Diploma Avançado em Pensamento Latino-Americano e Caribenho: Perspectivas Crítico-Emancipatórias
1ª Turma | Modalidade Virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Félix Valdés García y Yohanka León del Río (Instituto de Filosofia, Cuba)
CORPO DOCENTE
Pablo Guadarrama González (Universidade Nacional, Colômbia/UCLV, Cuba), Félix Valdés García (Instituto de Filosofia, Cuba), Yohanka León del Río (Instituto de Filosofia, Cuba), Yodenis Guirola Valdés (Universidade de Barcelona, Espanha) Patrícia González San Martín (Universidade de Playa Ancha, Chile), Carmen Castillo Echeverría (França), Marco Álvarez Vergara (Universidade do Chile), Carlos Angrita Sarmiento (Pontifícia Universidade Javeriana, Colômbia), Frantz Voltaire (CIDHICA, Haiti-Canadá), Camila Valdés León (Casa das Américas, Cuba), Lino Moran Beltrán (Universidade de Zulia, Venezuela), Michael Löwy (CNR, França), Álvaro García Linera (Bolívia) e Nelson Maldonado Torres (Universidade de Connecticut, Estados Unidos)
Formato virtual | Agosto a dezembro de 2023
Nos Estudos Latino-Americanos, os debates em torno do pensamento crítico no contexto da emancipação são inevitáveis. Intelectuais, desafiando o peso da tradição hegemônica ocidental, questionam os pressupostos sobre os quais se assenta o conhecimento, propondo abordagens e conceitos que visam à emancipação e à superação da dependência epistêmica. Eles oferecem maneiras alternativas de narrar a história, de considerar as relações econômicas e políticas, os valores culturais e os modos de conhecer. Revelar essas ideias, seu valor crítico e sua função libertadora constitui o principal objetivo deste curso, que apresentará uma perspectiva alternativa à tradição moderno-liberal, devedora do ponto de vista eurocêntrico e da narrativa linear e disciplinar que emanou dos impérios coloniais para as possessões do Sul Global.
Este diploma introdutório de pós-graduação em Pensamento Crítico Emancipatório Latino-Americano e Caribenho é fruto de pesquisa e ensino realizados por membros de diversos Grupos de Trabalho da CLACSO dedicados à recuperação, pesquisa e disseminação do pensamento latino-americano. Este trabalho foi apresentado em seminários virtuais, em diversas Escolas Internacionais de Pós-Graduação e nas antologias de pensamento crítico contemporâneo coordenadas e publicadas pela CLACSO.
Nossa América, como a descreveu José Martí, compartilha uma diversidade de espaços com diferenças físicas e culturais, bem como um passado comum marcado pela subordinação colonial, pela desintegração socioeconômica e pela dependência espiritual dos centros hegemônicos do poder ocidental. Superar essas condições de dependência, alcançar a libertação, diz respeito não apenas às esferas política, econômica e jurídica, mas também à dominação no âmbito espiritual e aos próprios fundamentos do saber sobre os quais se baseiam nossas representações. Nesse sentido, a independência epistêmica, a libertação de noções apresentadas como universais e das dinâmicas de construção do saber, constituem uma das tarefas empreendidas pelo pensamento crítico e emancipatório em Nossa América.
Ao longo da história, muitas das ideias desenvolvidas nos impérios coloniais, que visavam ser reproduzidas no mundo subordinado e, assim, disciplinar os súditos colonizados, tornaram-se desafios à ordem imposta. Alguns conceitos considerados universais ampliaram seu alcance ao atravessar o Atlântico. Um exemplo paradigmático da crítica ao modelo de dominação foi a apresentada pelos dominicanos em Santo Domingo e Cuba, particularmente por Bartolomé de las Casas — o primeiro crítico declarado do projeto colonial espanhol. De modo semelhante, como afirmou Leopoldo Zea, o Iluminismo europeu auxiliou os movimentos de independência americanos do século XIX, e a aura do positivismo clássico serviu à renovação dos jovens Estados-nação. Hoje, conceitos como “Negritude”, “transculturação”, “mestiçagem”, variações teóricas sobre “descolonização” e as críticas do feminismo, da teologia e da teoria da dependência provaram ser ferramentas teóricas genuínas que permitem uma compreensão teórica e filosófica do nosso mundo. Essas ideias constituem uma expressão legítima de pensamento comprometida com a emancipação, a independência e a superação dos mecanismos de dominação hegemônica.
A condição pós-colonial, de Terceiro Mundo e periférica, juntamente com as perspectivas patriarcais e racistas impostas nesta região, fizeram deste corpo de pensamento uma rica fonte de informação que exige a máxima atenção dos estudiosos latino-americanos. Nesse sentido, o objetivo é apresentar e discutir a história do pensamento regional, despojada das lógicas tradicionais de leitura e da exposição linear e mimética, a fim de evitar a reprodução de práticas eurocêntricas. A intenção não é imitar a lógica expositiva moderna-iluminista, nem as narrativas que se originam no Ocidente como locus de enunciação e transformam sua experiência e seus conceitos em universais infalíveis e absolutos. O objetivo será desvendar outras formas de ler os legados dos povos nativos, a obra dos intelectuais indígenas, os desdobramentos do marxismo, de correntes críticas como a filosofia e a teologia da libertação, a crítica à colonialidade em suas diferentes expressões, o problema raça-classe-gênero, as análises do feminismo, o exame do pensamento andino-amazônico, do pensamento crítico caribenho, sempre em relação e partindo das condições reais e históricas, do passado e do presente do continente.
A complexa realidade da nossa América, esse espaço que, como disse José Martí, se estende do Rio Grande à Patagônia, incluindo as ilhas melancólicas do mar, gerou formas disruptivas e indisciplinadas de conhecimento, outras maneiras de pensar o nosso mundo, que transcendem a imitação e a dinâmica da academia tradicional. É urgente, no debate sobre essas questões, desfilosofar a filosofia, ampliar nossa perspectiva, reconhecer a necessidade e a utilidade de conceitos que garantam a compreensão de experiências históricas concretas e confrontar a dependência teórica e a dinâmica acadêmica ocidental.
OBJETIVOS GERAIS
- Distinguir a capacidade crítica do pensamento latino-americano e caribenho como uma obra comprometida com a emancipação humana.
- Oferecer uma visão geral do trabalho do pensamento crítico-emancipatório no Caribe e na América Latina, com base no estudo de diferentes correntes, perspectivas teóricas e movimentos intelectuais.
- Tornar visíveis os conceitos, as propostas teóricas e as posições apresentadas por intelectuais críticos latino-americanos ao longo da história, como forma de reconhecer seu valor prático cognitivo, avaliativo e transformador.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Observe a trajetória histórica do pensamento latino-americano e caribenho, para além das expressões visíveis na vida acadêmica.
- Argumentar sobre as perspectivas críticas oferecidas por movimentos de pensamento latino-americanos e caribenhos, como a Filosofia da Libertação Latino-Americana, a Teologia da Libertação, a Virada Decolonial e os Estudos Subalternos, o Pensamento Crítico Feminista e a transcendência epistêmica da Educação Popular, com base na obra dos intelectuais mais proeminentes.
- Destacar o lugar e as contribuições do marxismo latino-americano e do “Terceiro Mundo” na análise das realidades da América Latina e do Caribe.
- Revelar as condições reais que favoreceram a crítica teórica e o compromisso prático baseados na análise de processos reais na vida política, econômica e intelectual de nossa América.
- Avaliar o estado atual do pensamento crítico emancipatório no espaço americano insular e continental.
O Diploma Superior em Pensamento Latino-Americano e Caribenho: Perspectivas Crítico-Emancipatórias destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o Diploma Superior são:
Classe 1: A invasão europeia do “Novo Mundo” e o estabelecimento da perspectiva dominante. Desdisciplinar a filosofia, desfilosofar a filosofia.
Professores: Félix Valdés García/Raúl Fornet Betancourt
Resumo conceitual da aula:
1492 e o início da imposição da perspectiva dominante no campo do conhecimento. A conquista e a colonização, o mundo indo-caribenho e ameríndio, e o primeiro contraprojeto ao projeto de colonização. Uma crítica ao eurocentrismo e ao etnocentrismo europeu. O problema da natureza do conhecimento filosófico e sua expressão no Sul Global. Desfilosofar a filosofia, desdisciplinar a filosofia para reconsiderar o trabalho crítico do pensamento filosófico em Nossa América. Interculturalidade para a consideração da filosofia em Nossa América.
Classe 2: O pensamento latino-americano: o curso de sua história.
Professor: Pablo Guadarrama González
Resumo conceitual da aula
A questão da autenticidade e originalidade da filosofia latino-americana. Humanismo prático e as inter-relações entre ideologias e filosofias na América Latina. De Juan Bautista Alberdi e suas ideias sobre uma filosofia americana a José Martí e o projeto de reconstrução do pensamento latino-americano em Nossa América. Positivismo sui generis e a reação antipositivista na América Latina. Estudos sobre a História das Ideias. O debate Leopoldo Zea – Augusto Salazar Bondy. Tendências e perspectivas atuais na filosofia acadêmica latino-americana.
Classe 3: Pensamento caribenho. Indisciplina acadêmica.
Professor: Félix Valdés García
Resumo conceitual da aula
Possibilidades para a compreensão teórica de outras realidades históricas concretas: o caso das ilhas do Caribe. Peculiaridade da filosofia na região das Antilhas. Núcleos problemáticos (inversão da narrativa histórica, revolução, o problema da negritude, raça e racismo, identidade antilhana, caribenização epistêmica). Conceitos do pensamento caribenho (negritude, transculturação, colonizado, mimese do colonizado, crioulização-crioulidade, identidade antilhana). Intelectuais caribenhos e críticas teórico-práticas.
Classe 4: Filosofia da Libertação Latino-Americana: A Obra de Enrique Dussel
Professor: Patrícia González San Martín
Resumo conceitual da aula:
A filosofia da libertação como perspectiva do pensamento filosófico latino-americano e como um movimento intelectual continental heterogêneo. Seu surgimento no final da década de 1960 e as condições teóricas e históricas que motivaram a mudança para uma filosofia crítica emancipadora. Suas posições teóricas fundamentais. A Declaração de Morelia (1975). Principais autores ligados à crítica filosófica: Horacio Cerutti, Arturo A. Roig, Francisco Miró Quesada, Abelardo Villegas, Leopoldo Zea. Os debates em torno do pensamento situado que não ignora a situação da qual emerge e as discussões sobre a própria definição de filosofia, o questionamento de seus métodos, a leitura crítica dos filósofos clássicos europeus e o corpo acumulado do pensamento latino-americano. A obra intelectual de Enrique Dussel e seu diálogo crítico contínuo com a filosofia tradicional eurocêntrica. A crítica de Dussel ao eurocentrismo e sua interpretação da trajetória da filosofia como um ato descolonizador.
Classe 5: Teologia da libertação, crítica da religião e dos fundamentalismos.
Professor: Carlos Angrita Sarmiento
Resumo conceitual da aula
Teologia da Libertação (TL): uma teologia de origem latino-americana e caribenha, singular nessa região. Surgiu na década de 70, ligada às transformações sociais e políticas da época. Sua ruptura epistemológica com a racionalidade teológica tradicional e com a racionalidade das ciências sociais e humanas é significativa. A TL apresenta-se como um novo paradigma capaz de desafiar o regime da cristandade, o pacto entre poder político e religião, e a aliança entre Estado e Igreja que garantiu a consolidação do modelo hegemônico no Ocidente. A TL é o ponto de referência mais visível do movimento da teologia da libertação (Löwy), um ator socioeclesial ecumênico articulado com movimentos sociais e políticos. As décadas de 80 e 90 testemunharam sua perseguição por regimes ditatoriais e autoritários, hierarquias eclesiásticas sob a Política de Segurança Nacional dos EUA e a restauração do Vaticano promovida pelo Papa João Paulo II. A fé cristã e seu papel na libertação dos povos, alimentados por uma espiritualidade com raízes na práxis sociopolítica e no cristianismo primitivo.
Uma contribuição significativa da Teologia da Libertação é propor uma forma de enxergar a realidade através de uma crítica à religião (F. Hinkelammert). Ela recupera a crítica à religião feita por Jesus de Nazaré e Paulo de Tarso, seguindo a linha da crítica à religião de Karl Marx. Reconhece a necessidade de desmascarar os fantasmas do fetichismo que alienam a consciência das pessoas e obstruem as lutas pela emancipação dos oprimidos.
Significado e estado atual da Teologia da Libertação, seu possível futuro. Uma análise crítica que nos permite compreender as causas de seu declínio: erros políticos estratégicos (Gallardo), o triunfo do neoliberalismo e a crise do socialismo histórico, o avanço dos fundamentalismos religiosos e seculares e a dispersão de correntes teológicas que se dizem libertadoras.
Classe 6: O pensamento social crítico latino-americano. A obra de Franz Hinkelammert.
Professor: Yohanka León del Río
Resumo conceitual da aula
Pensamento social crítico latino-americano e emancipação humana. Um programa crítico no pensamento latino-americano. A reivindicação da utopia e os movimentos emancipatórios anticapitalistas. Temas, tendências e autores-chave do pensamento crítico latino-americano. A crítica antineoliberal de Franz Hinkelammert.
Classe 7: Genealogia da virada decolonial
Professor: Nelson Maldonado Torres
Resumo conceitual da aula
Este curso explora a formação da virada decolonial desde a Revolução Haitiana até a celebração do quinto centenário da "descoberta" das Américas. Examina as contribuições para o pensamento decolonial de figuras como o historiador decolonial haitiano Jean Casimir, Sylvia Wynter, María Lugones, Aimé Césaire, Frantz Fanon e Catherine Walsh.
Classe 8: Feminismo decolonial, negro e de base: o movimento de mulheres na América Latina e no Caribe
Professor: Yohanka León del Río
Resumo conceitual da aula
Feminismo latino-americano e caribenho: uma crítica à metanarrativa da modernidade e à naturalização do patriarcado. As complexidades das relações de poder e as inter-relações produzidas em contextos, tempos e lugares específicos em torno de sexo, raça e classe. O debate feminista marxista sobre a emancipação humana e seus desafios teóricos e práticos. As propostas do feminismo popular, decolonial e comunitário, e sua relação com o marxismo e o socialismo. A mulher negra das Antilhas confrontando o legado patriarcal das raízes coloniais, presente em comunidades resultantes do sistema de plantações, um sistema socioeconômico que favorecia o trabalho masculino escravizado enquanto reforçava os papéis da dominação patriarcal branca. Análise de textos críticos de Rhoda Reddock, Cecilia Green, Alissa Trotz e Violet Eudine Barriteau.
Classe 9: Pensamento crítico e pedagogia. A obra de Paulo Freire.
Professor: Lino Morán Beltrán
Resumo conceitual da aula
A obra de Paulo Freire, sua importância epistêmica e prática para as práticas pedagógicas emancipatórias na América Latina. A educação popular desenvolve e critica a educação tradicional. Fundamentos teóricos da educação popular libertadora que contribuem para o pensamento e a pedagogia decoloniais. Educação popular, descolonização e pensamento decolonial. O trabalho e a ação libertadores da pedagogia latino-americana e os caminhos teóricos do pensamento decolonial em sua crítica à civilização ocidental, ao eurocentrismo, à sua racionalidade científica e à sua inevitabilidade histórica.
Classe 10: Marxismo Latino-Americano Fundacional: Aníbal Ponce, Julio Antonio Mella, José Carlos Mariátegui
EnsinoYodenis Guirola Valdés
Resumo conceitual da aula
Marxismo Fundacional na América Latina: Uma visão geral histórica e filosófica da recepção inicial da obra de Marx e do marxismo na América Latina, do final do século XIX ao início do século XX. Aspectos-chave de seu desenvolvimento e suas particularidades em alguns de seus expoentes mais significativos, com foco em Aníbal Ponce, Julio Antonio Mella e José C. Mariátegui.
Cada estudo de caso analisa o tratamento do problema da emancipação humana, sua relevância e especificidades, tanto em contraste com Marx e os marxismos europeus da época, quanto em relação ao que pode ser considerado o marxismo latino-americano fundamental. Como parte desses contrastes, elementos teóricos são elucidados e definidos nas esferas epistêmica, filosófica, política e ética, assim como elementos práticos em termos de estratégias e mecanismos de transformação social baseados nessas perspectivas sobre o problema da emancipação na América Latina.
A apresentação do conteúdo é combinada com o levantamento de questões instigantes, abordadas de forma heterodoxa e crítica, estimulando uma busca crítica por respostas. Para tanto, a aula está estruturada em três partes. A primeira oferece uma visão geral histórica e filosófica, especificando as circunstâncias, dilemas e conflitos sociopolíticos, ativistas, editoriais e epistêmicos que influenciaram esse desenvolvimento. A segunda parte discute um grupo de autores latino-americanos de filiação marxista que defenderam uma reflexão crítica diferenciada, adaptada às realidades de seus contextos, com foco em três figuras-chave. Por fim, com base no exposto, são delineados elementos particulares e comuns referentes à natureza disruptiva, indisciplinada, contra-hegemônica e crítica dessas perspectivas, possibilitando, assim, uma avaliação de sua originalidade, relevância, continuidade e significado contemporâneo.
Classe 11: Marxismo latino-americano: de Mariátegui ao ecossocialismo
Professor: Michael Lowy
Resumo conceitual da aula
Trajetória histórica do marxismo na América Latina: de Mariátegui aos dias atuais. Experiências históricas e a relevância da teoria. Reforma ou revolução: o debate para os países latino-americanos. Problemas e debates atuais. Marxismo no Terceiro Mundo, marxismo depois de 1959. Crise dos paradigmas emancipatórios no mundo e chaves para repensar a emancipação. Novas alternativas, movimentos sociais e projetos de esquerda. Lutas socioambientais e ecossocialismo. Teorias e experiência.
Classe 12: Ludovico Silva e a crítica aos marxistas, marxistas e marxistas
Professor: Lino Morán Beltrán
Resumo conceitual da aula
Ludovico Silva, um dos marxistas críticos latino-americanos marginalizados nos estudos acadêmicos. Uma reavaliação de sua obra para os dias atuais. O marxismo como instrumento de interpretação da realidade nacional e latino-americana. A ideologia como preocupação recorrente na obra de Silva. Mais-valia ideológica. Uma crítica ao marxismo tradicional dos marxistas, marxólogos e marxistas.
Classe 13: O pensamento crítico haitiano: da Revolução aos dias atuais
Professores: Camila Valdés León / Frantz Voltaire
Resumo conceitual da aula:
A Revolução Haitiana, o problema da escravidão de africanos negros e a crise do humanismo europeu e da lógica econômica do sistema colonial. O questionamento, por meio da ação revolucionária, dos conceitos do pensamento ocidental que justificavam a opressão escravagista. O Haiti do século XIX e a inter-relação entre soberania política, independência econômica e emancipação cultural em um contexto internacional de negação e silenciamento do potencial transformador desse evento na região, juntamente com outras duas grandes revoluções do período (a Americana e a Francesa). Temas-chave de debate no século XX: o problema racial, o racismo e a crescente conscientização entre os intelectuais haitianos sobre a condição particular da cor da pele e da identidade nacional. A geração indigenista: a obra de Jean Price Mars, Jacques Roumain e a Revista Indigenista. A adoção de uma abordagem baseada na identidade e seu impacto no estudo crítico do legado revolucionário, no reconhecimento de novas formas de dependência, nas particularidades da identidade cultural haitiana e em como sua compreensão não se tornou independente dos modelos civilizacionais europeus universalistas. A geração intelectual militante da década de 40: René Depestre e Jacques Stéphen Alexis, sua exploração da cultura haitiana e seu compromisso político com a transformação social. O estabelecimento da ditadura Duvalier e sua construção de uma ideologia racial, justificando a brutal opressão estatal contra seus cidadãos. O desmantelamento intelectual dos mecanismos desse papado e a compreensão da natureza econômica e geopolítica de tal manipulação programática no contexto da Guerra Fria. Debates marxistas no pensamento haitiano.
Classe 14: Reformas ou revolução. Os debates ideológicos das décadas de 1960 e 70. 50 anos após o golpe militar no Chile.
Professores: Marco Álvarez Vergara / Carmen Castillo Echeverría
Resumo conceitual da aula
Reforma ou Revolução: O Debate Teórico-Prático e a Experiência Chilena. Luta Armada e o Caminho Pacífico. O Caminho Chileno para o Socialismo. Guevarismo e Marxismo Tradicional. Miguel Enríquez e o Marxismo no Chile. Meio Século Desde o Golpe de Estado no Chile. A Importância do Evento. Os Mil Dias de Unidade Popular (1970-1973) como uma Experiência Sem Precedentes na Produção do Marxismo Latino-Americano e uma Confluência de Múltiplas Tradições Populares e Emancipatórias. A Trajetória das Ideias Marxistas no Chile. Recepções do Marxismo Ocidental, Especialmente as Reinterpretações Críticas de Gramsci e Althusser pelos Marxistas.
Classe 15: Tempo histórico liminar: Desafios para a teoria crítica latino-americana
Professor: Álvaro García Linera
Resumo conceitual da aula
Desafios para a teoria crítica latino-americana diante do atual "momento histórico", caracterizado pela incerteza decorrente da complexa e interligada sobreposição de múltiplas crises, choque global e reajustes pós-pandemia. A esquerda progressista na América Latina, em seu "renascimento centrífugo" marcado por um futuro ilusório de vitórias e derrotas "breves", confronta a ascensão da extrema-direita, que busca disciplinar seus dissidentes, em tempos de envelhecimento populacional, degradação do neoliberalismo e reajustes globais pós-Covid-19. A América Latina na esteira das consequências da pandemia, que intensificou o desemprego, a pobreza, a precariedade e o sofrimento das classes trabalhadoras. O esgotamento do sistema partidário tradicional e a desconexão cognitiva entre certezas imaginadas e o presente. A categoria analítica de “tempo liminar” (Victor Turner) identifica o momento histórico que estamos vivenciando, um tempo em que nos encontramos no limiar entre o passado e o futuro — uma nova era histórica que ainda não chegou, não foi anunciada e cuja forma é desconhecida. A época liminar é vista como um período intermediário, uma suspensão do tempo social onde o tempo físico é comprimido em um turbilhão de eventos, e o tempo social parece estagnar. O evento liminar é o fim de uma era, uma ruptura abrupta ou um vazio que pode se estender por anos ou décadas. Essas são as principais ideias do projeto de livro sobre este tema, que convida à reflexão sobre as alternativas e os desafios do pensamento voltados para a emancipação humana, novas utopias e o fim da instabilidade global.
- Pablo Guadarrama González (Universidade Nacional, Colômbia/UCLV, Cuba)
- Félix Valdés García (Instituto de Filosofia, Cuba)
- Yohanka León del Río (Instituto de Filosofia, Cuba)
- Yodenis Guirola Valdés (Universidade de Barcelona, Espanha)
- Patrícia González San Martín (Universidade de Playa Ancha, Chile)
- Carmen Castillo Echeverría (França)
- Marco Álvarez Vergara (Universidade do Chile)
- Carlos Angrita Sarmiento (Pontifícia Universidade Javeriana, Colômbia)
- Frantz Voltaire (CIDHICA, Haiti-Canadá)
- Camila Valdés León (Casa de las Américas, Cuba)
- Lino Moran Beltrán (Universidade de Zulia, Venezuela)
- Michael Löwy (CNR, França)
- Álvaro García Linera (Bolívia)
- Nelson Maldonado Torres (Universidade de Connecticut, Estados Unidos)
| Em um único pagamento até 15/08 | Em um único pagamento após 15/08 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
Para participar, você deve se inscrever usando o formulário online clicando aqui. As inscrições estarão abertas de 8 de maio a 20 de agosto de 2023.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em agosto e terminarão em dezembro de 2023.
Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
| Em um único pagamento até 15/08 | Em um único pagamento após 15/08 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 175 USD | 230 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
| Sem link | 300 USD | 360 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388
E-mail: [email protected]