínua das categorias de dependência, desenvolvimento desigual e transferência de valor como principais referenciais analíticos para a compreensão da crise contemporânea.
A dimensão laboral da crise expressa-se na precariedade generalizada e na flexibilização do trabalho. A região assiste à desregulamentação das relações laborais, à terceirização de processos, a contratos por projeto ou a tempo parcial e a regimes de pagamento por produção, fatores que enfraquecem a negociação coletiva. Estas tendências combinam-se com lacunas históricas na informalidade, na segmentação ocupacional e em diversas desigualdades, produzindo mercados de trabalho cada vez mais heterogéneos, instáveis e com baixos salários.
Em paralelo, a deterioração econômica e social exacerbada pela crise das últimas décadas levou ao ressurgimento de movimentos autoritários e neoconservadores de direita em diversos países. Nos Estados Unidos e na Europa, a ascensão de projetos políticos de extrema-direita — de orientação neoliberal, mas com características nacionalistas e xenófobas — demonstra uma deriva reacionária que canaliza o descontentamento social para soluções autoritárias. Na América Latina, essa tendência se manifesta no avanço de movimentos de extrema-direita que combinam retórica antiestatista e antipolítica com autoritarismo punitivo, desprezo pelos direitos sociais e subordinação aos interesses do capital financeiro e extrativista global. Tais expressões não surgem fora do sistema capitalista em crise, mas sim como parte de sua reconfiguração; constituem uma resposta política regressiva à crise de acumulação e legitimidade do capitalismo contemporâneo.
Em suma, a crise capitalista contemporânea constitui uma crise orgânica e civilizacional que permeia todos os níveis de reprodução social: econômico, político, ecológico e cultural. Não se trata, portanto, de uma mera disfunção do sistema, mas sim da manifestação histórica de suas limitações estruturais e de sua incapacidade de sustentar as condições de vida no planeta. Na América Latina e no Caribe, essa crise reativa formas de dependência, subordinação e desapropriação, ao mesmo tempo que abre a possibilidade de repensar projetos alternativos de desenvolvimento e emancipação social a partir do Sul Global. Nesse sentido, a luta pelo significado da emancipação social — que inclui uma alternativa ecológica, econômica ou política — torna-se um campo de batalha estratégico: sua orientação determinará se a humanidade aprofunda a barbárie do capital ou se consegue construir novas formas de organização social baseadas na justiça, na igualdade e na sustentabilidade da vida.
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O estudo da crise estrutural do capitalismo contemporâneo e suas manifestações na América Latina e no Caribe assume suma importância teórica e social. No contexto atual, caracterizado pela estagnação econômica global, pela financeirização das economias, pelo aprofundamento das desigualdades e pelo agravamento da crise ecológica, torna-se essencial problematizar os fundamentos do modelo de acumulação vigente e seus efeitos sobre as formações sociais periféricas. Compreender essa crise não como um episódio passageiro, mas como uma expressão orgânica das contradições internas do capital, exige a recuperação de tradições críticas do pensamento latino-americano que permitam situar a análise em uma perspectiva histórica e estrutural.
Do ponto de vista teórico, o tema que une o Grupo de Trabalho situa-se nos debates contemporâneos sobre a crise do desenvolvimento capitalista, o papel do Estado na periferia e a dinâmica do poder global. Diante do esgotamento dos paradigmas neoliberais e das limitações das abordagens desenvolvimentistas e decoloniais, torna-se necessário rever as categorias analíticas do pensamento crítico — dependência, desenvolvimento desigual, imperialismo, centro-periferia, capital fictício — à luz das recentes transformações no capitalismo global, como a digitalização da produção, a transição energética e a recomposição geopolítica multipolar. Este exercício teórico contribui não só para a atualização da crítica da economia política, mas também para a reformulação dos fundamentos epistemológicos das ciências sociais a partir da perspectiva do Sul Global.
Em um nível social e intelectual, a relevância deste tema reside na necessidade de compreender as novas formas de subordinação econômica, tecnológica e política que afetam as sociedades latino-americanas e caribenhas. A persistência de modelos extrativistas e/ou exploratórios, o endividamento crônico, o emprego precário e a concentração de riqueza refletem a continuidade de uma estrutura de dependência, agora exacerbada pelos mecanismos do capital fictício e pelas disputas entre as potências globais. Analisar essas dinâmicas ilumina os desafios contemporâneos da região e abre novas perspectivas de pensamento voltadas para a construção de alternativas de desenvolvimento autônomas, democráticas e sustentáveis.
Por fim, a relevância intelectual deste tema reside na sua capacidade de articular uma reflexão crítica sobre a crise civilizacional do capital com os debates latino-americanos sobre o futuro da região. Num cenário global marcado pela instabilidade, pela ascensão da extrema-direita e pela ameaça da crise ambiental, a produção de conhecimento situado e crítico torna-se uma tarefa urgente. Este projeto, portanto, busca contribuir para a renovação do pensamento social latino-americano, fortalecendo uma perspectiva que combine rigor teórico, compromisso histórico e uma visão emancipadora.
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(Ações para coordenar pesquisas sociais comparativas relevantes e rigorosas com uma perspectiva regional)
2. Com base nessa análise, promover o debate interdisciplinar e a produção coletiva de conhecimento crítico visando repensar as categorias fundamentais da análise econômica e social, com especial atenção às suas implicações no Sul Global.
3. Identificar e analisar as múltiplas dimensões da crise contemporânea (econômica, financeira, produtiva, energética, ambiental, política, geopolítica e militar), particularmente sua ligação com a deterioração das condições de trabalho, o desemprego, a desigualdade e o avanço da direita global.
4. Analise o processo de reorganização geopolítica e hegemônica, a ascensão da China e o papel dos BRICS, bem como os fluxos de capital, dívida e investimento nas economias periféricas.
5. Avaliar em toda a sua complexidade as experiências dos governos progressistas nos últimos vinte anos na América Latina.
6. Propor uma interpretação crítica das medidas de política econômica promovidas por organizações internacionais para toda a região.
7. Debater as interpretações teóricas dominantes a partir de perspectivas heterodoxas e críticas, incorporando as experiências de movimentos sociais e sujeitos coletivos que constroem alternativas à ordem capitalista em crise.
2. Grupos de trabalho para a concepção de atividades coletivas com os demais Grupos de Trabalho.
3. Reuniões presenciais ou híbridas do Grupo de Trabalho para discutir o progresso da pesquisa e/ou a análise de assuntos da atualidade.
4. Criação e coordenação de um Observatório das transformações do capitalismo mundial em crise.
2. Identificação e caracterização das mutações estruturais do capitalismo contemporâneo.
3. Análise coletiva e sistemática dos impactos da crise nas economias da América Latina e do Caribe (trabalho, dívida, inflação, moeda, tecnologia, comércio, geopolítica).
3. Elaboração de diagnósticos críticos e documentos de referência sobre a situação regional.
4. Consolidação de redes de pesquisa entre membros do GT e redes externas (REDEM, SEPLA) e com outros GTs.
5. Coordenação, edição e publicação de três livros digitais de acesso aberto, um por ano, como parte da Coleção CLACSO GT.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
2. Contribuir para a formação acadêmica de jovens pesquisadores, organizações sociais e atores coletivos.
3. Divulgar análises críticas das políticas econômicas dos governos da região.
4. Promover o debate público a partir de perspectivas alternativas aos discursos predominantes nos meios de comunicação hegemônicos.
2. Reuniões mensais para organizar o boletim informativo, o podcast e outros conteúdos de divulgação.
3. Criação de um podcast para divulgar a produção do GT em plataformas digitais.
4. Apresentação dos resultados nos meios de comunicação, CLACSO TV, CLACSO Radio e InfoCLACSO.
5. Implementação de diplomas e seminários de formação virtual no âmbito da Rede de Pós-Graduação da CLACSO.
6. Apresentação e promoção das obras da GT em feiras de livros, exposições e fóruns.
7. Elaboração e apresentação de propostas de especializações, seminários virtuais e atividades acadêmicas de pós-graduação relacionadas ao tema do GT em instituições acadêmicas da região.
8. Elaboração de livros digitais de acesso aberto como resultado dos seminários anuais realizados em colaboração com outros grupos de trabalho e redes acadêmicas.
2. Incentivar a participação de outros GTs (China, Estudos dos EUA, Geopolítica, Lex Mercatoria) na produção de conteúdo coletivo.
3. Criação e manutenção de podcasts da GT.
4. Realização de oficinas de formação para jovens investigadores e organizações sociais.
5. Maior divulgação das obras produzidas, garantindo acesso livre e aberto.
6. Maior presença pública do GT em mídias alternativas e nas plataformas da CLACSO.
7. Coordenação, edição e publicação de três livros digitais de acesso aberto, um por ano, como parte da Coleção CLACSO GT.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, gestores ou funcionários de políticas públicas, experiências comunitárias e territoriais)
2. Promover intercâmbios entre organizações de educação, ciência e tecnologia nas quais membros da GT participem.
3. Promover uma estreita colaboração com os atores responsáveis pela formulação de políticas públicas em países com governos progressistas.
2. Espaços para o desenvolvimento conjunto de projetos com movimentos populares e sindicatos.
3. Elaboração dos documentos de trabalho resultantes dos workshops e das atividades colaborativas.
4. Elaboração de uma agenda permanente para diálogo e intercâmbio com instituições públicas.
2. Maior presença da GT nos espaços de articulação territorial e comunitária.
3. Estabelecimento de uma agenda de colaboração estável com atores públicos e sociais.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
2. Contribuir para a elaboração de propostas acadêmicas, formação complementar, divulgação e planos de estudo das instituições acadêmicas às quais pertencem os membros do Grupo de Trabalho.
2. Reuniões anuais com diretores de centros afiliados à CLACSO para apresentar as contribuições do GT.
3. Coordenação e coedição de três livros digitais no âmbito da Coleção GT.
4. Desenvolvimento e apresentação de propostas de especializações, diplomas e cursos de pós-graduação vinculados à GT em instituições acadêmicas da América Latina.
2. Fortalecimento das alianças acadêmicas regionais.
3. Publicação de obras coletivas em coedição com redes e instituições parceiras.
4. Expansão da presença da GT em programas de formação e pós-graduação na América Latina e no Caribe.
Número total de pesquisadores admitidos: 91
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Sociedade de Economia Política do Paraguai
Sociedade de Economia Política e Pensamento Crítico na América Latina
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Programa de Pós-Graduação em Estudos Latino-Americanos
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Área de Economia Política - Instituto da Indústria
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México
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