Fórum sobre Justiça Climática e Cuidado

El Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e o Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (IDRC) Canadá / Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento do Canadá (IDRC) organizou em 30 de abril o “Primeiro Fórum sobre Justiça Climática e Cuidado”, realizado no âmbito do “Diálogos CLACSO – Brasil 2026".

O seminário, intitulado “Da ciência ao impacto: inovações e desafios na articulação entre pesquisa e ações sobre mudanças climáticas, gênero e cuidados.O evento reuniu pesquisadores, administradores públicos e representantes de movimentos sociais do Brasil, Uruguai, Colômbia, Honduras e México para discutir as conexões entre mudanças climáticas, trabalho de cuidado e desigualdade de gênero. Entre os participantes, estavam representantes da CLACSO. Pablo VommaroDiretor Executivo e Glória Amézquita PuntielDiretor Acadêmico.

O seminário foi estruturado em duas mesas redondas: a primeira dedicada à produção científica sobre as três agendas e suas interdependências; a segunda focada no chamado “impacto”: como os atores sociais que trabalham nessas questões podem aprimorar seus processos de tomada de decisão com base no conhecimento gerado pela pesquisa.

Arilson FavaretoA diretora científica do CEBRAP inseriu o evento no contexto mais amplo da instituição: ao longo de dois anos, o projeto visa gerar ideias sobre como as políticas climáticas podem incorporar medidas destinadas a fortalecer o cuidado sob uma perspectiva de gênero e reduzir as desigualdades.

Pablo VommaroO Diretor Executivo do CLACSO inseriu o fórum em uma série de encontros organizados pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais naquela semana no Brasil, em colaboração com a PUC-SP, a USP e a UNESP, dedicados a temas como democracia, soberania e participação.

Nadya GuimarãesA coordenadora da Rede CuiDDe destacou a importância do encontro para a instituição em múltiplos aspectos. Além da sua dimensão histórica, enfatizou que o fórum permitiu que duas áreas da instituição que tradicionalmente não trabalhavam em conjunto — o meio ambiente e o cuidado — se unissem em torno de uma agenda comum. O diagnóstico que motivou essa colaboração é preciso: a agenda climática é praticamente indiferente à questão do cuidado, e vice-versa, embora, empiricamente, ambos os fenômenos estejam profundamente interligados. “Todo o problema ambiental afeta, por exemplo, a distribuição do tempo das mulheres no trabalho de cuidado. Todo o debate sobre o cuidado comunitário relaciona-se em grande parte com a questão do território, do meio ambiente, da preservação e do que chamamos de 'bem viver'”, afirmou.

Karina BatthyanyA ex-diretora executiva da CLACSO e coordenadora do projeto reforçou esse argumento: “Essas são duas grandes crises que nossas sociedades enfrentam: a crise do cuidado e a crise ambiental e climática. É importante estabelecer um diálogo entre elas”. Segundo ela, embora ambas afetem o cotidiano das pessoas, a interseção entre essas duas agendas ainda não foi suficientemente pesquisada ou abordada no âmbito das políticas públicas.

Sarah MoreiraA representante da Rede Nacional de Agroecologia (ANA) contribuiu para o debate destacando o papel do movimento agroecológico na resposta à crise climática. Ela argumentou que a agroecologia já é, na prática, uma forma de adaptação e mitigação: garante a produção de alimentos saudáveis, fortalece as comunidades locais e demonstra que é possível responder à emergência climática de forma integrada, cuidando também da vida, especialmente das mulheres em comunidades rurais, florestais e aquáticas.

O fórum concluiu com um apelo para tornar visíveis as experiências de setores historicamente marginalizados, a fim de construir uma resposta climática que seja socialmente justa e focada na sustentabilidade da vida.

Este encontro faz parte de um projeto de pesquisa comparativa que está sendo conduzido simultaneamente nos cinco países participantes, com duração prevista de dois anos. Seu objetivo é gerar propostas concretas para políticas climáticas que incorporem medidas voltadas ao fortalecimento do trabalho de cuidado, numa perspectiva de redução das desigualdades de gênero.

Nadya Guimarães e Pablo Vommaro


El Centro Brasileiro de Análise e Planejamento O CEBRAP (Centro para Pesquisa e Desenvolvimento Político) é uma instituição de pesquisa sediada em São Paulo, Brasil, fundada em 1969. É reconhecida como um dos principais centros de estudos na análise da realidade brasileira, com foco em políticas públicas, desigualdade, democracia e estudos interdisciplinares.


Diálogos CLACSO – Brasil 2026: Democracia, Justiça e o Futuro