Área temática: Mudanças climáticas, meio ambiente e sociedade
Grupo de trabalhoMudanças ambientais globais, metabolismo social local
[+ Ver produções e conteúdo]Instituto de Natureza, Terra e Energia
Pontifícia Universidade Católica do Peru
Peru
Centro de Estudos de Desenvolvimento
Universidade Central da Venezuela
Venezuela
No mundo contemporâneo, as desigualdades sociais históricas entre Norte e Sul, acumuladas ao longo dos séculos, encontram agora nas mudanças ambientais globais — especialmente expressas no aquecimento climático, na perda de biodiversidade e na ruptura de importantes ciclos biogeoquímicos — um catalisador para a transformação do modelo de desenvolvimento vigente, socialmente excludente, culturalmente opressor e ecologicamente predatório. Na América Latina e no Caribe (ALC), presos a esse padrão imposto, relegamos, subestimamos e comprometemos o uso intergeracional das oportunidades inerentes aos ecossistemas locais, que poderiam sustentar um caminho singular rumo a um futuro regional compartilhado. Seis dos países com maior biodiversidade do mundo estão localizados nessa região: Brasil, Colômbia, Equador, México, Peru e Venezuela. Para compreender a extensão desse potencial desperdiçado e degradado, é importante notar que a ALC abriga 60% da vida terrestre do planeta. As florestas tropicais perenes de terras baixas são as mais abundantes do planeta em termos de diversidade de espécies. A região abriga 12% dos manguezais do mundo, cobrindo aproximadamente 22.000 km². Os pântanos representam cerca de 20% da área regional, com destaque para o Gran Pantanal no Brasil (o maior pântano do mundo, com aproximadamente 100.000 km²), e os localizados nos Llanos da Colômbia e Venezuela e nos Pampas Úmidos da Argentina e Uruguai. Todos esses biomas possuem grande biodiversidade em escala global e são habitats para espécies endêmicas essenciais para a prestação de serviços ecossistêmicos relacionados à água: água potável; água para os setores agrícola e energético; regulação de enchentes; controle da erosão; transporte de sedimentos; e proteção contra tempestades. Os recifes de coral cobrem aproximadamente 26.000 km², o equivalente a 10% do total mundial. Os do Oceano Atlântico Ocidental, particularmente no Caribe, são especialmente proeminentes.
A principal evidência de ameaça
● Quarenta por cento das espécies de mangue na América Central e na costa atlântica estão incluídas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Nessa interface terra-mar, o impacto sobre os corais também é preocupante, pois eles estão sofrendo danos devido ao aumento da temperatura da água do mar e aos efeitos combinados da sedimentação e da poluição terrestre, de espécies introduzidas e de práticas de pesca insustentáveis. A cobertura média de coral no Caribe diminuiu de 34,8% em 1970 para 16,3% em 2011, em 88 pontos de amostragem. As maiores mudanças ocorreram entre 1984 e 1998.
● As oito principais bacias hidrográficas da vertente andino-amazônica, essenciais para o ciclo hidrológico, apresentam alto risco de extinção de espécies. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) relatou em 2014 que, entre 1970 e 2010, a biodiversidade da região diminuiu 83%.
● É necessária atenção especial no caso das florestas primárias da América Latina e do Caribe, que, segundo a FAO, representam 75% da área florestal total da região e 57% das florestas primárias do mundo.
● Entre os principais problemas sociais a serem resolvidos pelo modelo extrativista de mineração, energia e agricultura predominante na região, destacam-se: o respeito aos direitos territoriais dos povos indígenas e comunidades camponesas e a contenção da mercantilização dos serviços ambientais. É particularmente importante considerar que o uso da biodiversidade e dos ecossistemas locais frequentemente se baseia em bens e funções ecossistêmicas que fazem parte do domínio comunitário, senão público, das sociedades camponesas e indígenas, transcendendo, assim, os regimes de propriedade privada. Consequentemente, propõe-se uma continuidade ecológico-cultural, não mediada por relações de mercado privadas, para os diversos povos indígenas e comunidades camponesas que criaram uma variedade de sistemas de policultura e agroflorestamento, os quais lhes proporcionaram meios de subsistência, alimentação e saúde sem alterar a integridade dos ecossistemas. Cabe ressaltar que a degradação direta da biodiversidade e dos ecossistemas aliena as sociedades de seu senso de lugar, língua e conhecimento ecológico próprio, comprometendo a diversidade ecocultural da região como um todo. Deve-se enfatizar particularmente que a perda das línguas nativas, evidente especialmente nos Andes, na Amazônia, na América Central e no México, afeta a perda do conhecimento tradicional transmitido pela linhagem materna e o desaparecimento do saber ancestral no uso da biodiversidade local.
Na dialética entre as mudanças ambientais globais causadas pelo desenvolvimento global insustentável e as graves consequências socioambientais regionais e locais, a noção de metabolismo social torna-se um princípio orientador para determinar as ações que nós, na América Latina e no Caribe, devemos tomar para mudar o modelo. Cabe lembrar que Karl Marx foi o primeiro a introduzir o conceito de metabolismo social nos campos da economia e da história, com a intenção de estudar e avaliar as formas e os modos pelos quais as sociedades se apropriam e transformam os recursos naturais para manter sua existência. Baseando-se na noção de troca metabólica desenvolvida em sua época pela biologia, Marx caracterizou o trabalho humano como a modulação intencional desse metabolismo e, em uma das poucas ocasiões em que especificou programaticamente o que entendia por socialismo, definiu-o como a organização consciente de uma troca entre os seres humanos e a natureza “de forma adequada ao pleno desenvolvimento da humanidade”.
Em uma região dependente como a América Latina e o Caribe, essa relação é determinada pela subordinação global ao papel de fornecedora de matéria-prima, resultando em um desequilíbrio entre as toneladas de recursos minerais, energéticos, agrícolas e florestais produzidos e a renda recebida, como apontou Raúl Prebisch na década de 60. Hoje, graças ao nosso conhecimento, especialmente em ecologia e climatologia, sabemos que as dívidas acumuladas não se resumem apenas à subvalorização dos recursos físicos como mercadorias, mas também à perda das funções ecossistêmicas de regulação e provisão natural que as comunidades locais perdem, manifestando-se como uma deterioração na qualidade dos recursos naturais básicos: água, ar e solo, e, consequentemente, nas condições de vida da população local. Em outras palavras, estamos diante de um “Prebisch ecológico”.
Esses processos de deterioração devem-se a múltiplas causas, mas, principalmente, podemos destacar, por um lado, a exploração desenfreada dos “recursos naturais” pelos governos nacionais, que deveriam ser considerados, na perspectiva dos povos indígenas, como “bens comuns”. Por outro lado, devemos enfatizar o crescimento da população urbana em detrimento do despovoamento rural e sua concentração nas grandes cidades.
No primeiro caso, observamos: mudanças no uso da terra e das florestas para exportação de madeira e monoculturas, como palma de óleo e soja; o impacto socioecológico da mineração tradicional (de metais não metálicos, ouro, ferro, alumínio, entre outros) e da mineração não tradicional (coltan, elementos de terras raras, lítio, entre outros), bem como as atividades de empresas de petróleo e gás. No segundo caso, observamos o crescimento urbano que desmata, polui e destrói ecossistemas. A região apresenta um crescente desacoplamento metabólico entre os estereótipos presumidos da vida urbana e as condições arquetípicas dos habitats locais onde as cidades se estabelecem e se expandem.
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Abordar as mudanças ambientais globais em relação ao metabolismo social local destaca a importância do território, de cada localidade onde nos deparamos com situações que não são generalizáveis em termos de limiares críticos, como espécies ameaçadas de extinção, endemismo, estresse hídrico e vulnerabilidade climática. Isso também leva à consideração do valor social que cada sociedade atribui a componentes como a paisagem, sujeita a uma valoração arquetípica única que expressa cada experiência local como singular e irrepetível. Em termos gerais, o objetivo é compreender como as mudanças climáticas, a ruptura dos principais ciclos biogeoquímicos e a perda de biodiversidade afetam o metabolismo social local, a "Continuidade Ecocultural", de comunidades que criaram uma variedade de sistemas produtivos baseados principalmente na biodiversidade local.
De uma perspectiva metodológica, segundo Toledo (2013), os processos metabólico-sociais podem ser compreendidos no âmbito da cadeia das diferentes fases de utilização da natureza pelas sociedades humanas: apropriação (A), transformação (T), distribuição (D), consumo (C) e resíduos/reciclagem (R/R), que são brevemente explicadas a seguir:
Apropriação: Através de (A), a sociedade obtém todos os materiais, energia e serviços que os seres humanos e seus artefatos necessitam (endossomática e exossomática) para se manterem e se reproduzirem. Esse processo é sempre realizado por uma unidade de apropriação (P), que pode ser uma empresa (estatal ou privada), uma cooperativa, uma família, uma comunidade ou um indivíduo (por exemplo, um coletor de energia solar).
Transformação: (T) engloba todas as mudanças feitas em produtos extraídos da natureza, que não são mais consumidos em sua forma original. Em suas formas mais simples, T inclui os métodos mais básicos e trabalhosos, como diversas técnicas artesanais, progredindo para processos que exigem alto consumo de energia e materiais.
Distribuição: (D) marca, em termos diacrônicos, o momento evolutivo em que as sociedades humanas têm um excedente para comercializar, inaugurando assim a troca de produtos que podemos localizar com o próprio surgimento de múltiplas cidades há mais de 5.000 anos. Atualmente, a distribuição é particularmente mediada pelo transporte e seus custos energéticos e econômicos associados.
Consumo: (C) torna-se a forma como as sociedades se satisfazem a partir da ligação a montante de P+T+D e, de um ponto de vista energético, deve contabilizar as despesas incorridas nelas.
Resíduos/Reciclagem: Determina a capacidade das sociedades de recuperar e reutilizar resíduos sólidos, líquidos e gasosos, evitando seu descarte como poluentes na natureza.
As respostas, levando em consideração esses processos metabólicos locais, às perturbações causadas pelas mudanças ambientais provocadas pelo capitalismo global, podem ser um fator-chave na ativação da base material do “círculo virtuoso” da governança, do autogoverno necessário para que as próprias comunidades rompam com a alienação, a acumulação por desapropriação (Harvey, 2007) que favorece os interesses de grandes empresas nacionais e transnacionais que competem no uso de recursos naturais, que são, em muitos casos, o único patrimônio intergeracional, ou seja, sustentável, da maioria das comunidades latino-americanas empobrecidas, marginalizadas, se não intencionalmente excluídas, do mercado internacional, como ocorre com a biopirataria.
A seleção dos casos baseia-se nos seguintes critérios:
Representatividade; Permite a seleção de casos que capturam situações características dos territórios da América Latina.
Significado: Visa selecionar os casos que permitem investigar os obstáculos e as possibilidades para alcançar os objetivos da pesquisa.
Impacto: Focado em trabalhar em casos que são característicos da luta das comunidades.
Aplicabilidade: Permite identificar casos que possibilitem a formulação de propostas.
Considerar o metabolismo social permite avaliar as opções de desenvolvimento arquetípico de cada localidade em projetos subnacionais, nacionais e regionais. Aproveitar essas oportunidades está amplamente ligado ao conhecimento local, ao capital cognitivo local, a chave para "preencher as lacunas" que o desenvolvimento insustentável, alienante e excludente, gera ao não incorporar as contribuições da natureza para as pessoas, o conhecimento tradicional, as práticas seculares da agricultura sustentável e as formas de associação para o trabalho e a cooperação que transcendem a lógica do mercado. A detecção de contradições entre as mudanças ambientais globais e o metabolismo social local visa capacitar as comunidades a promoverem um desenvolvimento sustentável alternativo de baixo para cima, articulando a diversidade natural e cultural. O objetivo é articular uma lógica diametralmente oposta à que prevalece no modelo de exportação primária, baseado na extração de matérias-primas, especialmente minerais, energia e produtos agrícolas, valorizadas de acordo com suas possibilidades de transação no mercado internacional, sem levar em conta as particularidades dos diferentes locais de extração. Não importa se, por exemplo, o petróleo é extraído da floresta amazônica ou em alto-mar no Atlântico ou no Caribe; o que importa é o barril de petróleo obtido, valorizado como um recurso comum ("commodity"), sem qualquer particularidade, independentemente da área geográfica onde se localizam seus depósitos, nem das condições sociais das comunidades locais associadas a esses locais de extração. O mesmo se aplica às demais commodities minerais e até mesmo às agrícolas, como a soja, uma cultura que pode ser cultivada indiscriminadamente nos altiplanos bolivianos, nos pampas argentinos e uruguaios, no cerrado brasileiro ou nas planícies colombianas e venezuelanas. Assim, as atividades extrativas, em vez de refletirem o conjunto de particularidades territoriais, constituem enclaves específicos que se projetam para fora dos territórios. Em termos de comércio global, a América Latina figura como exportadora líquida de água, terra e materiais, principalmente para a União Europeia, os EUA e, em menor escala, a China, embora seja importante destacar que as exportações da região para esse país aumentaram 22 vezes nas últimas duas décadas. Essa situação está produzindo um balanço negativo de tal magnitude que se pode falar "hoje da existência de um 'Prebisch ecológico', onde há uma troca ecologicamente desigual, onde a degradação ambiental não é compensada simplesmente por bons preços de mercado" (Penge, 2015: 68). A região perdeu quase 50 milhões de hectares de florestas, representando os maiores níveis de desmatamento do mundo. Assim, com a avaliação metabólico-social, somos obrigados a transcender o reducionismo dos critérios e lógicas de mercado e as desastrosas consequências ambientais planetárias que levaram à crise ecológica da civilização fóssil do Antropoceno. Isso afeta duplamente a região, os países que a compõem e as populações que os habitam; perdemos tanto por não conseguirmos articular um processo metabólico completo que nos permita agregar valor humano transformador à natureza local, quanto por estarmos sujeitos às consequências das mudanças ambientais globais causadas especialmente por um Norte que se industrializou "parasitando" o Sul.
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(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Definir os critérios para a seleção de casos em uma reunião de trabalho em Lima.
Preparar os estudos para cada país participante do Grupo de Trabalho.
Metodologia de trabalho comum que facilita estudos comparativos e garante o efeito de demonstração.
Estudos de caso por país
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
Identificação de ações comuns do Grupo de Trabalho para promover a responsabilidade pública e a intervenção social em cada país, visando lidar com a perturbação metabólica local causada pelas mudanças ambientais globais.
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Resumo das experiências
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Participação no concurso CLACSO
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
Agenda anual de tarefas e ações
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Validação interna da estratégia em um workshop de GdT na Colômbia.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Divulgar a estratégia
Publicação impressa e digital sobre a estratégia
Divulgação da proposta entre acadêmicos e especialistas.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
Número total de pesquisadores admitidos: 34
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Cuba
Ministério do Ensino Superior
Universidade de La Havana
Cuba
Instituto de Natureza, Terra e Energia
Pontifícia Universidade Católica do Peru
Peru
Universidade Nacional da Colômbia, Campus Leticia
Colômbia
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Instituto de Bioética
Pontificia Universidad Javeriana
Colômbia
Fundação Perseu Abramo
Brasil
N/D
Haiti
UNCIEP, Instituto de Ecologia e Ciências Ambientais, Faculdade de Ciências, Universidade da República
Uruguai
UNCIEP, Instituto de Ecologia e Ciências Ambientais, Faculdade de Ciências
Uruguai
Aliança Hondurenha Contra as Mudanças Climáticas (AHCC)
Honduras
IEE/USP
Brasil
Unidade Universitária em São Francisco de Paula/Universidade Rio Grande do SulS.
Brasil
Instituto de Filosofia
Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente
Cuba
Centro de Estudos de Desenvolvimento
Universidade Central da Venezuela
Venezuela
Grupo de Pesquisa STAND (Rede de Ação e Treinamento do Sul para a Descolonialidade)
Espanha
Centro de Estudos e Promoção do Desenvolvimento
Peru
Fundação Antonio Núñez Jiménez para a Natureza e o Homem
Cuba
UNCIEP, Instituto de Ecologia e Ciências Ambientais, Faculdade de Ciências, 11º andar, Igua 4225, CP 11400, Montevidéu, Uruguai
Uruguai
Instituto de Natureza, Terra e Energia
Pontifícia Universidade Católica do Peru
Peru
Instituto de Estudos Equatorianos
Equador
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências da Educação
Equador
Rádio Globo
Honduras
Grupo de Pesquisa sobre Estrutura e Sistemas Territoriais
Espanha
Instituto de Relações Internacionais
Universidade das Índias Ocidentais (UWI)
Trinidad de Tobago
Fundação Perseu Abramo
Brasil
Instituto de Filosofia
Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente
Cuba
UNCIEP, Instituto de Ecologia e Ciências Ambientais, Faculdade de Ciências, Universidade da República
Uruguai
JAINA- FES
Bolívia
Centro de Pesquisa Sociojurídica
Faculdade de Direito
Universidade Autônoma Latino-Americana
Colômbia
UNCIEP, Instituto de Ecologia e Ciências Ambientais, Faculdade de Ciências, Universidade da República
Uruguai
Stockholm Resilience Centre
Suécia
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