Epistemologias socioambientais: narrativas para a reexistência no sul global.
Seminário 2231
Coordenação: Antonio Ortega (Ação da Rede de Formação Sul para a Descolonialidade, Universidade de Granada, Espanha)
Equipe Docente: Chiara Olivieri (Universidade de Granada, Espanha) – Luis Sánchez Vázquez (Universidade de Granada, Espanha) – Diego Checa Hidalgo (Universidade de Granada, Espanha) – Ayelen Dichdji Cear – (Universidade de Quilmes, Argentina) – Adrián Gustavo Zarrilli (Cear – Universidade de Quilmes, Argentina) – Alberto Matarán Ruiz (Universidade de Granada, Espanha) – Pablo Corral Broto (Université La Réunion, França) – Gennaro Avallone (Università Di Salerno, Itália) – Jason Moore (Binghamton University, EUA) – João Alveirinho Dias (Universidade Do Algarve, Portugal) – Davis Pereira De Paula (Universidade Do Estadual Do Ceará, Brasil) -Joana Gaspar De Freitas (Universidade De Lisboa, Portugal) – Ana Cristina Roque (Universidade de Lisboa, Portugal) – Juliana Merçon (Universidade Veracruzana, México)
Home: 01 / 09 / 2022 | Registo: 27/07/2022 al 30/08/2022
Carga horária: 12 semanas – 90 horas.
A Rede de Treinamento STAND Sul - Ação de Descolonialidade é um grupo de pesquisa interdisciplinar que nasceu do desejo coletivo de gerar sinergias de pesquisa nos campos das ciências sociais, ciências ambientais e humanidades. Assim, propusemo-nos a fomentar a reflexão comparativa com setores dentro e fora da academia sobre nossas principais áreas de atuação: estudos decoloniais, conhecimento ambiental e processos de construção de resistência decolonial no contexto dos direitos humanos e dos processos de paz. Construir novos projetos sociais é o nosso desafio no campo da pesquisa social, e acreditamos que podemos fomentar futuras colaborações. Esse compromisso com a pesquisa situada, tanto social quanto politicamente, nos impele a romper e transcender as estruturas de pensamento eurocêntricas, e estamos gerando pesquisa a partir de contextos latino-americanos — como demonstram nossos projetos ativos — bem como de contextos asiáticos e africanos. Estamos comprometidos com o conceito de Epistemologias Socioambientais. Narrativas para a Reexistência a partir do Sul Global é um fórum de formação para pesquisadores da Espanha, México, Portugal e Argentina com projetos em contextos americanos, africanos e europeus que examinam as relações entre as sociedades humanas e a natureza ao longo da história recente. Estruturamos os conceitos metodologicamente na interseção da História Ambiental, Ecologia Política e Pesquisa da Paz para construir conhecimento interepistêmico.
A partir do Trabalho de Pesquisa do Grupo STAND, que, como Instituição Associada da CLACSO, lidera esta proposta de formação virtual, nós, da equipe 3, temos desenvolvido um extenso trabalho de pesquisa no campo da intersecção e ecologia do conhecimento entre história ambiental e estudos decoloniais. Nossa proposta apresenta diversos elementos que consideramos de interesse. Em primeiro lugar, o diálogo entre a metodologia de pesquisa decolonial e os elementos da pesquisa em História Ambiental. Um segundo elemento de grande valor que consideramos é a nossa visão intuitiva do Sul Global, obtida através da criação de laboratórios de pesquisa no México, Palestina, Equador e China, para compreender, com a adição de forças e esforços da metodologia de pesquisa participativa (o terceiro eixo de intersecção metodológica), as formas de resistência biocultural e a narrativa da violência socioambiental nesses territórios. Com tudo isso em mente, analisamos atentamente os processos de pesquisa sobre como a modernidade capitalista impactou comunidades em diferentes lugares, épocas e espaços. Destruição da memória biocultural desses territórios, tanto pela privação da identidade territorial quanto pelas próprias práticas de violência e extermínio que os Estados-nação têm realizado nesses locais. Para alcançar esse objetivo, contamos com uma equipe de formação ampla e interdisciplinar, abrangendo áreas como História Contemporânea, Geografia e Ecologia Política, além de Estudos Filológicos em contextos asiáticos e árabes, que são alguns dos pontos destacados pela equipe. Investigamos, mas também destacamos como nossa própria identidade como Grupo, conduzimos pesquisas para promover perspectivas críticas e denunciatórias, a fim de conscientizar os cidadãos sobre os impactos desses processos de ecocídio ou epistemicídio. Eles apagam a memória do território, a consciência do lugar, do pertencimento à identidade do espaço como primeiro elemento para desmantelar qualquer práxis de resistência. Para tanto, com a formação virtual, estamos empenhados em criar uma comunidade de conhecimento e reconhecimento no ato de denúncia, que nos permita continuar a construir redes para o futuro com o conhecimento e as práticas colaborativas que podem ser articuladas a partir do trabalho do Grupo de Investigação. Este passo representa a concretização de uma tarefa já complexa na formação de investigadores, que o nosso currículo apoia em mestrados em História, mestrados em Cooperação para o Desenvolvimento, mestrados em Resolução de Conflitos e Gestão da Paz, bem como em Estudos da Ásia Oriental, com os quais podemos garantir uma capacidade de formação da qual esta proposta se origina e que pode ser um importante passo em frente nesse sentido. Este processo de formação, se tiver o aval da CLACSO, é o passo inicial em processos que podem ser mais abrangentes, com as tarefas do Grupo que o apoia e os múltiplos projetos de investigação em curso, mas que tendem a promover, a partir das responsabilidades do Investigador Principal no domínio da Formação Doutoral da Universidade de Granada, um processo de ainda maior profundidade e dimensão internacional no futuro. Por todas essas razões, a formação específica com capacidade de interdisciplinaridade e ecologia do conhecimento, o conhecimento profundo em relação aos módulos propostos como uma tradução ampliada das áreas de formação doutoral já em curso nos nossos respectivos centros de ensino, é o motivo pelo qual consideramos que estamos diante de uma proposta 4 que pode ter relevância e interesse para a comunidade de conhecimento do CLACSO.
OBJETIVO GERAL Expressar o objetivo geral do curso. Este projeto de Treinamento Virtual possui uma série de Objetivos Gerais e Específicos, que formulamos a seguir.
1. Formação em Metodologias de Pesquisa Decolonial, incorporando conhecimentos ambientais específicos da pesquisa em História Ambiental. Para esse fim, propõe-se uma bibliografia específica com extensa pesquisa nas áreas relevantes.
2. Para construir e responder ao título proposto para os nossos projetos, a Equipe reuniu uma formação interdisciplinar que combina ferramentas metodológicas dos campos dos estudos históricos, filológicos e geográficos, colocadas a serviço da pesquisa decolonial.
3. Com nosso foco no Sul Global e nossa vasta experiência em treinamento e pesquisa acumulada ao longo das últimas duas décadas como Grupo de Pesquisa e instituição recentemente afiliada ao CLACSO, podemos oferecer uma análise profunda dos processos de resistência biocultural que se desenvolvem nas Américas, na Ásia e no Oriente Médio. Portanto, podemos construir uma comunidade de pesquisadores dispostos a sair de suas zonas de conforto e se juntar a nós na criação de pesquisas participativas nesses laboratórios selecionados.
4. No campo das Metodologias, oferecemos uma ampla gama que inclui metodologias específicas para as áreas de História Ambiental, Geografia Crítica, História da Paz e Resolução de Conflitos, bem como Pesquisa em Direitos Humanos.
5. Implementar, com toda a metodologia acima indicada, um processo de interação que tenha como matriz de trabalho a pesquisa decolonial que se desenvolve em nosso projeto nos laboratórios de trabalho a partir dos quais construímos nossa pesquisa, no Sul e nos Suls Globais.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Que os alunos: -
1. Conceber uma comunidade de investigadores para o futuro que possam possuir e controlar ferramentas de investigação com as quais possam lançar novos projetos de investigação a partir dos seus locais e territórios.
2. Oferecer à comunidade CLACSO formação que incorpore lógicas da Geopolítica Global na Ásia e no Médio Oriente, que são campos novos e emergentes nos Grupos de Investigação da CLACSO nos quais pretendemos inserir e apoiar as nossas propostas.
3. Disponibilizar aos participantes do curso materiais audiovisuais provenientes dos fundos de trabalho do Grupo de Pesquisa STAND, com a presença de pesquisadores de universidades como a de Georgetown, que servirão de apoio e aprofundamento para os seminários ministrados em cada módulo.
4. Incorporar em nossa pesquisa diversos componentes do campo dos estudos ambientais, incluindo elementos como conflitos etnoterritoriais ou religiosos, para uma melhor e mais adequada compreensão de fenômenos de intensa dimensão conflituosa na atualidade.
- Olhando para o Sul Global: em direção a uma metodologia decolonial aplicada às reexistências.
- Uma forma de encarar o século do colapso: uma análise decolonial dos conflitos e transições socioecológicas.
- Conflitos e injustiças ambientais: Perspectivas e contribuições do Sul Global
- Colonialismo chinês. Megaprojetos de modernização e desertificação dos recursos naturais e humanos.
- A luta armada palestina contra os megaprojetos coloniais dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.
- Ecologias decoloniais e histórias ambientais de mulatos, crioulos, mestiços e crioulos.
- Epistemologias da ação: o conhecimento nos movimentos pela justiça socioambiental
- Grandes transformações materiais e narrativas neocoloniais. Conflitos ambientais na América do Sul (1990-2019)
- Desafios da gestão costeira: a contribuição da história das dunas
- Conhecimentos e práticas fitoquímicas na África subsaariana: sociedade e território, biodiversidade e transferência de conhecimento.
- Impérios do conhecimento, colônias de natureza barata.
- Álvarez, L. e Coolsaet, B. 2018: Descolonizando os Estudos de Justiça Ambiental: Uma Perspectiva Latino-Americana, Capitalismo Natureza Socialismo, DOI: 10.1080/10455752.2018.1558272
- Awad, ME 1984. “Resistência não violenta: uma estratégia para os Territórios Ocupados”, Journal of Palestine Studies 13(4): 22-36. DOI: 10.2307/2536988
- Checa Hidalgo, D. 2016. "Resistindo à ocupação dos Territórios Palestinos. Oportunidades e desafios da luta não violenta", Miscelânea de estudos árabes e hebraicos. Seção árabe-islâmica 65: 3-20.
- Clarke, M. 2017 (20 de julho). “A Iniciativa Cinturão e Rota e o Dilema de Xinjiang na China: 'Conectividade' versus Controle?” The Central Asia-Caucasus ANALYST. https://www.cacianalyst.org/publications/analytical-articles/item/13458-the-belt-androad-initiative-and-china's-xinjiang-dilemma-“connectivity”-versus-control?.html
- Domínguez De Olazábal, I. 2019. “A influência do pós-colonialismo no estudo de Israel/Palestina: da perspectiva anticolonial ao quadro decolonial, passando pelo colonialismo de povoamento”, Relações Internacionais 42: 95-117.
- Farrés Delgado, Y.; Matarán Ruiz, A. 2014. “Rumo a uma teoria urbana transmoderna e decolonial: uma introdução”. Pólis. Revista Latino-Americana 13(37): 339-361.
- Matarán Ruiz, A. 2011. “O projeto local na esfera ibero-americana: rumo a uma síntese territorial do bem viver”. In Magnaghi, A. O projeto local. Barcelona: Universidade Politécnica da Catalunha.
- Olivieri, C. 2018. "Estepes e Rotas da Seda no Espelho da Região Autônoma Uigur de Xinjiang. Fronteiras Fluidas e Construção de Narrativas de Identidade Histórica". Quaderns de Filologia: Estudis Literaris, 23:23-38.
- Pérez Rincón, M. 2018. “Justiça ambiental como linha estratégica da economia ecológica: como destacar as injustiças ambientais?” Gestão e Meio Ambiente 21(1): 57-68.
- Riechmann, J.; Carpintero, O.; Matarán, A. 2015. Os passos incertos daqui para lá: alternativas socioecológicas e transições pós-capitalistas. Granada: Editorial UGR.
- Riechmann, J.; Matarán, A.; Carpintero, O. 2018. Para evitar a barbárie: trajetórias de transição e colapso ecossocial. Granada: Editorial UGR.
- Sautman, B. 2000. “Xinjiang é uma colônia interna?” Ásia Interior, 2(2): 239-271. ‣Rudelson, JJ 1997. Identidades de oásis: nacionalismo uigur ao longo da Rota da Seda da China. Nova York: Columbia University Press
- Temper, L., Demaria, F., Scheidel, A., Del Bene, D., Martínez-Alier, J., 2018. “O Atlas Global de Justiça Ambiental (EJAtlas): conflitos de distribuição ecológica como forças para a sustentabilidade.” Ciência da Sustentabilidade 13: 573-584.
- Tetrault, D. et al. Conflitos socioambientais e alternativas da sociedade civil. Guadalajara, ITESO https://rei.iteso.mx/handle/11117/425 ‣Ortega Santos, A. et al. (2007) “Protesto camponês como protesto ambiental, séculos XVIII-XX” História Agrária. 17 - 42, pp. 277 - 301. 2007 6 ‣Mulligan, M.; Adams, W. 2003. Descolonizando a natureza. Estratégias para a conservação em uma era pós-colonial. Earthscan Pub
- Yu, H. 2017. “Motivação por trás das iniciativas chinesas 'Um Cinturão, Uma Rota' e o estabelecimento do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura”. Journal of Contemporary China, 26(105): 353-368.
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Perguntas frequentes
Os requisitos básicos para participar de um seminário são:
- Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
- Acesso à Internet.
- Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
- Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
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