"O conhecimento produzido no ambiente universitário deve estar disponível para todos."

 "O conhecimento produzido no ambiente universitário deve estar disponível para todos."

Transcrição da coluna de Karina Batthyány
Em InfoCLACSO – 28 de agosto de 2024

Estamos na sexta edição da Feira Internacional do Livro para Estudantes Universitários, FLUNI 2024, no mesmo local da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), onde em junho de 2022 realizamos nossa Assembleia e Conferência #CLACSO2022. A FLUNI promove publicações que visam disseminar conhecimento em todas as disciplinas, área na qual a CLACSO sempre desempenha um papel de destaque, principalmente no campo das ciências sociais e humanas.

Montamos o estande da CLACSO na UNAM, retomando as práticas que promovemos presencialmente e nas principais feiras de livros com um lema: a ideia de disseminar o conhecimento aberto sem barreiras, política que a CLACSO pratica desde sua origem e que se tornou uma de nossas principais bandeiras.

O conhecimento produzido nas universidades, especialmente nas universidades públicas financiadas com recursos públicos, deve ser acessível a todos. Discutiremos esse tema em um painel e em uma conferência sobre os desafios da Ciência Aberta e da Avaliação nas ciências sociais e humanas.

A UNAM é um espaço emblemático para a disseminação do conhecimento. Além disso, a CLACSO está presente na FILUNI porque tem a Universidade da República (Udelar) como sua convidada de honra — instituição à qual pertenço desde 1987 como estudante e desde 1991 como professor, e que faz parte da minha identidade.

– Na inauguração da FILUNI, o reitor da Universidade da República (Udelar), Rodrigo Arim, mencionou a importância do México e da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) durante os períodos complexos da ditadura no Uruguai, quando a ditadura interveio na universidade e em relação aos exilados. O que significa a presença da Udelar na FILUNI, dada a sua relevância para a identidade uruguaia?

– Significa muito. Em 2024, a Universidade da República (Udelar) comemora seu 175º aniversário, e ser o país homenageado na FILUNI é um dos eventos centrais dessa celebração universitária porque, como disse Rodrigo Arim, o México desempenhou um papel crucial durante os anos mais difíceis, sombrios e críticos da história recente do nosso país. Refiro-me à ditadura cívico-militar uruguaia, que começou na década de 70.

A embaixada mexicana no Uruguai foi um refúgio para muitos, um lugar de escape das garras da ditadura, mas também um lugar de exílio para colegas que tiveram que deixar o país e encontraram no México seu segundo lar. No Uruguai, costumamos dizer que existem os “Urumex” — toda uma geração de uruguaios que concluíram seus estudos na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e retornaram ao Uruguai após a redemocratização, incluindo Samuel Lichtensztejn, que foi reitor da Universidade da República (Udelar) durante a intervenção da ditadura e que concluiu seu doutorado na UNAM, onde também lecionou. O México, sem dúvida, ocupa um lugar especial no coração de todos nós que fazemos parte da Universidade da República.

– Qual o valor de todos esses anos de trabalho no mercado editorial?

– Estamos aqui neste belíssimo estande da CLACSO para apresentar todas as nossas publicações nas áreas de ciências sociais, humanas e artísticas. Muitas equipes da CLACSO, especialmente a equipe editorial, fizeram um esforço tremendo, dedicando-se com grande profissionalismo para disponibilizar as publicações produzidas pela nossa rede CLACSO em acesso aberto, sem restrições, em nossa biblioteca e livraria da América Latina e do Caribe.

Também dispomos de livros impressos para ampla circulação em toda a América Latina e Caribe, e além das fronteiras regionais. A CLACSO conquistou um lugar privilegiado e prestigioso no campo da publicação de ciências sociais e humanas. É por isso que estamos aqui, na sexta edição da Feira Internacional do Livro para Estudantes Universitários.

– Serão dias repletos de atividades que abrangem uma ampla gama de tópicos e conteúdos interligados. Você também participará de uma reunião da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) na Cidade do México.

Sim, fui convidada pela UNAM para participar desses eventos relacionados à FILUNI, palestrando em diversos painéis e conferências. Isso também coincide com o convite da CEPAL para participarmos de um Fórum Acadêmico sobre "Territórios do Cuidado". Nesta quinta-feira à tarde, discutirei o progresso da região nessa área, com foco nos aspectos acadêmicos do cuidado e nas questões críticas para a igualdade de gênero. A CLACSO também está comprometida com esse tema.

– Na quinta e sexta-feira, outras atividades ocorrerão no âmbito de um fórum internacional intitulado "Conflitos Socioambientais e Mobilidade Humana: Desafios das Políticas e do Ativismo". Quais são as expectativas para este encontro?

– Nós, da CLACSO, também decidimos organizar, em conjunto com nossos Centros Membros no México, uma nova edição das Plataformas para o Diálogo Social (PDS), desta vez sobre as plataformas ligadas a questões ambientais, migrações e mobilidade humana.

Esses são dois temas de importância crucial para a região da América Latina e do Caribe, mas particularmente para esta área, a América Central e o Caribe. Queremos avançar na articulação de conhecimento, políticas públicas e movimentos e organizações sociais, para discutir e construir alternativas em torno das questões ambientais e da migração.


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