Economia política da informação, comunicação e cultura

A Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura (EPICC) é uma tradição de pesquisa que hoje se mostra mais do que relevante para a análise das complexas lógicas organizacionais da chamada Sociedade da Informação e/ou do Conhecimento.
Na medida em que conecta ou reconecta o histórico e o social com a dominação da natureza, ajuda-nos a compreender as práticas e lógicas sociais concretas que subjazem aos modelos de desenvolvimento contemporâneos da chamada economia da inovação. Os seus estudos destacam os crescentes processos de colonização que constituem o capitalismo de vigilância.
Se o neoliberalismo opera segundo o princípio do isolamento e da desconexão moral e intelectual, o EPICC visa conectar agentes, instituições, comunidades de leitores, movimentos políticos e sociais e a teoria crítica da comunicação no presente e para o futuro. A luta epistemológica para reconfigurar o campo crítico da comunicação, no atual processo histórico, envolve definir o horizonte cognitivo da nova sociedade digital e a centralidade da luta pelo código na nova forma de reprodução do capital.
Assim, a pesquisa no âmbito do EPICC contribui para o pensamento crítico em comunicação, fornecendo elementos fundamentais para a análise da dialética de acesso e controle da informação nas democracias latino-americanas.
Do Relatório McBride ao Foro de Porto Alegre e ao Fórum Social da Internet, acadêmicos, comunicadores e movimentos de libertação social têm reivindicado uma estrutura de comunicação diferente, baseada na análise da economia política e na contribuição do conhecimento materialista na comunicação para a apropriação social das novas tecnologias e sistemas de informação. Este Grupo de Trabalho visa dar continuidade ao trabalho de articulação, agrupamento e promoção dos estudos econômico-políticos e da teoria crítica da mediação, recuperando o legado histórico e científico da produtiva escola latino-americana. Nesse sentido, apresenta-se uma proposta dirigida tanto à comunidade acadêmica quanto aos movimentos e coletivos sociais que defendem uma nova ordem informacional em tempos de plataformização e algoritmos. Fiel à tradição de articular vontades e coordenar esforços crítico-reflexivos no campo da comunicação e da cultura, o Grupo de Trabalho EPICC busca, em suma, dar conta do pensamento mais avançado sobre o tema, a fim de formular uma crítica teórica bem fundamentada, bem como análises inovadoras sobre as emergências e alternativas democráticas de progresso que devem ser pensadas geopoliticamente a partir de novas matrizes e ferramentas analíticas.
atividades Grupo de Trabalho da CLACSO sobre a Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura Eles estão organizados nas seguintes linhas de trabalho:
I. Epistemologia e teoria da economia política da comunicação
II. Estrutura de propriedade e políticas de comunicação na América Latina
III. Economia Social da Comunicação
IV. Geopolítica e a Geologia da Informação
V. Capitalismo de plataforma e alternativas regionais
VI. Conectividade e TIC na América Latina
VII. Ciberativismo e comunicação emergente na cultura digital
VIII. Inteligência artificial e cadeias de valor na comunicação
Com base nessas linhas de pesquisa, e na conexão entre os aspectos culturais e comunicativos, tecnológicos e econômicos, e político-informacionais e tecnoestéticos que estão na base do modelo de análise EPICC, buscaremos definir um quadro lógico para uma compreensão global da inter-relação existente entre os diferentes níveis de ação, o que revelará tanto os problemas de uma ordem prática quanto a lógica da desinformação da pós-verdade, como aspectos substantivos dos modelos de representação ideológica presentes na prática teórica contemporânea.
O nosso Grupo de Trabalho da CLACSO sobre a Economia Política da Informação, Comunicação e CulturaÉ composto por pesquisadores formados e em formação de 10 países da América Latina e do Caribe e mantém uma representação equitativa de gênero. Foi criado em 2019 e inicia seu segundo mandato no CLACSO em 2023.
coordenada
Daniela Inés Monje
Centro de Estudos Avançados
Faculdade de Ciências Sociais
Universidade Nacional de Córdoba
Argentina
[email protected]
Isabel Ramos
Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais
Equador
[email protected]
César Bolaño
Programa de Pós-Graduação em Geografia
Universidade Federal de Sergipe
Brasil
[email protected]
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