Economias populares: mapeamento teórico e prático

As economias populares emergem em toda a região da América Latina como experiências de reprodução das vidas das maiorias urbanas e rurais, caracterizadas pela coexistência de múltiplas e variadas estratégias de estabilização e disputa de novas dinâmicas de trabalho em um contexto de precariedade, desapropriação e confronto com as dinâmicas de acumulação, extração e exploração.  

As estruturas organizacionais das economias populares constituem novos horizontes de construção social, política e econômica das organizações populares e feministas, e suas estruturas organizacionais têm experimentado possibilidades de reconfiguração da institucionalidade, em certos contextos políticos, ou melhor, têm sido alvo de políticas de estigmatização e criminalização, configurando-se como espaços centrais na disputa pelas subjetividades populares.

Propomos explorar novas linhas de pesquisa a partir da hipótese de uma “guerra contra as economias populares” (Gago, 2025), em diálogo com a proposta analítica da emergência de um regime de guerra global (Hardt, Mezzadra, 2024), analisando a transformação de territórios, as formas de mobilidade e a dimensão transnacional das economias populares, investigando suas relações com o extrativismo e a crise ecológica. Além disso, buscamos aprofundar as reflexões sobre a dimensão política das economias populares, feministas e migrantes, analisando as formas de engajamento político que elas empregam quando atacadas, bem como seus atos de resistência ao avanço reacionário. Por fim, propomos enriquecer a análise dos processos de financeirização, da expansão da economia da dívida e sua articulação com diversas formas de ilegalidade diante do empobrecimento generalizado, e as experiências de gestão e políticas públicas, em termos de reconfiguração da esfera pública e diferentes formas de institucionalismo popular.


coordenada

Verónica Gago
Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados
Universidade Nacional de San Martín (UNSAM)
Argentina
[email protected]

Maria Cristina Cielo
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Equador
Equador
[email protected]

Aliscia Castronovo
Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados
Universidade Nacional de San Martín (UNSAM)
Argentina
[email protected]


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