Escola de Avaliadores: rumo à avaliação responsável no âmbito da ciência aberta como um bem comum.

 Escola de Avaliadores: rumo à avaliação responsável no âmbito da ciência aberta como um bem comum.


Del 3 para novembro 7 de 2025, na Ciudad de México, o Escola de Avaliadores FOLEC-CLACSO, no âmbito do evento LATMETRICAS 2025: “Métricas contextuais para agendas científicas e tecnológicas”, organizado pelo Instituto de Pesquisa em Matemática Aplicada e Sistemas (IIMAS) e pelo Seminário Interinstitucional de Estudos Interdisciplinares em Ciência, Tecnologia e Inovação (SEICTI) da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

A Escola —intitulada Seminário intensivo sobre avaliação científica situada e responsável no âmbito da ciência aberta como um bem público e comum.— foi coordenado por Judith Naidorf (Coordenador da FOLEC e coordenador acadêmico da Escola) e Matías Alcántara (coordenador da FOLEC e coordenador geral da Escola). Esta nova edição consolida a FOLEC-CLACSO como uma Espaço de formação latino-americano focado na avaliação científica contra-hegemônica, com o objetivo de fortalecer as capacidades analíticas e políticas de pesquisadores, gestores, autoridades universitárias e atores da política científica na América Latina e no Caribe, promovendo modelos de avaliação abertos, inclusivos e socialmente relevantes.


Um formato híbrido, aberto e colaborativo.

A escola foi desenvolvida em formato híbrido e livreO programa combinou aulas presenciais, sessões online síncronas e materiais gravados para trabalho assíncrono. As sessões presenciais foram realizadas no Auditório do IIMAS (UNAM), enquanto as sessões online ao vivo permitiram a participação de docentes de toda a região. As gravações e os materiais complementares estarão disponíveis na plataforma CLACSO para garantir o acesso aberto e contínuo ao conhecimento compartilhado. Esse formato pedagógico visa ampliar o alcance geográfico e a diversidade de perspectivas, promovendo a construção coletiva do conhecimento. Os participantes tiveram acesso a espaços de diálogo, estudos de caso, debates guiados e atividades focadas na transformação dos sistemas de avaliação científica e acadêmica.

Cinco módulos para repensar a avaliação científica

Ao longo de cinco dias temáticos, a Escola abordou os principais debates contemporâneos sobre avaliação científica responsável, articulando perspectivas epistêmicas, institucionais, tecnológicas e geopolíticas.

Módulo 1 – Ciência Aberta e Critérios de Avaliação
Segunda-feira novembro 3
Professores:

  • Judith Naidorf (CONICET; Universidade de Buenos Aires; FOLEC-CLACSO, Argentina)
  • Saray Córdoba González (Universidade da Costa Rica, Costa Rica)
  • Arianna Becerril Garcia (Universidade Autônoma do Estado do México; Redalyc/AmeliCA, México)
  • Mariángela Nápoli (Universidade de Buenos Aires, Argentina)
  • Melisa Cuschnir (Universidade de Buenos Aires, Argentina)

Este módulo apresenta o quadro normativo, político e epistemológico da ciência aberta como um horizonte transformador para os sistemas de produção, circulação e avaliação do conhecimento. Analisa como a abertura, a colaboração e a transparência desafiam criticamente os modelos hegemônicos de avaliação acadêmica centrados no desempenho individual e em métricas comerciais, promovendo critérios baseados na justiça cognitiva e no conhecimento comum.

Módulo 2 – Avaliação responsável e situada
Novembro 4 terça-feira
Professores:

  • Matías Alcántara (FOLEC-CLACSO; Universidade de Buenos Aires, Argentina)
  • Judith Sutz (Universidade da República, Uruguai)
  • Mauro Alonso (CONICET; Universidade de Buenos Aires, Argentina)

Este módulo centra-se nos princípios e desafios da construção de avaliações científicas contextualizadas e inclusivas, comprometidas com o bem público e comum. A partir de uma perspectiva situada, analisa práticas avaliativas que reconhecem a diversidade de trajetórias, linguagens, atores e modos de produção de conhecimento, e discute ferramentas para avaliar impactos sociais e colaborativos, promovendo a autonomia científica e a relevância regional.

Módulo 3 – Métricas, abertura e impactos
Quarta-feira novembro 5
Professores:

  • Ismael Rafols (CWTS, Universidade de Leiden; INGENIO, CSIC-UPV, Espanha)
  • Dominique Babini (CLACSO, Argentina)
  • Patrícia Muñoz Palma (A referência; ANID, Chile)
  • Gabriel Vélez-Cuartas (Universidade de Antioquia, Colômbia)

Este módulo examina criticamente as métricas tradicionais para avaliar a produção acadêmica e seus efeitos sobre a diversidade epistêmica e a visibilidade do conhecimento do Sul Global. Instrumentos alternativos e experiências regionais — como Redalyc, AmeliCA e LA Referencia — serão apresentados, e propostas internacionais da DORA, CoARA e UNESCO, com o objetivo de desenvolver métricas mais abertas, contextualizadas e responsáveis, serão discutidas.

Módulo 4 – Avaliando a avaliação
Quinta-feira novembro 6
Professores:

  • Ivonne Lujano Vilchis (DOAJ, México)
  • Fernanda Beigel (CONICET; Universidade Nacional de Cuyo, Argentina)
  • Laura Rovelli (CONICET; Universidade Nacional de La Plata; FOLEC-CLACSO, Argentina)
  • Alejandro Uribe Tirado (Universidade de Antioquia, Colômbia)

Este módulo oferece um espaço para metarreflexão sobre práticas e instituições de avaliação. Examina os sistemas nacionais de avaliação, seus critérios dominantes e transformações recentes, e promove a análise de editais de pesquisa, periódicos científicos e processos de acreditação para desenvolver coletivamente propostas que orientem a reforma rumo a sistemas mais democráticos e participativos, consistentes com os valores da ciência aberta.

Módulo 5 – Experiências Internacionais
📅 Sexta-feira novembro 7
Professores:

  • Yang Liying (Academia Chinesa de Ciências – CAS, China)
  • Ma Zheng (Academia Chinesa de Ciências – CAS, China)
  • Barbara Rivera Lopez (Declaração de Barcelona; Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento – ANID, Chile)
  • Christian González-Billault (DORA, Chile)

O módulo final propõe uma reflexão comparativa sobre a internacionalização da ciência e suas implicações para a avaliação. Através das experiências da Academia Chinesa de Ciências (CAS), da Declaração de Barcelona sobre Dados Abertos de Pesquisa e da Declaração de São Francisco (DORA), são discutidos os esforços para transformar os sistemas globais de avaliação em direção a modelos mais abertos e colaborativos, sensíveis à diversidade contextual.

Uma escola no âmbito do Manifesto de Bogotá.

Esta edição da Escola faz parte do horizonte político e epistêmico de Manifesto de Bogotá (2023), promovido pela FOLEC-CLACSO em conjunto com diversas redes e organizações de ciência aberta na região.
O manifesto propõe uma transformação abrangente dos sistemas de avaliação, guiada por três princípios:

  1. La A ciência como um bem público e comum., com foco no bem-estar coletivo e na resolução de problemas sociais.
  2. La avaliação socialmente relevanteque reconhece a diversidade de conhecimentos, práticas e contextos de produção de conhecimento.
  3. La soberania epistêmica e tecnológica, que promove infraestruturas abertas, multilinguismo e autonomia na gestão de dados e resultados científicos.

Nesse sentido, a Escola de Avaliadores da FOLEC constitui um instrumento educacional e político fundamental para promover a materialização desses princípios, atuando como uma ponte entre os consensos regionais expressos no Manifesto e as práticas concretas de avaliação em universidades, agências e centros de pesquisa.

Uma estratégia pedagógica para a transformação institucional.

Em continuidade com a estratégia pedagógica da FOLEC, a Escola é concebida como uma laboratório de aprendizagem coletivaO programa visa traduzir acordos políticos em práticas institucionais concretas. Sua abordagem combina análise crítica, trabalho colaborativo e cocriação de instrumentos de políticas públicas, integrando professores, autoridades, pesquisadores e profissionais de avaliação de toda a região. Nessa perspectiva, a formação não é apenas um espaço para a transmissão de conhecimento, mas também um mecanismo de transformação cultural e institucional, onde os valores de abertura, participação e justiça cognitiva que norteiam o trabalho da FOLEC-CLACSO são colocados em prática.

A Escola de Avaliadores da FOLEC reafirma o compromisso da CLACSO com uma avaliação científica mais aberta, inclusiva e socialmente relevante, contribuindo para a consolidação de uma ciência latino-americana e caribenha soberana e colaborativa a serviço do bem comum.