Estudos sobre violência de gênero contra mulheres

2ª Turma (2022-2023)
MODALIDADE VIRTUAL
Especialização: 40 créditos, 360 horas de aula
Curso internacional: 9 créditos, 90 horas de aula
Duração: Abril de 2022 a março de 2023
A certificação da Especialização e do Curso Internacional será realizada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil) e pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).
Com o apoio da CEPAL
COORDENAÇÃO GERAL: Dora Barrancos (Universidade de Buenos Aires e CONICET, Argentina) e Alejandra Valdés (CEPAL, Chile)
COMISSÃO ACADÊMICA: Dora Barrancos (CLACSO), Alejandra Valdés (CEPAL)
Júlia Tibiriçá Diegues Gomes (FLACSO, Brasil), Karina Batthyany (CLACSO)
Jacqueline Moraes Teixeira (FLACSO, Brasil)
EQUIPE DE PROFESSORES: Ana Carcedo (Centro Feminista de Informação e Ação, Costa Rica), Vivian Souza (Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Brasil), Dora Barrancos (Universidade de Buenos Aires e CONICET, Argentina), Karina Batthyány (CLACSO e Universidade da República, Uruguai), Natalia Gherardi (Equipe Latino-Americana de Justiça e Gênero – ELA, Argentina), Alejandra Valdés (CEPAL, Chile), Lorena Fríes (Humanas Corporation, Centro de Estudos e Ação Política Feminista, Colômbia), Nicole Bidegain (CEPAL), Rocío Rosero (Subsecretária para a Prevenção e Erradicação da Violência contra Mulheres, Meninas, Meninos e Adolescentes, Secretaria de Direitos Humanos, Equador), Marilane Teixeira Oliveira (FLACSO Brasil), Alicia Ruiz (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Elaini Silva (FLACSO Brasil), Graciela Morgade (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Paula Fainsod (Universidade de Buenos Aires, Argentina) e Jesica Báez (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Manuel Contreras Urbina (Banco Mundial, Estados Unidos)
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA: Júlia Tibiriçá Diegues Gomes (FLACSO Brasil) e Sofía Barbuto (CLACSO e Universidade de Buenos Aires, Argentina)
A violência de gênero contra as mulheres é um dos principais meios sociais, políticos e econômicos pelos quais as relações de poder e a subordinação das mulheres são perpetuadas, configurando relações de força e violência. É a expressão da reprodução e transmissão de estereótipos e preconceitos aprendidos sobre masculinidade e feminilidade. As diversas formas de violência contra as mulheres constituem um sério obstáculo à conquista da igualdade entre mulheres e homens e ao exercício de seus direitos humanos. (Nações Unidas, 2017).
A matriz sociocultural subjacente à violência de gênero contra as mulheres estrutura e interliga as diversas formas de exclusão, subjugação, punição e discriminação que são formas de reprodução de mandatos sociais que moldam os comportamentos e a subjetividade de homens e mulheres e que têm efeitos em todas as áreas da vida social, econômica e cultural.
A violência de gênero contra as mulheres, além de ser um impedimento ao exercício dos direitos humanos, constitui um grande obstáculo ao desenvolvimento nos países da América Latina e do Caribe. Suas consequências não apenas afetam profundamente a vida das mulheres que são vítimas, mas também ameaçam a estabilidade, a segurança e o bem-estar das famílias e de suas comunidades. Ocorre no seio das famílias e dos espaços públicos, no local de trabalho, nas atividades de lazer, na política, no esporte, nos serviços de saúde e nos ambientes educacionais, e na redefinição da esfera pública por meio de ambientes tecnológicos (Nações Unidas, 2017). Na região, afeta 1 em cada 3 mulheres que sofrem ou sofreram violência por parte de seus parceiros. Pelo menos 6 em cada 10 mulheres vivenciaram situações de violência de gênero, perpetradas por conhecidos ou desconhecidos, incluindo violência sexual, violência política, assédio no local de trabalho, assédio de rua, violência digital e violência contra grupos que sofrem formas específicas de discriminação.
O feminicídio é a face mais brutal da violência de gênero. Em dezembro de 2019, dados oficiais de 17 países da América Latina e 6 países do Caribe relataram pelo menos 4.376 mulheres vítimas desse crime (IOG, 2020).
A busca por melhores condições de vida para todas as pessoas é uma obrigação dos Estados, e esse esforço inclui políticas que permitam avançar na superação das diversas situações de discriminação sofridas pelas mulheres como indivíduos e como grupo social.
A violência de gênero afeta as mulheres ao longo de todo o seu ciclo de vida e, consequentemente, as referências a mulheres ao longo da proposta incluem meninas.
Nações Unidas (2017). Recomendação Geral nº 35 sobre violência de gênero contra as mulheres, atualizando a Recomendação Geral nº 19. CEDAW/C/GC/35
Objetivos gerais.
- Compreender o conceito de violência de gênero contra as mulheres a partir de uma perspectiva interdisciplinar e aprender sobre as diferentes dimensões e variáveis presentes na implementação de estratégias em diferentes áreas de atuação do Estado.
- Oferecer um processo de formação que permita identificar os elementos conceptuais e teóricos presentes no debate interdisciplinar sobre a violência contra as mulheres e as contribuições da teoria feminista nas últimas décadas.
Objetivos específicos.
- Desenvolver a capacidade de analisar instrumentos e convenções relacionados aos direitos das mulheres, em particular as convenções, recomendações e acordos globais e regionais sobre violência de gênero contra as mulheres, vinculando essa análise ao monitoramento do progresso de sua implementação nos níveis nacional e regional.
- Compreender a violência de gênero a partir de uma perspectiva interseccional, levando em consideração as diferentes dimensões, estruturas e dinâmicas que conduzem a múltiplas formas de dominação (raça, gênero, classe), promovendo assim a reflexão sobre os mecanismos de privilégio e exclusão.
- Desenvolver capacidades analíticas da norma e da execução da legislação sobre violência contra as mulheres na região, levando em consideração a evolução normativa dos órgãos jurídicos desde os anos noventa, suas respectivas reformas, a transição das leis sobre violência doméstica e intrafamiliar para leis abrangentes sobre violência contra mulheres e meninas e sua coerência entre os diferentes instrumentos legais.
- Analise as normas e políticas atualmente promovidas para lidar com manifestações de violência de gênero que não são muito visíveis no debate público, como a violência nos processos reprodutivos, a violência política e a violência cibernética.
- Promover a aprendizagem, a partir de uma abordagem de abrangência das políticas públicas, sobre a formulação de planos nacionais para o combate à violência contra as mulheres, sua relação com os planos de igualdade de gênero, sua presença nos discursos sobre desenvolvimento e nos orçamentos públicos para o combate à violência contra as mulheres, à luz das experiências de orçamentos específicos, orçamentos para a elaboração de políticas de reparação, etc.
- Identificar a resposta nos processos de gestão, avaliação e monitorização das políticas públicas sobre violência de género contra as mulheres, à luz das experiências nacionais em matéria de políticas de prevenção, proteção, assistência, acesso à justiça, reparação e punição.
- Incorporar ferramentas para intervir nos processos de mensuração da magnitude da violência de gênero contra as mulheres na América Latina, bem como para mensurar a resposta governamental e analisar a incidência da violência contra as mulheres. Diferenciar o papel das pesquisas do papel dos registros administrativos no que diz respeito às ações tomadas pelo setor público para enfrentar e combater a violência contra as mulheres.
- Refletindo e debatendo sobre a violência extrema contra as mulheres: feminicídio e tráfico de seres humanos.
- Criar capacidades para desenvolver ligações analíticas entre a violência de género contra as mulheres, enquanto fator limitante da autonomia física e económica das mulheres, com foco nos custos da violência contra as mulheres no local de trabalho.
- Identificar as diversas ferramentas para definir políticas e programas específicos para combater a violência contra as mulheres no setor da saúde, com foco na magnitude do atendimento (análise quantitativa), nas capacidades a serem desenvolvidas (capacidades dos funcionários públicos) no setor, nos custos (gastos públicos com o atendimento e a reabilitação de mulheres) e na sua divulgação (campanhas).
- Apresentar as ferramentas para definir políticas e programas específicos para combater a violência contra as mulheres no setor da saúde, com foco na magnitude do atendimento (análise quantitativa), nas capacidades a serem desenvolvidas (capacidades dos funcionários públicos) no setor, nos custos (gastos públicos com saúde no atendimento e reabilitação de mulheres) e na sua disseminação (campanhas).
- Desenvolver abordagens temáticas, disciplinares e conceituais que contribuam para a construção de um conjunto de ferramentas para a reflexão crítica sobre um caso ou questão central escolhida pelos participantes, capaz de explicar, por sua vez, a integração das proposições teóricas e dos debates abordados nos diferentes espaços curriculares da Especialização.
O Curso de Especialização e Internacional destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de organizações, movimentos e partidos políticos; funcionários públicos; profissionais da imprensa; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados na área.
El Curso Internacional Terá a duração de um ano e, para acreditação, exige a participação em fóruns de discussão e a conclusão de um projeto final.
Especialização em estudos sobre violência de gênero contra a mulher. Análise de políticas públicas na América Latina. Terá a duração de um ano e, para a sua acreditação, requer, além da conclusão e aprovação do Curso Internacional, a aprovação em 2 seminários virtuais eletivos do currículo, um workshop metodológico e um projeto final de especialização.
La Especialização e o Curso Internacional será desenvolvido entre Abril de 2022 e março de 2023.
Os seminários virtuais As aulas do Curso Internacional serão ministradas em espanhol ou português. Esses dois idiomas são utilizados pelos professores e tutores, mas isso não significa que sejam falantes nativos dessas línguas.
A bibliografia será fornecida nos idiomas oficiais do curso – espanhol e/ou português – conforme disponibilidade. As contribuições dos alunos para os fóruns de discussão também deverão ser feitas nesses idiomas. A monografia final poderá ser submetida em português ou espanhol.
Os alunos do Curso de Especialização e do Curso Internacional contarão com o apoio de tutores acadêmicos que os acompanharão nos seminários virtuais e os orientarão na conclusão de seus projetos finais.
Os seminários online serão oferecidos em espanhol, português e inglês. Da mesma forma, o material didático poderá ser disponibilizado nos três idiomas oficiais. As contribuições dos alunos nos fóruns de discussão também poderão ser feitas nesses idiomas. O trabalho de pesquisa final poderá ser escrito em espanhol, português ou inglês.
No âmbito desta especialização, o Curso Internacional serve como um espaço multidisciplinar para formação teórica e prática, analisando a complexidade da violência de gênero, sua relação com as desigualdades de gênero e outras intersecções da desigualdade presentes em todas as dimensões da sociedade. Assim, constitui um ambiente de aprendizagem sobre: os referenciais teóricos utilizados na análise da violência de gênero contra as mulheres, suas manifestações, o quadro internacional de direitos humanos em níveis global, regional e nacional; a necessária coerência legislativa para uma resposta estatal eficiente e eficaz; e as diversas abordagens em políticas públicas para prevenção, sensibilização, reparação e punição. Além disso, permitirá uma análise do grau de institucionalização de políticas e estratégias para o enfrentamento do problema nos países da região, bem como das metodologias para mensurar e analisar os custos e gastos públicos.
As análises serão situadas num quadro que abrange as várias intersecções da desigualdade expressas na diversidade das mulheres, tendo em vista as estratégias com uma abordagem interseccional que são ou deveriam ser desenvolvidas na implementação de políticas públicas e seus efeitos na região.
Como parte do desenvolvimento conceitual proposto por este curso, a autonomia feminina será um tema central, e sua conexão com a formulação de políticas públicas é o que enriquece a aplicabilidade potencial deste currículo. Para as mulheres, autonomia significa ter a capacidade e as condições concretas para tomar livremente decisões que afetam suas vidas.
Alcançar maior autonomia exige abordar diversas questões, incluindo libertar as mulheres da responsabilidade exclusiva pelas tarefas reprodutivas e de cuidado, o que inclui o exercício de seus direitos reprodutivos; acabar com a violência de gênero; e tomar todas as medidas necessárias para garantir a participação igualitária das mulheres na tomada de decisões. Autonomia física refere-se à capacidade de decidir livremente sobre sexualidade e reprodução, e ao direito de viver uma vida livre de violência.
.Assim, este campo de estudo abrange: os quadros conceituais presentes na análise da violência de gênero contra as mulheres, suas manifestações, o quadro internacional de direitos humanos em níveis global, regional e nacional; a coerência legislativa necessária para uma resposta estatal eficiente e eficaz; e as diferentes abordagens em políticas públicas para prevenção, conscientização, reparação e punição. Além disso, permitirá a análise do grau de institucionalização de políticas e estratégias para lidar com o problema nos países da região, bem como as metodologias para mensurar e analisar os custos e gastos públicos.
As análises serão situadas num quadro que abrange as várias intersecções da desigualdade expressas na diversidade das mulheres, tendo em vista as estratégias com uma abordagem interseccional que são ou deveriam ser desenvolvidas na implementação de políticas públicas e seus efeitos na região.
Como parte do desenvolvimento conceitual proposto por este curso, a autonomia feminina será um tema central, e sua conexão com a formulação de políticas públicas é o que enriquece a aplicabilidade potencial deste currículo. Para as mulheres, autonomia significa ter a capacidade e as condições concretas para tomar livremente decisões que afetam suas vidas.
Alcançar maior autonomia exige abordar diversas questões, incluindo libertar as mulheres da responsabilidade exclusiva pelas tarefas reprodutivas e de cuidado, o que inclui o exercício de seus direitos reprodutivos; acabar com a violência de gênero; e tomar todas as medidas necessárias para garantir a participação igualitária das mulheres na tomada de decisões. Autonomia física refere-se à capacidade de decidir livremente sobre sexualidade e reprodução, e ao direito de viver uma vida livre de violência.
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Aulas e professores:
Aula 1: Abordagens conceituais e teóricas sobre a violência contra as mulheres
Professora: Ana Carcedo (Centro Feminista de Informação e Ação, Costa Rica)
Aula 2: Abordagem interseccional da violência de gênero contra as mulheres
Profª: Vivian Souza (Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Brasil)
Aula 3: A evolução do quadro regulamentar internacional sobre a violência contra as mulheres.
Professora: Dora Barrancos (Universidade de Buenos Aires, Argentina e CONICET, Argentina)
Aula 4: Avanços nos quadros regulamentares nacionais e na sua aplicabilidade.
Professora: Natalia Gherardi (Equipe Latino-Americana para Justiça e Gênero - ELA, Argentina)
Aula 5: Planos nacionais sobre violência contra as mulheres
Professora: Alejandra Valdés (CEPAL, Chile)
Aula 6: Novas abordagens para políticas públicas diante de formas menos visíveis de violência.
Professora: Lorena Fríes (Human Corporation, Centro de Estudos e Ação Política Feminista)
Aula 7: Metodologias para medir a magnitude da violência contra as mulheres.
Professoras: Alessandra Guedes (UNICEF) e Alejandra Valdés (CEPAL, Chile)
8ª aula: Reflexão e discussão sobre a violência extrema contra as mulheres. Tráfico de mulheres e meninas para exploração sexual, desaparecimentos e feminicídio.
Professoras: Nicole Bidegain (CEPAL) e Rocío Rosero (Subsecretária para a Prevenção e Erradicação da Violência contra Mulheres, Meninas, Meninos e Adolescentes, Secretaria de Direitos Humanos, Equador).
9- Educação, gênero e políticas contra a violência de gênero nas escolas: uma área fundamental de políticas públicas para gerar mudanças culturais.
Professora: Graciela Morgade
10- A perspectiva interseccional: a complexidade das identidades e das desigualdades sociais através de uma abordagem integrada.
Professora: Karina Batthyany
11- Impacto econômico da violência contra a mulher no mercado de trabalho. Gastos públicos com políticas de combate à violência contra a mulher.
Profª: Christine Brendel (Universidade Rhein-Main, Alemanha)
12- “Violência de gênero nas conceitualizações e intervenções das equipes de saúde”
Professora: Yamila Comes
Coordenação: Dora Barrancos (Universidade de Buenos Aires e CONICET, Argentina) e Alejandra Valdés (CEPAL, Chile)
Resumo: Este workshop é um espaço de formação concebido para orientar o desenvolvimento da monografia final da especialização. Irá apoiar os alunos na definição do seu objeto de análise, na sua tradução num problema de investigação viável, na construção de um plano de trabalho, no desenvolvimento de quadros argumentativos e na formulação de conclusões analíticas. Estas tarefas serão realizadas individualmente e em grupo, através da troca de ideias entre pares e com o instrutor do workshop, seguindo um formato de fórum de discussão. O objetivo do workshop é produzir uma versão preliminar da monografia final da especialização. A monografia final poderá ser escrita em espanhol, português ou inglês.
Seminários opcionais:
Primeiro semestreEste seminário visa desenvolver uma abordagem interdisciplinar que articule as diversas áreas das ciências sociais e da economia para refletir sobre a necessidade de repensar o termotrabalho, incorporando novas dimensões. A esfera do trabalho reflete valores sociais que atribuem um papel secundário às mulheres e contribuem para a reprodução desses valores, ou que podem ser observados por meio da divisão sexual do trabalho, segmentação ocupacional, barreiras de acesso, estabilidade e promoção sem emprego. Há menos possibilidades de acesso a qualificações profissionais e remuneração equivalente a dois homens, além de maior incidência de violência contra a mulher, inclusive no ambiente de trabalho.
Coordenação: Marilane Teixeira Oliveira (Flacso Brasil)Este seminário examina a recente conceitualização de “violência contra a mulher” e o papel dos movimentos feministas em sua criação e nas lutas para erradicá-la. Ao longo do século XX, os movimentos feministas latino-americanos conquistaram diversas reformas que ampliaram os direitos das mulheres, mas a conceitualização de violência É um fenômeno recente. Ao examinar a agenda inicial do feminismo, é estranho encontrar um questionamento do Direito Penal que, em todos os nossos países, autorizava o assassinato de cônjuge, filha ou irmã por motivos de honra ou luto. Em alguns países, tais autorizações abomináveis foram gradualmente substituídas com a introdução do conceito de “emoção violenta”, tão frequentemente usado para exonerar assassinos. A riqueza da renovação conceitual e política trazida pela chamada Segunda Onda do feminismo, a partir de meados da década de 1960 — com alcance global — alterou tão fundamentalmente a agenda dos direitos que violência patriarcal O tema ganhou destaque. Embora a CEDAW – Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (1979) – tenha representado uma contribuição significativa para a superação da discriminação e da obstrução dos direitos das mulheres, e esses fenômenos não possam ser compreendidos fora de um contexto de violência, as demandas feministas regionais para denunciar as diversas manifestações de violência levaram à Convenção de Belém do Pará, em 1994. Os países signatários vêm implementando reformas legais para cumprir seu mandato, mas persistem graves casos de medidas regressivas ou flagrante descumprimento. Em geral, os países latino-americanos inicialmente introduziram normas legais relacionadas à chamada "violência doméstica" – cabe ressaltar que, na primeira fase do ressurgimento feminista, entre as décadas de 1970 e 1990, a violência perpetrada na esfera doméstica era o foco de atenção. Somente nos últimos anos surgiram "leis abrangentes" contra a violência contra a mulher, e em muitos códigos penais a maximização das penas se estende àqueles que matam por dissidência sexual e ódio étnico.
Coordenação: Dora BarrancosEste seminário busca explorar a concepção do direito como discurso social e refletir sobre como esse discurso molda a subjetividade e as identidades das mulheres. “A construção jurídica da subjetividade não é estranha às mulheres” (Alicia Ruiz).
Por sua vez, analisa a legislação atual, leis específicas sobre violência de gênero, leis abrangentes e novos reconhecimentos e campos de atuação (legislação obstétrica, assédio no local de trabalho).
Coordenação: Alicia Ruiz e Paula Viturro (Universidade de Buenos Aires, Argentina)
Segundo semestre
Na América Latina, instituições estatais e organizações da sociedade civil enfrentam um enorme desafio no que diz respeito à violência de gênero contra meninas, adolescentes e mulheres. É sabido que, embora tenha havido progressos significativos nas últimas décadas, as expressões de desigualdade e discriminação de gênero que permeiam a vida de crianças, jovens e adultos estão profundamente enraizadas na cultura, sendo muito mais difíceis de mudar do que leis e declarações governamentais, e exigem esforços coordenados entre diferentes organizações. Nesse sentido, as políticas educacionais desempenham um papel crucial na desconstrução da lógica da socialização da identidade, na construção de relações mais igualitárias e na prevenção da violência. Partindo da hipótese de que toda educação é sexual na medida em que estabelece classificações, sexuiza a experiência cotidiana e constrói uma noção de normalidade, este seminário propõe questionar as formas de abordar a educação sexual e avançar na construção de ferramentas pedagógicas em favor de práticas educativas que aspirem à justiça de gênero e que tenham como base a erradicação e a atenção à violência de gênero.
Nesse sentido, este curso visa contribuir para a interpretação e compreensão dos discursos hegemônicos e subordinados sobre a construção social dos corpos sexuados em todas as formas de escolarização (conhecimento acadêmico constituído no currículo formal, expectativas e valores que moldam o currículo efetivo, omissões e silêncios que constituem o currículo nulo, a construção social do ensino e as experiências daqueles que transitam pelo sistema escolar), bem como para a elaboração e implementação de estratégias específicas para a incorporação desse tema em diversos contextos educativos. Dessa forma, promove a problematização e a desnaturalização das práticas de violência de gênero que esse efeito pressupõe.
Além disso, este estudo visa fornecer uma visão geral dos referenciais teóricos, regulatórios, protocolos e experiências empíricas que compõem o campo dos estudos de gênero e sexualidade, particularmente aqueles relacionados à violência de gênero na educação e especificamente vinculados à educação sexual. Dentro desse contexto, o foco recai na reflexão sobre os desafios da integração de um projeto de educação sexual que amplie o escopo da compreensão, contribua para problematizar as desigualdades educacionais em sua dimensão de gênero e possibilite o desenvolvimento de práticas que estimulem a imaginação pedagógica na busca por instituições educacionais que promovam relações mais equitativas.
Coordenação: Graciela Morgade, Paula Fainsod (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Jesica Báez (Universidade de Buenos Aires, Argentina)
Este seminário busca realizar uma análise conceitual da construção de gênero como categoria analítica para explicar a construção social, simbólica, histórica e cultural de práticas e relações desiguais e hierárquicas entre homens e mulheres.
Da mesma forma, a conceitualização e a historicização dessas categorias possibilitam a análise crítica e a desconstrução do determinismo biológico, que naturaliza os comportamentos de homens e mulheres, e permitem a incorporação do reconhecimento da diversidade sexual ou das identidades de gênero como construções históricas, simbólicas e sociais.
Coordenação: Vivian Souza (Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Brasil)
Este seminário busca promover uma análise da migração e do refúgio a partir de uma perspectiva de gênero, com especial atenção às dimensões específicas de violência e vulnerabilidade que surgem nesse contexto. Considerando a significativa porcentagem de mulheres nos grupos migrantes ao redor do mundo, e na América Latina em particular, e, ao mesmo tempo, as alarmantes estatísticas sobre violência de gênero que ocorrem nesses contextos.
Por fim, analise as especificidades desse grupo em termos de políticas, suas limitações e iniciativas para lidar com essa questão.
Coordenação: Elaini Silva (Flacso Brasil)
| CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO E INTERNACIONAL - TURMA 2022-2023 | |||||||
| 2022-2023 | Cursos Virtuais | ||||||
| Abril | Curso Internacional sobre Violência de Gênero contra a Mulher: Análise de Políticas Públicas na América Latina | Seminário I "Impactos da violência contra as mulheres no mercado de trabalho: dimensões econômicas e gastos públicos em políticas de combate à violência contra as mulheres". | Seminário I "Contexto histórico da construção de políticas públicas sobre violência contra a mulher. O impacto do movimento feminista." | Seminário I "Os desafios da legislação sobre violência de gênero contra as mulheres". | |||
| maio | |||||||
| junho | |||||||
| julho | |||||||
| agosto | Seminário II "Educação, gênero e políticas contra a violência de gênero em espaços educacionais". | Seminário II Mulheres, migração e refugiados: violência e vulnerabilidades | Seminário II "Debates conceituais e abordagens teóricas da violência de gênero a partir de uma perspectiva interseccional" | ||||
| Sete | |||||||
| outubro | Workshop para apoiar a preparação do projeto final. | ||||||
| novembro | |||||||
| dic | |||||||
| enes | |||||||
| fevereiro | |||||||
| março | |||||||
| Abril | |||||||
CM PlenosSe você pertence a um Centro membro pleno da CLACSO.
CM Associates: Sim Você pertence a um Centro Associado CLACSO.
Sem linkSe você NÃO tem alguma dessas ligações com CLACSO.
| Um pagamento até 11/04 |
Desconto para pagamentos efetuados até 20/02 |
Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Plenos | 570 USD | 460 USD | USD 750 (3 x 250 USD) |
| CM Associates | 700 USD | 590 USD | USD 1020 (3 x 340 USD) |
| Sem link | 960 USD | 720 USD | USD 1290 (3 x 430 USD) |
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito, depósito ou transferência bancária.
CM PlenosSe você pertence a um Centro de Membros Plenos da CLACSO
CM Associates: Sim Você pertence a um Centro Associado CLACSO
Sem linkSe você NÃO tem alguma dessas ligações com CLASSO
| Um pagamento até 11/04 |
Desconto para pagamentos efetuados até 20/02 |
Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Plenos | 230 USD | 175 USD | USD 315 (3 x 105 USD) |
| CM Associates | 290 USD | 235 USD | USD 420 (3 x 140 USD) |
| Sem link | 360 USD | 300 USD | USD 540 (3 x 180 USD) |
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito, depósito ou transferência bancária.
A certificação da Especialização e do Curso Internacional será realizada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil) e pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).
Para participar, você precisa se cadastrar pelo site.
As inscrições estarão abertas entre 12 de dezembro e 5 de abril.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá um e-mail de confirmação. No primeiro dia do curso, você receberá suas credenciais de acesso à plataforma online.
Caso haja alguma das sessões de treinamento obrigatórias em atraso, em todos os casos, um valor adicional deverá ser pago para que o crédito possa ser recuperado.
Caso o aluno decida não se matricular na Especialização ou no Curso Internacional antes da data oficial de início, poderá solicitar o reembolso das taxas de matrícula. A CLACSO reterá o equivalente a 10% para cobrir custos administrativos.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e durante os dois primeiros meses da especialização, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Nenhuma solicitação será aceita após dois meses do início do curso.
Caso o aluno decida não se matricular na Especialização ou no Curso Internacional antes da data oficial de início, poderá solicitar o reembolso das taxas de matrícula. A CLACSO reterá o equivalente a 10% para cobrir custos administrativos.
As aulas serão ministradas de abril de 2022 a março de 2023.
Todos os alunos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Você deve ser aprovado no Curso Internacional, em dois (2) Seminários Virtuais eletivos, no workshop metodológico e concluir o trabalho integrativo final.
Para obter o grau de Especialização, você deve concluir uma monografia final. O workshop metodológico é obrigatório e tem como objetivo auxiliá-lo na elaboração deste projeto final.
Você deve participar das aulas e atividades propostas pelos professores e concluir a monografia final.
Sim, a Especialização e o Curso Internacional são certificados pela FLACSO Brasil e pela CLACSO. A especialização tem uma carga horária total de 360 horas e o curso internacional, 90 horas. O certificado de conclusão será enviado digitalmente e é totalmente gratuito. O diploma de Especialista Internacional é emitido pela Secretaria Geral da FLACSO, localizada na Costa Rica. As taxas e os procedimentos para emissão e envio do diploma internacional podem ser encontrados no site da FLACSO Brasil: https://flacso.org.br/?page_id=24376
A Especialização e o Curso Internacional são credenciados pela FLACSO Brasil e pela CLACSO. O diploma de Especialista Internacional é emitido pela Secretaria Geral da FLACSO, localizada na Costa Rica. As taxas e os procedimentos para emissão e envio do diploma internacional podem ser consultados no site da FLACSO Brasil: https://flacso.org.br/?page_id=24376.
Veja a tabela de preços e opções acima.
Se desejar obter a certificação da FLACSO, será necessário pagar uma taxa adicional.*
* A emissão do diploma impresso, juntamente com o histórico escolar, custa USD 200,00 (duzentos dólares). Essa taxa inclui o envio dos documentos impressos e assinados para o endereço do aluno. Os procedimentos para emissão e envio do diploma internacional podem ser encontrados no site da Flacso Brasil: https://flacso.org.br/?page_id=24376.
Para quaisquer outras dúvidas, entre em contato conosco pelo endereço: [email protected] o violência2@clacso.edu.ar
Ou envie uma mensagem pelo WhatsApp para +5491138801388
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