Financeirização e desenvolvimento no Sul Global

 Financeirização e desenvolvimento no Sul Global

De 26 a 28 de novembro de 2019, o Congresso “Financeirização e desenvolvimento no Sul GlobalEntre os acadêmicos participantes que analisaram a situação para a CLACSO TV estavam: Daniela Gabor, da Romênia, da University of the West of England (UWE-UK), Cédric Durand, da University of Paris 13/EHESS, França, Martín Burgos, do Centro Cultural de Cooperação Floreal Gorini, na Argentina, Raquel Rolnik, da Universidade de São Paulo, e Rodrigo Fernández, do Centro de Pesquisa sobre Empresas Multinacionais (SOMO), na Holanda.



O congresso propôs um intercâmbio interdisciplinar entre acadêmicos, políticos e organizações da sociedade civil que estudam a financeirização em países em desenvolvimento.

O estudo começou observando que, nos últimos anos, a pesquisa sobre o processo de financeirização proliferou em diversas disciplinas, abrangendo uma gama crescente de tópicos. No entanto, a maior parte da pesquisa se concentrou em economias desenvolvidas — inicialmente em países anglo-saxões, expandindo-se posteriormente para a Europa — onde demonstrou como o capitalismo funciona sob o domínio das finanças em países com sistemas financeiros e bancários altamente sofisticados. A natureza desigual do regime dominado pelas finanças e, em particular, a integração subordinada dos países em desenvolvimento nos circuitos financeiros e monetários globais, recebeu muito menos atenção nos estudos sobre financeirização.

O crescente poder dos interesses financeiros globais sobre as economias em desenvolvimento manifesta-se de diversas maneiras. Por exemplo, desde a crise financeira de 2008, as políticas monetárias expansionistas nas economias avançadas desencadearam uma fuga maciça de capitais de alto rendimento, resultando em níveis sem precedentes de acumulação de dívida pública e privada nas economias em desenvolvimento. À medida que a era da flexibilização quantitativa se aproxima do fim, uma mudança na direção desses fluxos, da periferia para o centro, ameaça recriar a dinâmica que levou a grandes crises de dívida no passado.

Com o fim da era do Consenso de Washington e seus programas de ajuste estrutural, o Banco Mundial embarcou em um novo e importante projeto. Apoiado pelo G20 e diversas outras organizações internacionais, esse novo projeto, denominado “Maximizando o Financiamento para o Desenvolvimento”, busca securitizar projetos de infraestrutura, saúde e educação para criar novas classes de ativos para investidores institucionais, permitindo que as economias em desenvolvimento acessem uma parcela da liquidez global. Esse mecanismo de financeirização, divulgado com o slogan “de bilhões a trilhões”, visa facilitar o desenvolvimento, ou pelo menos a criação, de ativos financeiros, abrindo novas oportunidades para investidores institucionais.


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