Elites, desigualdades e dominação na América Latina

 Elites, desigualdades e dominação na América Latina


Seminário 2323

CadeiraCLACSO

Coordenação: Rebecca Forattini Lemos Igreja (Universidade de Brasília, Brasil)

Equipe de ensino: Rebecca Forattini Lemos Igreja (Universidade de Brasília, Brasil) | Danilo Uzêda Da Cruz (FLACSO-Universidade de Brasília, Brasil) | Nathalia Vince Esgalha Fernandes (Universidade de Brasília, Brasil) | Gianmarco Ferreira (Universidade de Brasília, Brasil)

Início: 08/08/2023 | Inscrição: 27/06/2023 a 07/08/2023

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.



Muitos estudos empíricos têm se concentrado em retratar a situação de populações vulneráveis, analisando seu perfil sociocultural e suas condições socioeconômicas. Poucos, no entanto, se dedicaram a desenvolver o mesmo perfil das elites nacionais, especialmente daquelas que controlam as instituições públicas e os processos decisórios nacionais. Qual é o seu perfil cultural, racial e socioeconômico? Como pensam, como agem e quais valores defendem? Em tempos de ascensão do neoconservadorismo e da extrema direita, bem como do aumento das desigualdades na América Latina, torna-se urgente examinar estudos baseados em pesquisa empírica que ofereçam uma análise dessas elites políticas nos diversos ramos do poder dentro das nações, a fim de compreender como elas pensam e operam as opressões que legitimam. O objetivo deste seminário é discutir essas questões sob a perspectiva dos estudos sociológicos e antropológicos, incluindo as interseções de gênero, raça e etnia.

Neste seminário, iniciaremos com a apresentação do Professor Danilo Uzêda sobre desigualdades e seus mecanismos de reprodução. Em seguida, abriremos a discussão para os marcos teóricos e metodológicos das elites e burocracias, considerando também o atual contexto político de ascensão do neoconservadorismo e da desdemocratização, que está alterando a participação política e reposicionando as elites políticas conservadoras do país. Daremos continuidade à nossa abordagem com a contribuição do Professor Gianmarco Ferreira, que abordará o perfil das elites e a branquitude que as caracteriza na América Latina. A Professora Nathalia Vince, então, retomará a discussão, incorporando perspectivas de gênero e interseccionalidade a esse perfil das elites. Com base nessa discussão, o Professor Ferreira retornará ao seu argumento, agora considerando a burocracia pública e as elites que a controlam. A Professora Rebecca Igreja, por fim, introduzirá a discussão sobre as elites judiciais e seu papel na garantia dos direitos humanos fundamentais dos cidadãos. Ela prosseguirá sua linha de raciocínio discutindo as elites acadêmicas e as políticas e perspectivas que buscam transformá-las, concluindo, assim, a discussão sobre o setor público. Por fim, ela aborda o perfil das elites empresariais, seguido da proposta da Professora Nathalia de discutir a migração qualificada e de elite, especialmente de expatriados. É importante notar que o curso começa com uma abordagem teórico-reflexiva, incorporando, ao mesmo tempo, estudos/pesquisas empíricas sobre as elites do país, que frequentemente contribuem para a reprodução das desigualdades, do colonialismo interno, da discriminação e do eurocentrismo que persistem em nossa sociedade.

OBJETIVO GERAL

Analisar e compreender a dinâmica do poder, da desigualdade e da dominação na América Latina, com foco específico no estudo das elites políticas, acadêmicas, judiciais e empresariais. Por meio de abordagens sociológicas e antropológicas, busca-se examinar o perfil cultural, racial e socioeconômico dessas elites, bem como seus valores, ações e papéis na reprodução das desigualdades e opressões na região.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Ao concluir este curso, os alunos serão capazes de:

1. Compreender o conceito de elites e sua relação com as estruturas de poder na América Latina.

2. Analise criticamente o perfil cultural, racial e socioeconômico das elites nacionais e sua influência nas decisões políticas e econômicas.

3. Identifique as formas de dominação e opressão exercidas pelas elites em diferentes áreas da sociedade latino-americana.

4. Reflita sobre as desigualdades existentes em nossa região e sua relação com as ações e políticas das elites.

5. Explorar a interseccionalidade de gênero, raça e etnia no estudo das elites e das desigualdades na América Latina.

6. Analisar casos e estudos empíricos que nos permitam compreender como as elites políticas e econômicas atuam em diferentes contextos latino-americanos.

7. Promover o diálogo e a troca de ideias sobre possíveis alternativas e estratégias para combater as desigualdades e a dominação em nossa região.

8. Desenvolver habilidades de pesquisa e análise crítica por meio da leitura de textos acadêmicos e da participação em discussões e atividades do curso.

  • Desigualdades na América Latina e a construção de elites
  • Burocracia, dominação e políticas públicas: análises interdisciplinares
  • Desdemocratização, neoconservadorismo e participação política
  • Desigualdade racial e branquitude na América Latina
  • Elites, desigualdade de gênero e interseccionalidade na América Latina
  • Carreiras públicas de elite
  • Elites judiciais
  • elites acadêmicas latino-americanas
  • Perfil das elites empresariais e diversidade
  • elites empresariais migrantes
  • ALMEIDA, Frederico Normanha de. Como elites da Justiça: instituições, profissões e poder na política da justiça brasileira. Revista de Sociologia e Política (Online), v. 22, 2014.
  • ANDRADES MARULANDA, NL, Palacio Flórez, AK, & Blanco-Ariza, AB (2019). Empoderamento feminino e igualdade de gênero nas organizações. Liderança Estratégica.
  • AZEVEDO, LF DE; CAMPOS DE ALMEIDA DUTRA, R. Política de formação de médicos estrangeiros e legitimidade da elite acadêmica no Brasil contemporâneo. Antropolítica - Revista Contemporânea de Antropologia, n. 53, 2 dez. 2021.
  • BÁRCENA Arévalo, E., 2018. Reprodução judicial e cultura jurídica. O sistema de nomeação de pessoal no Supremo Tribunal do México. Série Sociojurídica Oñati [online], 8 (5), 739-759. Recebido: 30-01-2018; Aceito: 11-10-2018.
  • BENSON, Michaela Caroline. Classe, raça, privilégio: Estruturando a experiência migratória de estilo de vida em Boquete, Panamá. Journal of Latin American Geography, 2015.
  • CERÓN, H. Cor de pele humilde, cor de pele privilegiada. Elites e branquitude na América Latina. Nueva Sociedad, v. Janeiro-Fevereiro, n. 303, 2023.
  • CHEIBUB, ZB. Uma carreira diplomática no Brasil: O processo de burocratização do Itamaraty. Revista de Administração Pública, v. 23, n. 2, 1989.
  • COELHO JUNIOR, Pedro Jaime. Executivos negros: racismo e diversidade no mundo dos negócios – Uma abordagem socioantropológica. 2011. 553 f. Doutorado em Antropologia Social – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. USP, São Paulo.
  • CRUZ, Danilo Uzêda da. Desigualdades persistentes na América Latina. IN: CRUZ, Danilo Uzêda da. O Estado contemporâneo na América Latina: História e Teoria Política. Salvador: Pinaúna Editora, 2021.
  • CRUZ, Danilo Uzeda da. Políticas sociais e agenda conservadora do governo Bolsonaro: dedemocratização e degradação política. IN: ZIMMERMAMM, Clóvis Roberto; CRUZ, Danilo Uzeda da. (orgs.) Políticas Sociais no Governo Bolsonaro: entre fracassos, retrocessos e clareamentos. Cidade Autônoma de Buenos Aires: CLACSO; Salvador: Pinaúna, 2022.
  • ETHOS, INSTITUTO. Perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas. São Paulo, maio de 2016.
  • FERREIRA, CLÁUDIA APARECIDA AVELAR; NUNES, S. Mulheres negras no mercado de trabalho: interseccionalidade entre gênero, raça e classe social. XLIII REUNIÃO DA ANPAD, 2019.
  • FERREIRA, EM; TEIXEIRA, KMD; FERREIRA, MAM. Prevalência racial e de gênero no perfil dos docentes do ensino superior. Revista Katálysis, v. 25, nº. 2, maio de 2022.
  • FERREIRA, GL (Des)igualdade no serviço público: burocracia, ativismo e como ações afirmativas raciais na diplomacia brasileira. Curitiba: CRV, 2023. pp. GOBO, K. Da exclusão à inclusão consentida: negros e mulheres na diplomacia brasileira. Política & Sociedade, v. 17, não. 38, 2018.
  • HIRATA, Helena. Gênero, classe e raça: interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais.” Tempo Social, Revista de Sociologia da USP, São Paulo, v. 26, junho de 2014.
  • MENDOZA, Cristóbal. Migração e mobilidade de trabalhadores estrangeiros qualificados de empresas no México. Revista de ciências sociais e humanas, v. 39, n. 84, 2018.
  • PEREIRA, Edilene Machado et al. Interseccionalidade das desigualdades de gênero e raça em posições de elite. Scientific Interfaces-Direito, v. 5, n. 1, 2016.
  • QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: Clacso, p. 227-278, 2005.
  • SARRABAYROUSE Oliveira, Maria José. Grupos, lealdades e práticas: o caso da justiça penal argentina. Revista de Sociologia e Política [online]. 1999, (13), 81-104 [acessado em 23 de junho de 2023]. ISSN: 0104-4478.
  • SCHWARTZMAN, LF A integração do branco na comunidade de cor, ou como os europeus se tornaram brasileiros no século XX. Transmodernidade, 2018.
  • SILVA, Ana Karolina Morais da. Contrarreação hegemônica e a ascensão da reita na América do Sul: o rolo de intervencionismo norteunidense IN: MECHI, ​​​​Patrícia Sposito; DULCI, Tereza M. Spyer [Orgs.] Extrema-direita e neoconservatismo na América Latina e no Caribe. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023.
  • SOLANO, Ester. Crise da Democracia e extremismos de Direita. EM: ANALISAR. Nº 42. 2018.
  • SOUZA, LMF; FERREIRA, GL; REBOUÇAS DOS SANTOS, M. DO C. Direito e meritocracia contra as cotas ciais: reajustes do dispositivo de transparência. Revista Espaço Acadêmico.
  • THERBORN, Göran. Os campos de extermínio da desigualdade. Cidade Autônoma de Buenos Aires: Fondo de Cultura Econômica, 2015.
  • TILLY, Charles. Desigualdade Persistente. Cidade Autônoma de Buenos Aires: Manantial, 2010.
  • VILLALOBOS, C.; QUARESMA, ML; FRANETOVIC, G. Mapeando a elite nas universidades chilenas. Uma análise quantitativa-multidimensional. Revista Espanhola de Sociologia, [S. l.], v. 3, 2020. DOI: 10.22325/fes/res.2020.33.
  • WEINAR, Agnieszka; KLEKOWSKI VON KOPPENFELS, Amanda. Migração de mão de obra altamente qualificada: entre o assentamento e a mobilidade: IMISCOE short reader. Springer Nature, 2020. - Capítulo 2 Migração de mão de obra altamente qualificada: Conceito e definições.
  • ZUVANIC, Laura; IACOVIELLO, Mercedes; GUSTÁ, Ana Laura RODRÍGUEZ. Burocracia na América Latina. IN: Revista Centro-Americana de Administração Pública. Janeiro de 2011.

 



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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Serão creditadas 48 horas de trabalho com o instrutor e 90 horas de dedicação total.
O curso é composto por 10 aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

 



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