Disputas sobre o público e os bens comuns em tempos de pandemia.
Na quarta-feira, 15 de abril, foi realizado o debate virtual “Disputas sobre o Público e o Comum”, coorganizado pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), pela Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS) e pela Associação Internacional de Sociologia (ISA). Mais de seiscentas pessoas da América Latina, do Caribe e de diversos países europeus participaram do evento, que teve duração de duas horas.
Entre outros, participaram Breno Bringel, da ALAS, Geoffrey Pleyers, da ISA, e Pablo Vommaro, representando a CLACSO, naquele que foi concebido como um espaço de encontro, troca de ideias, debate e reflexão sobre algumas dimensões não suficientemente abordadas em relação à pandemia da COVID-19.
Pablo Vommaro abriu o debate na discussão "Disputas sobre o público e o comum", convidando à reflexão sobre a esfera pública. “Em sentido amplo. Sem dúvida, esta pandemia e as políticas públicas implementadas criaram tensão e debate sobre o que constitui uma política pública, seu papel e a capacidade do Estado de intervir e modular a vida econômica, política e social. Mas também destaca fortemente o papel da sociedade, o papel das comunidades, o lugar dos bairros operários, dos territórios, da sociedade civil, das organizações sociais e das relações interpessoais. Convida-nos a refletir sobre o que acontece aos espaços públicos…”
Por sua vez, o antropólogo colombiano Arturo Escobar convocou “Uma reflexão coletiva que nos ajuda a libertar-nos de uma forma dominante de pensar e viver.” Ele questionou como chegamos a essa situação e como iremos seguir em frente. Nesse sentido, sugeriu que é possível que um mundo diferente surja após a pandemia. “Como podemos contribuir agora para a criação deste mundo?” Ele se perguntou e propôs que “Parte da luta pelos bens comuns e pelo público na América Latina é construir narrativas de outras formas de vida e outros futuros possíveis, e tê-las prontas para que – quando a oportunidade surgir – possamos aproveitá-las com os coletivos com os quais trabalhamos.”
Para a socióloga costarriquenha Montserrat Sagot, esta crise permite-nos ver o melhor e o pior destes tempos. “Esta crise, que não é uma crise de saúde, mas sim tem o potencial de se tornar uma crise civilizacional, permite-nos ver o que eu chamo de fase assassina do capitalismo. Essa fase sempre esteve presente; é uma das características do capitalismo, mas é muito diferente quando os mortos são migrantes africanos no Mediterrâneo ou pessoas da América Central.” em sua jornada para os Estados Unidos, que “Quando uma pista de gelo em Madri se enche de cadáveres, ou 40 caminhões militares saem de Bergamo carregando corpos, ou uma vala comum é aberta em um parque de Nova York. Essa fase assassina nos permitiu até mesmo redefinir o que antes eram espaços públicos de lazer e entretenimento, agora transformados em campos semeados de corpos.” E, em relação à situação atual, ele declarou: "Não sou contra as práticas de distanciamento social neste momento de crise global, mas deve haver uma renda social para todas as pessoas, um papel para o Estado nas políticas redistributivas."
Participaram também da conversa o sociólogo brasileiro Paulo Henrique Martins, a professora chilena Kathya Araujo e a socióloga argentino-alemã Paula Irene Villa Braslavsky, com valiosas contribuições para a reflexão sobre a situação atual da pandemia.
[+] Refletindo sobre a pandemia

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