Elites, desigualdades e dominação na América Latina

 Elites, desigualdades e dominação na América Latina


Seminário 2135

CadeiraCLACSO

CoordenaçãoFrancisco Robles-Rivera (Universidade da Costa Rica), Inés Nercesian (Universidade de Buenos Aires, Argentina) e Miguel Serna (Universidade da República, Uruguai)
Início: 25/08/2021 | Inscrição: 28/05/2021 a 23/08/2021


Carga horária: 12 semanas – 90 horas.

A América Latina é indiscutivelmente a região onde as elites acumulam mais poder, riqueza e influência. Essa expressão de poder é evidente nos altos níveis de desigualdade, na falta de progressividade em nossos sistemas tributários, na alta concentração da propriedade dos meios de comunicação e na ascensão de empresários e CEOs à presidência em diversos países (Argentina, Chile, El Salvador e Panamá, por exemplo). Nesse contexto, o estudo das elites emerge como um fenômeno complexo que exige abordagens analíticas inovadoras, capazes de desafiar tanto perspectivas desistoricizadas quanto estruturas conceituais rígidas. Este seminário visa oferecer ferramentas e perspectivas teóricas e metodológicas para o estudo das elites e seus vínculos com o Estado na América Latina, com base na análise de processos socio-históricos específicos do passado recente e do presente. Propomos fornecer insights sobre as diversas formas que a influência e a dominação política assumiram e sua relação com as transformações econômicas e sociais em diferentes países. O curso busca trabalhar a partir de uma perspectiva de análise comparativa que permita levantar questões inovadoras sobre um fenômeno que não é novo na região, mas que possui características específicas deste século.

Hoje, as transformações econômicas, políticas, militares e sociais em curso na região são acompanhadas por preocupações quanto à responsabilidade das elites. O crescimento econômico não solucionou os problemas da desigualdade social e, em diversos países, tem sido o catalisador de protestos e mobilidade social. Nesse sentido, cabe perguntar: qual o papel das elites na manutenção das desigualdades? Quando as elites passam a se preocupar com a redução da pobreza? Além disso, debates históricos sobre a dominação e a influência política das elites sobre o Estado foram reavivados. Quais mecanismos e estratégias as elites utilizam para influenciar o Estado? Quais são as diferenças em termos de captura do Estado na América Latina? O surgimento das novas mídias e a expansão dos meios tecnológicos de disseminação de notícias democratizaram o acesso à informação, mas as elites midiáticas mudaram? Qual a relação entre as elites empresariais e as elites midiáticas? Nos processos de desmilitarização em alguns países latino-americanos, qual o papel das elites? As elites latino-americanas estão se transformando de oligarcas em governantes? Como será o futuro das sociedades latino-americanas em relação às suas elites? Em resumo, este seminário tem um duplo objetivo: analisar criticamente diferentes perspectivas teóricas e metodológicas para que os alunos possam aprender sobre as múltiplas abordagens disponíveis para o estudo desse fenômeno e, por sua vez, formular novas questões fundamentadas em processos socio-históricos específicos. O curso está estruturado em torno dos principais eixos temáticos relativos às elites latino-americanas. Cada um desses tópicos tem sido amplamente estudado por pesquisadores em toda a região, e o curso visa reunir essas vozes em uma perspectiva comparativa para uma melhor compreensão do fenômeno das elites e das desigualdades no século XXI.

OBJETIVO GERAL Este seminário visa oferecer um conjunto de ferramentas teóricas e conceituais para a análise das elites, buscando ancorar esses conceitos em processos sócio-históricos concretos na América Latina do século XXI.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS Que os alunos: 1. Adquiram ferramentas teóricas para refletir sobre os conceitos de elites e desigualdades na América Latina e ganhem experiência na contextualização histórica dessas questões. 2. Desenvolvam análises comparativas e adquiram habilidades para formular questões complexas que integrem as dimensões econômica, social, política, cultural e histórica. 3. Identifiquem problemas relacionados a grupos de poder e ao Estado, e reconheçam potenciais situações de conflito de interesses ou captura do poder estatal, como um fenômeno cada vez mais premente na região. 4. Tenham acesso a questões e hipóteses inovadoras que permitam o estudo das elites e das desigualdades.

  • Elites, dominação política e influência
  • Elites e os novos políticos do século XXI
  • Elites e desigualdade social na América Latina
  • Elites e a mídia
  • Elites e Construção da Paz na América Latina
  • Elites, tributação e impostos
  • Classes dominantes, oligarcas ou alta burguesia
  • elites e grupos empresariais latino-americanos
  • Elites, tecnocratas, gestores e grupos de reflexão.
  • Como estudar as elites na América Latina?: análise de dados sobre elites
  • Aguirre, JL (2017). Mecanismos causais e rastreamento de processos: uma introdução. Revista SAAP: Sociedade Argentina de Análise Política, 11(1), 147-175.
  • Ansaldi, W. (2017). Vestido como se fosse para um casamento. Roupas novas para a velha direita. Theomai, nº 35, primeiro semestre de 2017, pp. 22-51. Disponível em: http://revistatheomai.unq.edu.ar/NUMERO_35/2.%20Ansaldi.pdf
  • Atria, J. (2014). Tributação e desigualdade no Chile: características e perspectivas. Tributação na sociedade: impostos e redistribuição no Chile do século XXI. Santiago: Uqbar. Instituto Centro-Americano de Estudos Fiscais (2015). "Política Fiscal: expressão das elites centro-americanas." UCA, San Salvador. Capítulo Costa Rica: 323-392.
  • Bull, B., & Aguilar-Støen, M. (2019). Construção da paz e elites empresariais na Guatemala e em El Salvador: explicando a 'virada institucional' discursiva. Conflito, Segurança e Desenvolvimento, 19(1), 121-141.
  • Bull, B., & Kasahara, Y. (2017). A transnacionalização de grupos empresariais diversificados e a mudança na face das elites econômicas da América Central. Anuário de Estudos da América Central, 43, 37-69.
  •  Cárdenas, J. (2016b). Elites empresariais entrelaçadas na América Latina: análise de diretorias interligadas e redes de propriedade no México, Chile, Peru e Brasil. Latin America Today: Journal of Social Sciences, 73, 15-44.
  • Codato Adriano, Bruno Bolognesi e Karolina Mattos Roeder (2015) “A nova direita brasileira: uma análise da dinâmica partidária e eleitoral do campo conservador” em Direita, Volver!: o Retorno da direita eociclopolítica brasileira, Fundação Perseu Abramo, São Paulo.
  • Durand, F. (2016). Quando o poder extrativista captura o Estado, OXFAM, Lima. Disponível em: https://peru.oxfam.org/sites/peru.oxfam.org/files/file_attachments/capturadurand%20VF.pdf (pp. 7 a 41)
  • Durand, F. (2017). Os doze apóstolos da economia peruana. Lima, Peru: Pontifícia Universidade Católica do Peru. Introdução, capítulos 1 e 2.
  • Heredia, Mariana (2011). "A construção da política econômica: economistas, conversibilidade e o modelo neoliberal", em Pucciarelli, Alfredo (org.): Os anos Menem. A construção da ordem neoliberal, Buenos Aires, Siglo XXI, 2011, pp. 179-220.
  •  Jiménez, Juan Pablo e Solimano, Andrés. (2012) “Elites Econômicas, Desigualdade e Tributação”. CEPAL.
  • Nercesian I.; Cassaglia R. (2019). “Presidentes de empresas na América Latina (2000-2019). Um estudo adquirido sobre o perfil dos gabinetes”, Relatórios nº 1 e 2, OBLAT, IEALC.
  • OXFAM (2016) Privilégios que negam direitos. Desigualdade extrema e o sequestro da democracia na América Latina e no Caribe, Capítulos 1 e 2. Souza Jessé (2019) A elite do atraso: da escravidão a Bolsonaro (resenha e edição ampliada), Estação Brasil, Rio de Janeiro, (pp. 117-128)
  • Perissinotto Perissinoto, Codato Adriano (org) (2016) Como estudar elites, Editora UFPR, Curitiba Capítulo 1 e 9.
  • Rauld, NAO (2015). Dominação e reprodução de elites. Leitura sociológica do processo de estruturação de minorias selecionadas no elitismo clássico. RIPS. Revista de Pesquisa Política e Sociológica, 14(2), 113-130.
  • Rettberg, Angelika; Daniel Medina e Jason Miklian (2019) Estratégias corporativas para auxiliar a construção da paz pós-conflito na Colômbia, PRIO Policy Brief, 1. Oslo: PRIO.
  • Robles Rivera, Francisco (2021). "Elites and media capture strategies in Central America." No prelo. Mexican Journal of Sociology 1/2021. Canelo P. (2019). Did we change? The cultural battle for the common sense of Argentinians. Buenos Aires: Siglo XXI editores.
  • Salas-Porras, A. (2017). A economia política neoliberal no México. Quem a concebeu e como? Madrid. Edições AKAL.
  • Serna Miguel, Bottinelli Eduardo, (2018) O poder de facto das elites empresariais na política latino-americana: um estudo comparativo de oito países, Programa de Relatórios de Pesquisa Elites Económicas, Políticas Fiscais e Privilégios na América Latina e no Caribe, CLACSOOXMAN.
  • Therborn, G. (1979). Como a classe dominante domina? Aparelhos estatais e poder estatal no feudalismo, capitalismo e socialismo. Madrid: Siglo XXI. pp. 151-193.

 



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Em um único pagamento de 17/8 a 23/8

CM Plenos

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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Serão creditadas 48 horas de trabalho com o instrutor e 90 horas de dedicação total.
O curso é composto por 10 aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

 



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Os métodos de pagamento possíveis são cartão de crédito, transferência bancária e depósito bancário.


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