Diploma Avançado em Atlas Global da Justiça Ambiental

 Diploma Avançado em Atlas Global da Justiça Ambiental

COORDENAÇÃO ACADÊMICA:

Joan Martínez Alier (ICTA, Universidade de Barcelona, ​​Espanha), Lucrécia Wagner (IANIGLA-CONICET, Argentina), Grettel Navas (Universidade do Chile, Chile)

CORPO DOCENTE

Joan Martínez Alier (ICTA, Universidade Autônoma de Barcelona, ​​Espanha); Daniela del Bene (Universidade Ca'Foscari, Itália); Chaveiro Marcel Pasquina (ICTA, Universidade Autônoma de Barcelona, ​​Espanha); Gabriela Merlinsky (Universidade de Buenos Aires, Argentina); Arturo Escobar (Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos – Universidade do Valle, Colômbia); Lucrécia Wagner (IANIGLA-CONICET, Argentina); Grettel Navas (Universidade do Chile, Chile); Mariana Valter (IBEI, Espanha); Marta Conde (Universidade Autônoma de Barcelona, ​​Espanha); Karla Sessin-Dilascio (Instituto Fronteiras, Acre, Brasil); Arpita Bisht (Universidade Autônoma de Barcelona, ​​Espanha); Bowen Gu (Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston, EUA); Roberto Cantoni (Universidade Ramón Llull, Espanha); Daniele Vico (Universidade de Barcelona, ​​Espanha)

Formato virtual | Agosto a novembro de 2024

Início: 26/08/2024 | Inscrição: 28/05/2024 a 25/08/2024


Este diploma oferece uma visão geral da estrutura teórica, metodológica e epistemológica do programa de pesquisa "Atlas Global da Justiça Ambiental". O objetivo principal do programa é facilitar a formação proativa com base na plataforma EJAtlas para aprofundar a análise de experiências comparativas em justiça ambiental em diferentes regiões do mundo.

O acesso aos dados é organizado a partir de uma abordagem mercantilista, na qual uma perspectiva sociometabólica é utilizada na análise de conflitos ambientais.

O objetivo é contribuir para o ativismo ambiental, ajudar a dar visibilidade e denunciar casos de injustiça ambiental, promover o diálogo e a troca de experiências, dados, ideias e estratégias de ação, fortalecer a articulação internacional de redes e movimentos e contribuir para novos processos de criação de conhecimento na perspectiva da justiça ambiental. 

O Atlas da Justiça Ambiental (EJAtlas) é uma coletânea de casos e experiências de conflito e resistência ambiental, construída por meio de um processo colaborativo que envolve acadêmicos e ativistas. O conteúdo e os dados são resultado do trabalho de centenas de colaboradores de todo o mundo que compartilham suas próprias histórias de resistência ou escrevem sobre o que testemunham.
O projeto é desenvolvido por meio de uma plataforma online interativa com dados georreferenciados que abrangem diversos projetos e atividades extrativas controversas, bem como suas repercussões sociais em diferentes regiões do mundo. Trata-se de um extenso programa de pesquisa híbrido com trajetória histórica, visto que o número de casos registrados aumenta a cada ano, permitindo uma reformulação das categorias analíticas. O principal objetivo é contribuir para o ativismo ambiental, ajudando a dar visibilidade e denúncia a casos de injustiça ambiental, fomentando o diálogo e a troca de experiências, dados, ideias e estratégias de ação, fortalecendo a coordenação internacional de redes e movimentos e contribuindo para novos processos de criação de conhecimento a partir de uma perspectiva de justiça ambiental.
Neste Diploma de Pós-Graduação da CLACSO, a equipe de pesquisa do Atlas Global da Justiça Ambiental visa apresentar o arcabouço teórico e metodológico deste programa de pesquisa para fortalecer os processos de formação focados em experiências comparativas de justiça ambiental em diferentes regiões do mundo. O cerne da proposta é facilitar a formação proativa baseada no uso da plataforma EJAtlas. Como o acesso aos dados é organizado por meio de uma abordagem mercantilista (que envolve a consideração do tipo de recurso em disputa), isso também permitirá a incorporação de uma perspectiva sociometabólica na análise de conflitos ambientais. Operacionalmente, isso possibilita identificar os atores em disputa em diferentes pontos da cadeia de valor e estabelecer análises relacionais por tipo de empresa ou corporação envolvida, os atores sociais envolvidos, as formas de mobilização, os impactos ambientais, sociais, de saúde ou econômicos, a intensidade dos conflitos (incluindo o registro de diferentes formas de violência contra defensores ambientais) e os diversos fatores que levam ao sucesso ou ao fracasso na busca por justiça ambiental.
Este diploma também visa contribuir para o debate sobre a transformação socioecológica de duas maneiras distintas. Por um lado, busca destacar que analisar quem ganha e quem perde nos processos ecológicos é um aspecto fundamental para diversas análises interseccionais da desigualdade social. Por outro lado, ao dar visibilidade aos conflitos ambientais, busca contribuir para a ampliação política das redes de justiça ambiental nos níveis local, regional e transnacional.

OBJETIVOS GERAIS 

O objetivo do Diploma é fornecer perspectivas e ferramentas conceituais que enriqueçam a formação em justiça ambiental e ecologia política a partir de uma perspectiva sociometabólica, contribuindo para o desenvolvimento de propostas de transformação socioecológica. Da mesma forma, o Diploma visa facilitar o compartilhamento de dados em diferentes escalas e com base em casos específicos, fomentando assim a colaboração no âmbito do movimento global por justiça ambiental.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  1. Promover uma convergência entre a perspectiva sociometabólica para a análise de conflitos ambientais e sua relação com a agenda de justiça ambiental.
  2. Fornecer ferramentas teóricas e metodológicas para a análise georreferenciada e relacional de diferentes conflitos ambientais em escalas local, regional e transnacional.
  3. Oferecer elementos que permitam o fortalecimento das redes de conhecimento entre ativistas, acadêmicos e pesquisadores, a fim de dar visibilidade aos processos de construção de agendas de justiça climática em diferentes regiões do mundo.
  4. Contribuir para a criação e consolidação de redes de pesquisa e formação em questões de justiça ambiental e climática.

O Diploma Superior em Atlas Global da Justiça Ambiental destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados ​​no tema.

  • Joan Martínez Alier (ICTA-UAB, Espanha)
  • Daniela del Bene (Universidade Ca'Foscari, Itália)
  • Chaveiro Marcel Pasquina (ICTA-UAB, Espanha)
  • Gabriela Merlinsky (Universidade de Buenos Aires, Argentina)
  • Arturo Escobar (Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos - Universidade do Valle, Colômbia)
  • Lucrécia Wagner (IANIGLA-CONICET, Argentina)
  • Grettel Navas (Universidade do Chile, Chile)
  • Mariana Valter (IBEI, Espanha)
  • Marta Conde (Universidade Autônoma de Barcelona, ​​Espanha)
  • Karla Sessin-Dilascio (Instituto Fronteiras, Acre, Brasil)
  • Arpita Bisht (Universidade Autônoma de Barcelona, ​​Espanha)
  • Bowen Gu (Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston, EUA)
  • Roberto Cantoni (Universidade Ramón Llull, Espanha)
  • Daniele Vico (Universidade de Barcelona, ​​Espanha)

O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.

Carga horária total de 128 horas.

Os módulos que compõem o Diploma Superior são:

Aula 1: O Atlas da Justiça Ambiental

Professor responsável: Joan Martínez Alier

Resumo conceitual da aula
Metabolismo social. Conflitos ecológico-distributivos e pobreza multidimensional. Justiça ambiental como movimento social. Ecologia política global e seu mapeamento. "Decrescimento na prática" no Sul Global. A economia industrial não é circular, mas entrópica. Estamos no Antropoceno, mas também no Entropoceno. Existe um enorme "buraco metabólico" que explica os conflitos nas fronteiras da extração de commodities e do descarte de resíduos (incluindo emissões excessivas de CO2). Os principais protagonistas desses conflitos ecológico-distributivos são os pobres, os povos indígenas e os subalternos e oprimidos em áreas rurais e urbanas.

Aula 2: A abordagem epistemológica e teórico-metodológica do Atlas da Justiça Ambiental

Professor responsável: Daniela del Bene

Resumo conceitual da aula
Nesta aula, analisaremos a trajetória e a relevância do Atlas Global da Justiça Ambiental (EJAtlas), um dos principais projetos do Grupo de Pesquisa em Estudos de Justiça Ambiental e Ecologia Política de Barcelona. Primeiramente, traçaremos as origens, o alcance e a metodologia do EJAtlas como uma plataforma de mapeamento participativo com alcance global, construída por meio da coprodução de conhecimento entre espaços acadêmicos críticos e coletivos que lutam pela justiça ambiental. Em seguida, veremos como o trabalho do EJAtlas reflete e contribui para uma tendência mais ampla no campo da justiça ambiental, que busca integrar práticas cartográficas e de mapeamento crítico tanto na pesquisa quanto no ativismo. Por fim, refletiremos sobre alguns dos usos da ferramenta, como a criação de Mapas Temáticos em colaboração com movimentos e organizações sociais, e os potenciais desenvolvimentos futuros da plataforma.

Classe 3: Empresas extrativas e irresponsabilidade social corporativa

Professor responsável: Chaveiro Marcel Pasquina

Resumo conceitual da aula 

As empresas extrativas são as principais antagonistas em muitos conflitos ambientais. Elas são responsáveis ​​pela execução das operações de extração, transporte, processamento e descarte de resíduos que caracterizam o sistema econômico vigente. Em outras palavras, essas empresas são as principais instituições que materializam o extrativismo. Em particular, as corporações transnacionais mediam as relações socioecológicas desiguais entre sociedades distantes. Graças à facilidade de movimentação de capital e recursos proporcionada pelas políticas de liberalização comercial e globalização, as corporações transnacionais são responsáveis ​​pela extração de energia e materiais no Sul Global e sua concentração no Norte Global. Por meio de cadeias de suprimentos globalmente e verticalmente integradas, as corporações transnacionais preenchem a lacuna entre as sociedades que concentram o consumo e as regiões socioecologicamente devastadas. Por essa razão, essas corporações são o alvo legítimo das ações dos defensores do meio ambiente.
Nesta disciplina, explicaremos a natureza, o funcionamento sistêmico e o comportamento das corporações por meio do estudo de seu envolvimento em conflitos ambientais. Abordaremos os fundamentos teóricos, as estatísticas globais do EJAtlas e estudos de caso de corporações e os conflitos nos quais estão envolvidas. Também exploraremos as diversas estratégias utilizadas pelos movimentos de justiça ambiental para confrontar as atividades corporativas.

Aula 4: Conversas sobre “Terra, Água, Ar e Liberdade. A Formação dos Movimentos Mundiais”

Professores responsáveis: Gabriela Merlinsky e Arturo Escobar

Resumo conceitual da aula

Gabriela Merlinsky e Arturo Escobar conversarão sobre o último livro de Joan Martínez Alier.

 

Aula 5: Mesa redonda com ativistas: usos do Atlas da Justiça Ambiental e estratégias dos movimentos sociais (síncrona) 

Professores responsáveis: Lucrécia Wagner e Grettel Navas

Resumo conceitual da aula

Defensores ambientais envolvidos em diversos conflitos ambientais serão convidados. As discussões e reflexões se concentrarão em suas estratégias de resistência, nos principais aspectos dos conflitos e em suas conexões atuais ou potenciais com o Atlas da Justiça Ambiental.

Aula 6: Por que existem conflitos envolvendo catadores informais nas metrópoles do Sul Global? Uma análise de 70 casos do Atlas da Justiça Ambiental.

Professores responsáveis: Daniele Vico

Resumo conceitual da aula

Os catadores de materiais recicláveis ​​são essenciais para a gestão de resíduos no Sul Global, pois muitas vezes são os únicos agentes que separam materiais recicláveis ​​do lixo comum, promovendo a circularidade dos sistemas urbanos. No entanto, os catadores enfrentam cada vez mais injustiças ambientais e marginalização. Nesta disciplina, buscamos compreender por que os catadores estão envolvidos e frequentemente mobilizados em conflitos relacionados a resíduos no Sul Global. Nossa hipótese é que transformações estão ocorrendo na gestão de resíduos em cidades do Sul Global, impulsionadas por mudanças tanto na materialidade do metabolismo urbano (ou seja, a geração e a composição dos resíduos) quanto em sua economia política (ou seja, os fatores socioeconômicos que definem a propriedade, o acesso e a gestão dos resíduos). Essas reconfigurações levam à exclusão dos catadores do acesso aos resíduos e, consequentemente, a conflitos socioambientais. Utilizando o Atlas Global de Justiça Ambiental (EJAtlas), documentamos e analisamos 70 conflitos no Sul Global envolvendo catadores de materiais recicláveis. Na encruzilhada entre economia ecológica e ecologia política, nosso arcabouço teórico se baseia nos conceitos de conflitos de distribuição ecológica, metabolismo social e na teoria marxista da acumulação de capital. Aplicamos esse arcabouço aos resíduos sólidos urbanos. Como métodos de análise de conflitos, implementamos um processo de codificação qualitativa e o utilizamos como base para uma análise de redes, a fim de identificar as inter-relações entre materialidade, economia e os resultados dos conflitos socioambientais. Os resultados mostram um aumento na quantidade de resíduos em cidades do Sul Global, o qual é abordado por meio de estratégias neoliberais, como a privatização da gestão de resíduos e a introdução de novas tecnologias, como a incineração.

Aula 7: Mineração de metais na América Latina e em outros continentes

Professores responsáveis: Lucrécia Wagner e Mariana Walter

Resumo conceitual da aula

De acordo com o EJAtlas, a mineração é uma das atividades que mais geram conflitos ambientais em todo o mundo. Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos, o uso de diferentes minerais para novos processos industriais e a expansão das operações de mineração para outros territórios aumentaram os conflitos ambientais relacionados a essa atividade.
Nesta disciplina, propomos aprofundar esses conflitos mineiros, principalmente relacionados à mineração de metais, caracterizando a atividade, sua dinâmica nas últimas décadas e os motivos pelos quais diversas comunidades se organizaram para resistir à instalação de projetos de mineração. Identificaremos os diferentes atores envolvidos nos conflitos, suas estratégias, os impactos gerados e percebidos e os desfechos desses conflitos. Refletiremos sobre as implicações de uma história ambiental latino-americana marcada pelo colonialismo e sobre o lugar da mineração e do extrativismo nas memórias e na resistência dessas comunidades.
Nos últimos anos, o debate sobre a extração mineral tornou-se intrinsecamente ligado a outro debate importante: a transição energética. A necessidade de minerais para essa transição — por exemplo, lítio para baterias, ou cobre, alumínio e cádmio, entre outros, para painéis solares — gera novas demandas e pressões extrativistas. Analisaremos esses desafios por meio de exemplos específicos de colaboração entre a EJATLAS e outras organizações para gerar mapeamentos e relatórios coletivos junto aos movimentos de resistência em seus territórios.
Por fim, analisaremos as transformações que surgiram desse conflito ambiental. Que processos foram gerados nas comunidades afetadas por esses conflitos e que tipo de transformações eles acarretam? Como podemos estudar esses processos e por que é importante fazê-lo? Essas são algumas das perguntas que buscaremos responder ao longo do curso.

Aula 8: Ativismo Mobilizando a Ciência

Professor responsável: Marta Conde

Resumo conceitual da aula

Em conflitos ambientais, corporações ou agências governamentais utilizam linguagem e conhecimento científico e técnico para justificar projetos extrativistas, forçando comunidades e grupos em luta a gerar conhecimento alternativo. Frequentemente, esse conhecimento é gerado por meio de alianças entre cientistas e ativistas em um processo chamado Ativismo Mobilizando a Ciência (AMS). Nesta disciplina, exploraremos conflitos ambientais na Namíbia, Níger, Peru, Argentina e México, que encontraremos nas leituras indicadas, para descobrir o propósito dessas alianças, os tipos de conhecimento empregados, a relevância da coprodução de conhecimento e a dinâmica de poder entre cientistas e ativistas. Também refletiremos sobre as potenciais consequências para as comunidades e os cientistas engajados, e quais estratégias podem ser utilizadas para mitigar repercussões negativas.

Aula 9: Justiça socioambiental em projetos de infraestrutura na Amazônia brasileira: consulta, participação social e estudos de caso

Professor responsável: Karla Sessin-Dilascio

Resumo conceitual da aula

Os projetos de infraestrutura podem ser concebidos de forma ampla, referindo-se tanto a obras de engenharia (como usinas hidrelétricas, rodovias e ferrovias) quanto a estruturas de ocupação e governança territorial que alteram a infraestrutura das relações sociais (como REDD+, áreas de proteção, etc.). No Brasil, alterações não apenas na dinâmica da ocupação territorial podem gerar impactos de diversas naturezas. Especialmente na Amazônia brasileira, cujo território é ocupado por populações tradicionais e indígenas com séculos de história. Uma justiça (socio)ambiental emerge como prática e conceito fundamental para garantir equidade e distribuição de benefícios em projetos de infraestrutura por meio da luta e da atuação da sociedade civil organizada, movimentos comunitários e povos indígenas em relação a decisões monocráticas, de cima para baixo, que geram impactos em territórios florestais. Partindo desse entendimento, esta disciplina se baseia em um estudo comparativo entre casos emblemáticos de infraestrutura brasileira (ex.: usinas hidrelétricas – Belo Monte e Teles Pires; rodovias – Transoceânica, Transamazônia; exploração de hidrocarbonetos – Coari-Manaus e Carauari; novas infraestruturas “verdes” – REDD+) para destacar conceitos e ferramentas desenvolvidos por ativistas e pesquisadores brasileiros que se tornaram importantes (ex.: consulta prévia; processo de licenciamento; monitoramento independente; participação e governança social; ferramentas de advocacy) para garantir a justiça socioambiental em projetos de infraestrutura na Amazônia brasileira. Será apresentado um breve histórico da ocupação da Amazônia, o conceito brasileiro de “socioambientalismo” será discutido, assim como o conceito de “ambientalismo dos pobres” na realidade brasileira, com base na análise de diferentes estudos de caso de infraestrutura no Brasil. 

10ª aula: Conflitos, saúde pública e meio ambiente

Professor responsável: Grettel Navas

Resumo conceitual da aula

Juntamente com a perda de biodiversidade e o aquecimento global, a poluição tóxica é um dos maiores desafios que enfrentamos hoje. Sob a perspectiva da justiça ambiental e da ecologia política, esta disciplina oferecerá uma visão abrangente dos conflitos ambientais e sua interseção com a poluição tóxica e seus impactos na saúde pública e ambiental.

Inicialmente, estudaremos as implicações sociais e políticas de viver em um “mundo tóxico”. Em seguida, analisaremos quem são as comunidades que lutam contra diferentes tipos de poluição tóxica ao redor do mundo e como elas se mobilizam. Por exemplo: 1) a luta de comunidades mobilizadas contra a poluição causada pela produção, uso e descarte de pesticidas; 2) comunidades organizadas para exigir justiça e reparação pelos danos à saúde causados ​​pela contaminação por amianto na Europa e na América Latina; 3) comunidades afetadas pela poluição por metais pesados ​​relacionada à mineração na América Central e na África; e 4) comunidades organizadas contra a poluição do ar em diferentes áreas urbanas. Em um nível conceitual, estudaremos e analisaremos criticamente o conceito de “zonas de sacrifício” e como ele tem sido usado por diferentes comunidades epistêmicas para descrever espaços saturados de poluição e caracterizar os corpos doentes que os habitam: Quem é descartável e por quê?

Em um nível teórico, os conceitos de "violência lenta" e "justiça ambiental intergeracional" também serão explorados, dada a persistência da poluição tóxica além do tempo e do espaço. Esta disciplina visa fomentar a reflexão sobre os diferentes tipos de poluição persistente e abrir um debate e uma caracterização das particularidades dos "conflitos de saúde ambiental" em comparação com outros conflitos ambientais.

11ª aula: Extrativismo na Índia: conflitos em torno da extração de areia e cascalho, carvão e metais.

Professor responsável: Arpita Bisht

Resumo conceitual da aula

Esta disciplina apresenta diversos casos importantes de movimentos de resistência social contra o extrativismo na Índia. Serão abordadas as estruturas organizacionais desses movimentos, suas ferramentas e como exercem influência nos níveis nacional e internacional, pressionando contra projetos extrativistas. Os casos de injustiça ecológica relacionados a projetos extrativistas na Índia envolvem principalmente comunidades indígenas (Adivasi) e suas lutas para defender "jal, jangal, zameen" (água, floresta, terra), um lema fundamental do movimento coletivo em defesa dos ecossistemas. No entanto, existem muitos outros movimentos entre comunidades locais de agricultores e pescadores em áreas rurais, bem como movimentos contra a extração de areia, compostos por uma gama mais ampla de atores, incluindo grupos periurbanos.
Serão apresentados três casos importantes de movimentos de resistência em larga escala e de longa duração na Índia. Primeiro, o Narmada Bachao Andolan (movimento para salvar o rio Narmada), liderado por comunidades indígenas e não indígenas em Gujarat e Maharashtra, no oeste da Índia. Embora tenha falhado em impedir a construção da barragem, esse movimento teve enormes repercussões na formulação de políticas tanto na Índia quanto globalmente, incluindo as políticas do Banco Mundial sobre barragens. Segundo, o Niyamgiri Bachao Andolan (movimento para salvar as montanhas Niyamgiri), liderado pela comunidade indígena Dongria Kond de Odisha, no leste da Índia. Esse movimento de resistência de 13 anos conseguiu impedir a mineração de bauxita em Niyamgiri, uma montanha sagrada para o povo Dongria Kond. Terceiro, as resistências contra a extração de areia por comunidades periurbanas locais em toda a Índia. Este texto apresenta uma visão geral dos movimentos contra a mineração de areia, um recurso geograficamente amplo e disperso. 

12ª aula: Conflitos sobre o carvão na China e investimentos chineses nos países da Iniciativa Cinturão e Rota.

Professor responsável: Bowen Gu

Resumo conceitual da aula

A China consome metade do carvão mundial. Em 2023, o carvão ainda representava mais de 50% do consumo total de energia primária do país. A dependência chinesa do carvão impõe desafios significativos e duradouros às perspectivas de alcance das metas climáticas globais, bem como às comunidades locais. Esta disciplina discutirá justiça ambiental sob a perspectiva da economia chinesa baseada no carvão, com base em casos de conflito do EJAtlas. Esses casos variam desde o ativismo artístico em apoio às comunidades locais afetadas pela mineração de carvão até abordagens legais, como ações de interesse público (AIP) movidas por ONGs ambientais.

Além disso, o investimento chinês e seu impacto socioambiental associado se estenderam muito além de suas fronteiras. O estabelecimento da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI, na sigla em inglês) em 2013 acelerou a “exportação” do desenvolvimentismo chinês para a África, o Sudeste Asiático, a América Latina e outras regiões. Isso levou a estudos sobre a “China global” que examinam cada vez mais o investimento chinês no exterior em escalas locais e globais. Nesta conferência, focamos na Indonésia para explorar como os movimentos locais percebem, contestam e influenciam os investimentos chineses em infraestrutura energética no âmbito da BRI. Isso também se conecta com estudos e movimentos de base na América Latina, onde os investimentos chineses estão presentes e continuam a ser contestados de baixo para cima.

 

Aula 13: Energia no Norte da África. Formas de extrativismo.

Professor responsável: Roberto Cantoni

Resumo conceitual da aula

Neste curso, examinaremos, por meio de duas correntes literárias (geografia crítica e justiça energética), como as questões da exploração energética e do extrativismo em geral se cruzam com as perspectivas pós-coloniais e neocoloniais. Narrativas baseadas na necessidade e urgência da transição energética dos combustíveis fósseis para as energias renováveis ​​(ou pelo menos para outros combustíveis fósseis que emitam menos gases de efeito estufa) são frequentemente utilizadas para superar obstáculos legais e sociais relacionados a condições territoriais ou demográficas específicas, levando à exacerbação de conflitos preexistentes ou à criação de novos.

Ao examinarmos os conflitos causados ​​pelas estratégias de expansão energética do Egito ao Saara Ocidental, veremos como as comunidades ativistas lançaram várias formas de mobilização e como os governos nacionais tentaram suprimir a dissidência dentro de suas fronteiras, enquanto procuravam se apresentar aos observadores estrangeiros como países na vanguarda do respeito ao meio ambiente, do pluralismo e da consulta pública.

Aula 14: Diálogos sobre Justiça Ambiental com Defensores do Meio Ambiente

Professor responsável: Gabriela Merlinsky

Resumo conceitual da aula

Este é um painel de conversa e discussão no qual participarão defensores do meio ambiente de diferentes regiões do mundo, cujas experiências foram incorporadas ao Atlas da Justiça Ambiental.
O diálogo será organizado em três rodadas em torno das seguintes questões:
Se, como sabemos, o pessoal é político, como elas vivenciam, sentem, pensam e incorporam o desenrolar dos feminismos na América Latina em sua prática ativista/situada/militante?
É possível vislumbrar uma intersecção entre feminismos, lutas anti-extrativistas e movimentos por justiça ambiental? Como? Que reflexões a experiência recente oferece, particularmente no que diz respeito às suas implicações para a crítica aos regimes extrativistas em suas diversas formas? Quais são as características específicas dessas experiências em seus países?
Nesta terceira rodada, eu gostaria de pedir uma reflexão mais geral sobre a violência contra mulheres e minorias sexuais. Como essas diferentes formas de violência se entrelaçam e nos afetam? Como podemos resistir ao que Rosa Cobos chama de contraofensiva dos novos bárbaros do patriarcado — ou seja, a perseguição de corpos que lutam, que resistem, que são visíveis na esfera pública? Como podemos compreender e responder a esses processos?

Aula 15: O Movimento por Justiça Ambiental

Professor responsável: Joan Martínez Alier

Resumo conceitual da aula

A primeira parte, de caráter altamente empírico, analisa cerca de vinte conflitos ao redor do mundo, nos quais os protagonistas, por vezes, conseguem manter os combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) no subsolo. Este capítulo é inspirado nas lutas no Equador e na Nigéria desde a década de 1990: "deixe o petróleo no solo, deixe o carvão no buraco". Nesta aula, daremos continuidade ao Capítulo 16 do livro "Terra, Água, Ar e Liberdade", calculando as toneladas de emissões de CO2 evitadas por meio desses movimentos. A segunda parte desta aula abordará o capítulo final de "Terra, Água, Ar e Liberdade", intitulado "O Ambientalismo dos Povos Pobres e Indígenas na História Contemporânea", com as seguintes seções: Economia ecológica, ecologia política e ecologia industrial: três campos complementares. Os repertórios de protesto no ambientalismo popular. Iconografia e vocabulário da justiça ambiental. Linguagens de valoração. Ecomarxismo e a segunda contradição do capitalismo.

 
  Em um único pagamento até 19/08 Em um único pagamento após 19/08 Pagamento em 3 parcelas
CM Pleno 185 USD 240 USD  USD 315 (3 x USD 105)
Associado de CM  185 USD  240 USD  USD 315 (3 x USD 105)
Sem link 310 USD 370 USD  USD 540 (3 x USD 180)
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito, depósito ou transferência bancária.
 
*Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento. 
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso gratuito ao Aula CLACSO. Acesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Para participar, é essencial que você se inscreva usando o formulário online.

Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.

As aulas começarão em agosto e terminarão em novembro de 2024.

Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.

Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.

Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.

O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade. 

Sim, o diploma avançado é certificado e credenciado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.

O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.

Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.


Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388

E-mail: [email protected] 

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