O campo religioso na América Latina: continuidades, transformações e conflitos.

 O campo religioso na América Latina: continuidades, transformações e conflitos.


Seminário 2161

CadeiraCLACSO

Coordenação: Renée de la Torre (CIESAS, México) e Pablo Semán (UNSAM, Argentina)
Início: 23/09/2021 | Inscrição: 23/07/2021 a 22/09/2021

Equipe de ensino: Equipe docente: Renée de la Torre (CIESAS, México), Alejandro Frigerio (UCA/CONICET, Argentina), Verónica Giménez Béliveau (CEIL/CONICET, Argentina), Carlos Garma (UAM-IZTAPALAPA, México) e Pablo Semán (UNSAM/CONICET, Argentina).

Carga horária: 12 semanas – 90 horas.


Quais são as alternativas religiosas na América Latina e como elas estão se desenvolvendo? Quais são as consequências do processo de secularização? Quais são as relações entre a transformação do campo religioso e a política nas sociedades latino-americanas?

A transformação do campo religioso na América Latina é significativa não apenas em termos de alternativas institucionalizadas, mas também em termos da emergência de imaginários religiosos renovados. É importante também porque essas transformações estão correlacionadas com processos de mudança social, política e econômica na região. Nesse contexto, o processo no campo religioso é simultaneamente uma janela para a compreensão dos efeitos dessas transformações e um efeito dessas mudanças. Dentro dessa mesma estrutura surge o problema histórico, político e conceitual das fronteiras entre grupos religiosos e entre grupos religiosos e o Estado: é necessário compreender o sistema de relações no qual essas fronteiras são processadas e essas alternativas emergem. Isso envolve não apenas a relação entre agendas de gênero e expressões religiosas conservadoras, mas também a relação entre movimentos sociais e sensibilidades religiosas, a relação entre noções de sujeito ou identidades sociais e religião, entre cultura de massa e religião, e entre espaço público em geral e religião. Para elucidar o campo de questões gerais que indicamos aqui como introdução, dedicaremos este curso, que busca, simultaneamente, descrever os fenômenos religiosos, relacioná-los a problemas sociais mais amplos e transmitir conceitos atuais nos quais a teoria social contemporânea e as teorias aplicadas ao conhecimento das experiências religiosas dialogam criticamente.

Esta proposta baseia-se numa necessidade que observamos no público das ciências sociais e no facto de esta preocupação receber comparativamente pouca atenção em relação a outros fenómenos emergentes na atualidade.

Baseia-se também nas possibilidades de abordar essa questão por meio do trabalho de uma crescente rede de pesquisadores latino-americanos que investigam diferentes fenômenos religiosos em diversos países da região e que produziram contribuições empíricas e teóricas notáveis.

Finalmente, esta proposta baseia-se no fato de que esta produção permite e exige uma capitalização capaz de dar conta de um aspecto obscurecido das transformações sociais contemporâneas e uma tarefa de captar essa mudança que abrace plenamente as exigências de um diálogo crítico com as categorias coloniais do saber em sentido amplo.

OBJETIVO GERAL:

Quais grupos predominam e por quê? Como a situação do campo religioso se relaciona com o processo político em curso na região? O objetivo geral deste curso é fornecer aos participantes ferramentas empíricas e teóricas para compreender o estado atual do campo religioso na região. Nesse sentido, estamos interessados ​​nas transformações que podem ser observadas em comparação com o passado (o crescimento de grupos evangélicos, as transformações do catolicismo, a busca e legitimação de tradições religiosas ameríndias e afro-americanas, a disseminação do movimento Nova Era). Também nos interessa a natureza fluida da relação entre religião e esfera pública em dois sentidos: a transformação e a permeabilidade das fronteiras da secularização e o fato de que o que chamamos de secularização é um processo que renova as religiões. 

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  • Que os alunos possuam um arsenal teórico e analítico atualizado e crítico em relação aos problemas da definição de religião, secularização, grupos religiosos e suas dinâmicas.
  • Que os alunos possam aprender sobre o panorama da diversidade religiosa na América Latina, levando em consideração os diferentes tipos de grupos religiosos e os conflitos entre esses grupos e entre esses grupos e o Estado.
  • Os alunos devem compreender a natureza específica dos conflitos que moldam a agenda pública e como as motivações religiosas contribuem para a sua formação. Isso envolve a compreensão tanto da influência da religião na sociedade em geral quanto das transformações dos grupos religiosos em resposta a mudanças sociais, econômicas e políticas mais amplas.
  • Que os alunos possam compreender os principais aspectos do crescimento dos grupos evangélicos, as transformações do catolicismo, a visibilidade das alternativas dos povos nativos e a expansão dos fenômenos ligados à constelação da nova era.
  • As Ciências Sociais Diante do Desafio da Religião. Secularização do século XIX ao XXI: do Iluminismo à Reversibilidade. Secularismo na América Latina e as Lutas Religiosas pelo Espaço Público.
  • Religiosidade popular. Uma lógica cultural que transcende a superstição e a tradição.
  • Teologias católicas latino-americanas desde o Concílio Vaticano II.
  • Católicos e espaços públicos na época de Francisco I.
  • Evangélicos. Protestantismo, fundamentalismo e pentecostalismo. Expansão, diversificação e relações de poder. Reações à agenda de gênero. Mitos e certezas.
  • A Nova Era e o senso comum contemporâneo: o indivíduo, o mercado e a religião. Autonomia, hibridizações, tradição e inovação. A reconfiguração do campo religioso.
  • A ascensão dos ameríndios no século XXI.
  • O estudo e a compreensão das religiões afro-americanas, com ênfase nas variantes presentes no Cone Sul.
  • Religião e cultura de massa: sacralização e secularização na cultura de massa. Projetos de evangelização, porosidades e fronteiras fluidas.
  • Algranti, J. (2013). A indústria da crença: sociologia dos produtos religiososEditora Biblos.
  • Almeida, R. (2021). Deus acima de tudo: os evangélicos e a eleição de Bolsonaro. In: De la Torre, R. e Semán, P. (Eds) Religiões e espaços públicos na América Latina. Buenos Aires: CLACSO; México: CALAS, pp.
  • Alonso, A (2008) América Latina e Caribe: Territórios religiosos e desafios para o diálogo
  • Alvizuri, V. (2017) Indianismo, política e religião na Bolívia (2006-2016), Caravelle.  
  • Ameigeiras, A. (2010). Crenças religiosas populares na sociedade argentina: algumas reflexões sobre o significado da crença em Deus, a diversidade de crenças e identidades religiosas. Sociedade e Religião20(32-33), 31-41. 
  • Argyriadis, K. (2005). Religião dos povos indígenas, religião dos cientistas: construção da identidade cubana e Santería. Desrespeito, (17), 85-106. 
  • Argyriadis, K., Capone, S., de la Torre, R. e Mary. R. (2012). Em contrapartida, a transnacionalização das religiões africanas e latino-americanas. Cidade do México: CIESAS.
  • Bastian, JP (2006). Dos protestantismos históricos aos pentecostais latino-americanos: Análise de uma mutação religiosa. Revista de Ciências Sociais (Cl), (16), 38-54.
  • Bourdieu, P. (2000). A dissolução do religioso. Coisas ditas. Barcelona: Gedisa, pp.
  • Caicedo, Alhena (2015). A alteridade radical que cura. Neoxamanismos e práticas de yagé na Colômbia. Bogotá: Universidade de Los Andes
  • Campos Machado, MD (2021). Neoconservadorismo cristão no Brasil contemporâneo. In: De la Torre, R. e Semán, P. (Eds) Religiões e espaços públicos na América Latina. Buenos Aires: CLACSO; México: CALAS, pp.
  • Capone, S. (2016). Reafricanização nas religiões afro-brasileiras: repensando o sincretismo religioso. O Manual Brill de Religiões Contemporâneas no Brasil, 473-88.
  • Carozzi, MJ (1999). Autonomia como religião: a nova era. Alteridade, 18 (9), pág. 19-38.
  • De la Torre, R. (2013). Religiosidades indo e afro-americanas e circuitos da espiritualidade da nova era. Em de La Torre, R., Gutiérrez Zúñiga, C. e Juárez Huet, N. (eds.) Variações e apropriações latino-americanas da nova eraMéxico: CIESAS, pp. 27-46.
  • De la Torre, R. (2018). Videogracia e as recomposições da religiosidade contemporânea na América Latina. legítimo11 (1), 19-33.
  • De la Torre, R. e Semán, P. (Eds) (2021) Religiões e espaços públicos na América LatinaBuenos Aires: CLACSO; México: CALAS. Introdução: Religiões e Espaços Públicos na América Latina, pp. 11-51.
  • De la Torre, R. e Semán, P. (Eds) (2021) Religiões e espaços públicos na América LatinaBuenos Aires: CLACSO; México: CALAS. Introdução: Religiões e Espaços Públicos na América Latina.
  • Frigerio, A. (2002). A expansão das religiões afro-brasileiras na Argentina: representações conflitantes de cultura, raça e nação em um contexto de integração regional. Arquivos de ciências sociais das religiões, n.º 117, pp. 127-150.
  • Frigerio, A. Roldán, V. (2018) Francisco, o Papa da América Latina, Biblos.  
  • Mansilla, MA, e Mosqueira, M. (dir.). (2020). Sociologia do Pentecostalismo na América LatinaSantiago, Chile: RIL Editores, Universidade Arturo Prat. Introdução. Sociologia do Pentecostalismo na América Latina: 50 anos de pesquisa, pp.
  • Oro, AP e Camurça, MA (2018). A secularização do espaço público: meandros e mediações diante do esquema de separação entre secular e religioso. Horizontes antropológicos, 24 (52), pág. 7-20.
  • Parker, C. (1996). Outra lógica na América Latina: religião popular e modernização capitalista.Santiago: Fundo de Cultura Econômica. 
  • Pérez Guadalupe, J (2018) Políticos evangélicos ou evangélicos políticos? Os novos modelos de conquista política dos evangélicos. Em Pérez Guadalupe, J. e Grundberger, S. (Eds.). Evangélicos e poder na América LatinaFundação Konrad Adenauer, pp. 11-106 [pode ser citado como seleção 11-59] 
  • Ricard, P. Aparecida. Uma versão breve e crítica do Documento Final do DEI, Departamento Ecumênico de Investigações. 
  • Segato, R (2007). A nação e seus outros. Raça, etnia e diversidade religiosa em tempos de política identitária. Buenos Aires: Prometeo.
  • Semán, P. (2001). Cosmológico, holístico e relacional: uma corrente da religiosidade popular contemporânea. Ciências Sociais e Religião/Ciências Sociais E Religião3(3), 45-74
  • Semán, P. (2006). Sob a corrente: explorações descentralizadas da cultura popular e de massa.Editora Gorla
  • Semán, P., García Bossio, MP (2021). Evangélicos e políticos na Argentina e no Brasil: transformações e escolhas conservadoras. Estudos Culturais
  • Toniol, R. (2015). Nova Era e saúde: equilíbrio e perspectivas teóricas. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais (BIB)2(80), 27-41.
  • Varguez Pasos, L. (2008) "O movimento de Renovação Carismática no Espírito Santo e no Magistério da Igreja Católica. Da suspeita à aceitação" Sociedade e Religião vol. XX, n.30/31:7-30. Buenos Aires.

 



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Perguntas frequentes

Os requisitos básicos para participar de um seminário são:

  • Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
  • Acesso à Internet.
  • Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
  • Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
Os seminários têm duração de 10 semanas, além da conclusão de um projeto final. Serão creditadas 48 horas de trabalho com o instrutor e 90 horas de dedicação total.
O curso é composto por 10 aulas, cada uma acompanhada de leituras obrigatórias, leituras complementares, fóruns de discussão e atividades de aprendizagem propostas pela equipe docente, além de entregas parciais e um projeto final. O curso é ministrado online e de forma assíncrona. Alguns instrutores podem propor atividades síncronas. Nesses casos, a data e o horário serão combinados previamente entre a equipe docente e os alunos para garantir a participação de todos. Para aprovação no seminário, os alunos devem participar de pelo menos 80% dos fóruns de discussão e atividades propostas pelos instrutores, concluir todas as entregas parciais programadas e ser aprovados no projeto final.

 



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