Área temática: Feminismos e Políticas de Gênero
Grupo de trabalhoCuidado e gênero
[+ Ver produções e conteúdo]Departamento de Sociologia
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade da República
Uruguai
Centro Interdisciplinar de Estudos de Desenvolvimento
Universidad de los Andes
Colômbia
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Durante quarenta anos, os estudos de gênero têm demonstrado como as tarefas domésticas são cruciais e essenciais para o funcionamento do sistema econômico e para o bem-estar social. No entanto, o trabalho de cuidado, tanto na esfera doméstica quanto em geral, só passou a ser abordado especificamente nos últimos dez a quinze anos. Uma explicação para essa "descoberta" do trabalho de cuidado reside na tensão decorrente dos novos papéis assumidos pelas mulheres no mercado de trabalho desde o final do século XX e na crescente terceirização do cuidado para fora da família (Carrasquer, 2013). A convergência de diferentes correntes de pensamento sobre o tema, ou o que tem sido denominado de "virada conceitual no cuidado" (Pineda, 2019), também desempenhou um papel importante. Embora o trabalho de cuidado seja atualmente um tema de estudo amplamente explorado nas ciências sociais, e não apenas sob uma perspectiva de gênero, não existe um conceito teórico único, totalmente desenvolvido e universalmente aceito de cuidado. Em vez disso, persistem conceitualizações e estudos empíricos, cada um com foco em um de seus aspectos: trabalho, ética ou política. Existem divergências em torno de sua definição, e as pesquisas derivam de diversas abordagens, priorizando certos aspectos sem abranger a totalidade do cuidado. Essas diferenças conceituais são observadas principalmente na ênfase dada aos aspectos relacionais ou de vínculo dentro da definição, o que levanta questões sobre sua conexão com o conceito de trabalho (Himmelweit, 2011), a relação entre trabalho e a ética do cuidado (Arango Gaviria & Molinier, 2011), o conceito de dependência e a profissionalização do cuidado (Carrasquer, 2013).
Recentemente, as análises e pesquisas empíricas acadêmicas sobre o tema do cuidado expandiram-se significativamente: desenvolvimento de novos conceitos como a organização social do cuidado, estudos sobre a configuração da demanda e da oferta de cuidado, pesquisas sobre os vínculos entre migração feminina e cuidado, análises de políticas públicas, estudos sobre práticas de cuidado em diferentes gerações, diversidade cultural e o risco da imposição de hegemonias em relação ao "dever ser" do cuidado, pesquisas sobre representações sociais do cuidado, cuidado nas cidades (Rico e Segovia, 2017), cuidado na seguridade social (Marco, Giacometti, Pautassi e Huertas, 2019), entre muitos outros.
O surgimento do conceito de assistência Social Foi de grande importância como estrutura analítica para o cuidado. Acadêmicos britânicos (Daly e Lewis, 2000) desenvolveram-na teoricamente e a propuseram como uma categoria heurística para analisar a contribuição das mulheres para o bem-estar. Na América Latina, assim como em outros continentes, essa abordagem começou a ser amplamente utilizada e foi traduzida como organização social do cuidado, similar ao diamante do bem-estar de Razavi (Razavi, 2007; Evens, Pilj e Ungerson, 1994). Seguindo Esquivel (2014), o conceito permite uma análise aplicada aos países da região. Apesar das significativas diferenças econômicas, sociais e políticas entre os países da região, o conceito de organização social do cuidado se mostra igualmente poderoso.
Em nossa região, não existem políticas públicas nem um sistema de cuidados consolidado, mas sim ações incipientes e descoordenadas. Em outras palavras, essas ações não constituem uma oferta clara de mecanismos de prestação de cuidados que possa ser denominada sistema de cuidados, como tem sido feito em países europeus e na literatura dessa região. Além disso, as poucas ações existentes são segmentadas em seu acesso. Ademais, o papel do Estado como redistribuidor de recursos frequentemente reproduz as desigualdades de gênero. Portanto, as políticas relativas a tempo, dinheiro e serviços não são universais; em vez disso, existe um pacote de políticas de transferência de renda que reproduz a divisão sexual do trabalho (Faur, 2014). Essa segmentação significa que não podemos falar de um sistema de cuidados único e monolítico, mas sim de uma organização social do cuidado definida como uma "configuração dinâmica de serviços de cuidado prestados por diferentes instituições e a forma como as famílias e seus membros se beneficiam deles" (Faur, 2014). Trata-se, portanto, da maneira como as famílias, o Estado, o mercado e as organizações comunitárias se inter-relacionam de forma mutável para produzir cuidados.
Este conceito permite-nos inter-relacionar a visão micro (relações do dia a dia) e a visão macro (nível dos prestadores) propostas por Daly e Lewis (2011), de modo que as normas de género que associam as mulheres ao cuidado se articulem com as formas como o Estado atribui responsabilidades a diferentes agentes (Esquivel, 2014).
Diversos estudos empíricos realizados na região (Faur, 2009; Esquivel, 2011; Rodriguez Enriquez, 2013; Lupica, 2014; Salvador, 2011; Batthyány, Genta e Scavino, 2018, entre muitos outros) demonstram que as organizações de assistência social apresentam uma distribuição desigual, com as responsabilidades de cuidado recaindo principalmente sobre as famílias e as mulheres, servindo também como um mecanismo de reprodução das desigualdades. Esses estudos também destacam a subvalorização do trabalho de cuidado e das pessoas que o realizam, seja em domicílio, na comunidade ou em espaços públicos. Portanto, demonstram como o atual sistema econômico e os projetos de desenvolvimento nacional dependem de uma oferta gratuita ou de baixo custo de cuidados prestados por famílias e mulheres.
Este é o produto de vários fatores que ocorrem simultaneamente: a persistente divisão sexual do trabalho, a dinâmica das responsabilidades relacionais e a ética do cuidado, a naturalização das mulheres como cuidadoras, o escasso desenvolvimento institucional dos regimes de bem-estar da região e as grandes desigualdades econômicas (Faur, 2009).
Merecem ser destacadas as elaborações sobre o direito ao cuidado, ao ato de cuidar e ao recebimento de cuidados, tanto pelo seu impacto na legislação nacional e internacional, como por constituírem um contributo regional (Pautassi, 2007; 2010; Montaño, 2010).
A relação entre cuidado e migração tem sido amplamente estudada em diversas regiões. Assim, por meio de elementos conceituais como as cadeias globais de cuidado (Hochschild, 2000; Orozco, 2007) ou a circulação do cuidado (Baldassar e Merla, 2014), as circunstâncias em que mães migrantes realizam trabalho de cuidado à distância para seus filhos que permaneceram em seus países de origem têm sido analisadas, reforçando múltiplas desigualdades de gênero, classe e etnia, entre outras.
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As mudanças vivenciadas nos últimos anos nas sociedades latino-americanas em relação à participação feminina no mercado de trabalho, ao processo de envelhecimento e às transformações familiares nos convidam a refletir sobre a organização social do cuidado em contextos de mudança.
Além disso, desde 2010, a região implementou diversas respostas públicas, como o sistema nacional de assistência no Uruguai e na Costa Rica, reformas legislativas em vários países, particularmente no que diz respeito às políticas de licença, e ativismo judicial, entre outras. Nesse sentido, é importante analisar essas experiências para desenvolver recomendações de políticas públicas e estratégias de advocacy na esfera pública.
Os avanços mencionados exigem a criação de um espaço para debate, troca de experiências e reflexão acadêmica concebido a partir de uma perspectiva regional. Nos últimos anos, começaram a se formar conexões entre diversos pesquisadores que trabalham nesse tema e que se encontraram em diferentes conferências e seminários da região, incluindo ALAS, ALAST e LASA, entre outros.
Em 2018, o Grupo de Sociologia de Gênero, criado há mais de 20 anos no Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais da UDELAR, organizou um Congresso Regional intitulado “Perspectivas Latino-Americanas sobre o Cuidado: Primeiro Congresso Latino-Americano de Estudos de Gênero e Cuidado”, no qual foi levantada a necessidade de se estabelecer uma Rede Latino-Americana de Estudos de Gênero e Cuidado, a fim de criar vínculos entre pesquisadores da região.
A formação de um Grupo CLACSO é uma oportunidade para consolidar a rede latino-americana e, assim, promover o intercâmbio e o aprofundamento de estudos comparativos entre os países da região.
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Segundo Congresso Latino-Americano de Estudos de Gênero e Cuidado na Cidade do México
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Organização de uma série de documentos de trabalho, com tópicos que resumem as discussões do grupo.
Publicação de documentos resumidos sobre discussões em grupo.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
conferências organizadas em conjunto
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Apoio na organização da Cúpula da Rede Global de Cuidados, a ser realizada na Costa Rica em junho de 2021.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Organização de uma série de documentos de trabalho, com tópicos que resumem as discussões do grupo.
Publicação de documentos resumidos sobre discussões em grupo.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
Documentos
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
Terceiro Congresso Latino-Americano de Estudos de Gênero e Cuidado, local a ser definido.
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
Organização de uma série de documentos de trabalho, com tópicos que resumem as discussões do grupo.
Publicação de documentos resumidos sobre discussões em grupo.
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
Documentos
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
Número total de pesquisadores admitidos: 27
Centro de Documentação e Estudos
Paraguai
Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo
Brasil
Centro de Estudos em Ciências e Humanidades
Medellín Antioquia
Corporação Educacional Jorge Robledo
Colômbia
Centro Interdisciplinar para o Estudo de Políticas Públicas (CIEPP)
Argentina
Centro Interdisciplinar de Estudos de Desenvolvimento
Universidad de los Andes
Colômbia
Instituto de Pesquisa Socioeconômica da Universidade Católica Boliviana.
Bolívia
Centro de Pesquisas Sociológicas e Políticas de Paris Cresppa-GTM CNRS.
Brasil
Departamento de Sociologia
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade da República
Uruguai
Departamento de Sociologia
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade da República
Uruguai
Departamento de Sociologia
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade do Chile
Chile
Centro de Estudos Demográficos, Urbanos e Ambientais
O Colégio do México
México
Instituto de Estudos Internacionais
Universidade Arturo Prat
Chile
Instituto de Saúde Pública. Pontifícia Universidade Javeriana, Bogotá
Colômbia
Centro de Participação e Desenvolvimento Humano Sustentável
Bolívia
Faculdade de Ciências Sociais e Jurídicas. Universidade de Tarapacá
Chile
CONICET
Argentina
Departamento de Sociologia
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade da República
Uruguai
UFR des Lettres, des Sciences de l'Homme et des Sociétés Université Paris 13
Brasil
Departamento de Sociologia Faculdade de Economia e Administração Universidade de Barcelona
Espanha
Centro de Estudos sobre Trabalho e Desenvolvimento Agrícola
Bolívia
Instituto para o Desenvolvimento Econômico e Social
Argentina
Centro de Pesquisa Sociológica, Econômica, Política e Antropológica
Pontifícia Universidade Católica do Peru
Peru
Departamento de Sociologia
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade da República
Uruguai
ELA - Equipe Latino-Americana para a Justiça e a Igualdade de Gênero
Argentina
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Brasil
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Instituto de Pesquisa Social/Centro de Pesquisa e Estudos Políticos, Universidade da Costa Rica
Costa Rica
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