Diploma Avançado em Transformações Digitais e Trabalho

 Diploma Avançado em Transformações Digitais e Trabalho

1ª turma | Programa online | Início em abril de 2026

COORDENAÇÃO ACADÊMICA: Mariana Fernández Massi (IDIHCS, UNLP/CONICET, Argentina) e Mariano Zukerfeld (Universidade Nacional de Quilmes, Argentina)

CORPO DOCENTE

Marina Adamini (Instituto de Geografia, História e Ciências Sociais-CONICET/UNICEN, Argentina) | Cora Arias (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) Carina Borrastero (Centro de Pesquisa em Ciências Econômicas, UNC-CONICET, Argentina) Nicolás Diana Menéndez (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) | Mariana Fernández Massi (IDIHCS, UNLP/CONICET, Argentina) Denise Kasparian (Instituto de Pesquisa Gino Germani, FSOC-UBA/CONICET, Argentina) Nicolás Moncaut (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina)Marta Novick (Centro de Inovação dos Trabalhadores, CITRA-CONICET, Argentina) | Andrés Rabosto (Observatório América Latina-China, OLAC-UBA, Argentina) | Federico Rosenbaum Carli (Universidade Católica do Uruguai)Verônica Robert (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina)| Antonio Stecher (Universidade Diego Portales, Chile) Guillermina Yansen (Centro de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) da Universidade Maimônides/CONICET, Argentina) | Mariano Zukerfeld (Universidade Nacional de Quilmes, Argentina)

Home: 30 / 04 / 2026 | Registo: 12/01/2026 al 30/04/2026

Formato virtual | Abril a julho de 2026



Vivemos em um mundo onde as tecnologias digitais estão transformando a maneira como trabalhamos, nos conectamos e produzimos. Da ascensão do trabalho remoto e de plataformas como Uber e Rappi ao impacto da inteligência artificial em profissões tradicionais, essas tendências estão mudando a forma e as condições em que trabalhamos. Este programa de diploma oferece um espaço para compreender essas mudanças e contribuir para a construção de perspectivas latino-americanas para enfrentá-las.

Ao longo do curso, com uma abordagem crítica e situada, abordaremos um conjunto de questões que nos permitirão organizar o debate público sobre tecnologia e trabalho: Qual o papel das tecnologias digitais na transformação dos processos produtivos contemporâneos? Quais referenciais teóricos e metodológicos podem contribuir para a compreensão dessas transformações a partir de uma perspectiva latino-americana? Como essas tendências se manifestam na América Latina e no Caribe, e em que diferem de outras regiões? Como as experiências dos trabalhadores variam em diferentes setores e contextos? Quais desafios o trabalho em plataformas digitais apresenta para os direitos trabalhistas e a regulamentação do trabalho? Qual o papel das narrativas de automação na percepção dos trabalhadores sobre seu futuro profissional? Quais critérios gerais e experiências prévias podem orientar a formulação de políticas públicas e alternativas emancipatórias no contexto do capitalismo digital?

A relação entre processos de trabalho e tecnologias digitais é um tema cada vez mais relevante para diversos atores sociais. No entanto, a variedade de discursos e a natureza dinâmica do assunto dificultam sua compreensão sistemática e atualizada.
Neste curso de especialização, propomos organizar as diferentes relações entre trabalho e tecnologias digitais através de três tendências: digitalização, plataformização e automação.

Assim, com o advento do capitalismo digital (informacional, cognitivo ou outros nomes) desde o final do século XX, diversos estudos apontaram especificamente para a tendência de digitalização das atividades produtivas: observou-se que um número crescente de trabalhadores fazia da produção de alguma forma de informação digital sua principal ocupação e utilizava uma ou mais tecnologias digitais como seu principal meio de trabalho. Programadores, designers, escritores e comunicadores, entre outros, eram exemplos típicos.
Então, a partir da primeira década do século XXI, a tendência de plataformização começou a ganhar visibilidade: processos de produção definidos pelas relações entre trabalhadores que realizam atividades laborais — geralmente classificados como autônomos —, consumidores de bens ou serviços e, crucialmente, as próprias plataformas: empresas com fins lucrativos que se apresentam como meras intermediárias da oferta e da demanda, mas que, na prática, estruturam todo o processo produtivo. Os trabalhadores que atuam por meio de plataformas como Rappi, Uber, Upwork, Zolvers e outras exemplificam essa tendência.

Finalmente, nos últimos anos, a tendência conhecida como automação ganhou visibilidade. Ela se refere à substituição do trabalho humano por tecnologias digitais e softwares. Embora a maioria dos debates atuais gire em torno da inteligência artificial e da robótica, a automação também abrange fenômenos como a substituição de trabalhadores por conteúdo audiovisual (por exemplo, vídeos de professores em vez de aulas presenciais). Além do Chat GPT e do Gemini, o algoritmo de busca do Google, tutoriais educacionais e softwares que gerenciam finanças ou realizam procedimentos médicos são alguns exemplos.

Embora essas tendências tenham sido parcialmente abordadas por diversos autores, um estudo crítico rigoroso de suas manifestações na América Latina e no Caribe permanece uma lacuna significativa. Nesse contexto, este diploma de pós-graduação oferece formação abrangente sobre a relação entre tecnologias digitais e trabalho na região, combinando referenciais teóricos com sua aplicação empírica local. Assim, não apenas novos conceitos são discutidos, mas também metodologias para abordar diferentes tipos de pesquisa. Além disso, longe de ser um empreendimento puramente acadêmico, o programa dialoga com políticas e regulamentações, tanto para examinar as vigentes quanto para desenvolver alternativas transformadoras.

Objetivo geral:

  • Fornecer ferramentas conceituais, metodológicas e políticas para explicar a relação entre as tecnologias digitais e os processos de trabalho na América Latina e no Caribe contemporâneos.

Objetivos específicos:

  • Compreender o contexto e o desenvolvimento histórico das transformações em curso na relação entre tecnologia e trabalho no âmbito da atual fase do capitalismo.
  • Analisar criticamente as características das tendências de digitalização, plataformização e automação do trabalho e estudar seu impacto nas sociedades e economias da América Latina e do Caribe.
  • Fornecer ferramentas metodológicas e exemplos para a análise empírica e contextualizada das tendências estudadas.
  • Abordar a concepção, o planejamento e a avaliação das políticas e regulamentações públicas existentes, e discutir melhores alternativas para a região.

O Diploma Avançado em Transformações Digitais e Trabalho destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais. bem como pesquisadores e avaliadores, estejam eles exercendo suas funções atualmente ou aspirando a exercê-las, além de todos os profissionais interessados ​​no assunto.

O programa é composto por 5 módulos, cada um com 3 aulas semanais, ministradas consecutivamente e interligadas. O curso combina aprendizagem síncrona e assíncrona.

Carga horária total de 128 horas.

Os módulos que compõem o diploma avançado são:

 

  • Aula 1: Introdução à História da Tecnologia e do Trabalho

    Este curso visa explorar a complexa relação entre tecnologia e trabalho ao longo da história, começando pela construção social do conceito de trabalho. Por meio da análise das principais etapas históricas na organização do trabalho, examinaremos como a tecnologia influenciou e foi influenciada pelas práticas laborais. Serão abordados momentos-chave como a Revolução Industrial e o Ludismo, a ascensão da produção em massa sob o Taylorismo e o Fordismo, e sua conexão com os modelos de distribuição e as relações de trabalho.
    A disciplina também abordará as profundas transformações provocadas pela informatização, automação e digitalização, bem como os avanços nas tecnologias de comunicação. Analisará o impacto da globalização, particularmente a globalização financeira, nas cadeias produtivas e estruturas de trabalho, além dos desafios impostos pelo ritmo acelerado das mudanças tecnológicas e organizacionais. O papel da pandemia na aceleração desses processos e o surgimento da inteligência artificial também serão discutidos. Por fim, a disciplina refletirá sobre o estado atual do trabalho e especulará sobre suas possíveis trajetórias futuras em um contexto de constante disrupção tecnológica.

    Professor responsável: Marta Novick - Centro de Inovação dos Trabalhadores (CITRA-CONICET), Argentina


  • Aula 2: Uma Nova Etapa na História? Uma Introdução ao Capitalismo Digital

    Esta disciplina visa, por um lado, apresentar diferentes abordagens à profundidade das transformações de época em curso e, por outro lado, caracterizar a fase atual, o capitalismo digital, com base em um conjunto de dimensões sociais, econômicas e culturais.
    Assim, a primeira parte da aula compara teorias que se situam num espectro que vai desde aquelas que postulam que as transformações associadas às tecnologias digitais fazem parte da dinâmica habitual do capitalismo até aquelas que consideram que estamos a testemunhar uma transformação única na história da humanidade que implica o fim do capitalismo.
    Na segunda parte da aula, é apresentada uma comparação sistemática entre o capitalismo industrial e o capitalismo digital em torno das seguintes dimensões: tecnologia, informação, matéria/energia, biologia, automação, tempo/espaço, organização da produção, modelos de negócios, tipos de exploração, teoria da firma, organização política, setores econômicos dominantes, dinheiro, educação, cultura, comunicação, subjetividade, axiologia e ideologia.

    Professor responsável: Mariano Zukerfeld - Universidade Nacional de Quilmes, Argentina


  • Aula 3: O papel da América Latina

    O objetivo desta disciplina é apresentar perspectivas e dados sobre a dinâmica global atual da produção e da inovação, e o papel particular que a América Latina desempenha nesse contexto. O capitalismo digital apresenta novas formas de organização industrial, ao mesmo tempo que reforça antigas lógicas de conexão entre centros e periferias. A hiperconcentração do mercado de tecnologia em algumas poucas empresas gigantes capazes de penetrar nas mais diversas atividades produtivas leva a uma divisão internacional do trabalho cada vez mais desigual, o que implica modelos de integração específicos e desafiadores para o desenvolvimento da nossa região.
    A primeira parte da aula apresentará uma visão geral concreta de três dimensões da digitalização da economia latino-americana, essenciais para a compreensão de sua posição no cenário global e seu impacto no mundo do trabalho: o estado da infraestrutura digital, as competências digitais dos cidadãos e a digitalização do setor produtivo. Serão utilizados dados regionais oficiais e feitas comparações com outras regiões. A segunda parte apresentará perspectivas locais sobre a subordinação tecnoprodutiva da América Latina e algumas das condições para superá-la.

    Professor responsável: Carina Borrastero - Centro de Pesquisa em Ciências Econômicas (UNC-CONICET), Argentina
  • Aula 4: Digitalização do trabalho e primeiras noções: Teletrabalho; trabalho imaterial; trabalhadores do conhecimento.

    Esta disciplina tem como objetivo apresentar a tendência à digitalização do trabalho, partindo das primeiras e mais difundidas conceitualizações. Serão abordados diversos conceitos que, originários das primeiras décadas do capitalismo digital e ainda utilizados hoje, buscam caracterizar os processos de digitalização do trabalho e capturar a natureza específica do trabalho com tecnologias digitais em contraste com o trabalho típico no capitalismo industrial. Noções como teletrabalho, promovida por organizações internacionais como a OIT; trabalhadores do conhecimento, tanto em sua perspectiva gerencial, conforme definida por Peter Drucker, quanto em perspectivas críticas, como as propostas pelo capitalismo cognitivo; trabalho imaterial, noção tipicamente utilizada pelo pós-operaísmo italiano; e outras serão abordadas nesta disciplina. Esta exploração buscará compreender os critérios subjacentes a essas definições, seu alcance e as características do trabalho que elas elucidam em relação às tecnologias digitais, bem como estabelecer possíveis pontos críticos sobre o que elas não conseguem capturar. Nesse sentido, serão lançadas as bases para uma proposta de definição de trabalho digital na disciplina seguinte.

    Professor responsável: Guillermina Yansen - Centro de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) da Universidade Maimônides/CONICET, Argentina


  • Aula 5: Trabalho digital e o setor da informação

    Embora seja comum hoje em dia referir-se a plataformas e robôs ao discutir a digitalização do trabalho, suas conceitualizações iniciais sugerem considerar o trabalho com tecnologias digitais separadamente. Esta disciplina visa explorar mais a fundo a tendência à digitalização do trabalho, partindo de uma definição proposta que, embora reconheça suas ligações com outros fenômenos (especialmente a plataformização e a automação — que serão abordadas em disciplinas subsequentes), permite sua análise individual. Existe algum tipo de trabalho que mereça ser chamado de digital? Como ele é definido e quais são suas características? Que exemplos de trabalho digital conhecemos? Em qual setor o trabalho digital pode ser situado? Qual é a sua relação com o setor de serviços e a estrutura tripartite da economia? Para responder a essas perguntas, esta disciplina apresenta, em primeiro lugar, a noção de trabalho digital ou informacional (de uma perspectiva ocupacional) e a do setor da informação (de uma perspectiva setorial). Em segundo lugar, de uma perspectiva materialista, com foco nos meios e no produto do trabalho, são abordadas as características centrais desse tipo de trabalho, estabelecendo um contraponto com os empregos típicos do capitalismo industrial.

    Professor responsável: Guillermina Yansen - Centro de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) da Universidade Maimônides/CONICET, Argentina


  • Aula 6: Da teoria à pesquisa empírica: Setor de software e serviços de TI

    Este curso tem como objetivo analisar o setor de Software e Serviços de TI (SSI) como um estudo de caso para refletir sobre as transformações do mundo do trabalho no âmbito do capitalismo digital. Como introdução e contextualização, traçaremos seu processo histórico de surgimento e consolidação como um dos setores estratégicos da economia. Desenvolveremos uma análise comparativa de suas diferentes características produtivas e trabalhistas em países centrais e periféricos, com foco na América Latina. Nesse contexto, examinaremos o modelo de "fábrica de software" prevalente em nossa região e sua integração à divisão internacional e à terceirização do trabalho. Caracterizaremos as diferentes formas de emprego adotadas pelo setor de SSI sob esse esquema produtivo, considerando o trabalho freelance e remoto como exemplos paradigmáticos. Por fim, aprofundaremos as implicações do modelo de produção regional sobre as condições desiguais de trabalho e educação dos profissionais de TI.

    Professor responsável: Marina Adamini - Instituto de Geografia, História e Ciências Sociais (IGEHCS-CONICET/UNICEN), Argentina
  • Aula 7: Introdução às plataformas

    Esta disciplina tem como objetivo discutir o que são plataformas e como elas redefinem as relações econômicas. Serão apresentadas três abordagens para sua definição: plataformas entendidas como arquiteturas tecnológicas, como facilitadoras de mercado e como formas organizacionais. Uma breve genealogia será apresentada para contextualizar historicamente seu crescimento, e revisaremos alguns conceitos-chave para a compreensão da dominância das plataformas e da tendência à concentração: o efeito de escala de rede e o efeito de confinamento. Reconhecendo o amplo espectro de empresas de plataforma existentes hoje, proporemos algumas tipologias para destacar aspectos comuns e identificar as particularidades de cada tipo. Finalmente, focaremos em plataformas de trabalho, caracterizando seus modelos de negócios com base nos conceitos centrais desta disciplina. Analisaremos como esses modelos moldam duas características centrais da gestão do trabalho que essas plataformas mobilizam: por um lado, permitem o pagamento por peça produzida e o aumento do tempo de trabalho não remunerado; e, por outro lado, simplificam o processo de terceirização, criando instâncias de controle e avaliação “descentralizados”.

    Professor responsável: Mariana Fernández Massi - Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais (IDIHCS-CONICET/UNLP), Argentina

  • Aula 8: Impactos e transformações no local de trabalho

    Esta disciplina tem como objetivo descrever as principais características do trabalho em empresas de plataforma. Considerando a diversidade de plataformas de trabalho existentes (algumas envolvendo trabalho online – via web – e outras exigindo atividade física – baseadas em geolocalização; algumas demandando trabalhadores altamente qualificados e outras exigindo apenas um telefone celular para acesso; algumas com base geográfica e outras reunindo trabalhadores localizados em diversas partes do mundo), serão apresentadas as semelhanças e divergências na forma como essas empresas organizam e gerenciam sua força de trabalho. Para tanto, serão discutidos: 1) as particularidades da relação de trabalho (baseadas na falta de reconhecimento formal da relação de emprego); 2) as características do processo de trabalho (com foco nas dimensões de tempo e local de trabalho, bem como na gestão do trabalho mediada por algoritmos); 3) as condições de trabalho (renda, cobertura de saúde e previdência social e riscos); 4) a organização coletiva (o potencial e as limitações da construção coletiva, a resistência e o papel dos sindicatos). As características gerais de cada um desses quatro aspectos serão apresentadas e as especificidades que adquirem no contexto latino-americano serão identificadas.

    Professores responsáveis: Cora Arias e Nicolás Diana Menéndez - Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín (EIDAES-UNSAM), Argentina


  • Aula 9: Da teoria à pesquisa empírica: Plataformas de trabalho digitais na América Latina

    Este artigo apresenta o campo mais amplo dos processos recentes de plataformização e digitalização da economia e da vida social. Dentro dessa estrutura geral, introduz o fenômeno das plataformas digitais de trabalho, abordando sua história, seu modelo de produção, os diferentes tipos de plataformas (baseadas na web e baseadas em geolocalização) e suas diversas implicações para o mundo do trabalho. As características específicas desses mercados de trabalho na América Latina também são discutidas. Em seguida, apresenta-se a estrutura analítica utilizada em nossa pesquisa, que considera as seguintes dimensões na análise das plataformas: (i) Organização produtiva baseada em novas infraestruturas sociotécnicas digitais e estratégias de controle algorítmico; (ii) O perfil da força de trabalho, a situação laboral e os debates regulatórios; (iii) As diferentes formas de organização e ação coletiva, e de resistência individual e em grupo; (iv) Construções de subjetividade e experiências cotidianas de trabalho. O conceito de subjetividades do trabalho, que constitui o foco de nossa pesquisa recente, é explorado em profundidade.
    Por fim, apresenta-se o projeto em andamento do Fondecyt, “Processos de Construção da Identidade de Trabalhadores de Plataformas Digitais no Chile: Contribuições para os Debates sobre Digitalização, Fragmentação e Precariedade das Experiências de Trabalho na América Latina”. Discutem-se o desenho do projeto, a estratégia metodológica e o trabalho de campo, incluindo entrevistas com informantes-chave, entrevistas narrativas com trabalhadores de cinco tipos de plataformas (entrega, transporte, serviços domésticos, microtarefas online e projetos freelance), grupos focais com trabalhadores e acompanhamento de trabalhadores durante sua jornada de trabalho. Compartilham-se os principais resultados, juntamente com uma reflexão sobre os desafios de conduzir pesquisa empírica nesse mercado de trabalho.

    Professor responsável: Antonio Stecher - Universidade Diego Portales, Chile
  • Aula 10: Automação Digital. Cinco Teses sobre IA

    Esta aula começa com uma apresentação geral sobre as transformações sociais, econômicas e culturais associadas aos recentes desenvolvimentos na chamada inteligência artificial, inserindo os aspectos trabalhistas no contexto mais amplo da evolução do capitalismo digital. Em seguida, concentra-se na discussão de cinco pontos centrais de debate sobre inteligência artificial (IA), com base em uma revisão crítica da literatura: 1. Agente Inorgânico (a capacidade de agir além das limitações humanas), 2. Ação Inescrutável (limitação na possibilidade de auditar suas ações), 3. Autocorreção Incompleta (dificuldade em modificar os objetivos definidos para suas ações depois de iniciadas), 4. Alternativa Desumana (a possibilidade de substituir humanos não apenas em atividades econômicas, mas também nas esferas afetiva, criativa e outras que costumavam definir a essência da humanidade), 5. Apropriação Inclusiva (um modelo de negócios baseado na oferta de serviços gratuitos juntamente com a apropriação não remunerada de dados e obras protegidas por direitos autorais por empresas).

    Professor responsável: Mariano Zukerfeld - Universidade Nacional de Quilmes, Argentina

  • 11ª aula: Inteligência artificial e trabalho

    O objetivo desta disciplina é refletir sobre como a inteligência artificial (IA) está transformando empregos e dinâmicas de trabalho. Por um lado, ela gera novos empregos associados ao seu desenvolvimento, como designers de algoritmos e especialistas em dados, mas também outros empregos menos visíveis, como tarefas de treinamento e correção realizadas em condições precárias. Ao mesmo tempo, ela representa riscos significativos de deslocamento ou destruição de empregos, especialmente em funções suscetíveis à automação. A disciplina identificará esses três conjuntos de ocupações, caracterizando a dinâmica de trabalho em cada um e sua distribuição geográfica, e analisando a dinâmica Norte-Sul em relação a esses tipos de ocupações.
    A seguir, exploraremos quatro dimensões para discutir o impacto que a IA teve, e poderá ter, na organização social do trabalho. Analisaremos as evidências disponíveis sobre seus efeitos na produtividade, os alertas sobre os impactos distributivos da automação digital, os debates éticos em torno da transparência, os vieses em algoritmos e decisões automatizadas e, por fim, os desafios políticos que a IA impõe à organização coletiva.

    Professores responsáveis: Mariana Fernández Massi - Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais (IDIHCS-CONICET/UNLP), Argentina


  • Aula 12: Da teoria à pesquisa empírica: impactos dos Acordos Globais de Investimento (AGI) nos mercados de trabalho, na economia e na produtividade.

    Este curso tem como objetivo apresentar diversas metodologias para mensurar os impactos da Inteligência Artificial Generativa (IAG) no mercado de trabalho (automação/complementaridade, emprego/desemprego, habilidades/qualificação, produtividade e renda) em diferentes ocupações, com foco em países da América Latina. Primeiramente, são apresentados os referenciais teóricos clássicos utilizados para estimar os impactos das tecnologias digitais no mercado de trabalho, distinguindo entre os efeitos da automação e da complementaridade das tecnologias digitais em diferentes ocupações. Em seguida, são exploradas as limitações desses referenciais para abordar o impacto da IAG no mercado de trabalho. Posteriormente, o curso se concentra em inovações teóricas nos estudos sobre os impactos das tecnologias digitais no mercado de trabalho decorrentes da disrupção causada pelos Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) e pela IAG, apresentando estudos de caso relevantes juntamente com suas estimativas. Serão revisadas metodologias para estimar impactos potenciais e metodologias de planejamento experimental.

    Professor responsável: Andrés Rabosto - Observatório América Latina-China (OLAC-UBA), Argentina

  • Aula 13: Os desafios regulatórios gerados pela digitalização e pelas novas formas de organização empresarial.

    Este curso explora as implicações da digitalização, da plataformização e da automação sob uma perspectiva jurídica, analisando os desafios que representam para os sistemas trabalhistas na região. Primeiramente, aborda a digitalização como um fenômeno transversal que redefine as relações de trabalho, impulsionando modalidades de trabalho remoto e demandando competências digitais. Isso ressalta a necessidade de atualização das regulamentações sobre jornada de trabalho, desconexão digital e condições de trabalho. Em segundo lugar, as plataformas digitais desenvolveram modelos de emprego ambíguos que desafiam as definições tradicionais de relações de trabalho. Diversas iniciativas regulatórias serão analisadas comparativamente, tanto na América Latina e no Caribe quanto na Europa, avaliando sua aplicabilidade ao contexto latino-americano. Por fim, o curso discutirá como a automação e o uso de tecnologias avançadas descentralizam e realocam unidades de produção, dificultando a identificação de um único empregador e a organização sindical tradicional. Nesse sentido, propõe uma reflexão sobre possíveis estratégias sindicais diante da automação. O curso é estruturado em torno de estudos de caso e comparações regulatórias, destacando exemplos de países que implementaram marcos regulatórios inovadores. Esta análise tem como objetivo gerar ferramentas para que os participantes compreendam e abordem os desafios regulatórios que surgem em um ambiente de trabalho cada vez mais digitalizado e mediado pela tecnologia.

    Professor responsável: Federico Rosenbaum - Universidade Católica do Uruguai, Uruguai

  • Aula 14: Políticas públicas, tecnologia e trabalho

    A difusão das tecnologias digitais representa um desafio para a América Latina devido à sua estrutura produtiva heterogênea, ao trabalho informal, às desigualdades e à dependência tecnológica. Diante dessas mudanças, surgiram posições opostas: uma abordagem neoludita que busca restringir a tecnologia por seus efeitos negativos sobre o emprego, e outra que promove sua adoção irrestrita para facilitar a integração ao mercado global. Ambas as abordagens têm limitações, portanto, este curso abordará a necessidade de políticas públicas que equilibrem inovação e equidade. Serão analisadas três áreas-chave: o fomento ao desenvolvimento tecnológico local para reduzir a dependência externa, a compreensão das mudanças no mundo do trabalho para prevenir o emprego precário e a superação do determinismo tecnológico por meio de um debate sobre produtividade e geração de empregos. Assim, o objetivo é alcançar uma adoção tecnológica que não apenas impulsione a eficiência, mas também garanta inclusão e direitos trabalhistas.

    Professores responsáveis: Verónica Robert e Nicolás Moncaut - Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín (EIDAES-UNSAM), Argentina


  • Aula 15: Plataformas digitais cooperativas e solidárias como alternativa para e pelos trabalhadores

    Dentre as diversas estratégias que os trabalhadores empregam para se apropriar, moldar e canalizar os processos de mudança tecnológica em seu benefício, esta disciplina se concentra em experiências e projetos impulsionados por cooperativas, redes e organizações sociais, nos quais trabalhadores e comunidades concebem, desenvolvem e governam suas próprias tecnologias. Inicialmente, serão apresentadas as práticas e os princípios que norteiam essas iniciativas: autogestão, trabalho decente, propriedade coletiva, democracia e transparência nas políticas de dados. Em seguida, serão abordadas as diferentes noções utilizadas para conceituar essas experiências: “cooperativismo de plataforma”, “plataformas de propriedade dos trabalhadores” e “economias digitais solidárias”. Essa multiplicidade de abordagens demonstrará que essas experiências não se restringem às tecnologias digitais, embora as incluam. Tampouco são exclusivamente cooperativas; pelo contrário, adotam diversas formas jurídicas e organizacionais. A partir de uma perspectiva crítica e contextualizada, descreveremos o universo do que se conhece como cooperativismo de plataforma, utilizando exemplos e estudos de caso.
    Na América Latina, esse conjunto de iniciativas se entrelaça com experiências anteriores enquadradas na economia social, solidária e popular, bem como com comunidades de software livre e linhas de pesquisa acadêmicas ligadas a tecnologias para inclusão social. Nesse sentido, o cooperativismo de plataforma não se refere apenas a tecnologias alternativas às principais plataformas, mas também se engaja com os processos de transformação digital de cooperativas existentes e cooperativas de software e serviços de TI. Por fim, discutiremos as limitações e os desafios dessas experiências no contexto do capitalismo digital.

    Professor responsável: Denise Kasparian - Instituto de Pesquisa Gino Germani (FSOC-UBA/CONICET), Argentina

  • Marina Adamini (Instituto de Geografia, História e Ciências Sociais-CONICET/UNICEN, Argentina) 
  • Cora Arias (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) 
  • Carina Borrastero (Centro de Pesquisa em Ciências Econômicas, UNC-CONICET, Argentina) 
  • Nicolás Diana Menéndez (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) 
  • Mariana Fernández Massi (IDIHCS, UNLP/CONICET, Argentina) 
  • Denise Kasparian (Instituto de Pesquisa Gino Germani, FSOC-UBA/CONICET, Argentina) 
  • Nicolás Moncaut (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) 
  • Marta Novick (Centro de Inovação dos Trabalhadores, CITRA-CONICET, Argentina) 
  • Andrés Rabosto (Observatório América Latina-China, OLAC-UBA, Argentina) 
  • Federico Rosenbaum Carli (Universidade Católica do Uruguai) 
  • Verônica Robert (Escola Interdisciplinar de Estudos Sociais Avançados da Universidade Nacional de San Martín, Argentina) 
  • Antônio Stecher (Universidade Diego Portales, Chile) 
  • Guilhermina Yansen (Centro de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) da Universidade Maimônides/CONICET, Argentina) 
  • Mariano Zukerfeld (Universidade Nacional de Quilmes, Argentina)
  Inscrições antecipadas (até 04/03) Inscrições gerais (6 a 30 de maio) Inscrições sem desconto (de 30 a 05 de maio) Pagamento em 3 parcelas
Centro de Membros Plenos ou Associados 150 USD 220 USD 300 USD USD 360 (3 x USD 120)
Sem link 300 USD 370 USD 420 USD USD 600 (3 x USD 200)
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.

* Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento. 
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso gratuito ao Aula CLACSO. Acesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Você precisa estar cadastrado no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC) e inserir seu nome de usuário e senha. Se você não estiver cadastrado, clique aqui. aquiPara acessar o formulário de inscrição, você deve clicar no botão "Inscrever-se" na página do diploma de seu interesse.

Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.

As aulas começarão em abril e terminarão em julho de 2026.

Todos os participantes inscritos receberão, no primeiro dia de atividades, as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do [inserir plataforma/plataforma]. Espaço de Treinamento Virtual CLACSO.

Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre disponível. Para dúvidas, entre em contato pelo e-mail [inserir e-mail aqui]. [email protected]

 Você deve enviar um e-mail com a solicitação para [email protected] Enviaremos o certificado solicitado assim que possível.

Critérios excepcionais: Em casos excepcionais e nos primeiros 20 dias de início do Diploma Superior, o aluno poderá escrever para [email protected] O pedido de cancelamento de matrícula deve ser feito mediante justificativa. Após avaliação do caso, uma resposta será enviada. Se aprovado, o aluno poderá retomar o programa de Diploma Superior caso uma nova turma seja formada no ano seguinte. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.

O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade. 

Sim, o diploma avançado é certificado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.

O pagamento pode ser feito em uma única parcela, por cartão de crédito ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.

Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.

Você pode verificar se pertence a um centro de membros aqui: 

https://www.clacso.org/institucional/centros-asociados/

O programa de Diploma Avançado integra uma dinâmica de aulas assíncronas e síncronas. As aulas são predominantemente assíncronas. O cronograma das sessões síncronas será comunicado pelo coordenador do Diploma no início do programa, e a participação nessas sessões não é um pré-requisito para a aprovação.


Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388

E-mail: [email protected]