“Estamos vivendo uma crise civilizacional”

 “Estamos vivendo uma crise civilizacional”

A pandemia da COVID-19 não foi um obstáculo para Karina Batthyány, Secretária Executiva da CLACSO, dar continuidade à sua seção de Diálogos, desta vez – virtualmente – com a socióloga, professora universitária e feminista costarriquenha Montserrat Sagot.

“Não há possibilidade de confinamento social e de ficar em casa sem uma política aberta de redistribuição socioeconômica. Em outras palavras, ninguém pode ficar em casa sem uma renda básica mínima”, afirmou Montserrat Sagot.



Esta pandemia “está afetando todos os países, mas com algumas particularidades na América Latina e no Caribe”, afirmou Karina Batthyány. Ela explicou: “Estou um tanto preocupada com o impacto desta emergência sanitária em nossos países em muitas áreas”, destacando “o impacto diferenciado que isso está tendo sob uma perspectiva de gênero, particularmente na situação das mulheres no que tem sido chamado de confinamento, ordens de ficar em casa ou — um termo de que realmente não gosto — isolamento social”.

Montserrat Sagot, por sua vez, definiu-a da seguinte forma: “O conceito de crise sanitária provavelmente fica muito aquém. Parece-me que estamos vivendo uma crise civilizacional que terá implicações e impactos em todas as áreas da vida humana, que provavelmente construirá uma nova sociedade cuja forma ainda não está claramente definida, que desmantelará uma série de elementos e estruturas que considerávamos garantidos, que desmantelará a normalidade, ou o que conhecíamos como normalidade. Provavelmente mudará — e já está mudando — as relações de gênero. Provavelmente também terá um impacto na forma como os Estados estão organizados. Terá um impacto nos sistemas de saúde pública. Está tendo um impacto monstruoso nas relações econômicas, nas relações trabalhistas.”


[+] Refletindo sobre a pandemia