“Na Colômbia, imaginamos uma universidade centrada no bem comum do conhecimento.”
No InfoCLACSO de 18 de setembro, intitulado “Qual o papel das universidades públicas na sociedade?”, Leopoldo Múnera RuizO Reitor da Universidade Nacional da Colômbia conversou com CLACSO.tv.
O Reitor criticou “a ideia de que o único conhecimento válido é o científico e acadêmico, e que todo o resto é superstição; que não devemos dialogar sobre o conhecimento; e que existe apenas uma maneira de entender a ciência. Porque esse é outro debate que não abrimos o suficiente: não existe apenas uma maneira de entender a ciência, e nem mesmo a modernidade ocidental possui uma única maneira de compreendê-la. Como diz o filósofo colombiano Alfredo Gómez Müller, Thomas More se contrapõe a Erasmo, e existem concepções diferentes. Spinoza se contrapõe a Hobbes. E isso só se estivermos falando do Ocidente.”
Em relação às especificidades da nossa região, Múnera Ruiz destacou: “Se olharmos para a América Latina, há muitos desenvolvimentos que vão além da forma hegemônica de entender a ciência e o conhecimento. Portanto, acho que existe um debate sobre isso, sobre o que é o conhecimento científico. E sobre se o conhecimento científico pode ser autossuficiente sem se negar. Acredito que, se a ciência for autossuficiente, ela se torna dogma, nega seu ponto de partida.”
Além disso, ele se referiu à ciência aberta, que para ele “implica discutir outras formas de avaliação e que na América Latina consideramos, como já vem sendo feito e como a CLACSO está promovendo, outras maneiras de avaliar a produção científica, mas também nossas próprias instituições. Que tenhamos elementos contextualizados — em termos feministas, situados — e não partamos de um ponto de referência abstrato, supostamente universal, aplicável a todas as formas de conhecimento. Isso tem a ver com a produtividade acadêmica, como a valorizamos, mas também com projetos de interação com a sociedade.”
Sobre a experiência da Universidade da Colômbia, ele afirmou: “Existe um modelo de universidade diferente daquele que prevalece na Colômbia e na América Latina, que é um modelo centrado na comercialização e mercantilização do conhecimento e em uma universidade que presta serviços pagos. Propomos uma universidade centrada no bem comum do conhecimento e até mesmo afirmamos que a universidade é um bem comum do país.”
Entrevista concedida a Gustavo Lema.
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