Chegou a hora de pensar no Haiti com e a partir do seu povo!

 Chegou a hora de pensar no Haiti com e a partir do seu povo!

Os Centros Caribenhos da CLACSO e seu Comitê Diretivo desejam expressar sua solidariedade ao povo haitiano neste período de incerteza e condenar o assassinato do Presidente Jovenel Moïse por grupos mercenários, em flagrante violação do direito internacional. Condenam também os atos de violência aos quais a população tem sido submetida há anos, tanto por grupos paramilitares internos quanto pela interferência de forças e governos estrangeiros que violam a soberania do povo haitiano.

Há mais de quatro anos, o povo haitiano está nas ruas lutando contra a corrupção e o modelo neoliberal que perpetua a pobreza e a desigualdade no país, condenando seus cidadãos a viver sem direitos básicos e com os mais baixos indicadores sociais. O assassinato de Jovenel Moïse marcou um novo capítulo na turbulenta história desta nação irmã, aprofundando as fissuras na democracia que já se apresentavam devido às violações da Constituição pelo próprio governo, à fragilidade institucional e à criminalização das mobilizações sociais. Isso põe cada vez mais em risco a estabilidade e a possibilidade de recuperação social, política e econômica do país.

Neste momento, é crucial que o Haiti seja considerado sob a perspectiva dos haitianos, e é por isso que a CLACSO apela ao respeito pelos processos internos do seu povo. O papel de liderança deve ser assumido por aqueles que defendem a construção de consensos internos, como tem sido proposto pelos movimentos sociais e forças progressistas do país.

O maior apoio e demonstração de solidariedade devem ser expressos sem a presença de forças armadas que, disfarçadas de prestadoras de ajuda humanitária e sob essa justificativa, violaram e abusaram do povo, especialmente mulheres e meninas. Um povo que ainda precisa cicatrizar as feridas de 14 anos de ocupação da MINUSTAH, que deixou um rastro de morte, estupro e desmobilização.

Neste momento, é necessário: envidar todos os esforços para esclarecer os acontecimentos de 7 de julho; renunciar a qualquer tentativa de reforma constitucional que concentre os poderes do Estado no Executivo e ponha em risco as garantias alcançadas após a ditadura; e promover um processo eleitoral com participação aberta e efetiva.

Na CLACSO, aspiramos à recuperação da ordem institucional no Haiti pelo povo haitiano, de acordo com a vontade do seu povo, e condenamos todos os tipos de ações que ameaçam o propósito da América Latina e do Caribe como uma Zona de Paz.

Chegou a hora de pensar no Haiti com e a partir do seu povo!

Centros Caribenhos da CLACSO e seu Comitê Diretivo


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