Diploma Avançado em Tecnologia, Subjetividade e Política

 Diploma Avançado em Tecnologia, Subjetividade e Política

6ª turma | Modalidade virtual | Início em maio de 2026

COORDENAÇÃO ACADÊMICA

Fernanda Bruno (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), Flávia Costa (Universidade de Buenos Aires, Argentina) e Paula Sibilia (Universidade Federal Fluminense, Brasil).

CORPO DOCENTE

Fernanda Bruno (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), Claudio Celis Bueno (Academia Universitária do Humanismo Cristão, Chile), Flávia Costa (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Christian Ferrer (Universidade de Buenos Aires, Universidade de Cinema e Universidade Torcuato Di Tella, Argentina), Cláudia Kozak (Universidade de Buenos Aires, Argentina) Paula Sibilia (Universidade Federal Fluminense, Brasil).

Home: 06 / 05 / 2026 | Registo: 12/01/2026 al 06/05/2026

Formato virtual | Maio a agosto de 2026

Neste programa de diploma, pretendemos explorar a magnitude e o significado das mudanças que ocorrem em nossa época — uma época de crescente "tecnificação". Nos concentraremos na interseção entre dispositivos técnicos, as racionalidades políticas e as tecnologias que os sustentam, e os modos de subjetivação que os promovem ou incentivam.

Buscaremos aprofundar os processos, bem como as análises mais inovadoras, que surgiram nos últimos quinze anos: a validade de uma nova “governamentalidade algorítmica” associada à disponibilidade de dados massivos ou big data; o desenvolvimento de plataformas cujo modelo de negócios se concentra na extração e venda de dados, tanto biométricos quanto comportamentais, e suas repercussões nas subjetividades.

Entre os muitos diagnósticos de nossa época, um dos mais evidentes é que vivemos em uma era de crescente "tecnificação". Basta observar a velocidade com que os parques tecnológicos ao nosso redor se renovam, de maneira tão rotineira quanto ostentosa, para perceber o poder e a onipresença de sua rede. Essa complexa teia de informação e tecnologia deixou de ser um conjunto de meios para atingir determinados fins e se tornou nosso ambiente global, nosso ambiente em um sentido ecológico e ambiental.

A “mídia” é, portanto, um fenômeno relevante e paradoxal na cultura contemporânea: ela desestabiliza a hierarquia dos sentidos, organiza novas formas de compreender a existência, pressiona as formas de autoconhecimento do ser humano vivo (somos nossos genes? somos nosso cérebro? somos nossos dados?) e impacta a arte, a arquitetura e a vida urbana. Ao mesmo tempo, as metamorfoses nos processos de trabalho e uma nova ordem de relações e intersecções entre “tempo livre” e “tempo de trabalho” transformaram substancialmente nossa relação com o sofrimento e a subjugação. E nos obrigam a questionar repetidamente o que é um corpo e o que ele pode fazer, em um momento em que a tecnologia se materializa e se incorpora ao ser humano por meio de implantes, transplantes, intervenções cirúrgicas, terapias genéticas, em um movimento que abre espaço para o questionamento do próprio corpo como uma espécie de projeto inacabado e operável, que pode e até deve ser moldado de acordo com o gosto, a conveniência, as demandas sociais ou uma combinação dos três.

Neste programa de diploma, pretendemos explorar a magnitude e o significado das mudanças que ocorreram, indo além da dicotomia excessivamente simplista entre "tecnófilos" e "tecnófobos". Iremos nos concentrar na interseção entre dispositivos técnicos, as racionalidades políticas e as tecnologias que os sustentam, e os modos de subjetivação que os promovem ou incentivam.

Para tanto, traçaremos um panorama das diferentes linhas de pensamento sobre o fenômeno tecnológico que moldaram o século XX e o início do século XXI. Analisaremos os processos e análises mais inovadores que emergiram nos últimos quinze anos: a ascensão de uma nova “governança algorítmica” associada à disponibilidade de conjuntos de dados massivos ou big data; o desenvolvimento de plataformas cujo modelo de negócios se concentra na extração e venda de dados, tanto biométricos quanto comportamentais, e suas repercussões sobre as subjetividades. Abordaremos também as transformações nos processos de trabalho; buscaremos compreender a mutação inerente à vivência em um ecossistema tecno-natural composto por dispositivos, superfícies e ambientes imersivos e "inteligentes" — telas, dispositivos móveis, redes de informação e comunicação —, especialmente após o "choque virtual" provocado pela pandemia de COVID-19: um processo acelerado de digitalização da experiência cotidiana que, segundo alguns, veio para ficar. E proporemos uma perspectiva analítica para lidar com esse período "entre acidentes": entre a pandemia e a disponibilidade pública de novas IAs emergentes, cuja opacidade técnica, social e política, complexidade interativa e comportamento parcialmente autônomo representam desafios reais tanto para sua conceitualização quanto para sua governança.

OBJETIVO GERAL:

Proporcionar uma formação histórico-crítica sobre as relações entre tecnologia, subjetividade e política.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

  1. Apresentar uma visão geral das abordagens clássicas e dos argumentos mais recentes no debate e na literatura sobre as relações entre tecnologia, subjetividade e política.
  2. Promover uma perspectiva transdisciplinar e multifacetada sobre os principais problemas das sociedades e experiências mediadas pela tecnologia.
  3. Promover o diálogo entre as perspectivas do Norte Global e da América Latina.

O Diploma Superior em Tecnologia, Subjetividade e Política destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados ​​no tema.

  • Fernanda Bruno (UFRJ, Brasil)
  • Claudio Celis Bueno (Universidade de Amsterdã, Holanda)
  • Flávia Costa (UBA e Unsam/CONICET, Argentina)
  • Claudia Kozak (UBA/CONICET, Argentina)
  • Paula Sibilia (UFF, Brasil)

O programa é composto por 5 módulos, cada um com 3 aulas semanais, ministradas consecutivamente e interligadas. O curso combina aprendizagem síncrona e assíncrona.

Carga horária total de 128 horas.

Os módulos que compõem o diploma avançado são:

PROFESSOR: FLÁVIA COSTA

AULA 1: Estilos de Vida em Tecnologia da Informação

Você. Reflexões sobre tecnologia e subjetividade no início do século XXI. Entre o “indivíduo somático” e o signo corporal. Modos de subjetivação na era dos estilos de vida tecnológicos da informação.
Está. Reflexões sobre a experiência do tempo. Entre o ritmo 24/7 e a multitarefa sedentária.
Aqui. Reflexões sobre espaços: ubiquidade pessoal e cibergeografias. Arqueologia da mídia e do mundo digital. Infraestruturas de cabos submarinos, satélites, hubs, plataformas: do ponto de vista de sua materialidade, “a nuvem” é muitas coisas, mas não apenas “nuvem”.

AULA 2: Linhas de pensamento crítico sobre tecnologia nos séculos XX e XXI
Uma breve visão geral das principais linhas de pensamento que examinaram criticamente a tecnologia desde o início do século XX até o presente, bem como seus principais autores e textos. As quatro principais perspectivas do século XX (Feenberg): teorias instrumentais, teorias antropológicas, teorias substantivistas e teoria crítica. As quatro principais perspectivas da filosofia da tecnologia no século XXI: teses neosubstantivistas, aceleracionismo, cosmotécnica e aquelas que propõem a necessidade de decrescimento ou desaceleracionismo.

AULA 3: Tecnoceno, Antropoceno e “poder desumano”
Antropoceno, Tecnoceno, Capitaloceno: a expansão “de cima para baixo” do campo de batalha biopolítico. A tecnologia como infraestrutura material e como força histórica capaz de afetar a vida: sua relação com o ecológico, a sustentabilidade do desenvolvimento e as desigualdades que são tanto condição quanto efeito estrutural do código técnico capitalista. Antropoceno e Transhumanismo: duas narrativas do fim — da humanidade e do mundo como o conhecemos. É possível um “transhumanismo crítico”?

PROFESSORA: PAULA SIBILIA

AULA 4: A vida digitalizada e a auto-otimização
Embora o impacto mais evidente tenha ocorrido no âmbito das comunicações e da informação, os dispositivos digitais estão substituindo as antigas ferramentas analógicas em todas as áreas. Essa transição da mecanização para a digitalização da vida implica uma transformação histórica profunda com múltiplas consequências, sugerindo mudanças significativas nos corpos e nas subjetividades.

AULA 5: Entre paredes e redes: o desconforto do ilimitado
Ao se tornarem "compatíveis" com dispositivos móveis de comunicação e informação, as redes tendem a penetrar todas as barreiras (e inibições), evidenciando tanto a crise das instituições modernas quanto as profundas transformações históricas que afetam as subjetividades. A conversão do espaço doméstico em um ambiente de negócios, sala de aula e centro vital na rede de consumo em casa: visibilidade, conexão, precariedade e multitarefa em um ritmo ininterrupto. Da repressão à estimulação: se as limitações excessivamente rígidas causavam sofrimento aos cidadãos modernos, o horizonte aparentemente ilimitado de possibilidades e promessas que agora se abre para os consumidores também provoca inquietação.

AULA 6: Tensões entre (auto)espetáculo e (falta de) controle
A espetacularização do eu nas redes sociais e o tipo de sociabilidade que essas práticas propagam: autoficção, performance, intimidade virtual, curtidas, selfies e algoritmos. A publicidade como modelo, o marketing e a dinâmica corporativa. O declínio da interioridade psicológica na era dos perfis sempre online: do "personagem direcionado à apresentação" para as "personalidades direcionadas ao alter ego". O difícil equilíbrio entre o (auto)controle exigido pela "autocura" e o monitoramento constante. O problema da alteridade na era da "exibição do eu". O olhar do outro na economia da atenção e na avaliação generalizada: bullying, cultura do cancelamento, trolls, haters e linchamentos virtuais. A transição da culpa para a vergonha como mecanismos privilegiados de controle social.

PROFESSORA: FERNANDA BRUNO

AULA 7: Cultura da vigilância e governamentalidade algorítmica
A naturalização da "cultura da vigilância" e a produção de subjetividades. Vigilância distribuída e capitalismo de vigilância no ecossistema digital. Governamentalidade algorítmica e criação de perfis. Entre pegadas digitais (comportamentais) e impressões digitais (biométricas): somos nós os nossos dados?

AULA 8: A economia psíquica dos algoritmos
Como os dados comportamentais, psicológicos e emocionais alimentam os algoritmos das plataformas digitais? Modelos de negócios, modelos epistemológicos: o valor dos dados psíquicos e emocionais. O laboratório da plataforma e a gestão algorítmica do comportamento: da previsão à captura. Pressões e incentivos sobre o indivíduo, o individual e o transindividual.

AULA 9: Perspectivas decoloniais sobre tecnopolítica e arquivos de vigilância
Como situar o debate sobre tecnopolítica e vigilância na América Latina: matrizes coloniais e feministas. Políticas decoloniais dos arquivos da vigilância. Reinscrições do colonialismo e do extrativismo em plataformas digitais. Feminismo tecnopolítico e relações humano-máquina.

PROFESSORA: CLAUDIA KOZAK

AULA 10: Arte e técnica como regimes de experimentação do sensível e poderes de criação
Arte, tecnologia e sociedade. Intermedialidade e/ou transmedialidade nas artes tecnológicas. Experimentalismo, artes expandidas e tecnologia. O debate Adorno/Benjamin. Tecnopoética/tecnopolítica. Posicionamentos. Debates em torno dos imaginários da modernização tecnológica e das ideologias do progresso. Anacronismos e desvios. A política do erro e da aleatoriedade. O novo versus a novidade. Desafios da experimentação em contextos de fluxos de massa.

AULA 11: Uma Breve História da A+T
Vanguardas históricas e paisagens tecnológicas. Vanguardas latino-americanas e tecnologia. Modernização tecnológica e centros de condensação e radiação: início do século XX, década de 1960, década de 1990 ao século XXI. Tecnopoética em domínios bioinformáticos. Performance, tecnologia e subjetividade. Tecnopoética e cultura algorítmica.

AULA 12: Estudo de caso. Tendências (tecno)experimentais da literatura em sua interseção com linguagens visuais, sonoras, corporais e digitais.
Literaturas Expandidas: Sobre Livros e Outras Monstruosidades no Domínio da Bioinformática. Literatura Digital como Arte Textual Programada: História, Teoria, Crítica. Materialidades. Como é Lida. Políticas Hegemônicas das Línguas em Contextos Globais-Digitais. Sobre Desvios, Indignações e Filosofias do Evento. Programas e “Desprogramações”. Determinação e Acaso. Literatura Digital Latino-Americana Contemporânea e Translinguagens Migrantes.

PROFESSOR: CLAUDIO CELIS BUENO

AULA 13: Tecnologias Digitais e Valorização Capitalista
O problema da continuidade/descontinuidade nos modos de produção. A transição do fordismo para o pós-fordismo. Três interpretações do capitalismo contemporâneo: i) teoria crítica do valor; ii) pós-operaísmo; iii) o capital está morto.

AULA 14: Capitalismo Cognitivo e Novas Formas de Valorização
Trabalho imaterial e a fábrica social: novas formas de valorização e subsunção. Consequências: a crise da teoria do valor-trabalho (Negri e Hardt); a transformação do capital em renda (Vercellone; Fumagalli). Capitalismo de plataforma (Srnicek).

AULA 15: O capital está morto? Novas perspectivas para pensar o futuro.
A questão do exterior ao capital: a) o debate aceleração/desaceleração; b) capitalismo e automação algorítmica (a questão do trabalho vivo); c) além do capital (informação, hackers, ciborgues e vetorialistas).

  Inscrições antecipadas (até 04/03) Inscrições gerais (6 a 30 de maio) Inscrições sem desconto (de 30 a 05 de maio) Pagamento em 3 parcelas
Centro de Membros Plenos ou Associados 150 USD 220 USD 300 USD USD 360 (3 x USD 120)
Sem link 300 USD 370 USD 420 USD USD 600 (3 x USD 200)
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.

* Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento. 
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso gratuito ao Aula CLACSO. Acesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Você precisa estar cadastrado no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC) e inserir seu nome de usuário e senha. Se você não estiver cadastrado, clique aqui. aquiPara acessar o formulário de inscrição, você deve clicar no botão "Inscrever-se" na página do diploma de seu interesse.

Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.

As aulas começarão em abril e terminarão em julho de 2026.

Todos os participantes inscritos receberão, no primeiro dia de atividades, as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do [inserir plataforma/plataforma]. Espaço de Treinamento Virtual CLACSO.

Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre disponível. Para dúvidas, entre em contato pelo e-mail [inserir e-mail aqui]. [email protected]

 Você deve enviar um e-mail com a solicitação para [email protected] Enviaremos o certificado solicitado assim que possível.

Critérios excepcionais: Em casos excepcionais e nos primeiros 20 dias de início do Diploma Superior, o aluno poderá escrever para [email protected] O pedido de cancelamento de matrícula deve ser feito mediante justificativa. Após avaliação do caso, uma resposta será enviada. Se aprovado, o aluno poderá retomar o programa de Diploma Superior caso uma nova turma seja formada no ano seguinte. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.

O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade. 

Sim, o diploma avançado é certificado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.

O pagamento pode ser feito em uma única parcela, por cartão de crédito ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.

Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.

Você pode verificar se pertence a um centro de membros aqui: 

https://www.clacso.org/institucional/centros-asociados/

O programa de Diploma Avançado integra uma dinâmica de aulas assíncronas e síncronas. As aulas são predominantemente assíncronas. O cronograma das sessões síncronas será comunicado pelo coordenador do Diploma no início do programa, e a participação nessas sessões não é um pré-requisito para a aprovação.


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Dúvidas? WhatsApp: +54 9 11 3880-1388

E-mail: [email protected]