Área temática: Grupo Especial
Grupo de trabalhoGrupo Especial ACÁPACÁ/CLACSO Fórum Permanente Latino-Americano para a Descolonização da Cooperação
Federação Nacional de Mulheres Camponesas, Artesãs, Indígenas, Nativas e Assalariadas do Peru
Peru
Acápacá. Uma plataforma para disseminação, aprendizagem e apoio à cooperação.
Espanha
A região da América Latina e do Caribe enfrenta desafios econômicos, sociais e ambientais que exigem uma transformação nos modelos de cooperação internacional. As críticas à cooperação como perpetuadora do colonialismo ganharam força, promovendo fóruns regionais a partir de uma perspectiva decolonial. Nesse contexto, os diálogos Sul-Sul e Sul-Norte são fundamentais para uma cooperação mais equitativa e contextualizada às realidades locais.
Historicamente, a cooperação internacional tem sido dominada por países do Norte Global, que impõem agendas ignorando as necessidades locais da América Latina. Esse modelo perpetuou práticas coloniais, subordinando os interesses do Sul Global. No entanto, o contexto das crises globais criou oportunidades para repensar a cooperação. Movimentos como o Pledge for Change e o #ShiftThePower desafiam o legado colonial das ONGs internacionais, promovendo uma cooperação mais inclusiva e participativa.
Na América Latina, a "Pronunciamento dos Movimentos Sociais e da Academia" representou um passo significativo rumo à cooperação decolonial e feminista, priorizando as agendas do Sul Global. Mesmo assim, os desafios são numerosos, desde a diminuição do financiamento até a imposição de prioridades externas, como as mudanças climáticas, que relegam a segundo plano questões locais como os direitos territoriais e o combate à pobreza.
Além disso, o excesso de burocracia e as práticas sexistas e racistas nas relações de cooperação dificultam o progresso. As organizações locais enfrentam microgestão e concorrência desleal por parte das subsidiárias do Norte, o que limita sua autonomia.
Em resposta a esses desafios, o Fórum Regional "Cooperação Igualitária, Justa e Necessária", lançado em 2024, busca reestruturar a cooperação a partir de uma perspectiva decolonial e feminista, promovendo estruturas horizontais e o reconhecimento do conhecimento local. O Fórum não é apenas um espaço para reflexão crítica, mas também para ação concreta, alinhado a iniciativas globais como o Compromisso com a Mudança.
A descolonização da cooperação na América Latina é urgente para superar as estruturas desiguais que moldaram as relações entre o Norte e o Sul globais. Por meio de fóruns como o mencionado e da Declaração "Rumo à Cooperação Internacional sem Colonialidade", estão sendo lançadas as bases para um novo paradigma que prioriza as necessidades locais e valoriza o conhecimento ancestral.
Trata-se de uma resposta às dinâmicas de poder que perpetuaram as desigualdades entre o Norte e o Sul globais, fundamentada em teorias decoloniais e no feminismo interseccional. Essas teorias ressaltam a necessidade de transformar os paradigmas dominantes que historicamente colocaram o Norte em posições de poder. Inspirada por autoras como Mignolo e Quijano, a obra enfatiza que a descolonização deve ser não apenas política e econômica, mas também epistemológica, desafiando a imposição do conhecimento do Norte sobre o Sul.
A aplicação dessas teorias à cooperação internacional busca mudar a forma como os projetos são concebidos, com foco nas necessidades e no conhecimento locais. Na América Latina, onde a cooperação perpetuou hierarquias coloniais, essa abordagem é especialmente relevante. O feminismo interseccional, por meio de autoras como Crenshaw, introduz uma crítica à forma como as mulheres racializadas no Sul Global foram afetadas de forma desproporcional por essas dinâmicas. O feminismo decolonial busca desmantelar as práticas patriarcais e racistas presentes na cooperação, tanto em ONGs internacionais quanto em governos do Norte Global.
A crítica à burocratização e à imposição de agendas do Norte é fundamental para a descolonização da cooperação para o desenvolvimento. As exigências impostas às organizações locais limitam sua autonomia e capacidade de ação. Em vez de depender do Norte, o diálogo Sul-Sul permite que os países do Sul Global definam suas próprias estratégias e prioridades, fomentando uma cooperação mais horizontal.
A crítica teórica também aponta para a hegemonia do conceito de desenvolvimento, utilizado como instrumento de controle pelo Norte Global. Escobar argumenta que é necessário promover um desenvolvimento inclusivo e sustentável baseado nas realidades locais. Nesse sentido, a cooperação decolonial defende um modelo em que os povos do Sul Global sejam os protagonistas do seu próprio destino.
A relevância teórica da cooperação descolonizadora é essencial no contexto atual de crises e desigualdades globais. As teorias decoloniais e feministas fornecem uma estrutura crucial para transformar essas práticas e construir uma cooperação mais equitativa e justa.
Mbembe, A. (2020). Necropolítica. Melusina.
Glennie, J. (2020). O futuro da ajuda: investimento público global. Routledge.
Caldwell, R., & Sriskandarajah, D. (2023). Em foco: Organizações não governamentais internacionais se comprometem a mudar o poder e os recursos.
Khan, T., Dickson, K., & Sondarjee, M. (Eds.). (2023). O salvacionismo branco no desenvolvimento internacional: Teorias, práticas e experiências vividas. Daraja Press.
A descolonização da cooperação internacional é uma resposta às dinâmicas de poder que perpetuaram as desigualdades entre o Norte e o Sul globais, fundamentada em teorias decoloniais e no feminismo interseccional. Essas teorias ressaltam a necessidade de transformar os paradigmas dominantes que historicamente colocaram o Norte em posições de poder. Autoras como Mignolo e Quijano enfatizam que não se trata apenas de descolonização política e econômica, mas também epistemológica, que desafia a imposição do conhecimento do Norte sobre o Sul.
A aplicação dessas teorias à cooperação internacional busca mudar a forma como os projetos são concebidos, com foco nas necessidades e no conhecimento locais. Na América Latina, onde a cooperação perpetuou hierarquias coloniais, essa abordagem é especialmente relevante. O feminismo interseccional, por meio de autoras como Crenshaw, introduz uma crítica à forma como as mulheres racializadas no Sul Global foram afetadas de forma desproporcional por essas dinâmicas. O feminismo decolonial busca desmantelar as práticas patriarcais e racistas presentes na cooperação, tanto em ONGs internacionais quanto em governos do Norte Global.
A crítica à burocratização e à imposição de agendas do Norte é fundamental para a descolonização da cooperação para o desenvolvimento. As exigências impostas às organizações locais limitam sua autonomia e capacidade de ação. Em vez de depender do Norte, o diálogo Sul-Sul permite que os países do Sul Global definam suas próprias estratégias e prioridades, fomentando uma cooperação mais horizontal.
A crítica teórica também aponta para a hegemonia do conceito de desenvolvimento, utilizado como instrumento de controle pelo Norte Global. Escobar argumenta que é necessário promover um desenvolvimento inclusivo e sustentável baseado nas realidades locais. Nesse sentido, a cooperação decolonial defende um modelo em que os povos do Sul Global sejam os protagonistas do seu próprio destino.
A relevância teórica da cooperação descolonizadora é essencial no contexto atual de crises e desigualdades globais. As teorias decoloniais e feministas fornecem uma estrutura crucial para transformar essas práticas e construir uma cooperação mais equitativa e justa.
Crenshaw, Kimberlé. "Mapeando as Margens: Interseccionalidade, Política de Identidade e Violência Contra Mulheres de Cor." Stanford Law Review, 1991.
Quijano, A. (2000). Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina (Vol. 13). Buenos Aires: CLACSO.
Segato, RL (2013). Eixos argumentativos da perspectiva da Colonialidade do Poder. Revista Casa de las Américas, 272, 17-39.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Promover diálogos entre movimentos sociais, ONGs e o meio acadêmico para fortalecer uma rede de colaboração.
Identificação de boas práticas e casos de sucesso na cooperação decolonial e feminista.
Diagnóstico regional publicado e compartilhado em redes acadêmicas e sociais.
A primeira edição do Fórum foi um sucesso, com a participação de figuras-chave.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
Desenvolvimento de campanhas de conscientização sobre práticas coloniais em cooperação.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
Participação em eventos internacionais para divulgar as propostas do Fórum, especialmente as de fundações, doadores e organizações internacionais.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Ampliar a divulgação dos resultados e recomendações do Fórum a novos atores de cooperação.
Organização de grupos de trabalho regionais para analisar mais detalhadamente desafios específicos.
Ampliação da rede de organizações e atores que colaboram ativamente no Fórum.
Progressos concretos na implementação das recomendações do Fórum em políticas públicas.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Realização de pesquisa comparativa sobre práticas de decolonialismo em cooperação em diferentes sub-regiões (Mercosul, Zona Andina, Caribe, Mesoamérica).
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
Realização de oficinas de capacitação para ONGs e movimentos sociais sobre práticas de cooperação equitativas e justas.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
Número total de pesquisadores admitidos: 300
Acápacá. Uma plataforma para disseminação, aprendizagem e apoio à cooperação.
Espanha
Federação Nacional de Mulheres Camponesas, Artesãs, Indígenas, Nativas e Assalariadas do Peru
Peru