Área temática: Teoria Social e Política
Grupo de trabalhoEstudos sobre tempo e temporalidades
Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências e Humanidades
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Centro Estratégico Latino-Americano para a Geopolítica
Equador
Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências e Humanidades
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Atualmente, diversos círculos acadêmicos, intelectuais e políticos frequentemente apontam que estamos vivendo uma crise temporária. Encontramo-nos num momento histórico em que passado e futuro se confundem na orientação do nosso presente. É um tempo de crise para as utopias, mas também de questionamento das estruturas da memória sobre as quais se baseiam as definições de identidades coletivas, identidades que guiam nossas experiências e práticas compartilhadas. O imediatismo na política e na economia, a ausência de projetos sociais de longo prazo, bem como o pessimismo generalizado em relação ao futuro e o descrédito da experiência, resultam numa atuação política contemporânea que parece focada na gestão de necessidades imediatas.
Embora essencialmente metropolitana, essa análise encontra eco na realidade latino-americana. Que futuros possíveis a nova onda de governos progressistas na região oferece? Que futuro alternativo nossa região oferece diante das distopias globais? Como a memória de nossos passados compartilhados nos conecta nas práticas presentes? Qual a relevância de nossos passados na forma como imaginamos nosso futuro comum?
Nós, que nos reunimos neste grupo de trabalho, reconhecemos que nosso mundo contemporâneo é marcado por uma crise temporal. Contudo, reconhecemos também que o diagnóstico acima apresentado é inerentemente generalista, uma leitura da realidade que, em sua generalidade, oblitera muitas outras realidades. Na América Latina e no Caribe, os referenciais de pensamento de diversas comunidades, assim como as orientações temporais e as práticas políticas de vários movimentos sociais e projetos políticos, oferecem outras maneiras de conceber o tempo e articular o passado com o presente, abrindo horizontes para um futuro no qual o futuro se apresenta como uma disputa, e não como um veredito.
Reconhecemos que o dever do pensamento crítico é identificar e examinar a realidade dominante, e concordamos com a noção de uma crise da temporalidade como elemento definidor de nossa contemporaneidade global. Contudo, também acreditamos que é dever do pensamento crítico expor as estruturas de dominação, revelando sua contingência e, assim, desmistificando a realidade como a única realidade, a fim de possibilitar a visualização das possibilidades que emergem da força da realidade dominante. Isso nos permite questionar a realidade e vislumbrar outras realidades possíveis, ou, em termos freireanos, ir além das "situações-limite" para reconhecer "o inédito viável" (Freire 2011; 2012). Em outras palavras, diante do diagnóstico compartilhado de um presente que ignora seus passados formativos e bloqueia futuros alternativos, reconhecemos a existência de múltiplas outras alternativas que, a partir da América Latina e do Caribe, articulam outras formas de pensar, falar e vivenciar o tempo. Acreditamos que essas alternativas temporárias, tanto presentes quanto passadas, devem ser estudadas e visualizadas como possibilidades com potencial para transformar o tempo presente em direção a outros futuros possíveis.
Freire, P. (2011) Pedagogia da Esperança. México: Século XXI Espanha.
Este grupo de trabalho concentra-se no estudo do tempo e das temporalidades a partir de uma perspectiva latino-americana. Reconhecemos o tempo como uma dimensão constitutiva da vida comunitária que merece ser refletida sob diferentes perspectivas e considerações. Nas disputas sobre como entender, conceituar e definir o tempo, podemos discernir múltiplas lutas por hegemonia e controle sobre a vida das pessoas e os ambientes naturais. Controlar o tempo dos outros é controlar suas vidas, enquadrar seus projetos, estruturar suas trajetórias (Auyero, 2013). A política do tempo, ou cronopolítica, a partir da qual se definem os regimes temporais que orientam a vida comunitária, também constitui um espaço de disputa, pois define disposições coletivas em relação à mudança e/ou à continuidade dos sistemas de dominação e exploração. A abertura ou o fechamento de horizontes futuros são contestados e buscam resolução dentro dessa cronopolítica.
De forma semelhante, reconhecemos a temporalidade como uma das categorias centrais sobre as quais se constroem as diferenças sociais e culturais. Buscamos explorar como as relações temporais são marcadas por complexos entrelaçamentos entre políticas, práticas e imaginários temporais que emergem de uma série de contextos: o impacto homogeneizador do tempo globalizado, a longa duração da colonialidade, a persistência das culturas temporais indígenas e a crise dos futuros modernos. A temporalidade não é entendida aqui como um fato objetivo nem como uma categoria da consciência humana; em vez disso, a entendemos como um produto de múltiplas práticas e limitações sociais e culturais (Valencia, 2018). Assim, propomos explorar múltiplas temporalidades, ou o que a teoria social latino-americana definiu, a partir de diversas perspectivas, como tempos variegados, o tempo do multissocietal, a heterogeneidade multitemporal, os entrelaçamentos temporais, os tempos de fronteira e mestiços, a temporalidade ch'ixi, e assim por diante. (Anzaldúa, 1987; Ávila, 2014; 2018; Canclini, 1989; Resende e Thies, 2017; Rivera, 2018; Tapia, 2002; Valência, 2010; 2012; Zavaleta, 1977; 2008)
Buscamos investigar três áreas que nos aproximarão das múltiplas formas de pensar, falar e vivenciar o tempo na América Latina. A primeira delas diz respeito ao estudo da temporalidade no debate latino-americano sobre ideias. Na América Latina, o tempo tem sido o fio condutor do pensamento social em suas mais diversas tradições e projetos. O tempo aparece com frequência explícita, mas também está presente de forma implícita, razão pela qual é necessário desvendar a discussão em torno do tempo que ocorreu na América Latina ao se contestar o significado de sua história. Dentro dessa estrutura, é necessário propor exercícios de diálogo que possibilitem a síntese e a organização dessas discussões.
A segunda linha de pesquisa aborda o desenvolvimento de uma teoria contrafactual para a boa vida (Ramírez, 2022). Se toda ordem social implica uma ordem temporal particular, toda utopia implica um contrafactual único. Esta linha de pesquisa busca teorizar sobre o conceito de contrafactual, que emergiu dos processos democráticos ocorridos na América Latina no novo milênio. Contrafactual é entendido como "não tempo", na medida em que implica uma luta social desejada (e possível) que foi historicamente e geograficamente proposta e que busca ser alcançada (a sociedade da boa vida, viver a vida plenamente), para a qual uma nova ordem temporal deve ser construída. A pesquisa inicia-se com uma análise de lutas históricas específicas na região que buscaram construir novas utopias, a fim de investigar as temporalidades inerentes a tais propostas sociais. Para o conceito de contrafactual mencionado, o revisionismo histórico e suas narrativas são importantes na medida em que servem para contestar politicamente a utopia/contrafactual desejada. Esta linha de pesquisa propõe avançar na construção de uma teoria da história alternativa para a boa vida como um arcabouço conceitual para a análise crítico-utópica com uma clara intenção epistêmica: servir como ferramenta conceitual para explorar novos futuros de história alternativa que estão sendo contestados na região. A discussão da teoria da história alternativa será um meio para investigar uma nova teoria do valor centrada em vidas (boas), permitindo a reflexão, a avaliação e a formulação de diretrizes para a construção de novas teorias da justiça social. A pesquisa inclui um debate sobre cronopolítica para a construção de outras possíveis histórias sociais alternativas.
Finalmente, o terceiro ponto refere-se ao estudo etnográfico dos sonhos humildes (Contreras, 2022). Esses sonhos, enquanto noções situadas do futuro, são nutridos por horizontes diversos, heterogêneos e, muitas vezes, incoerentes. São futuros que se sedimentam temporalmente a partir de vozes dissimilares, frequentemente opostas, que intervêm na construção local de significado. Podemos pensar nessas intervenções como conversas, em torno das quais se configuram "modelos locais"; no nosso caso, os modelos ou ideias de imaginar o futuro. Essas conversas locais ocorrem no contexto de outras conversas dominantes, estruturais e gerais. O que se investiga neste ponto, então, são as articulações locais com essas conversas centrais ou dominantes, incluindo as inscrições do passado e as práticas do presente, entre o texto central e as vozes marginais. Nesse sentido, as conversas que configuram o local são constituídas de contato e daquilo que tem sido definido como o trabalho da imaginação que constrói o local a partir de diversas articulações de modos de ser, fazer e imaginar a realidade. Sonhos humildes, que também emergem da capacidade de reflexão das pessoas ao avaliarem suas circunstâncias, constituem esse modelo local de um futuro imaginado. Esse modelo surge de conversas diversas e historicamente situadas que constroem significado e permitem às pessoas imaginar outras vidas possíveis e se comprometerem com elas a partir da perspectiva de suas práticas presentes. Essas práticas derivam da urgência de ganhar a vida e, ao mesmo tempo, tornam a vida e sua continuidade possíveis.
Anzaldúa, G. (1987) Borderlands / La frontera: A Nova Mestiza São Francisco: Tia Lute Books.
Ávila, E. (2018). Fronteiras temporais: em direção à temporalidade queer decolonial na literatura latina. Em J. Morán González & L. Lomas (Eds.), The Cambridge History of Latina/o American Literature (pp. 711-736). Cambridge: Cambridge University Press.
Ávila, E. (2014) “Descolonizando a temporalidade reta através da perturbação do gênero em The Farming of Bones de Edwidge Danticat.” Ilha do Desterro 67, 21-36.
Auyero, J. (2013). Pacientes do Estado. Buenos Aires: Eudeba.
Canclini, Nestor (1989). Culturas híbridas. São Paulo: Edusp.
Contreras, Raúl (2022). Imaginando futuros. A temporalidade de ganhar a vida no Vale do Mezquital, México: CEIICH-UNAM.
Resende, F. e Thies, S. (2017) “Temporalidades emaranhadas no Sul Global”. Contracampo – Revista Brasileira de Comunicação (UFF), Instituto de Artes e Comunicação, Niterói, v. 36, n. 3, p. 2-14.
Rivera Cusicanqui, S. (2018). Um mundo ch'ixi é possível. Ensaios de um presente em crise. Buenos Aires: Tinta Limón.
Tapia, L. (2002) A condição multissocial: multiculturalismo, pluralismo, modernidade. La Paz: Muela del Diablo.
Valencia, G. (2010). Tempos Mexicanos. Madrid: Sequitur.
Valencia, G. (2012). “A vida contemporânea interrogada”. In: J. Gandarilla, R. Ramos e G. Valencia
(coordenadas). Contemporaneidade(s). Madri: Sequitur.
Valencia, G. (2018). Entre Chronos e Kairos: as formas do tempo sociohistórico. México: Universidade Nacional Autônoma do México, Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências e Humanidades.
Zavaleta, R. (1977) “Considerações gerais sobre a história da Bolívia (1932 – 1971)”. In Obras Completas. Volume III. Parte II. Outros escritos, 1954 – 1984. La Paz: Plural Editores.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
- Analisar e investigar os problemas teóricos, metodológicos, filosóficos e conceituais que surgem do estudo e da reflexão sobre o tempo.
- Coordenar a publicação de textos acadêmicos.
- Gestão da participação dos palestrantes convidados para o seminário.
- Ministrar as sessões mensais do Seminário de Estudos de Tempo (CEIICH e FCPyS da UNAM).
- Coordenação e participação na Reunião Anual do Grupo de Trabalho sobre Estudos do Tempo e das Temporalidades.
- Colaboração na publicação de um Manual sobre temporalidades, sob o selo editorial do Centro Interdisciplinar de Estudos do Sul Global da Universidade de Tübingen, Alemanha.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
- Coordenar atividades acadêmicas que promovam o diálogo interdisciplinar e a participação cidadã.
- Organização de atividades acadêmicas nacionais e internacionais.
- Apresentação do livro "Sharing Time. Untimely Reflections", sob o selo editorial FCPyS-UNAM.
- Apresentação do livro "Futuros em Disputa: Narrativas sobre o futuro", sob o selo editorial CEIICH-UNAM.
- Coordenação de Homenagem ao Dr. Ramón Ramos Torre (Universidade Complutense de Madrid).
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
- Criação de infográficos
- Organização de palestras.
- Infográfico sobre o tempo: "O tempo é seu ou o tempo é seu?"
- Divulgação de publicações.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
- Fortalecer as redes com outros Grupos de Trabalho ativos da CLACSO.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
- Analisar e investigar os problemas teóricos, metodológicos, filosóficos e conceituais que surgem do estudo e da reflexão sobre o tempo.
- Coordenar a publicação de textos acadêmicos.
- Desenvolvimento de estratégias metodológicas para
o estudo do tempo.
- Gestão da participação dos palestrantes convidados para o seminário.
- Ministrar as sessões mensais do Seminário de Estudos de Tempo (CEIICH e FCPyS da UNAM).
- Participação em debates metodológicos.
- Coordenação e participação na Reunião Anual do Grupo de Trabalho sobre Estudos do Tempo e das Temporalidades.
- Publicações em grupo e individuais.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
- Coordenar atividades acadêmicas que promovam o diálogo interdisciplinar e a participação cidadã.
- Auxiliar na organização de atividades acadêmicas que integrem o seminário a outros espaços de intercâmbio acadêmico.
- Participação de membros da GT em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
- Monitorar o design da plataforma interativa em torno de "As Vozes do Tempo. Dicionário de Citações".
- Plataforma interativa em torno de "As Vozes do Tempo. Dicionário de Citações" (CEIICH-UNAM)
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
- Concepção e implementação de um workshop educativo.
- Organização de palestras.
- Oficina sobre os usos do tempo.
- Divulgação de publicações.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
- Fortalecer as redes com outros Grupos de Trabalho ativos da CLACSO.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
- Analisar e investigar os problemas teóricos, metodológicos, filosóficos e conceituais que surgem do estudo e da reflexão sobre o tempo.
- Coordenar a publicação de textos acadêmicos.
- Desenvolvimento de estratégias metodológicas para
o estudo do tempo.
- Gestão da participação dos palestrantes convidados para o seminário.
- Ministrar as sessões mensais do Seminário de Estudos de Tempo (CEIICH e FCPyS da UNAM).
- Participação em debates metodológicos.
5. Coordenação e participação na última Reunião Anual do Grupo de Trabalho sobre Estudos do Tempo e Temporalidades.
- Publicações em grupo e individuais.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
- Coordenar atividades acadêmicas que promovam o diálogo interdisciplinar e a participação cidadã.
- Participação de membros da GT em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
- Acompanhamento do design da plataforma interativa em torno de "As Vozes do Tempo. Dicionário de Citações"
- Plataforma interativa em torno de "As Vozes do Tempo. Dicionário de Citações" (CEIICH-UNAM)
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
- Realizar entrevistas com especialistas e pessoas interessadas no tema.
- Organização de palestras.
-Entrevistas transmitidas por meio de redes sociais, televisão e rádio.
-Divulgação de publicações e conteúdo.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
- Fortalecer as redes com outros Grupos de Trabalho ativos da CLACSO.
Número total de pesquisadores admitidos: 33
Eberhard Karls Universität Tübingen
Alemanha
Universidade do Chile
Chile
Coordenação de Ciências Humanas, UNAM
México
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Unidade Acadêmica em Estudos de Desenvolvimento
Universidade Autónoma de Zacatecas
México
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Argentina
Programa Argentina
Argentina
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Universidade Católica do Chile
Chile
Departamentos de Ciências Sociais e Humanas - UCA
Universidade Centro-Americana
El Salvador
Instituto de História Contemporânea
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Évora
Portugal
Universidade Nova de Lisboa
Portugal
Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências e Humanidades
Universidade Nacional Autônoma do México
México
UNVM
Argentina
Eberhard Karls Universität Tübingen
Alemanha
Programa de Estudos Universitários sobre Democracia, Justiça e Sociedade (UNAM)
México
Centro Estratégico Latino-Americano para a Geopolítica
Equador
Centro de Estudos Globais – Universidade Aberta
Portugal
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências e Humanidades
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Unidade Acadêmica em Estudos de Desenvolvimento
Universidade Autónoma de Zacatecas
México
Universidade Autônoma da Cidade do México
Coordenação acadêmica
Universidade Autônoma da Cidade do México
México
Universidade do Vale do México
México
Universidade Metropolitana Autônoma Xochimilco
México
Faculdade de Ciências Sociais
Diretoria de Pesquisa e Estudos de Pós-Graduação
Universidade Alberto Hurtado
Chile
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Coordenação de Ciências Humanas, UNAM
México
Departamento de Estudos de Pós-Graduação
Universidade UTE
Equador
Universidade Metropolitana Autônoma de Azcapotzalco
México
Eberhard Karls Universität Tübingen
Alemanha
Universidade de Los Lagos
Chile