"No Uruguai, sem proteção social, ficamos desamparados."

 "No Uruguai, sem proteção social, ficamos desamparados."

Hugo Bai, economista e pesquisador uruguaio e membro do PIT-CNT, participou em 21 de abril da “Conversa Virtual sobre o Sistema de Seguridade Social e Pensões”, que reuniu especialistas de diversos países da região.

Em entrevista à CLACSO TV, Hugo Bai afirmou que, com a chegada da pandemia de COVID-19, "no Uruguai percebemos que, sem proteção social, ficamos expostos".


Entrevistado por Gustavo Lema


Hugo Bai explicou que, em seu país, “após um longo processo de cerca de 15 anos, durante o qual houve um aumento muito significativo nos gastos sociais públicos, áreas como a saúde foram fortalecidas até certo ponto. Através da negociação coletiva, conseguiu-se um aumento significativo no número de trabalhadores, e algumas plataformas informatizadas foram desenvolvidas, o que chamamos de Plano Ceibal, que forneceu computadores e muito maior acessibilidade a todos os aspectos da educação pública. Também tivemos medidas diretas na área da Previdência Social: ampliação da cobertura do seguro-desemprego, um aumento muito significativo nos subsídios do seguro-doença e um aumento no número e no valor dos abonos de família, que são basicamente transferências não contributivas para crianças das famílias mais vulneráveis. E todo esse fortalecimento do Estado de bem-estar social, da proteção social, nos encontra hoje, até certo ponto, mais bem preparados, pelo menos em termos relativos, do que o Uruguai na década de 90, com um Estado muito mais distante da economia e um sistema de previdência e proteção social muito mais fraco. Além disso, houve um aumento muito forte nos pedidos de seguro-desemprego, por exemplo; Estamos vendo números historicamente altos, não há precedentes para o que estamos presenciando... o que marca a paralisação econômica causada pelo isolamento social como resultado da pandemia."

Organizada pela Fundação Friedrich Ebert (FES Argentina), pelo Instituto Argentino de Desenvolvimento Econômico (IADE), pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e pelo Grupo de Trabalho do CLACSO sobre Sistemas de Seguridade Social e Previdência, a Primeira Conversa “Pandemia e Seguridade Social na América Latina: Impactos e Respostas. Mais Estado de Bem-Estar Social?” realizou um diagnóstico do impacto da Covid-19 na Seguridade Social na Argentina, Brasil, Chile, México e Uruguai, além de um levantamento sobre a resposta dos governos nacionais.

A discussão foi introduzida por Karina Batthyány (CLACSO), Svenja Blanke (FES) e Sergio Carpenter (IADE), e moderada por Nicolás Dvoskin (IADE, Grupo de Trabalho de Segurança Social e Sistemas de Pensões). As apresentações foram feitas por Roxana Mazzola (FLACSO - Argentina), Rosa María Marques (Universidade Católica de São Paulo - Brasil), Marco Kremerman (Fundación Sol - Chile), Berenice Ramírez (UNAM - México) e Hugo Bai (PIT-CNT - Uruguai).


[+] Refletindo sobre a pandemia

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