Educação política e subjetividade militante

 Educação política e subjetividade militante


Seminário 2253

CadeiraCLACSO
Coordenação: María Mercedes Palumbo, Fernando Darío Lázaro e Gerónimo Fernando Santana (GT Educação Popular e Pedagogias Críticas, CLACSO)

Equipe de ensino: María Mercedes Palumbo, Estela Beatriz Quintar, Fernando Darío Lázaro, Gerónimo Fernando Santana, Oscar Jara, Alfonso Torres Carrillo (GT Educação Popular e Pedagogias Críticas, CLACSO)

Início: 07/09/2022 | Inscrição: 02/05/2022 a 06/09/2022

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.


O seminário busca revisar, historicizar e analisar diferentes propostas de Educação Política na América Latina e no Caribe, a fim de construir linhas teóricas, metodológicas, pedagógicas e alternativas que permitam abordar o tema da formação e os processos de construção de uma subjetividade militante.

As experiências políticas e sociais coletivas que se desenrolam em nosso continente abriram campos de pensamento e ação que exigem reflexão, revisitação e narração, utilizando categorias que precisam ser reinventadas. Compreender os processos em curso na região permite-nos não só desvendar um campo de discurso cada vez mais consolidado e multifacetado, mas também aprofundar o significado específico da educação política em nossos tempos: seus objetivos, seu propósito e, sobretudo, seu potencial real para moldar alternativas no cenário atual e pós-pandemia. Trata-se de fomentar a esperança nos movimentos de resistência, desenvolvendo simultaneamente propostas educativas com impacto concreto, permitindo-nos explorar os desafios e o potencial da formação de indivíduos ativistas.

Este seminário visa reconhecer e fortalecer as diversas estratégias de educação política que estão sendo desenvolvidas na América Latina e no Caribe, e seu impacto nos processos de construção de subjetividades e subjetividades militantes. Entre elas, destacam-se a Educação Popular e as Pedagogias Críticas como perspectivas filosóficas, políticas, éticas e pedagógicas particularmente relevantes. Para tanto, propomos algumas questões norteadoras: O que entendemos por educação política? Como os processos de educação política podem impactar a formação de subjetividades militantes? Diante da ascensão da nova direita e dos discursos do fundamentalismo religioso, quais possibilidades existem dentro dos movimentos populares, organizações e movimentos sociais para gerar um pensamento crítico capaz de permear o senso comum hegemônico da maioria da população? Por outro lado, como é possível resgatar a experiência militante das organizações e suas histórias de luta para gerar capital militante que possibilite a construção de processos contra-hegemônicos e a prefiguração de outras relações sociais? Como cada uma delas gera e produz conhecimento?

A noção de práxis é fundamental para a compreensão das práticas políticas e educacionais. A política é uma práxis transformadora da realidade. Assim, pensar a educação política implica uma ação deliberada para formar sujeitos ativistas capazes de realizar experiências transformadoras, com a capacidade de influenciar e modificar a ordem vigente.

Mas, embora seja uma prática inerente ao nosso ser humano, com Freire acreditamos que a política também possui uma educabilidade e, por essa mesma razão, é fundamental empregar estratégias que nos permitam pedagogizá-la e problematizá-la.

Ao longo deste seminário, serão apresentadas diferentes questões conceituais que nos permitirão aprofundar a especificidade da formação política, bem como os pontos fortes e as vicissitudes pelos quais passam os processos que ocorrem no âmbito dos processos que já estão se desenvolvendo nessa direção.

Recuperar essas histórias, essas redes de luta, é também um compromisso com a reconstrução de conhecimentos historicamente subvalorizados e com a compreensão de que nossas próprias experiências contêm conhecimentos que merecem ser sistematizados, recuperados e colocados em diálogo.

A Educação Popular, por sua vez, é entendida em sua natureza polissêmica, pois não é possível atribuir-lhe uma definição única, uma vez que as diversas abordagens políticas, educacionais e teóricas que a constituem resultaram em diferentes perspectivas que dependem dos contextos sociais, culturais e populacionais em que é aplicada. Portanto, os conceitos que a definem requerem certa maleabilidade e capacidade de contextualização, pois estão intrinsecamente ligados às mutações e transformações do momento histórico e aos movimentos sociais e políticos que as conduzem, acompanham e moldam em cada contexto social. É também inegável que o ponto de partida de qualquer prática enquadrada nesse campo é a interpretação do mundo em que essa prática se situa; por essa mesma razão, a interpretação do contexto e das condições históricas em que essas ações adquirem significado será um tema central deste Seminário.

Objetivo geral

  • Para possibilitar a reflexão sobre os processos de formação política e seu impacto na formação de subjetividades políticas e militantes, visando compreender suas especificidades conceituais, metodológicas e epistêmicas, bem como suas ancoragens históricas e suas contribuições para as disputas sobre a esfera pública na América Latina e no Caribe.

 Os objetivos específicos

  • Compreender os processos de formação política, em sua especificidade, que ocorrem nos territórios da América Latina e do Caribe.
  • Reconhecer e complexificar a visão sobre as disputas em torno da esfera pública, a construção de sujeitos coletivos e os processos de subjetivação política que estão se desenvolvendo atualmente na América Latina e no Caribe.
  • Gerar ferramentas para a análise crítica e criativa dos problemas da América Latina e do Caribe, para a análise do contexto local e a criação de propostas de formação para os territórios onde elas tenham algum ponto de ancoragem.
  • Fortalecer a formação de pesquisadores, estudantes e líderes da sociedade civil com habilidades de pensamento crítico que compreendam a realidade em conjunto com os outros, por meio do desenvolvimento de processos de intercâmbio e debate acadêmico, com o objetivo de influenciar a transformação social.
  • Educação política na América Latina hoje: uma leitura crítica das experiências educacionais. 
  • Formação política a partir de uma abordagem de educação popular. 
  • Educação política e teatro do oprimido. 
  • Espaços e estratégias de formação política: práticas, reflexões e problemas do Brasil. 
  • Movimentos sociais e formação política na Argentina.
  • Educação política na perspectiva da Pedagogia Crítica. 
  • Formação política e educação popular na Bolívia. 
  • Experiências de autoeducação política no Chile. 
  • A experiência de formação política no IPECAL (México).
  • Educação popular e a formação de subjetividades.
  • Alfieri, Ezequiel; Lázaro Fernando; Santana, Fernando; Zilbersztain, Andrea: Escola de Formadores Dora Barrancos. Documento de trabalho preparado para o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Educação Popular e Pedagogias Críticas.
  • Arendt, Hannah (1966). Entre o passado e o futuro: oito exercícios de pensamento político. México: Península.
  • Boal, Julián (2014). Em direção a uma história política do teatro do oprimido. Literatura: teoria, história, crítica. Volume 16, número 1, pp.41-79. 
  • Cabaluz, Fabián (2021). Crise, revolta popular e pandemia: Contribuições das organizações docentes chilenas para constituir um projeto educativo emancipatório (2019-2021). Momento Diálogos Em Educação, 30(01).
  • Documento de trabalho preparado para o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Educação Popular e Pedagogias Críticas. Rebellato, José Luis (2010): Ética, política e Educação Popular libertadora (seleção de textos) em: "José Luis Rebellato, intelectual radical", Eppal-Nordan-Extensión Udelar, Montevidéu.
  • Freire, Paulo (2001). “Mudar a cara da escola”. In: Uma educação na cidade. São Paulo: Cortez, p. 27-40.
  • Freire, Paulo (2017). Ensinar na especificidade humana. In: Pedagogia da autonomia. Saberes necessários para a prática educativa. México: Siglo XXI, pp. 88-139.
  • Gadotti, Moacir e Torres, Carlos Alberto (2001): “Paulo Freire, administrador público.” In: Freire, Paulo: Uma educação na cidade. São Paulo: Cortez, pág. 11-20.
  • García Linera, Álvaro (2016). “Autonomias Indígenas e o Estado Multinacional”. In: Revista La Migraña, nº 20, La Paz, pp. García Linera, Álvaro (2019). Ódio ao índio. Caracas: Edições MINCI.
  • Goldar, Maria Rosa (2008): Educação Popular e Movimentos Sociais no contexto atual da América Latina e do Caribe, em: “La Piragua”, CEAAL, n. 27, 2008. 
  • Governo Federal (2014). “Apresentação”, “Capítulo 3: Objetivos do Marco de Referência” e “Capítulo 6: Princípios e diretrizes para as ações de educação popular em políticas públicas”. In: Marco de Referência de Educação Popular para Políticas Públicas. Brasília: SGPR, 2014, p. 5-6; 25; 49-53
  • Guelman, Anahí e Palumbo, María Mercedes (2021). Notas sobre a formação política nos movimentos populares na Argentina. Documento de trabalho preparado para o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Educação Popular e Pedagogias Críticas.
  • Huanca, Andrés (2021). "Que fascismo? Algumas notas preliminares: a Resistência da Juventude de Cochabamba e a tomada da Assembleia Legislativa Departamental." In: Revista digital ¡Bolivia de pié!, nº 3. Santa Cruz, pp. 45-61.
  • IPECAL (2012). Uma experiência de sistematização. Sobre a formação política na América Latina. Documento de trabalho preparado para o Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Educação Popular e Pedagogias Críticas.
  • Jara, Oscar (2018): Educação Popular Latino-Americana, história e chaves éticas, políticas e pedagógicas, CEP Alforja, CEAAL, Alboan, Intered. Jara, Oscar e Goldar, María Rosa (2021). Formação política a partir da educação popular: um compromisso estratégico do CEAAL em movimento.
  • MAIORGA, Fernando (2020). “Derrota política do MAS e restauração oligárquico-senhorial”. In: Mayorga, Fernando (coord.). Crise e mudança política na Bolívia. Outubro e novembro de 2019: a democracia numa encruzilhada. La Paz: CESU-UMSS/OXFAM na Bolívia, pp. 1-28.
  • Naranjo, Carlos (1993). A Agonia do Patriarcado. Barcelona: Editorial Káiros
  • Ortega, Piedad e Villa, Jennifer. (2021). Pedagogia crítica: sentimentos insubordinados do devir feminista. In: (pensamento), (palavra) e trabalho, número 26. 
  • Palumbo, M. (2018). Saber falar: construindo capital militante em movimentos populares na Argentina. ÍCONOS. Revista de Ciências Sociais (61), 179-202.
  • Quintar, Estela (2005). Em diálogo didático epistêmico. Vozes e textos, México. 
  • Reich, Wilheim (2008) A Revolução Biossocial. Círculo Internacional de Comunistas Antibolcheviques.
  • Ricoeur, Paul (1993). Poder, fragilidade e responsabilidade. 
  • Torres, Alfonso (2009). Ação coletiva e subjetividade. Um equilíbrio dos estudos sociais. In: Folios # 30, Colômbia: pp.51-74.
  • Torres, Alfonso (2015): Educação Popular e Movimentos Sociais na América Latina, Biblos, Buenos Aires.
  • Zemelman, Hugo (1992). Nota crítica. Sobre bloqueio histórico e utopia na América Latina. Estudos Sociológicos, Volume X, número 30, pp. 809-817.
  • Zemelman, Hugo (1994). A educação na constituição dos sujeitos. Em La Piragua, nº 5. Ceaal. Santiago do Chile.
  • Zemelman, Hugo (2001). "História e racionalidade no conhecimento social". In: Da história à política. A experiência latino-americana. México: Editorial Siglo XXI/Universidade das Nações Unidas, 2ª edição, pp. 25-86.
  • Zemelman, Hugo (2007). Da História à Política. A Experiência da América Latina. México: Siglo Veintiuno.
  • Zemelman, Hugo (2007). Da História à Política: A Experiência Latino-Americana. México: Siglo XXI-Universidade das Nações Unidas.
  • Zemelman, Hugo (2012). Videoconferência: história e autonomia no sujeito. 

 



Desconto para pagamento único até 31/8

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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 12 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

 



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