“O voto em Milei foi o primeiro voto anti-establishment na Argentina.”
No âmbito do fórum internacional "Desigualdades na América Latina: tensões, debates e propostas", realizado de 16 a 18 de abril em Montevidéu, Uruguai, Gabriel Kessler Do Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, e membro do Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Violência, Governos e Democracia, conversou com CLACSO.tv.
Analisando a atual situação política em seu país, Kessler afirmou que “o que é único na Argentina, e o que está se desfazendo hoje, é que ao longo de sua história, pelo menos em sua era democrática, apesar de seus altos e baixos, a ideia de que o Estado contribui para o seu desenvolvimento sempre esteve presente. O que emergiu nesta situação, que se cristalizou no voto em Milei, mas que já vinha se formando há algum tempo, é a ideia de que o Estado não só não me ajuda, como é, na verdade, um obstáculo”.
“Para a extrema-direita europeia, o inimigo é o migrante, e a ideia é defender a comunidade nacional. Nos Estados Unidos, com Trump, a ideia é defender a indústria e os trabalhadores americanos”, explicou. Em contrapartida, para a extrema-direita argentina, o Estado é o inimigo, algo que “o obriga, como sociólogo, a refletir sobre o fato de termos feito algo errado para que essa seja a proposta política de mudança”.
Entrevista concedida a Gustavo Lema.
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