"O conhecimento deve ser apropriado pela sociedade para combater a desinformação."

 "O conhecimento deve ser apropriado pela sociedade para combater a desinformação."

Transcrição da coluna de Karina Batthyány
Em InfoCLACSO – 4 de setembro de 2024

Estamos no El Colegio de México (COLMEX), uma das principais instituições na área de ciências sociais e humanas, com espírito humanista e compromisso com o pensamento crítico. Inauguramos a nova Biblioteca de Acesso Aberto CLACSO-COLMEX, que se junta às outras 25 bibliotecas que a CLACSO já opera em parceria com seus Centros Membros ou outras instituições acadêmicas. O objetivo dessas bibliotecas é tornar a reprodução do conhecimento — como livros, periódicos e publicações acadêmicas em geral — acessível a todos, sem barreiras ou restrições.

Na CLACSO, sempre defendemos o acesso aberto. É um dos pilares fundamentais para a prática da ciência aberta e para a defesa do acesso ao conhecimento como um bem público para todos.

Sem dúvida, a inclusão desta nova publicação na biblioteca garante que aqueles que desejam conhecer as significativas contribuições do El Colegio de México para o desenvolvimento das ciências sociais na América Latina e no Caribe também possam encontrá-las na Biblioteca Virtual da CLACSO. A nova Biblioteca CLACSO-COLMEX consolida ainda mais a posição desta biblioteca como o maior repositório de recursos em ciências sociais e humanas, não apenas em termos de quantidade, mas também em termos de qualidade e tipos de materiais que possuímos.

O repositório de materiais da Biblioteca CLACSO geralmente recebe mais de dois milhões e meio de downloads por ano; que ótima maneira de democratizar o acesso aberto ao conhecimento!

Vivemos em um mundo complexo, com notícias falsas e certos setores políticos que promovem a negação das mudanças climáticas e sufocam as lutas feministas. Como se encaixa, nesse mundo complexo, a importância de iniciativas que oferecem acesso aberto a materiais desse tipo?

– Exatamente, esse é o papel do conhecimento. Ele deve ser apropriado pela sociedade para a busca e disseminação de informações, a fim de combater as políticas de desinformação e notícias falsas que circulam amplamente. Convidamos a todos a consultar nossa Biblioteca e Livraria Latino-Americana e Caribenha para acessar esses materiais e, em seguida, discuti-los no âmbito científico das ciências sociais e humanas.

– Houve sessões no âmbito das Plataformas para o Diálogo Social, incluindo fóruns entre o Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências e Humanidades (UNAM) e a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México. Qual a sua avaliação desses dois encontros?

– Retornamos à Universidade Nacional Autônoma do México, neste caso ao Centro de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências e Humanidades (CEIICH), onde foi realizada nossa Conferência Latino-Americana e Caribenha #CLACSO2022. Foi uma grande emoção retornar a espaços como a Torre de Humanidades.

Realizamos dois fóruns sobre “Migração e Mobilidade Humana” e “Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, com dois dias de intensos debates e colaboração entre profissionais da academia, movimentos e organizações sociais e agentes de implementação de políticas públicas. Esses são, sem dúvida, dois temas centrais para a América Latina e o Caribe, tanto em termos de questões ambientais e mudanças climáticas, quanto em relação à migração e mobilidade humana. Continuamos a desenvolver essa estrutura de plataformas para promover o diálogo social.

– Nesse sentido, conversamos com alguns pesquisadores e foi muito interessante observar as interseções entre mudanças climáticas e feminismo, especialmente como as desigualdades de gênero se refletem até mesmo nas questões climáticas. As mulheres são afetadas de forma desproporcional pelas responsabilidades de cuidado devido à mobilidade humana em alguns casos, e essas desigualdades persistem em todas as áreas.

– Esta é a perspectiva que sempre propomos, refiro-me à interseccionalidade, onde as diferentes dimensões da desigualdade estão interligadas e, em muitos casos, reforçadas. Claro que uma dessas dimensões é o gênero. Ao abordar questões ambientais ou migração e mobilidade humana, temos uma dimensão muito importante em termos de desigualdades de gênero.

Além disso, discutimos recentemente, dentro do tema Migração e Mobilidade Humana, especificamente as cadeias globais de cuidados, as mulheres migrantes que se deslocam geograficamente entre diferentes continentes ou mesmo dentro da própria América Latina para trabalhar como cuidadoras e o que acontece com seus dependentes ou com as situações de cuidado em seus países de origem.

Participamos também de um fórum organizado em conjunto pela CEPAL, ONU Mulheres e Instituto Nacional da Mulher do México sobre “Territórios do Cuidado”, onde abordamos as interseções entre diversas dimensões, como cuidado e meio ambiente. Além disso, participei do Diálogo Internacional sobre o tema, compartilhando reflexões e experiências, e considerando os avanços alcançados em termos de conceitos e políticas públicas na América Latina e no Caribe.

– No México, temos um contexto sem precedentes, com uma transição governamental muito forte e uma popularidade altíssima com a saída de um governo, para dar lugar à primeira presidente mulher daquele país, algo que marca um evento histórico, certo?

– Sem dúvida. É um evento histórico, pois ela é a primeira mulher a assumir a presidência do México, devido aos níveis de votos que recebeu, que são ainda maiores do que os de seu antecessor, López Obrador.

A vitória de Claudia Sheinbaum representa um desafio significativo. Primeiro, em termos de continuidade do ciclo político, permitirá o avanço ou aprofundamento das reformas em curso no México. E segundo, para a nossa região. Garantirá a continuidade de um governo de orientação progressista, o que é uma boa notícia para a América Latina e o Caribe.


Programa completo – Como os conflitos socioambientais afetam a mobilidade humana?


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