Nas eleições colombianas, duas visões antagônicas para o país estão em confronto.
Apenas algumas horas antes do primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia, no domingo, 1º de junho, Wilson Gomez, membro do Comitê Diretivo da CLACSO, analisa para a CLACSO.TV o panorama e as perspectivas que o país sul-americano atravessa.
Ele entende que existe uma alta probabilidade de dar continuidade ao projeto progressista do Pacto Histórico, que alcançou importantes reformas trabalhistas e garantiu o acesso a direitos para populações historicamente excluídas, como camponeses, povos indígenas e afrodescendentes.
“Diante desse avanço”, argumenta ele, “o Estado se vê em conflito com o projeto da nova direita latino-americana”. Ele descreve esse modelo como uma tentativa de retornar ao “autoritarismo de Estado”, cujo objetivo é reduzir e reverter os direitos conquistados nos últimos quatro anos. Gómez enfatiza que um dos candidatos representa uma perspectiva autoritária, sexista e misógina.
Em termos econômicos, existem projetos que apresentam visões opostas. O projeto de esquerda promove a construção de uma "economia popular" baseada na agricultura camponesa e nas pequenas e médias empresas. Essa proposta busca melhorar e diversificar a base produtiva para permitir o acesso a bens e serviços para pessoas que historicamente foram excluídas.
Por outro lado, o projeto oposto busca aprofundar o extrativismo, o fraturamento hidráulico e uma economia centrada na extração para benefício de poucos. Em contraste, o modelo progressista "diz NÃO categoricamente ao fraturamento hidráulico" e está comprometido com uma transição energética.
Nesse contexto eleitoral, Wilson Gómez destaca que a democracia, a proteção ambiental e o direito à vida estão em jogo. O projeto de esquerda coloca como princípio fundamental a garantia da vida não apenas para os seres humanos, mas também para os seres "não humanos". Isso inclui, inclusive, a garantia dos direitos das mulheres e das comunidades não binárias.
Para o pesquisador, a questão central é a possibilidade de consolidar um Estado que garanta direitos. O objetivo é reduzir as disparidades salariais históricas e a desigualdade que persistem na Colômbia.
Por fim, ele conecta essa análise política aos debates dentro das ciências sociais na América Latina, especificamente no estudo da juventude. Em seus encontros com colegas de outras regiões, ele propõe um debate em contraposição às tendências de pesquisa de caráter "anglo-saxão".
Wilson Gómez destaca, em última análise, a necessidade urgente de parar de focar exclusivamente na violência "cometida por jovens". Em vez disso, ele propõe analisar a "violência estrutural e estruturante contra jovens", uma vez que são essas formas de violência sistêmica que vivenciamos em nossos contextos.