Área temática: Violência e segurança cidadã

Grupo de trabalhoVigilantismo e violência coletiva

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1. Nome do Grupo de Trabalho.
Vigilantismo e violência coletiva
Coordenador(es) do Grupo de Trabalho
Leandro Gamallo
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Loreto Francisca Quiroz Rojas
Centro de Estudos sobre Conflito e Coesão Social
Universidade do Chile
Chile
Antonio Fuentes Díaz
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México

2. Localização crítica do tema no contexto latino-americano e caribenho e em relação à dinâmica global.

Nas últimas décadas, a América Latina testemunhou uma transformação nos modos, atores e intensidades da violência, tornando a região uma das mais violentas do mundo, apesar da ausência de guerras entre países. Por um lado, após a onda de ditaduras militares, o desenvolvimento de regimes constitucionais se expressou em processos de democratização política (pelo menos em um sentido formal e processual) que foram acompanhados por uma diminuição do poder político das forças de segurança nacionais, um declínio da luta armada como principal forma de disputa política e a condenação da repressão e do extermínio patrocinados pelo Estado. Contudo, enquanto a violência como meio de resolução de conflitos políticos declinava, novas formas de violência (no plural) emergiram, ligadas a diversas atividades ilegais, à expansão das economias informais e ilegais (principalmente o tráfico de drogas, armas e pessoas) e à fragilidade ou cumplicidade das instituições estatais no enfrentamento desses problemas, levando a uma consequente desconfiança dessas instituições por parte dos cidadãos (Alba Vega e Kruijt, 2007). Em suma, a violência na América Latina tornou-se heterogênea e complexa. Nesse sentido, a região revela hoje a violência com diferentes disfarces, diferentes atores, diferentes objetivos e diferentes mecanismos: um pluralismo violento (Desmond e Goldstein, 2010), que inclui segmentos ativos da sociedade civil que se tornaram protagonistas da violência.

Como resultado das transformações econômicas neoliberais em nível regional e no contexto global de (in)segurança, surgiram respostas estratégicas de mitigação de riscos em segmentos de comunidades rurais e urbanas, tanto marginalizadas quanto pertencentes às classes média e média-alta. Essas respostas envolvem ações de vigilância contra a violência coletiva, incluindo linchamentos, grupos de autodefesa, organizações de bairro e instituições paralegais de segurança e justiça dentro de suas comunidades. Tudo isso ocorre em contextos impactados pela desigualdade, pelo aumento do racismo e da segregação urbana, e por agendas políticas transnacionais regressivas; processos que, seguindo Sassen (2015), poderiam ser denominados expulsões.  

A apropriação da segurança por comunidades ou grupos aos quais o vigilantismo se dirige tornou-se visível em todo o mundo desde as décadas de 1990 e 2000, em experiências documentadas em países africanos como Nigéria, Moçambique e África do Sul (Saunders, 2011; Pratten, 2006), países europeus como Rússia e Irlanda do Norte (Frank, 2017; Monaghan, 2011) e países asiáticos como Tailândia e Chechênia (Schuberth, 2013), entre outros países e continentes. Nos Estados Unidos, país onde o conceito se originou, as práticas de vigilantismo estão presentes desde o período pós-colonial do final do século XVIII, quando as primeiras patrulhas civis de vigilantes surgiram em resposta à insatisfação da comunidade ou à percepção de ineficácia das nascentes instituições policiais e judiciais. Atualmente, a presença de grupos paramilitares patrulhando as fronteiras, o uso generalizado de armas de fogo e uma forte tradição de participação da sociedade civil em grupos secundários fazem dos Estados Unidos um país permeado por esse problema (Phillips, 1987; Rosenbaum e Sederberg, 1976). Em todos esses contextos, linchamentos e outras formas de justiça pelas próprias mãos ocorrem onde as condições de legalidade e justiça são percebidas de forma insatisfatória pelos cidadãos e dentro de um quadro de transformações estruturais abruptas, profunda desigualdade, conflitos raciais, insegurança e altos níveis de impunidade. 

Na América Latina, a violência coletiva integrou-se a um repertório de ações legítimas, em que grupos e comunidades reagem defensivamente para proteger propriedades ou pessoas de atos considerados prejudiciais à sua integridade, ao mesmo tempo que impõem medidas preventivas contra a insegurança, independentemente das instituições de segurança do Estado. Esse fenômeno começou a ganhar visibilidade significativa no início da década de 1990. No Brasil, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos registrou 993 linchamentos entre 1980 e 1999 (Adorno, 2002). No México, diversos estudos detectaram um aumento exponencial nos casos de linchamento em todo o país, especialmente em algumas áreas rurais e urbanas das regiões central e sul. Fuentes Díaz (2006) registrou 294 casos entre 1984 e 2001, marcando um aumento acentuado. Na Bolívia, a Rede Andina relatou 70 casos entre 1995 e 1999 em Cochabamba. No Peru, o fenômeno foi motivo de preocupação e estudo, especialmente após os linchamentos de funcionários públicos; Castillo (2000) relatou pelo menos 350 linchamentos entre 1995 e 1999 somente nas áreas metropolitanas de Lima e Arequipa. Na Guatemala, a questão foi classificada como um assunto de segurança nacional após a assinatura dos Acordos de Paz em 1996. Há documentação sobre o fenômeno na Argentina (Gamallo, 2017) e no Chile (Quiroz, 2015). Santillán (2008) e Guerrero (2000) realizaram análises qualitativas de alguns casos no Equador, enquanto Rodgers (2008) fez o mesmo com casos da Nicarágua, assim como Romero Salazar e Raima Rujano (2007) com os linchamentos ocorridos na Venezuela.

O estudo comparativo do vigilantismo em diversos países da América Latina, proposto por este projeto, que reuniu pesquisadores de toda a região, permitirá investigar os elementos comuns que levaram à disseminação regional desse fenômeno e à sua integração como uma ação legítima. Permitirá também comparar as formas locais pelas quais essas ações impactam e remodelam seus entornos, possibilitando a compreensão da formação da participação política fora do aparato estatal formal, onde a regulação da insegurança por meio da violência se mostra uma estratégia eficaz. A comparação sistemática de casos focará na relação entre insegurança e consolidação democrática regional, bem como na participação cidadã na construção de espaços civis seguros. 

Além disso, este grupo visa consolidar o vigilantismo como tema de interesse primordial nas ciências sociais do continente, entendendo que os linchamentos e a violência coletiva não podem ser considerados fenômenos periféricos ou circunstanciais. Pelo contrário, esses eventos refletem processos históricos de formação do Estado-nação e subjetividades políticas, bem como suas transformações contemporâneas. Nesse sentido, o grupo prevê a formação de recursos humanos em pesquisa sobre esses temas, incorporando mestrandos e doutorandos, além de estabelecer vínculos com a sociedade civil organizada e setores governamentais voltados para a segurança e os processos de paz.

Adorno, Sérgio. 2002. “Exclusão socioeconómica e violência urbana”, Sociologias. Violências, América Latina, 1(8): 84-135.
Alba Vega, Carlos e Kruijt, Dirk. 2007. “Velhos e novos atores violentos na América Latina: temas e problemas” no Foro Internacional, Vol. XLVII, No. 3, julho-setembro, El Colegio de México, México.
Castillo Claudette, Eduardo. 2000. “Justiça em tempos de raiva: linchamentos populares urbanos na América Latina”, Ecuador Debate, 1(51): 207-236.
Desmond Arias, Enrique, e Daniel Goldstein (orgs.) 2010. Democracias Violentas na América Latina, Durham-Londres: Duke University Press
Frank, Stephen. 2017. “Justiça não oficial e comunidade na Rússia rural, 1856-1914”, em Pfeifer, Michael. Linchamento global e violência coletiva. As Américas e a Europa. Vol. 2, Chicago: University of Illinois Press
Fuentes Diaz, Antonio. 2006. Linchamentos: Fragmentação e Resposta no México Neoliberal, ICSYH-BUAP: México
Gamallo, Leandro. 2017. “As formas de represálias violentas na Argentina. Ações coletivas de violência punitiva (2008-2015)”, em Crime e Sociedade, 44 (26), 9-39.
Guerrero, Andrés. 2000. “Linchamentos em comunidades indígenas (Equador): a política perversa de uma modernidade marginal?” no Bulletin de l'Institut Français de études andines, Volume 29, No. 3, Ministério das Relações Exteriores da França, Lima
Monaghan, Rachel. 2011. “Não exatamente linchamento: justiça informal na Irlanda do Norte”, (153-172) em Manfred, Berg e Wendt, Simon. Globalizando a história do linchamento, Palgrave MacMillan: Nova York.
Phillips, Charles David. 1987. Explorando as relações entre formas de controle social: o linchamento e a execução de negros na Carolina do Norte, 1889–1918. Law & Society Review 21:361–74
Pratten, David. 2006. “A política da vigilância no sudeste da Nigéria.” Desenvolvimento e Mudança, 37( 4):707–734.
Quiroz Rojas, Loreto. 2015. “Linchamentos no Chile. Uma abordagem para sua compreensão baseada na descrição das relações entre direito e violência que emergem de relatos da imprensa de 2012”, Revista de Sociología, 1 (30): 71-92
Rodgers, Dennis. 2008. Quando os vigilantes se tornam maus: Gangues, violência e mudança social na Nicarágua urbana. Em Vigilantes Globais, orgs. David Pratten e Atreyee Sen. Nova York: Columbia University Press.
Romero Salazar, Alexis, Rujano Roque, Raima. 2007. “Impunidade, anomia e cultura da morte. Linchamentos na Venezuela”, Espiral [online], XIII (maio-agosto).
Rosenbaum, H. Jon, e Peter C. Sederberg. 1976. Vigilantismo: Uma análise da violência institucional. Em Política de Vigilantes, orgs. H. Jon Rosenbaum e Peter C. Sederberg. Filadélfia: University of Pennsylvania Press.
SANTILLAN, Alfredo. 2008. "Linchamentos urbanos. 'Justiça popular' em tempos de segurança cidadã" in Íconos. Revista de Ciências Sociais, maio, número 31. Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Quito, Equador.
Sassen, Saskia. 2015. Expulsões. Madri: Katz
Saunders, Christopher. 2011. “Linchamento: O caso da África Austral”, (pp. 87-100) em Manfred, Berg e Wendt, Simon. Globalizando a história do linchamento, Palgrave MacMillan: Nova Iorque.
Schuberth, Moritz. 2013. Desafiando a hipótese dos estados fracos: Vigilantismo na África do Sul e no Brasil. Journal of Peace, Conflict & Development 20:38–51.
3. Justificação e análise da relevância teórica do tema em relação ao contexto analisado.

O objetivo deste Grupo de Trabalho é consolidar estudos sobre vigilantismo e colaborar no desenvolvimento deste campo acadêmico em nossa região. Entendemos por vigilantismo as respostas coletivas ao crime e à violência que são de natureza extrainstitucional, sejam elas ações preventivas ou reações punitivas (Huggins, 1991). 

Além da vasta literatura especializada sobre o tema produzida pela academia americana e anglo-saxônica em geral, a pesquisa na América Latina tem contribuído para a compreensão desse fenômeno complexo e atual no contexto regional, fundamentalmente em duas linhas gerais: por um lado, os estudos que se concentraram nas transformações socioeconômicas macroestruturais decorrentes da implementação da virada neoliberal do final da década de 1970 (De Souza, 2015; Goldstein, 2008; Snodgrass, 2006); por outro lado, aqueles que direcionaram seu olhar para a dinâmica institucional, as culturas políticas locais e as capacidades e recursos organizacionais coletivos nos locais de ocorrência (Adorno, 2010; Sinhoretto, 2009; Gamallo, 2014; Castillo, 2000). Assim, em nossa região, esses tipos de apropriações sociais de segurança e justiça fazem parte de um contínuo na gestão de riscos que assume múltiplas formas: da justiça vigilante à autodefesa armada; passando por reações com relativa espontaneidade, como linchamentos, até eventos com maior organização e permanência, como as redes de vizinhos em alerta desenvolvidas em diversas regiões do continente (Moncada, 2017; Fuentes Díaz, 2017).

O surgimento dessas ações tem sido considerado ligado à existência de espaços onde a relação entre Estado e sociedade é tênue, com clara dificuldade para o Estado em monopolizar o uso da violência, e sob a coexistência de outras ordens jurídicas, como a ordem comunitária-tradicional, que confrontam e competem com a legalidade positiva (Vilas, 2001). Assim, o que em algumas pesquisas aparece como uma demanda cidadã por justiça contra a ineficácia do Estado, corporificada em represálias violentas e no exercício da justiça extralegal, é conceituado em outras como a produção de microssoberanias comunitárias e um desafio à racionalidade do Estado central (Goldstein, 2003; Guerrero, 2000; Paes-Machado, 2012). De forma semelhante, alguns autores têm enfatizado o caráter subjetivo demonstrado nas ações punitivas coletivas, argumentando que sua incorporação como um repertório de ação revela culturas não marcadas pelas gramáticas da condição oficial de Estado, mas sim entendimentos alternativos de justiça formal e reparação de danos que se agrupam em outros horizontes de organização política e ação social.

Um tema recorrente nos estudos sobre essa questão é a justiça na América Latina, identificada como um componente substancial desse fenômeno (Mendoza, 2004). Testemunhos coletados de pessoas que presenciaram esses eventos confirmam que sua recorrência está diretamente ligada à percepção social generalizada de impunidade. Essa impunidade é perpetuada pelos sistemas de justiça, tanto pela falta de magistrados nas comunidades locais quanto pela baixa proporção de juízes per capita nos países da região, que está abaixo da média mundial. Nesse sentido, uma linha de pesquisa tem se concentrado na formação histórica dos Estados, explorando como as instituições de diversos países latino-americanos permitiram níveis de violência e impunidade estrutural dentro da ordem política e social, bem como vieses étnicos e de classe no acesso à justiça. Como se pode observar, a exclusão e a desigualdade são outro tema transversal na compreensão dessa questão.

Além da ineficácia do Estado e da percepção de insegurança e impunidade, outros autores acrescentaram a capacidade de algumas comunidades de ativar a ação coletiva e a relação desses episódios com a cultura de luta e os movimentos sociais em cada território específico (Burell, 2008). Dado que muitas das causas do surgimento desses eventos são de natureza estrutural, mas que os eventos ocorrem com mais frequência em certos territórios do que em outros, estudos empíricos têm demonstrado, com dados, que as ações coletivas de vigilância ocorrem com mais frequência em locais com uma tradição de luta mais longa, onde as comunidades recorrem à ação coletiva como meio de resolução de problemas.

Nos últimos anos, dado o aumento da insegurança e da violência em nível regional, e especialmente em resposta à implementação de políticas de segurança como a Guerra às Drogas no México e a Segurança Democrática na Colômbia, novas variáveis ​​foram incorporadas à compreensão do vigilantismo. Entre elas, destaca-se o uso do vigilantismo para produzir ordem e conter riscos em cenários com fronteiras difusas entre atores estatais e grupos criminosos que perpetram violência. Dessa forma, o uso da violência coletiva remodela os ambientes políticos locais por meio do conflito com atores armados não estatais, produzindo novas formas de Estado e cidadania (Fuentes Díaz, 2019). Pesquisas históricas sobre o tema sugerem que, em certos momentos, os linchamentos foram utilizados pelo próprio Estado para manter o controle sobre adversários políticos em situações específicas, criando áreas de indistinção entre violência legal e extralegal (Santamaría, 2017).

Uma das discussões sobre a caracterização e os efeitos do neoliberalismo tem se concentrado em sua relação com as políticas de segurança pública. Esse debate postula que ações que envolvem a apropriação da violência, como linchamentos, correspondem, ou têm seu equivalente, na transferência de certas funções anteriormente exercidas pelo Estado para a participação cidadã ou o envolvimento de atores privados em estratégias de governança da segurança. Consequentemente, essas políticas incentivam a participação de coletivos e comunidades em formas de vigilância sob o modelo de participação cidadã, relegando funções estatais. Assim, as ações de vigilância demonstrariam uma redefinição da condição de Estado em termos da relação entre as esferas pública e privada, que busca ser compreendida sob a noção de governamentalidade do risco. Nesse contexto, a apropriação da segurança é complementada pela delegação do poder estatal, que utiliza uma pluralidade de atores que regulam seus ambientes locais por meio da violência.

Considerando todos esses antecedentes e abordagens teóricas e históricas, este projeto busca investigar, por meio de estudos comparativos, as particularidades do fenômeno em cada país e, assim, contribuir para a compreensão regional do vigilantismo na América Latina dentro do contexto internacional, contribuindo, dessa forma, para a compreensão teórica da violência nas sociedades contemporâneas. Busca também analisar a dinâmica destrutiva produzida por essas ações, bem como vislumbrar, com as informações coletadas, alternativas que possam ser traduzidas em políticas públicas para mitigar os efeitos de diversos conflitos sociais violentos. 

A proposta submetida ao Grupo de Trabalho visa combinar metodologias qualitativas e quantitativas para o estudo do vigilantismo e dos atos de violência punitiva. Será realizada uma revisão crítica da literatura existente sobre o tema, juntamente com análises de jornais e revistas, que serão utilizadas para construir bases de dados e modelos comparativos. As informações obtidas da mídia impressa serão complementadas por dados coletados em entrevistas com foco em narrativas orais, bem como pela análise de imagens de vídeos de atos coletivos de violência. Por fim, diversas etnografias serão empregadas em trabalho de campo para compreender essas práticas nos locais onde esses eventos ocorreram.

Adorno, Sérgio. 2010. “Linchamentos e poder”, in Barreira, César (org.)Violência e Conflitos Sociais: Trajetórias de pesquisa. Campinas, SP, Pontes Editores.
Burrell, Jennifer, e Gavin Weston. 2008. Linchamento e complexidades do pós-guerra na Guatemala. Em Global Vigilantes, orgs. David Pratten e Atreyee Sen. Nova York: Columbia University Press.
Castillo Claudette, Eduardo. 2000. “Justiça em tempos de raiva: linchamentos populares urbanos na América Latina”, Ecuador Debate, 1(51): 207-236.
De Souza Martins, José. 2015. Linchamentos: justiça popular no Brasil. São Paulo, Contexto.
Fuentes Díaz, Antonio. 2017. “Violência e apropriações comunitárias da segurança e justiça no México” em Dilemas - Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, 10 (3): 479-501. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/dilemas/article/view/14560
Fuentes Díaz, Antonio. 2019. “A zona cinza: Ordem Criminosa e Autodefesa armada no México”, Tempo Social, 31 (1): 277-299. DOI: https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2019.141533
GAMALO, Leandro. 2014. Violência coletiva. Linchamentos no México. Flacso: México.
Goldstein, Daniel M. 2008. Justiça flexível: violência neoliberal e segurança de “autoajuda” na Bolívia. In Vigilantes Globais, orgs. David Pratten e Atreyee Sen. Nova York: Columbia University Press.
Goldstein, Daniel M. 2003. “Em nossas próprias mãos”: Linchamento, justiça e a lei na Bolívia. American Ethnologist 30:22–43.
Guerrero, Andrés. 2000. “Linchamentos em comunidades indígenas (Equador): A política perversa de uma modernidade marginal?” no Boletim do Instituto Francês de Estudos Andinos, Volume 29, No. 3, Ministério das Relações Exteriores da França, Lima.
Huggins, Martha K. 1991. Vigilantismo e o Estado na América Latina Moderna: Ensaios sobre Violência Extralegal. Nova Iorque: Praeger.
Mendoza Alvarado, Carlos. 2004. “Linchamentos e falta de acesso à justiça”. Revista de Estudos Interétnicos, 11(18)
Moncada, Eduardo. 2017. “Variedades de vigilantismo: discordância conceitual, significado e estratégias.” Global Crime, 18(4)
Paes-Machado, Eduardo; NASCIMENTO, Ana Márcia. 2012. “Governança multicêntrica e redes de segurança para motoristas de táxi.” Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, 5(1): 597-626.
Santamaria, Gema. 2017. “Linchamento, religião e política em Puebla no século XX”, em Pfeifer, Michael. Linchamento global e violência coletiva. As Américas e a Europa. Vol. 2, Chicago: University of Illinois Press.
Sinhoretto, Jacqueline. 2009. “Linchamentos: insegurança e revolta popular”. Revista Brasileira de Segurança Pública. 3 (4): 72-92.
Snodgrass Godoy, Angelina. 2006. Injustiça Popular: Violência, Comunidade e Direito na América Latina. Califórnia, Stanford University Press.
Vilas, Carlos. 2001. “(Em) Justiça pelas próprias mãos: linchamentos no México contemporâneo. Revista Mexicana de Sociologia, 63(1)
4. Plano de trabalho de três anos (36 meses), detalhado por ano.
PLANO DE TRABALHO PARA O PRIMEIRO ANO (01/11/2019 al 31/10/2020)
OBJETIVOS
ATIVIDADES
RESULTADOS ESPERADOS
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
- Iniciar o desenvolvimento de uma rede latino-americana para a produção, disseminação e troca de conhecimento sobre vigilantismo e violência coletiva na região e no mundo.
- Produzir um panorama da questão e um diagnóstico coletivo sobre os diferentes cenários particulares do surgimento de linchamentos, ações de justiça com as próprias mãos e violência coletiva extralegal na América Latina.
-Desenvolver projetos de pesquisa, tanto gerais/regionais quanto específicos/nacionais.
- Formar jovens pesquisadores na área, em nível de graduação e pós-graduação.
-Formar o Grupo de Trabalho através da criação de canais de comunicação regulares.
-Realizar o Primeiro Encontro Latino-Americano sobre Vigilantismo e Violência Coletiva.
- Promover uma troca de dados, hipóteses e teorias entre pesquisadores sobre o tema do vigilantismo.
- Realizar conferências e diálogos virtuais via Skype, nos quais as tarefas são divididas e diversas responsabilidades são atribuídas.
-Discutir projetos de pesquisa sobre o tema.
- Designar tutores para os pesquisadores em formação que estão desenvolvendo suas respectivas teses de graduação e pós-graduação.
A formação do Grupo de Trabalho deverá servir como instrumento para o desenvolvimento de conhecimento original e para a promoção de estudos comparativos na região. Os primeiros relatórios sobre a situação a nível nacional serão elaborados neste primeiro ano.
- Relatórios de progresso sobre teses de graduação e pós-graduação de alunos incorporados ao projeto.
DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
- Criar canais de comunicação para o Grupo de Trabalho, a fim de gerar intercâmbios de diversas naturezas e divulgar atividades e produções para outros grupos acadêmicos e para a sociedade em geral.
-Crie seus próprios canais de comunicação, como um site e contas em redes sociais, que permitam divulgar tanto as intervenções dos pesquisadores do grupo na mídia quanto artigos acadêmicos ou de divulgação.
-Divulgar a produção e os diagnósticos do Grupo de Trabalho e dar publicidade às atividades realizadas.
PROMOÇÃO DA RESPONSABILIDADE PÚBLICA E AÇÕES DE INTERVENÇÃO SOCIAL
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
- Promover espaços para análise e reflexão acadêmica sobre os temas do grupo e seu impacto nas políticas públicas da região.
- Criar um espaço de colaboração com organizações da sociedade civil, agências governamentais e movimentos sociais que atuam em questões relacionadas à insegurança e à violência social.
-Neste primeiro ano, espera-se construir um diálogo com diversos atores estatais e sociais da região, a fim de influenciar a concepção e a implementação de políticas públicas, bem como a geração de uma cultura ligada à redução da violência e à consolidação de relações pacíficas.
ARTICULAÇÃO COM OUTRAS REDES E INSTITUIÇÕES LATINO-AMERICANAS, CARIBENHAS E GLOBAIS
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
- Construir relacionamentos e promover trocas de conhecimento e experiências com outros Grupos de Trabalho da CLACSO e seus centros membros.
- Prepare um panorama geral sobre os grupos de trabalho da CLACSO que atuam em temas relacionados.
-Colaborar no intercâmbio de pesquisadores, professores e alunos entre as diversas unidades acadêmicas e centros de estudo do CLACSO.
PLANO DE TRABALHO PARA O SEGUNDO ANO (01/11/2020 al 31/10/2021)
OBJETIVOS
ATIVIDADES
RESULTADOS ESPERADOS
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
- Consolidar a rede de estudos sobre vigilantismo.
- Concluir as primeiras teses e investigações sobre casos nacionais.
- Desenvolver modelos comparativos sistemáticos incipientes de casos nacionais e delinear hipóteses descritivas e explicativas para a região.
- Debate e divulgação de aspectos teóricos e metodológicos, avanços e resultados das pesquisas realizadas em cada país.
- Progresso na construção de modelos comparativos regionais.
-Defesas de teses de graduação e pós-graduação.
- Consolidação do Grupo de Trabalho com base em reuniões presenciais, produção e troca dos primeiros resultados.
- Publicação dos anais do Primeiro Encontro Latino-Americano sobre Vigilantismo e Violência Coletiva, com uma avaliação do estado atual do tema e perspectivas para pesquisas futuras.
- Defesa de trabalhos de conclusão de curso de graduação e pós-graduação sobre temas relacionados ao projeto.
DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
- Divulgar os resultados dos diversos projetos de pesquisa em andamento em eventos científicos.
- Divulgar os resultados do Encontro Latino-Americano de Pesquisadores sobre Violência Coletiva e Vigilantismo.
-Dois dossiês temáticos serão publicados em diversas revistas, tanto pertencentes a unidades acadêmicas quanto à rede CLACSO.

-Espera-se a participação dos membros do Grupo de Trabalho nos dossiês.
PROMOÇÃO DA RESPONSABILIDADE PÚBLICA E AÇÕES DE INTERVENÇÃO SOCIAL
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
- Conectar e trocar conhecimentos e experiências com outros Grupos de Trabalho da CLACSO e com outras redes de pesquisa na América Latina e em outras regiões do mundo, sobre o tema da violência.
-Explorar diferentes formas de divulgar a pesquisa através da utilização de diferentes meios de comunicação.
- Estabelecer intercâmbio com outros grupos e redes com temas semelhantes.
-Participar em meios de comunicação (rádio, televisão, imprensa escrita), tanto públicos como privados e comunitários.
Divulgar a pesquisa a diferentes grupos dedicados à prevenção da violência, em fóruns acadêmicos e governamentais, para que possam contribuir para a elaboração de políticas de segurança pública e paz na região.
ARTICULAÇÃO COM OUTRAS REDES E INSTITUIÇÕES LATINO-AMERICANAS, CARIBENHAS E GLOBAIS
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
- Trocar opiniões e experiências com pesquisadores que trabalham em temas relacionados em instituições acadêmicas americanas e europeias.
- Promover o diálogo com pesquisadores e redes nas ciências sociais americanas e europeias.
- Articular intercâmbios acadêmicos entre pesquisadores e redes de ciências sociais americanas e europeias.
PLANO DE TRABALHO PARA O TERCEIRO ANO (01/11/2021 al 31/10/2022)
OBJETIVOS
ATIVIDADES
RESULTADOS ESPERADOS
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO
(Ações de articulação para pesquisa social comparativa relevante e rigorosa)
- Tirar conclusões sobre as diferentes causas, locais, atores, tipos de repertório violento e efeitos dos episódios de vigilantismo na região.
- Desenvolver uma comparação sistemática que contribua para a reflexão sobre uma teoria do vigilantismo na América Latina.
- Formular novas questões que darão origem a projetos de pesquisa a serem desenvolvidos no futuro.
- Elaborar relatórios com os resultados da comparação entre os casos nacionais e as conclusões gerais.
- Produzir artigos acadêmicos sobre a pesquisa realizada
-Realizar um seminário interno com os membros do Grupo de Trabalho.
- Consolidação completa do Grupo de Trabalho, com a perspectiva de adicionar mais membros e realizar novos projetos de pesquisa e contribuições.
DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO
(Ações para formação, visibilidade e comunicação da produção)
-Publicar as conclusões e os resultados das diversas investigações.
-Divulgar todas as atividades do Grupo de Trabalho, tanto as coletivas quanto as de seus pesquisadores a título individual.
- Divulgar os resultados em eventos científicos.
-Produzir um segundo livro sobre o tema proposto como resultado da pesquisa realizada pelos pesquisadores.
- Elabore um relatório final com base nos resultados parciais de cada centro associado ao Grupo de Trabalho.
-Está prevista a publicação de um segundo livro sobre este tema, como resultado da conclusão da investigação.
- O objetivo é consolidar a comunicação do Grupo de Trabalho para apresentar todas as suas atividades.
PROMOÇÃO DA RESPONSABILIDADE PÚBLICA E AÇÕES DE INTERVENÇÃO SOCIAL
(Relações com organizações de ciência e tecnologia, organizações não governamentais, sindicatos, movimentos sociais, etc.)
-Estabelecer parcerias com organizações governamentais e não governamentais para divulgar a pesquisa.
-Realizar conferências e organizar debates com organizações não governamentais, como ONGs e movimentos sociais, sobre os temas de discussão do Grupo de Trabalho.
-Construir e consolidar a ligação com organizações da sociedade civil, como ONGs e movimentos sociais.
ARTICULAÇÃO COM OUTRAS REDES E INSTITUIÇÕES LATINO-AMERICANAS, CARIBENHAS E GLOBAIS
(Redes científicas, organizações de cooperação internacional, instituições acadêmicas)
-Promover um intercâmbio acadêmico com outras redes de pesquisa na América Latina e em outras regiões do mundo sobre o tema da violência.
-Gerar intercâmbio com redes como LASA, ALAS, ISA e outras organizações.
-Gerar intercâmbio com redes como LASA, ALAS, ISA e outras organizações.

5. Membros do Grupo de Trabalho
Número total de pesquisadores admitidos: 33
Ronald Guy Emerson
Universidade das Américas-Puebla
México
Eduardo César Castillo Claudett
Centro de Estudos e Promoção do Desenvolvimento
Peru
Juan Yhonny Mollericona Pajarito
Universidade Pública de El Alto, La Paz
Bolívia
Leandro Ignacio González
Universidade Nacional de Mar da Prata
Argentina
Mercedes Rojas Machado
Instituto para o Desenvolvimento Econômico e Social
Argentina
Juliana Tonche
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - UFBA
Brasil
José Alberto González Zempoalteca
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México
Camila Jazmín Serrao
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Eduardo Moncada
Instituto de Estudos Latino-Americanos, Universidade de Columbia
Estados Unidos
Luís Fernando Trejos Rosero
Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Humano. Departamento de Ciências Humanas.
Departamento de Ciências Humanas
Universidade St. Thomas
Colômbia
Rocío Baquero
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Fabio Magalhães Candotti
Grupo de Pesquisa ILHARGAS, Universidade Federal do Amazonas.
Brasil
Evangelina Caravaca
Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados
Universidade Nacional de San Martín (UNSAM)
Argentina
Ailén Cirulli
INSTITUTO DE ARTE E PESQUISA ESTÉTICA AMERICANA “MARIO J. BUSCHIAZZO” (FADU - UBA)
Argentina
Mariana Cecilia Fernández
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Alejandra María Ramírez Soruco
Centro de Estudos Universitários Superiores
Universidade Principal de San Simón
Bolívia
Daniele Fini
Departamento de Ciências Humanas
Universidade Ibero-Americana de Puebla.
México
Antonio Fuentes Díaz [Coordenador]
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México
Iván Javier Mojica Rozo
Gabinete do Vice-Reitor para Pesquisa, Faculdade de Ciências Sociais
Faculdade de Ciências Sociais
Universidad de los Andes
Colômbia
Alejandra Luneke
Centro de Estudos sobre Conflito e Coesão Social
Universidade do Chile
Chile
Sebastián Saborío Rodríguez
Instituto de Pesquisa Social
Faculdade de Ciências Sociais
Universidad de Costa Rica
Costa Rica
Israel Pinheiro
Universidade Federal do Amazonas
Brasil
Luís Daniel Vázquez Valência
Instituto de Pesquisa Jurídica
UNIVERSIDADE NACIONAL AUTÔNOMA DO MÉXICO
México
Hugo César Moreno Hernández
Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Instituto de Ciências Sociais e Humanas
Benemérito Universidad Autónoma de Puebla
México
Joaquín Velez
Faculdade de Serviço Social
Faculdade de Serviço Social
Universidade Nacional de La Plata
Argentina
Francisca Gómez Baeza
Universidade de Washington
Estados Unidos
Leandro Gamallo [Coordenador]
Instituto de Pesquisa Gino Germani
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade de Buenos Aires
Argentina
Jacqueline Sinhoretto
Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos
Brasil
Luciana Araújo De Paula
Universidade de Poitiers
Brasil
Loreto Francisca Quiroz Rojas [Coordenador]
Centro de Estudos sobre Conflito e Coesão Social
Universidade do Chile
Chile
Acácio Augusto Sebastião Júnior
Universidade Federal de São Paulo
Brasil
Carolina Galindo Hernández
Escola de Ciências Humanas
Escola de Ciências Humanas
Faculdade Universitária de Nossa Senhora do Rosário
Colômbia
Violet Dickenstein
Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados
Universidade Nacional de San Martín (UNSAM)
Argentina




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