Área temática: Migração e mobilidade humana
Grupo de trabalhoFronteiras: Mobilidades, Identidades e Comércio
[+ Ver produções e conteúdo]Centro de Estudos Universitários Superiores
Universidade Principal de San Simón
Bolívia
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Instituto de Pesquisa Social
Coordenação de Ciências Humanas
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Na América Latina, assim como em outras regiões do mundo, a intensidade e a magnitude dos diferentes tipos de mobilidade, deslocamento e fixação de pessoas através das fronteiras têm exigido a atenção de diversos atores sociais (governos, organizações internacionais, ONGs, academia e mídia), talvez mais do que em poucos outros momentos da história recente da migração e da mobilidade humana. As chegadas massivas de migrantes de diversas origens e por diferentes motivos, além de demonstrarem a reconfiguração dos fluxos migratórios, evidenciam as medidas que diferentes países têm implementado, tendendo a políticas de contenção migratória para proteger suas fronteiras. A implementação de políticas focadas na segurança levou à necessidade de considerar as fronteiras como espaços sociais dinâmicos em profunda redefinição, já que são territórios com dinâmicas sociais, econômicas e culturais complexas.
Pesquisas realizadas em países com tradição e experiência em estudos migratórios, como o México (Durand e Massey, 2009; Ariza e Portes, 2010), mostram que a produção científica regional das Ciências Sociais na última década se concentrou em documentar as chamadas mobilidades emergentes e os padrões migratórios que já estavam sendo formados no subcontinente.
Exemplos de mobilidades recentes na região são a chegada de migrantes haitianos ao Equador, Brasil e Chile entre 2010-2014 (Handerson, 2017; Ceja, 2015), e de lá para a cidade fronteiriça de Tijuana em 2016 (El Colef - CNDH, 2017), e o deslocamento da “diáspora” venezuelana para diferentes países da América Latina que também abriu um novo e interessante cenário para (re)pensar os espaços fronteiriços (Pedone et al 2019; Alfaro e Ramírez, 2019; Bruno e Arrúa, 2019). Por outro lado, a pesquisa realizada pelos pesquisadores que compõem este Grupo de Trabalho proposto indica que há uma continuidade de certos padrões migratórios que vêm ocorrendo na região há décadas, como o circuito migratório boliviano que inclui migrações internas para as capitais da Bolívia e destas para a região metropolitana de Buenos Aires e São Paulo (Díaz, 2016; Miranda, 2017).
Dessa forma, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia e Equador, para citar alguns países, tornaram-se simultaneamente territórios de chegada, recepção, trânsito, expulsão e reemigração, numa dimensão comparável às migrações ultramarinas internacionais da Europa para o Cone Sul entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX.
Estudos sobre os “Brasiguayos” conduzidos por Albuquerque (2010) entre o Brasil e o Paraguai, por exemplo, indicam que, assim como outras áreas fronteiriças regionais, essas comunidades têm sido menos estudadas coletivamente. Vale mencionar, por um lado, a vitalidade comercial da fronteira Brasil-Bolívia e o surgimento de novas territorialidades e identidades baseadas no imaginário fronteiriço e, por outro lado, a região fronteiriça Bolívia-Paraguai conhecida como “Alto Chaco”, que apresenta dinâmicas migratórias, identitárias e comerciais sobre as quais pouco ou nada se sabe. Portanto, o Grupo de Trabalho poderia contribuir com um exercício interessante nessa área, especialmente para o estabelecimento de parâmetros comparativos. Outras regiões estudadas isoladamente poderiam compor a sistematização proposta por este Grupo de Trabalho, como as fronteiras triplas entre Chile-Bolívia-Peru e Argentina-Chile-Bolívia (Garcés e Lube-Guizardi, 2013), ou as fronteiras envolvidas na rota que liga a Zona Franca Internacional de Iquique, no Chile, às cidades de La Paz/El Alto, na Bolívia, e Ciudad del Este, no Paraguai (Tassi, 2016).
É importante destacar como a mobilidade de contingentes “emergentes” e “consolidados” implica constantes reconfigurações espaciais e de identidade, seja devido ao assentamento de novos grupos em uma localização urbana ou semiurbana específica, seja devido ao retorno ou reemigração de moradores locais (Prunier, 2017).
O movimento mais ou menos periódico de pessoas, mas também de mercadorias, envolve a travessia de fronteiras que nem sempre são incluídas como unidade de análise nos estudos migratórios, seja porque as lentes teóricas e metodológicas se concentram nos próprios fluxos, seja porque as mobilidades transfronteiriças, quando existem, são relegadas a uma posição secundária em comparação com a importância dada à dicotomia origem-destino. No entanto, algumas regiões fronteiriças, como Tijuana e San Diego, têm inclusive promovido os Estudos de Fronteira em nível regional e em comparação com outras regiões de trânsito no mundo, como a Polônia e a Turquia (Anguiano e López Sala, 2010), além de fomentar discussões sobre a configuração e reconfiguração de identidades (Rodríguez, 2010).
Dito isto, este Grupo de Trabalho pretende analisar as fronteiras sul-americanas a partir de três eixos analíticos: a) mobilidades transfronteiriças, b) produção e reconfiguração de identidades e c) circulação comercial de mercadorias.
A referência teórica e metodológica para iniciar o estudo das fronteiras na América do Sul será extraída dos estudos sobre migração e fronteiras realizados em centros de pesquisa mexicanos, reconhecendo sua vasta experiência e a contribuição que têm dado ao tema, enquanto país que compartilha uma longa e crítica fronteira com os EUA, além de constituir um território de conflitos e violência contra migrantes centro-americanos.
Para abordar o primeiro desses eixos, estamos interessados em considerar a mobilidade em um sentido mais amplo, que vai além da questão de se ela envolve assentamento permanente ou as implicações de assimilação ou integração social. Da mesma forma, consideramos as fronteiras de maneira expandida, levando em conta sua dimensão geopolítica e estendendo-a às fronteiras identitárias que produzem migrantes “legais” e “ilegais” (De Génova, 2002), e classificam migrantes qualificados e procurados, por um lado, e migrantes precários, por outro (Pedone e Alfaro, 2018). Observamos como as identidades em jogo à medida que as fronteiras são cruzadas criam e desmantelam hierarquias sociais de vários tipos. Finalmente, o eixo do comércio visa explicar o movimento transfronteiriço de mercadorias que abastecem os mercados populares das maiores áreas metropolitanas da América do Sul com produtos importados e vestuário, como La Salada em Buenos Aires, Feirinha da Madrugada em São Paulo, o polo têxtil de Sulança em Pernambuco e a Feira 16 de Julio em El Alto. A importância econômica desses circuitos populares, bem como dos atores e redes sociais que eles ativam, define em grande parte o modo de vida de milhares de famílias na região, além de possibilitar o consumo de inúmeros produtos do dia a dia a preços baixos.
Reconhecemos que a Bolívia está no centro desses padrões migratórios. Temos interesse em examinar essa questão sob a perspectiva da Bolívia, com foco na movimentação de pessoas e mercadorias para e através do território boliviano, bem como para e através da Argentina, Chile, Brasil e Paraguai. Para tanto, o Grupo de Trabalho propõe nomes de pesquisadores e estudantes com experiência em trabalho de campo nessa região do continente.
Albuquerque, José Lindomar Coelho. A dinâmica das fronteiras: os brasileiros entre o Brasil e o Paraguai. São Paulo: Annablume, 2010.
Anguiano Tellez, María Eugenia e Ana María López Sala (eds.). Migrações e fronteiras. Novos contornos para a mobilidade internacional. Barcelona: Icaria Antrazyt/CIDOB, 2010.
Ariza, Marina e Alejandro Portes. O país transnacional. Migração mexicana e mudança social através da fronteira. México: Miguel Ángel Porrúa, 2010.
Bruno, Sebastián e Arrúa, Edith. Em busca da tranquilidade perdida. Imigração venezuelana recente na Região Metropolitana de Assunção, em Gandini L. Lozano F. Prieto V. (coord.) Crise e migração da população venezuelana. Entre vulnerabilidade e segurança jurídica em cidades latino-americanas, 2019 (No prelo).
Ceja, Iriri. Migrações haitianas na região andina, Dossiê Central Boletín Migra Andina, n.19, 2015, pp. 2-13.
De Genoa, Nicholas. “Ilegalidade” dos migrantes e deportabilidade na vida cotidiana, Annual Review of Anthropology, v.31, 2002, pp. 419-447.
Díaz, Mariela Paula. A apropriação urbana dos migrantes aimarás na cidade de El Alto (Bolívia): Um estudo sobre dinâmicas urbanas e trabalhistas, Revista de Direito da Cidade, 8; 4; 2016, pp.
Durand, Jorge e Douglas Massey. Clandestinos. Migração México – Estados Unidos no alvorecer do século XXI. México: Miguel Ángel Porrúa, 2009.
El Colef (El Colegio de la Frontera Norte) e CNDH (Comissão Nacional de Direitos Humanos). Pesquisa sobre migrantes estrangeiros abrigados em Tijuana, México, 2017.
Garcés Alejandro e Menara Lube-Guizardi. Circuitos migratórios. Itinerários e formação de redes migratórias entre Peru, Bolívia, Chile e Argentina no norte chileno, Papeles de Población, n. 78, out/dez 2013, pp. 65-110.
Joseph, Handerson. A historicidade da (e)migração internacional haitiana. Ou o Brasil como um novo espaço migratório, Periplos, vol. 1, n. 1, 2017, pp. 7-26.
Miranda, Bruno. “Já se sabe o que se vem buscar”: a mobilidade laboral de migrantes andino-bolivianos entre oficinas de costura em São Paulo explicada à luz da produção de consentimento, REMHU: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, v. 25, n. 49, 2017, pp. 197-213.
Pedone, Claudia; Ana Mallimaci; Jessica Gutiérrez e Antonella Delmonte. Da estabilidade econômica e regularidade jurídica ao ajustamento socioeconômico e à insegurança no trabalho: a migração venezuelana na Cidade Autônoma de Buenos Aires, em Gandini L. Lozano F. Prieto V. (coord.) Crise e migração da população venezuelana. Entre a vulnerabilidade e a segurança jurídica nas cidades latino-americanas, 2019 (No prelo).
Pedone, Claudia e Yolanda Alfaro. Migração qualificada na América Latina: novas perspectivas teórico-metodológicas e desafios, Revista Periplos, vol. 2, n. 1, 2018.
Prunier, Delphine. Repensando os retornos por meio de sistemas de mobilidade na América Central: o caso da Nicarágua. LiminaR Journal. Estudos Sociais e Humanísticos, vol. XV, nº 1, pp. 177-191, janeiro-junho de 2017.
Rodríguez, Roxana. Cultura e identidade migratória na fronteira México-Estados Unidos. Proximidades entre a comunidade mexicano-americana e a comunidade transfronteiriça, Antíteses, vol. 3, n.º 5, jan.-jun. 2010, pp. 125-143.
Tassi, Nico. O Sistema Mundial Nativo: Uma Etnografia dos Comerciantes Aymara Bolivianos na Economia Global. Oxford University Press. 2016.
Em vez de nos concentrarmos na fronteira em si, ou seja, na "linha" ou no muro que define os limites geopolíticos entre dois estados e duas populações, nossa atenção se volta para a construção material e simbólica das zonas ou regiões fronteiriças. O exposto acima não significa que ignoremos o poder de filtragem das fronteiras, que contêm e impedem certas mobilidades (Mezzadra e Brett, 2017). Também não ignoramos a infraestrutura de segurança que opera através das chamadas "estações de migração" e acampamentos militares nas fronteiras sul e norte do México, e no Darién, entre a Colômbia e o Panamá, por onde passam migrantes da América Central, Caribe, África e Ásia em direção aos EUA. Ou ainda as fronteiras sul e norte do Equador, que impedem, principalmente, a circulação da população venezuelana. Complementando os estudos sobre governança, governamentalidade e violações de direitos humanos praticadas nas áreas de fronteira, consideramos importante analisá-las inicialmente sob a perspectiva da mobilidade populacional. Desde a década de 1990, em particular, pesquisas realizadas tanto dentro quanto fora da América Latina têm refletido a diversidade dos migrantes, suas identidades de gênero, étnico-raciais, de classe, idade e local de origem, bem como suas rotas, redes, motivações e razões para deixar um lugar para ir para outro (Castles e Miller, 2004; Hinojosa, 2006; Sassone e Mera, 2007; Vartabedian, 2014). Em contraste com o padrão clássico de análise migratória, que por muitas décadas enfatizou elementos como pontos de origem e destino como recipientes fixos e determinísticos da mobilidade humana, e destacou as tendências de assimilação integral ou segmentada dos grupos migrantes (Portes, Fernández-Kelly e Haller, 2006), novas perspectivas e metodologias têm emergido, lançando luz sobre migrações compostas por concatenações de polos distantes entre si (Lara Flores, 2011). Nossa proposta, enquanto Grupo de Trabalho, sugere a consideração de outros perfis e tipos de mobilidade humana para compreender os diferentes processos que constroem fronteiras e as dinâmicas que nelas ocorrem, observadas em termos de suas territorialidades e das identidades em jogo. Dessa forma, adotamos a mobilidade fronteiriça como um campo de estudo específico, porque ela promove encontros entre grupos, famílias e indivíduos entre si, com as “populações nativas” e com o espaço por onde transitam (Tarrius, 2000). Além disso, os estudos de mobilidade permitem-nos vislumbrar migrações que tendem a ser móveis, circulares e/ou temporárias, uma vez que percorrem pontos de partida e chegada de forma repetida e circular (Ramos, 2014). Ou então, aquelas mobilidades marcadas por trânsito documentado e não documentado, através de corredores continentais ou subcontinentais, como as rotas percorridas por grupos de migrantes haitianos entre o Brasil, o Chile e o México e o trânsito centro-americano do Triângulo Norte para os EUA (Anguiano, Hernández López e Villafuerte Solís, 2018; Álvarez, 2011). É também adequado para o estudo dos movimentos populacionais facilitados por fronteiras permeáveis, como é o caso das fronteiras do Mercosul. O que essas lentes teóricas privilegiam é precisamente o movimento, ou as jornadas e os processos sociais desencadeados por ele e dentro dele, como a racialização, a produção de identidades transnacionais ou as ilegalidades. Novas abordagens à chamada “virada móvel” (Urry e Scheller, 2006; Jirón e Imillan, 2018; Jirón, Zunino e Giucci, 2017) ou aos “regimes de mobilidade” (Salazar e Glick-Schiller, 2013) desestabilizam a noção de mobilidade, afastando-a de seu significado hegemônico na sociologia (mobilidade social) e aproximando-a da mobilidade espacial, relacionada aos fluxos de movimentos (Freire-Medeiros, Da Silva Telles e Allis, 2018). As interações sociais, econômicas, culturais ou afetivas influenciam diretamente, em primeiro lugar, a construção material, simbólica e imaginária da fronteira como território e, em segundo lugar, a manutenção ou transformação das identidades individuais e coletivas em zonas ou regiões fronteiriças. Nesse sentido, estamos interessados em investigar as diferentes configurações de identidade e dinâmicas comerciais que se entrelaçam no movimento circular, na migração em trânsito ou nos assentamentos fronteiriços. As identidades dos migrantes (nacionais, étnicas ou regionais) são frequentemente reconfiguradas de acordo com o seu ambiente, o que significa que adotam determinadas identidades para superar dificuldades ao longo do caminho, durante o trânsito pelas cidades e vilas que compõem o seu percurso, ou para negociar a sua permanência em regiões fronteiriças. Cabe ressaltar que a intersecção entre as variáveis "migração", "fronteira" e "etnia" não é analisada em todos os países da América Latina. Por exemplo, na Argentina, poucos enfatizam a migração transfronteiriça, escondendo assim sua origem e identidade indígena (Grimson, 2006; Caggiano, 2010; Mardones, 2015; Díaz, 2018). É igualmente importante saber como e em que condições essas oportunidades surgem, quais identidades são encenadas e quais são assumidas ou não. Estamos atentos à relação entre identidades e fronteiras (Anzaldúa, 1987). Assim, quando vistas de forma contingente, as identidades e as fronteiras marcam a divisão entre um “nós” e “eles”, sendo elas próprias mutáveis (Giménez, 2009, Elias, 2003). Utilizadas dentro do grupo e de acordo com a conveniência, as identidades constituem um jogo em que a participação bem-sucedida é definida pelo uso adequado das regras e códigos de conduta do ambiente. As estratégias acima descritas são mais ou menos consolidadas informalmente e transmitidas em uma rede entre indivíduos e famílias em movimento ou temporariamente estabelecidas. Viver uma vida transfronteiriça nas regiões da América Latina envolve uma constante negociação de identidades, daí a importância de abordar transversalmente as perspectivas de gênero, étnico-raciais e geracionais. Como revela Albuquerque (2018), por vezes os nacionalismos baseados em estigmas são reforçados; outras vezes, o que se observa é uma identidade transnacional, como a “Chicana” ou a “Brasileira-Guaya”. A forma como se vive e se desloca em espaços transfronteiriços (Irazábal, 2014) implica compreender como essa liminaridade é vivenciada. Para além da mobilidade de pessoas e famílias (migrantes, refugiados, trabalhadores pendulares), a abordagem socioantropológica à circulação de bens e objetos do quotidiano tem atraído a atenção das ciências sociais dentro e fora da região (Appadurai, 1986; Ingold, 2012; Rabossi, 2015; Ramos, 2014). De seres supostamente neutros e passivos, os bens e objetos passaram a ser considerados por esses autores como agentes e articuladores de redes sociais complexas. No que diz respeito à circulação comercial de bens lícitos (especialmente produtos eletrônicos, utensílios domésticos, vestuário e acessórios, alimentos processados e produtos de higiene industrializados), as fronteiras podem se tornar Zonas Econômicas Especiais ou Zonas Francas, onde são praticadas tarifas alfandegárias excepcionais e onde se desenvolvem verdadeiros mercados fronteiriços estratégicos. Essas regiões de comércio fronteiriço também podem servir como espaços para contrabando e/ou tráfico ilegal de produtos (asiáticos ou regionais) para centros comerciais locais. Varejistas ou atacadistas frequentemente cruzam diversas fronteiras repetidamente e circulam, envolvendo outros atores como redes de transporte, agentes alfandegários e policiais; eles desenvolvem rotas que conectam, quase clandestinamente, os portos, fábricas e mercados populares das capitais e províncias dos países sul-americanos. A literatura sobre a chamada “globalização de baixo para cima” (Alba Vega, Ribeiro e Mathews, 2015; Portes, 2012) ou “neoliberalismo de baixo para cima” (Gago, 2014) mostra que o volume de produtos e o capital envolvido nesses circuitos populares acabam por ultrapassar os circuitos das grandes empresas transnacionais. Longe dos principais centros financeiros e organizados por dezenas de milhares de pequenos negócios, os mercados populares da região colocam em circulação produtos supérfluos que, no entanto, permitem que grandes segmentos da população latino-americana desfrutem dos produtos que caracterizam a globalização. É o que revelam, por exemplo, os estudos de Freire da Silva (2018) na Feirinha da Madrugada/Rua 25 de Março, em São Paulo.
Albuquerque, Lindomar. Identidades em territórios fronteiriços. Os casos de Ceuta e Gibraltar na fronteira entre África e Europa. Civitas, Porto Alegre, v. 18, n. 2, p. 285-302, maio-ago. 2018.
Álvarez Velasco, Soledad. Migração indocumentada em trânsito: a face oculta dos processos migratórios contemporâneos. Série de Documentos de Trabalho, Rede de Pós-Graduação, CLACSO, Documento nº 10, 2011.
Anguiano Téllez, Ma. Eugenia, Rafael Alonso Hernández López e Daniel Villafuerte Solís (eds.), O mundo através das fronteiras. A difícil jornada dos migrantes em trânsito. México, El Colegio de la Frontera Norte / Universidad de Ciencias y Artes de Chiapas, 2018
ANZALDUA, Glória. Borderlands: a nova mestiça. São Francisco: Tia Lute, 1987.
Bianca Freire-Medeiros, Vera da Silva Telles e Thiago Allis, Por uma teoria social em movimento, Tempo Social, 2018, 30(2), 1-16.
Castles, Stephen e Mark J. Miller. A Era da Migração: Movimentos Populacionais Internacionais no Mundo Moderno. México: Universidade Autônoma de Zacatecas, Segob, Fundação Colosio, Miguel Ángel Porrúa, 2004.
Diaz, Mariela Paula. As particularidades da urbanização capitalista na América Latina: classe, etnia e cidade. In Teoria, política e sociedade: reflexões sobre a América Latina. Buenos Aires: CLACSO, 2018.
Freire da Silva, Carlos. Conexões Brasil-China: Migrações Chinesas no Centro de São Paulo, Cadernos Metrópole (PUCSP), v.
GAGO, Verónica. Razão Neoliberal. Economias Barrocas e Pragmática Popular. Buenos Aires: Tinta Limón, 2014.
Giménez, Gilberto. Cultura, identidade e memória. Materiais para uma sociologia dos processos culturais em regiões fronteiriças. Frontera Norte, v. 21, n. 41, p. 7-32, 2009.
Hinojosa, Alfonso. A transnacionalização dos processos migratórios na Bolívia. Revista Opiniones y Análisis, 83, 137-178, 2006.
Ingold, Tim. Trazendo como as coisas voltam à vida: emaranhados criativos num mundo de materialis, Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 18, n. 37, jan./jun. 2012, pp.
Irazábal, Clara (Org.). Américas Latinas transfronteiriças: lugares liminares, culturas e poderes (t)here. Nova York: Routledge, 2014.
Jirón, Paula e Walter Imillan. Estudos urbanos em movimento. A mobilidade como objeto de estudo ou como abordagem para a compreensão da cidade contemporânea, Quid 16. 2018, n.º 10, pp. 17-36.
Lara Flores, Sara Ma (coord.). “Ligações migratórias” em áreas agrícolas intensivas. México: Miguel Ángel Porrúa, El Colegio Mexiquense, 2011.
MARDONES, Pablo. Buenos Aires Jacha Marka. Migrantes aimarás e quíchuas em Buenos Aires às portas de um novo pachakutik. Tese de doutorado. Faculdade de Filosofia e Letras da UBA (Argentina), 2015.
Mezzadra, Sandro e Neilson Brett. A fronteira como método. Madri: Traficantes de sonhos, 2017.
Portes, Alejandro. Patricia Fernández-Kelly e William Haller. “Assimilação segmentada no terreno: a nova segunda geração no início da vida adulta”, em Migrações, 19-2006, pp. 7-58.
Ramos, Patricia. "Mulheres, circuitos e fronteiras no sul do Equador." Tese de doutorado. Universidade de Liège – ISHS – CEDEM. Bélgica. 2014.
Salazar, Noel e Nina Glick-Schiller, “Regimes de Mobilidade ao Redor do Mundo” no Journal of Ethnic and Migration Studies, 2013, 2(39), pp. 183-200.
Scheler Mimi e John Urry, “O novo paradigma da mobilidade” em Ambiente e Planejamento, 2006, vol. 38, pp. 207-226.
Sassone, Susana e Carolina Mera. Bairros migrantes em Buenos Aires: identidade, cultura e coesão socioterritorial. In Anais do Simpósio V do Congresso Europeu CEISAL. Universidade Livre de Bruxelas-Universidade Católica de Louvain, 2007.
Tarrius, Alain. Circulações migratórias: a conveniência da noção de “território circulatório”. Os novos hábitos de identidade, Relaciones, 83, 2000.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Sistematizar a produção acadêmica sobre estudos de fronteira em três eixos analíticos: 1) mobilidades, 2) identidades, 3) comércio.
Específico:
Organizar subgrupos de trabalho nas três linhas de pesquisa da GT: 1) mobilidades, 2) identidades e 3) comércios.
Analisar comparativamente os estudos de fronteira no México e os existentes na América do Sul.
Realizar uma reunião geral da GT para apresentar os produtos que se comprometeu a produzir no primeiro ano.
Elaboração de uma proposta de pesquisa coletiva para o segundo ano, a ser submetida a agências de financiamento.
Artigo(s) em revistas especializadas ou de divulgação científica
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Criar canais de formação, divulgação e extensão nas três linhas de pesquisa do GT.
Específico:
Apoiar a consolidação de programas de pós-graduação (com foco inicial na Bolívia) por meio da pesquisa realizada pelos membros do GT.
Apoiar a formação de pesquisadores especializados em estudos de fronteira.
Elabore uma proposta para a criação de uma publicação periódica (boletim informativo).
Mapear as fontes de financiamento (fundações, ONGs, programas de pós-graduação e conselhos científicos nacionais) para publicações, eventos, estágios de formação e pesquisa para o segundo e terceiro ano.
Mapeamento dos programas de pós-graduação na Bolívia.
Delegar a coordenação de um boletim informativo para o segundo e terceiro ano.
Programas de pós-graduação interessados em desenvolver as linhas de pesquisa do GT
Apresentação do progresso da pesquisa em GT em eventos acadêmicos (seminários, workshops, conferências, etc.) e em seminários internos, tanto presenciais quanto online.
Cronograma de publicação do boletim informativo no segundo e terceiro anos. Inicialmente, os boletins apresentarão um artigo principal no formato de editorial. Eles também servirão como plataforma para a publicação de Notas de Contexto e para a divulgação de informações sobre as atividades dos membros do Grupo de Trabalho em seus respectivos centros, os programas de pós-graduação em estudos de fronteira da região e as atividades do próprio Grupo de Trabalho.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
(inicialmente em escolas, faculdades e ONGs) e extensível a sindicatos, comitês de bairro, grupos culturais ou associações civis).
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
(inicialmente em escolas, faculdades e ONGs) e extensível a sindicatos, comitês de bairro, grupos culturais ou associações civis).
Desenvolver uma estratégia para estabelecer ligações com redes acadêmicas especializadas que abordem as linhas de pesquisa do GT.
Explore acordos e programas de mobilidade internacional para estágios de curta duração em pesquisa.
Promover a colaboração com outros Grupos de Trabalho - CLACSO
Organizar atividades de divulgação e disseminação em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
Organização de grupos de trabalho em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
Reuniões de trabalho com outros GTs da CLACSO
Reuniões para estabelecer vínculos acadêmicos com outros Grupos de Trabalho da CLACSO, nomeadamente: Grupo de Trabalho sobre Migração Sul-Sul, Grupo de Trabalho sobre Fronteiras, Regionalização e Globalização.
Mesas-redondas e apresentações em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Sistematizar as informações coletadas para gerar um sistema de informações sobre estudos de fronteira nas três linhas de trabalho propostas.
Específico:
Criar a plataforma do Sistema de Informação de Estudos de Fronteira em uma das instituições que acolhem os membros do GT.
Elaborar uma agenda de trabalho sobre metodologias para o estudo das fronteiras.
Realizar uma reunião presencial entre todos os membros do GT para apresentar o progresso da pesquisa por área temática.
Estabelecer um acordo institucional para a recepção e instalação do Sistema de Informação de Estudos de Fronteira.
Artigo(s) em revistas especializadas ou de divulgação científica
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Fortalecer os programas de pós-graduação, inicialmente na Bolívia, e promover a disseminação das três linhas de pesquisa da GT.
Específico:
Organizar cursos de curta duração em programas de pós-graduação (inicialmente na Bolívia)
Candidate-se aos editais de financiamento para publicações, eventos, estágios de formação e pesquisa.
Produzir boletins informativos
Candidatura a oportunidades de financiamento
Reunião por área temática para definir o conteúdo dos boletins informativos.
Pelo menos dois projetos submetidos para pedidos de financiamento
Quatro boletins informativos com conteúdo que reflete análises de assuntos da atualidade, editoriais coletivos e atividades realizadas nos centros membros da GT e na região em geral.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
Desenvolver uma estratégia para estabelecer ligações com redes académicas nos países membros, especializadas nas linhas de investigação do GT.
Especificações:
Monitorar e promover estágios de curta duração para pesquisa para membros do GT (pesquisadores e estudantes) nos diversos centros membros que o compõem.
Fortalecer as atividades dos membros de ligação com outros Grupos de Trabalho da CLACSO.
Organizar atividades de divulgação e disseminação em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
Propor uma escola de verão ou um programa de pós-graduação sobre fronteiras ou estudos de fronteira.
Apoiar pesquisadores e, especialmente, estudantes durante períodos de mobilidade acadêmica.
Reuniões, palestras e discussões dos membros de ligação nos centros membros que compõem o GT
Organização de grupos de trabalho em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
Pelo menos dois estágios de pesquisa ou de estudante
Pelo menos duas atividades com os membros de ligação da GT
Duas mesas-redondas e pelo menos dez apresentações em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Organizar a publicação de um livro coletivo e uma escola de verão sobre metodologias para estudos de fronteira.
Específico:
Delegar a um coordenador a organização da publicação de um livro.
Realizar uma reunião presencial com todos os membros do Grupo de Trabalho para apresentar a versão final do livro.
Artigo(s) em revistas especializadas ou de divulgação científica
Escola de verão sobre metodologias para estudos de fronteira.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Inaugurar uma primeira Escola de Verão em metodologias para estudos de fronteira, enquadrada nas três linhas de pesquisa do GT.
Específico:
Buscar fontes de financiamento adicionais para a escola de verão.
Prepare o projeto da escola de verão.
Delegue a coordenação da escola de verão à instituição que a acolherá.
Apelos por financiamento para realocação ou alojamento de estudantes de pós-graduação
Reunião por eixo temático para a definição dos módulos e conteúdos da escola de verão.
Três boletins informativos
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
Troca de informações e reunião de equilíbrio entre membros de vários GTs
Especificações:
Fortalecer as atividades dos membros de ligação com outros Grupos de Trabalho da CLACSO.
Organizar atividades de divulgação e disseminação em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
Número total de pesquisadores admitidos: 48
Instituto de Estudos Internacionais
Universidade Arturo Prat
Chile
Universidade de Guayaquil - Faculdade de Comunicação Social
Equador
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Faculdade de Ciências Políticas e Sociais
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Centro de Planejamento e Gestão
Faculdade de Ciências Econômicas
Universidade Principal de San Simón
Bolívia
Instituto de Pesquisa Arqueológica e Museu Gustavo Le Paige
Universidade Católica del Norte
Chile
El Colégio de la Frontera Sur
México
Divisão de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Autônoma Metropolitana, Unidade Cuajimalpa
México
Universidade Federal do Amapá
Brasil
Instituto de Estudos Latino-Americanos (LAI - ZI Lateinamerika-institut)
FU - Freie Universitat
Alemanha
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Estudos de pós-graduação em Ciências do Desenvolvimento
Universidade de San Andres
Bolívia
Programa de Estudos Latino-Americanos
Universidade Andina Simón Bolívar
Equador
Instituto de Geografia. Universidade Nacional Autônoma do México
México
Instituto de Ciências Sociais
Paraguai
Universidade do Missouri
Estados Unidos
Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade
Instituto de Ciências Humanas e Sociais
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Brasil
Secretaria de Pesquisa
Faculdade de Filosofia e Letras
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Divisão de Etnografia, Faculdade de Ciências Naturais e Museu, Universidade Nacional de La Plata
Argentina
Colégio da Fronteira Norte
México
Instituto de Estudos Internacionais
Universidade Arturo Prat
Chile
Universidade de Houston
Estados Unidos
Colégio da Fronteira Norte
México
Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento
Brasil
Centro de Estudos Universitários Superiores
Universidade Principal de San Simón
Bolívia
Universidade de Guayaquil - Faculdade de Comunicação
Equador
Centro de Estudos Universitários Superiores
Universidade Principal de San Simón
Bolívia
O Colégio Mexicano AC
México
Colégio da Fronteira Norte
México
Universidades para o Bem-estar Benito Juárez García
México
Centro de Estudos sobre Trabalho e Desenvolvimento Agrícola
Bolívia
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Brasil
UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Brasil
Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados
Universidade Nacional de San Martín (UNSAM)
Argentina
Instituto de Pesquisa Social
Coordenação de Ciências Humanas
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Brasil
Instituto de Pesquisa Social
Coordenação de Ciências Humanas
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Instituto de Altos Estudos Nacionais
Universidade Estadual de Pós-Graduação
Equador
Universidade Autônoma da Cidade do México
Coordenação acadêmica
Universidade Autônoma da Cidade do México
México
Centro de Pesquisa e Estudos Superiores em Antropologia Social
Membro do Sistema de Centros Públicos de Pesquisa do CONACyT
México
Instituto de Estudos Latino-Americanos (LAI - ZI Lateinamerika-institut)
FU - Freie Universitat
Alemanha
Investigador independente
Paraguai
Instituto de Pesquisa Jurídica
México
Universidade Federal de Goiás
Brasil
Universidade de San Andres
Bolívia
Instituto de Pesquisa Social
Coordenação de Ciências Humanas
Universidade Nacional Autônoma do México
México
Centro de Estudos Universitários Superiores
Universidade Principal de San Simón
Bolívia
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