O sonho inacabado: Bicentenário do Congresso Anfictiônico do Panamá

O Seminário Internacional «O sonho inacabado: bicentenário do Congresso Anfictiônico do Panamá - Lições para a integração latino-americana diante da nova geopolítica global» reuniram-se nos dias 8 e 9 de junho na Universidade Autônoma Metropolitana, Unidade Xochimilco do México.

Pablo VommaroO Diretor Executivo da CLACSO participou da cerimônia de abertura juntamente com Carlos Muñoz Villarreal, Oficial do DPE, e Forte Vela Peão, Chefe da Área Acadêmica da SEM.

No âmbito do bicentenário do congresso histórico convocado por Simon Bolivar Em 1826, tratava-se de um encontro acadêmico convocado por Área do Sistema Econômico Mundial da UAM Xochimilco, co-organizado pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLASSO) e seu Grupo de Trabalho “Regionalismo, integração e autonomia diante da disputa hegemônica global."O Departamento de Produção Econômica da Divisão de Ciências Sociais e Humanas da UAM-X, a Sociedade de Economia Política da América Latina e do Caribe (SEPLA), The Rede de Estudos da Economia Mundial (RedEM), Universidade de Estado do Haiti (UEH).

O encontro visa criar um espaço para debate e troca crítica sobre os desafios históricos e atuais da integração latino-americana. O objetivo é analisar o impacto de Congresso Anfictiônico de 1826 e projetar suas lições no cenário geopolítico contemporâneo.

Ao longo dos dois dias, serão realizadas conferências e painéis de discussão com foco em quatro áreas principais:

-A Doutrina Monroe e o Congresso do Panamá: Análise do contraste histórico entre o projeto de unificação bolivariana e o princípio da influência hemisférica dos EUA.

-Multilateralismo e regionalismo em perspectiva histórica: Evolução dos blocos e alianças na América Latina.

-Debates atuais sobre a integração latino-americana: Desafios políticos, econômicos e sociais contemporâneos para a unidade da região.

- Opções estratégicas da América Latina no sistema mundial: O papel da região diante das novas disputas de poder globais (como a transição para a multipolaridade).


BAIXE O PROGRAMA


Contatos e relatórios: [email protected] y [email protected]


El Congresso Anfictiônico do Panamá Foi uma assembleia diplomática realizada de 22 de junho a 5 de julho de 1826 na Cidade do Panamá, convocada por Simon BolivarO navio Libertador, de Lima, em 1824, tinha como objetivo unir as jovens repúblicas que acabavam de se tornar independentes do Império Espanhol para fundar uma grande confederação de nações.

O termo "anfictiônico" refere-se às antigas ligas de cidades-estado gregas (anfictionias), que se uniam para se protegerem mutuamente e administrarem assuntos de interesse comum.

Apesar das intenções de Bolívar de unir todo o continente, a participação foi limitada devido às grandes distâncias, à instabilidade interna em cada país e às pressões diplomáticas. Estiveram presentes: Grã-Colômbia (compreendendo os atuais territórios da Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá), Peru, México e República Federal da América Central. Observadores foram enviados pelo Reino Unido e pelos Países Baixos (interessados ​​no comércio com as novas nações). Não compareceram: as Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina) e o Chile; o Brasil permaneceu à margem; e os delegados dos Estados Unidos não chegaram a tempo.

O resultado mais importante do Congresso foi a assinatura do Tratado de União, Liga e Confederação PerpétuaEntre seus pontos mais revolucionários estavam:

-Defesa mútua: Criar um exército e instituições comuns para defender a soberania contra qualquer tentativa de reconquista espanhola ou agressão estrangeira.

-Arbitragem pacífica: obriga os Estados-membros a resolverem suas disputas territoriais ou políticas por meio da diplomacia e da negociação, proibindo explicitamente a guerra fratricida.

-Cidadania Comum: Esboçando os primeiros conceitos de uma cidadania hispano-americana compartilhada.

-Abolição do comércio de escravos: um avanço social significativo para a época.

Embora o tratado tenha sido assinado, apenas a Grã-Colômbia o ratificou. Os acordos nunca foram implementados devido a:

-Nacionalismos emergentes: As elites locais e as aristocracias crioulas priorizaram a consolidação de seus próprios países e fronteiras em vez de se subordinarem a um governo federal supranacional.

-Rivalidades e receios: Havia um forte temor em relação à liderança e às ambições políticas de Simón Bolívar, a quem alguns acusavam de querer centralizar o poder de forma autoritária.

-Oposição externa: Potências como os Estados Unidos não viam com bons olhos a criação de um bloco de nações fortemente unidas no sul do continente que pudesse competir com sua própria influência hemisférica.

Apesar de não ter alcançado seus objetivos imediatos, o Congresso do Panamá entrou para a história como a pedra fundamental do pan-americanismo e do latino-americanismo.

Considera-se um evento histórico porque foi a primeira vez na história moderna que um grupo de nações soberanas se reuniu para discutir, em condições de absoluta igualdade jurídica, a criação de uma organização internacional para defesa coletiva e cooperação política. Conceitos modernos como a solução pacífica de controvérsias, a segurança hemisférica e os blocos de integração regional (como a OEA, a CELAC e o Mercosul) têm suas raízes diretas nos debates e ideias formulados no Panamá em 1826. Por essa razão, a própria ONU reconheceu historicamente o Congresso do Panamá como um antecedente doutrinário direto da Carta das Nações Unidas.


O Congresso Anfictiônico do Panamá


Apresentação do livro “Diário do Congresso Anfictiônico do Panamá”