Epistemologia e metodologias de pesquisa em Relações Internacionais: debates contemporâneos

 Epistemologia e metodologias de pesquisa em Relações Internacionais: debates contemporâneos


Seminário 2248

CadeiraCLACSO
Coordenação: Gerardo Caetano (Universidade da República, Uruguai), Daniela Perrotta (Universidade de Buenos Aires, Argentina) e Janina Onuki (Universidade de São Paulo, Brasil)

Equipe de ensino: Emanuel Porcelli (Universidade de Buenos Aires, Argentina), José Antonio Sanahuja (Universidade Complutense de Madrid, Espanha), Daniela Perrotta (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Janina Onuki (Universidade de São Paulo, Brasil), Gerardo Caetano (Universidade da República, Uruguai) e Camilo Martín López Burian (Universidade da República, Uruguai)

Início: 27/07/2022 | Inscrição: 23/03/2022 a 26/07/2022

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.



Este seminário tem como objetivo apresentar aos alunos (que já estão familiarizados com os principais debates epistemológicos e metodológicos nas Ciências Sociais em geral, e nas teorias das Relações Internacionais em particular) as diversas alternativas de projeto de pesquisa e os referenciais conceituais para o campo dos Estudos Internacionais. Propõe, assim, uma reflexão sobre o próprio processo de conhecimento científico, o desenvolvimento de teorias e referenciais conceituais e a seleção de metodologias de pesquisa.

Especificamente, o curso abordará eixos temáticos e conceituais que estão sendo revisitados dentro da disciplina, tanto em sua rede central quanto em suas redes locais de produção de conhecimento. Nesse sentido, uma das questões salientes é a incorporação de perspectivas que permaneceram “à margem”, bem como a recuperação do “conhecimento local” em busca de um apelo mais geral para a “globalização” dos estudos internacionais. Atenção também será dada aos procedimentos e técnicas para obtenção, arquivamento e interpretação das fontes documentais necessárias ao estudo científico das relações internacionais. As relações entre paradigmas, perspectivas, teorias e modelos de construção de evidências serão analisadas.

As diferenças fundamentais entre métodos quantitativos, qualitativos e mistos no que diz respeito à concepção, coleta e análise de dados também serão abordadas, assim como suas implicações para o planejamento de pesquisas em Relações Internacionais.

O campo dos estudos internacionais na América Latina ganhou maior relevância devido ao seu crescimento e profissionalização, bem como à sua crescente visibilidade nas redes globais e centrais de produção de conhecimento. De fato, nos últimos cinco anos, as associações de estudos internacionais com maior influência na formação da gramática da disciplina (educação de graduação e pós-graduação, pesquisa acadêmica) têm se aberto ao conhecimento e às propostas teórico-metodológicas desenvolvidas tanto em regiões "periféricas" (daí a referência ao "Sul Global") quanto por sujeitos marginalizados e marginalizados (mulheres, pessoas não binárias, grupos diversos, povos indígenas e pessoas negras).

Portanto, uma dupla “demanda” justifica a relevância desta proposta. Por um lado, há a crescente profissionalização da disciplina de relações internacionais (RI) na América Latina e no Caribe, especialmente com o aumento da formação de pós-graduação (mestrado e doutorado), onde as reflexões epistemológicas e metodológicas específicas das RI estão mais “atrasadas” em comparação com outras ciências sociais (embora se baseiem nelas). Por outro lado, há a necessidade de espaços para a construção e disseminação do conhecimento em espanhol e português. As discussões mais inovadoras e originais na área, incluindo “clássicos” temáticos que também permaneceram periféricos devido a uma disciplina anglocêntrica, ocidental e androcêntrica, são disseminadas e circuladas em inglês; isso dificulta uma apropriação e reinterpretação mais próximas dentro das instituições acadêmicas de nossos países.

Por essas razões, como se pode ver na proposta, o objetivo não é apenas gerar reflexão sobre métodos e técnicas (o que é altamente necessário), mas também culminar o seminário com processos de tradução e reinterpretação de um conjunto de temas e textos centrais para pensar a dinâmica do internacional contemporâneo e contribuir para reescrever a disciplina e questionar sua gramática.

No que diz respeito especificamente às obras bibliográficas, temos o seguinte diagnóstico a partilhar e apresentar uma proposta conjunta para o desenvolvimento de uma ação de tradução:

Os textos que moldam os debates centrais mais recentes no campo das Relações Internacionais em nossos países (Argentina, Brasil e Uruguai) e na região da América Latina não estão disponíveis em espanhol, embora sejam de crescente interesse para estudantes, pesquisadores e profissionais da área. Enquanto as normas vigentes para a produção e disseminação do conhecimento acadêmico priorizam redes de circulação estruturadas baseadas em periódicos indexados em inglês, observa-se um movimento crescente para aumentar a visibilidade do espanhol como língua científica, bem como a necessidade de atualizar a formação de graduação e pós-graduação com textos essenciais que não estão disponíveis nesse idioma. Além disso, há um interesse crescente, dentro das redes centrais de produção de conhecimento, por obras produzidas localmente, que devem dialogar com esses debates mais amplos. Em outras palavras, há uma maior abertura a outros momentos de desenvolvimento disciplinar na interação entre diferentes espaços, redes e territórios, na reflexão sobre o campo.

Objetivo geral

  • Contribuir para a formação de pesquisadores em relações internacionais na América Latina por meio da reflexão sobre aspectos ontológicos, epistemológicos, metodológicos e teóricos. O objetivo é gerar ferramentas para discutir o desenvolvimento atual da disciplina de relações internacionais, incorporando debates e processos de construção de conhecimento menos visíveis, periféricos e/ou marginalizados.

 Os objetivos específicos

  • Promover a reflexão epistemológica e metodológica sobre as principais abordagens teóricas e debates nas Relações Internacionais.
  • Analisar em profundidade os debates atuais na construção do conhecimento sobre a realidade internacional, com base nas definições e decisões metodológicas adotadas.
  • Utilize diferentes estratégias de pesquisa para a variedade de problemas que os alunos abordarão em seus projetos de tese.
  • Fornecer ferramentas para o desenvolvimento do projeto de pesquisa, especialmente no que diz respeito a gerenciadores bibliográficos e escrita acadêmica.
  • Tornar visível a produção própria dos estudos internacionais latino-americanos e discutir sua inserção nas redes globais de conhecimento do internacional e seu papel no programa atual de busca pela “globalização” da disciplina (gerada na corrente principal da área).
  • Teoria Crítica nas Relações Internacionais
  • Contribuições conceituais e metodológicas do construtivismo nas relações internacionais.
  • Descolonialidade e Relações Internacionais
  • Feminismos nas Relações Internacionais
  • Racionalismo/Positivismo como perspectivas epistemológicas nas Relações Internacionais
  • Desenho de pesquisa em Relações Internacionais
  • Análise comparativa de amostras pequenas e seleção de casos. Método histórico comparativo.
  • Utilização de análises quantitativas em IR. Análise comparativa de N grande.
  • Integração regional e regionalismo
  • Teoria das relações internacionais da América Latina: contribuições para o estudo da política externa
  • Contribuições da América Latina para as relações internacionais: a periferia e a autonomia como questões centrais.
  • Adler, E., e Haas, PM (2009). "Comunidades epistêmicas, ordem mundial e a criação de um programa de pesquisa reflexivo", em Organização Internacional, Vol. 46. 1. Inverno. MIT Press, 1992. P. 367-390. Relações Internacionais (12). 
  • Adler, E., & Pouliot, V. (2019). Práticas internacionais. Revista Uruguaia de Ciência Política, 28, 15-58. 
  • Blaney, D.L., e Tickner, A.B. (2017). Mundialização, política ontológica e a possibilidade de uma RI decolonial. Millennium, 45(3), 293-311. 
  • Cervo, A. (2001) Relações Internacionais da América Latina – Velhos e Novos Paradigmas, UnB/Imprensa Oficial/IBRI, Brasília, 2001.
  • Cox, R. (2013). “Forças sociais, estados e ordens mundiais: além da teoria das relações internacionais”, em Relações Internacionais, nº 24, outubro de 2013-janeiro de 2014, pp. 129-162.
  • De Lombaerde, P., Soderbaum, F., Van Langenhove, L., & Baert, F. (2010). O problema da comparação no regionalismo comparativo. Review of International Studies, 36(03), 731-753.
  • De Salazar Serantes, G. (2003). As fontes de pesquisa em relações internacionais. CIDOB Journal of International Affairs, 193-208.
  • Devés-Valdes, E. (2013). Como pensar sobre questões internacionais-globais a partir da perspectiva do pensamento latino-americano: Análise da teorização. História Unisinos, 17(1), 48-60.
  • Devin, G. e Durand, MF. Descrevendo, Representando, Interpretando. Em Recursos e Métodos Aplicados em Relações Internacionais. Palgrave Macmillan, Cham, 2018. p. 3-18. 
  • Equipe Editorial de Relações Internacionais (2014). Feminismos nas Relações Internacionais, 30 anos depois. Relações Internacionais, (27), pp. 5-12. 
  • Fonseca, M. e Jerrems, A. (2012). Pensamento decolonial: uma “nova” aposta nas Relações Internacionais? Relações Internacionais, (19), 103-121.
  • Howell, M e Preventier, W. (2001). Uma Introdução aos Métodos Históricos. Londres: Cornell University Press. Capítulo I. A Fonte: A Base do Nosso Conhecimento sobre o Passado, páginas 17-42. Capítulo III. Interpretação Histórica: Os Fundamentos Tradicionais, páginas 69-87.
  • Hug, S. Exemplos de processamento de dados quantitativos em Relações Internacionais. In Recursos e Métodos Aplicados em Relações Internacionais. Palgrave Macmillan, Cham, 2018. p. 125-138.
  • Iñiguez de Heredia, M. (2013). “Práticas e processos nas relações internacionais” Relações Internacionais (24). 
  • Katzenstein, P. (2012). Teorização eclética no estudo e na prática das relações internacionais. In A. Santa Cruz (Org.), Política sem fronteiras ou a ubiquidade do distintivo: Ensaios selecionados de Peter J. Katzenstein (pp. 345-374). Colonia Portales: CIDE
  • Katzenstein, P. (2012). Teorização eclética no estudo e na prática das relações internacionais. In A. Santa Cruz (Ed.), Política sem fronteiras ou a ubiquidade do distintivo: Ensaios selecionados de Peter J. Katzenstein (pp. 345-374). Colonia Portales: CIDE.
  • Linklater, A. (2007). Teoria crítica e política mundial. Cidadania, soberania e humanidade. Introdução. Nova York: Routledge. Pp. 1-12.
  • Mansfield, E. e Pevenhouse, JC (2008) Abordagens quantitativas (pp. 481-498) em Christian Reus-Smit e Duncan Snidal (Eds.) (2008) The Oxford Handbook of International Relations. Nova York: Oxford University Press.
  • Morgan, C. (2004). “Escolha racional e abordagens da teoria dos jogos”. Em Caminhos Múltiplos para o Conhecimento nas Relações Internacionais, editado por Zeev Maos, Alex Mintz, Clifton Morgan, Glenn Palmer e Richard Stoll, 33-37. Oxford: Lexington Books.
  • Moses, J., & Knutsen, T. L. (2012). Modos de conhecimento: metodologias concorrentes na pesquisa social e política. Segunda edição. Nova York: Palgrave Macmillan. Capítulo 2: A filosofia naturalista da ciência, páginas 19-51.
  • Perrotta, D. (2018). O campo dos estudos de integração regional e sua contribuição para a disciplina de Relações Internacionais: uma visão da América Latina. Relações Internacionais (38), 9-39. 
  • Perrotta, D. e Porcelli, E. (2019). O regionalismo é o que a academia faz dele. Revista Uruguaia de Ciência Política, 28, 183-218.
  • Roberts, G. (2006). História, teoria e a virada narrativa nas RI. Revista de Estudos Internacionais. 32: 703-714.
  • Robinson, F. (1997). “Globalizando o cuidado: ética, teoria feminista e relações internacionais”. Alternatives: Global, Local, Political, vol.22, n°1. Pp. 113-133.
  • Soto Acosta, W. (2014). Fronteiras territoriais e fronteiras cognitivas: a decolonialidade do conhecimento e a importância do “lugar” na construção de espaços transnacionais. In Soto Acosta, W. e Ramírez Brenes, JC (Eds.) (2014) Estudos transfronteiriços: uma abordagem das relações internacionais. Heredia, CR: Unidade de Gestão Editorial da Escola de Relações Internacionais, Universidade Nacional da Costa Rica. Pp. 15-26.
  • Urdinez, F. e Cruz Labrín, A. (Eds) AnalizaR Political Data, 15 de março de 2019; versão 0.1. 
  • Villarroel Peña, YU (2018). "Historiografia e Relações Internacionais na América Latina: Entre Rebelião Autonomista e Submissão Ocidental" Relações Internacionais 37 (2018).
  • Villarroel Peña, YU Feminismos Descoloniais Latino-Americanos: Geopolítica, Resistência e Relações Internacionais Relações Internacionais UAM, nº 39, ago. 2018. ISSN 1699-3950.
  • Woods, N. (1996). “O uso da teoria no estudo das relações internacionais”. Em Explicando os assuntos internacionais desde 1945, editado por Ngaire Woods, 9-31. Nova York: Oxford University Press.
  • Zalewski, M. (2019). Esquecendo o feminismo? Investigando a relacionalidade nas relações internacionais. Cambridge Review of International Affairs, 32(5), 615-635.

 



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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 12 semanas, além da conclusão de um projeto final. Um total de 90 horas de dedicação será creditado.
O curso é composto por doze aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

 



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