“No Brasil, a desigualdade educacional é uma característica muito marcante.”

 “No Brasil, a desigualdade educacional é uma característica muito marcante.”

Nos dias 13 e 14 de agosto, foi realizada virtualmente a Conferência Internacional “Desafios da pandemia para a pesquisa educacional”, organizada pelo Ministério da Educação da Argentina, pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), pelo Grupo de Trabalho “Políticas educacionais e o direito à educação” do CLACSO e pela Internacional da Educação para a América Latina.

Participaram figuras importantes dos sistemas educacionais de países da região, incluindo o professor Roberto Leher, biólogo, pedagogo e ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil.


Entrevista com Eric Domergue


Roberto Leher compreende que “não há possibilidade de um novo normal sem questionar os determinantes das desigualdades sociais na educação brasileira, que a pandemia tornou muito claras e explícitas. No Brasil, a desigualdade educacional é uma marca muito forte; grande parte dos jovens sequer concluiu o ensino fundamental, e ainda hoje poucos estudantes têm acesso ao ensino superior público e gratuito. No Brasil, 80% dos estudantes estão em instituições privadas, mas instituições privadas com fins lucrativos, instituições privadas com objetivos comerciais, e isso gera imensa desigualdade… Além disso, acredito que hoje 50% dos estudantes brasileiros — cerca de 25 milhões — não têm acesso regular e de qualidade à internet. Assim, no contexto da pandemia, muitos estudantes não têm meios de aprendizagem virtual, de interações virtuais, não apenas por dificuldades de acesso à internet, mas também por causa de suas precárias condições de vida, da infraestrutura de suas casas, o que é uma situação muito preocupante.”


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