Educação ambiental: uma abordagem a partir da pedagogia do conflito ambiental.
Seminário 2234
Coordenação: Edgar González Gaudiano (Universidade Nacional de Educação a Distância, México), María Laura Canciani (Universidade Nacional de Moreno, Argentina) e Aldana Telias (Universidade Nacional de Luján, Argentina)
Home: 07 / 09 / 2022 | Registo: 26/07/2022 al 06/09/2022
A educação ambiental é um campo emergente e interdisciplinar de intervenção política e pedagógica, inserido em processos históricos e sociais mais amplos, com características e peculiaridades específicas. Surgiu em resposta à aceleração e ao aprofundamento da crise ambiental e ganhou visibilidade global em meados do século XX. Hoje, vivenciamos uma crise ambiental e climática sem precedentes na história da humanidade. Os conflitos ambientais se intensificam em territórios cada vez mais desfavorecidos, e as gerações mais jovens vislumbram futuros incertos, desiguais e desanimadores, o que mobiliza sua participação na esfera pública. Nesse contexto, torna-se essencial revisitar a questão de como e por que educar em um contexto de emergência ambiental e climática. Propomos apresentar uma abordagem pedagógica denominada Pedagogia do Conflito Ambiental, que visa integrar a dimensão ambiental ao ensino das ciências sociais, promovendo uma educação ambiental crítica, abrangente, situada e baseada na comunidade. Essa abordagem fomenta a compreensão do complexo contexto social, histórico e cultural no qual os conflitos ambientais e territoriais se desenrolam. Busca-se gerar práticas de ensino que examinem criticamente as múltiplas formas de extrativismo, suas dinâmicas, disputas e controvérsias, ao mesmo tempo que desafiam os padrões hegemônicos de construção e transmissão do conhecimento que se enraizaram no sistema escolar. Nosso objetivo é promover uma perspectiva ambiental dentro das organizações educacionais que possa desafiar, questionar, motivar e mobilizar indivíduos e suas práticas. Fundamentalmente, buscamos fornecer ferramentas para o desenvolvimento de projetos ambientais participativos que visem construir uma sociedade mais justa, digna e sustentável, baseada nos direitos ambientais.
OBJETIVO GERAL
O seminário busca promover uma perspectiva ambiental nas organizações escolares que consiga desnaturalizar, desestabilizar, comover e mobilizar os sujeitos e suas práticas; e, fundamentalmente, fornecer ferramentas para o desenvolvimento de projetos ambientais participativos que tenham como horizonte a afirmação de uma sociedade mais justa, digna e sustentável em termos de direitos ambientais.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Que os alunos:
- Integrar a dimensão ambiental no ensino das ciências sociais a partir de uma perspectiva crítica e contextualizada.
- Desenvolver uma abordagem crítica para a educação ambiental que permita abordar os problemas ambientais a partir de uma perspectiva abrangente, complexa e transversal.
- Investigar e debater a pedagogia do conflito ambiental, visando abordar a situação ambiental dos territórios nas instituições de ensino.
- Elabore propostas pedagógicas que implementem com sucesso uma abordagem crítica à educação ambiental, com base nos conceitos, reflexões e conhecimentos adquiridos.
- Crise ambiental e extrativismo: entre o colapso ecológico e o imperativo ambiental
- Educação Ambiental: Uma Perspectiva Histórica da América Latina
- Educação ambiental no contexto neoliberal: as mudanças climáticas como o epítome de uma rota de colisão.
- Educação ambiental crítica: uma perspectiva do pensamento ambiental latino-americano
- Educação ambiental e currículo complexo
- Pedagogia do conflito ambiental, bases conceituais
- Educação ambiental para as mudanças climáticas: educar sobre o clima ou para a mudança?
- Possíveis intersecções entre educação ambiental e perspectiva de gênero
- Canciani e Telias, A. (2013). Contribuições teóricas e conceituais para pensar sobre processos educacionais em cenários de conflito ambiental. IICE Journal, (34).
- Canciani, Telias, Sessano (2017) Problemas e desafios da Educação Uma abordagem em 12 aulas. CABA: Novidades Educativas.
- Carvalho, (1999). A questão ambiental e a emergência de um campo educativo e político de ação social. Na Revista Tópicos em Educação Ambiental, vol. 1, N°1, Academia Nacional de Educação Ambiental (ANEA).
- De Alba, A. (1993). O imperativo ambiental, em Perspectivas de Ensino nº 11, julho - Universidade Autônoma de Juárez.
- De Alba. A. (1998). Currículo: crise, mito e perspectivas, Miño y Dávila.
- De A. (2018), Horizonte Ontológico Semiótico, meio ambiente e educação. In Reyes Escutia, Felipe, Construindo um Nós com a terra. Vozes latino-americanas pela descolonização do pensamento e da ação ambiental. Editorial Itaca, México.
- Elmhirst, R. (2018). Ecologias políticas feministas: perspectivas e abordagens situadas. In: Ecologia Política. Caderno de debates internacionais, janeiro de 2018.
- Escenhagen, L. (2007). Cúpulas ambientais internacionais e educação ambiental, OASIS, no. 12, 2007. Universidade Externado da Colômbia, Bogotá, Colômbia.
- Galano, C., Leff, E. (e outros). (2002). Manifesto pela Vida. Por uma ética para a vida.
- Gaudiano, E. G. (2001). Outra leitura da história da educação ambiental na América Latina e no Caribe, Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 3, /jun. 2001. Editora da UFPR
- González Gaudiano, E. (2019) Educação ambiental na era neoliberal: Luzes e sombras de uma prática pedagógica em condições de mudança climática. Texto da palestra de abertura apresentada no XV Congresso Mexicano de Pesquisa Educacional, realizado em Acapulco, México, de 18 a 22 de novembro.
- González Gaudiano e Meira Cartea, P. (2019). Educar para as mudanças climáticas. Educar sobre o clima ou educar para a mudança? In Perfis Educacionais. Vol. XLII, nº 168, 2020. IISUE-UNAM. 174.
- (2019). Mapeando o Território. Oficina colaborativa de mapeamento e pesquisa realizada nos dias 27 e 28 de junho de 2019, no âmbito do Congresso “Pedagogias e União”. Por uma educação pública e popular para a emancipação”, organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Río Negro (UnTER).
- IPCC 2020, Declaração do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.
- Lander, (2005). Ciências sociais: conhecimento colonial e eurocêntrico. In: Lander, E. (org.). A colonialidade do conhecimento: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. UNESCO: CLACSO.
- Leff, Enrique (2012). Pensamento ambiental latino-americano: patrimônio de conhecimento para a sustentabilidade. In: Environmental Ethics Journal. Texas: Centro de Filosofia Ambiental da Universidade da Carolina do Norte.
- Martínez Alier, J. (2004). Conflitos ecológicos e linguagens de valoração, em O ambientalismo dos pobres: Conflitos ambientais e linguagens de valoração, Barcelona, Icaria/FLACSO.
- Merlinsky, (2021). Conflitos ambientais como analisadores sociais. Em Toda Ecologia é Política: as lutas pelo direito ao meio ambiente em busca de mundos alternativos. Buenos Aires. Siglo XXI.
- Moreno, M. e Mastrolorenzo, C. (2021). Geografia e Educação Sexual Integral. Contribuições para o ensino de espaços contemporâneos. Introdução e 1. 1ª ed. Milena Caserola. Cidade Autônoma de Buenos Aires.
- Puiggrós e Sessano, P. (2014) Políticas educacionais neoliberais de terceira geração e educação ambiental. Em A. Telias, M. Canciani, P. Sessano, S. Alvino e A. Padawer. Educação ambiental na Argentina: atores, conflitos e políticas públicas (pp. 17-39). San Fernando: La bicicleta.
- Svampa e Viale, E. (2020). O colapso ecológico já chegou. Cidade de Buenos Aires: Siglo XXI.
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Perguntas frequentes
Os requisitos básicos para participar de um seminário são:
- Disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para se dedicar ao curso do seminário.
- Acesso à Internet.
- Domínio adequado das ferramentas de comunicação e informática.
- Proficiência no idioma em que o curso será ministrado. Os idiomas oficiais são o espanhol e o português.
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