Diploma Avançado em Economias Populares e Feministas
4ª turma | Programa online | Início em maio de 2026
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
María Verónica Gago (Universidade Nacional de San Martín, Argentina), María Cristina Cielo (FLACSO, Equador) e Alioscia Castronovo (IDAES-UNSAM, Universidade de Pádua, Argentina-Itália)
CORPO DOCENTE
Verónica Gago (IDAES-UNSAM, Argentina), Cristina Cielo (FLACSO, Equador), Aliscia Castronovo (IDAES-UNSAM, Università di Padova, Argentina-Itália), Ana Julia Bustos (UBA, Argentina), Alexandre Roig (IDAES-UNSAM, Argentina), Marta Lúcia Bernal Suárez (UNAL, IDAES-UNSAM, Colômbia-Argentina), Alfonso Hinojosa Gordonava (IDIS-UMSA, Bolívia), Yenny Ramirez (UNAL, Colômbia), Ana María Morales Troya (IDAES-UNSAM, Equador-Argentina), Vítor Miguel Castillo (UBA, Peru-Argentina), Anahí Durand Guevara (Universidade de San Marcos, Peru), Maisa Bascuas (UBA, Argentina), Santiago Azzati (UBA, Argentina), Cristina Bertha Vera Vega (FLACSO, Equador) e Juan Camilo Quesada Torres (IDEAS UNSAM, Argentina-Colômbia)
Professores convidados: Marcia Moreno Benítez (ITESO, México) | Magalí Marega (FLACSO Equador) | Hernán Vargas (Observatório de Economias Populares, Venezuela) | Delia Colque Quilca (Observatório de Migrações UMSA, Bolívia) | Nico Tassi (CIDES-UMSA, Bolívia) | Tania Jiménez (CIDES-UMSA, Bolívia) | Luci Cavallero (UBA, Argentina) | Chrystel Oloukoï (Universidade de Seattle, França/Estados Unidos) | Felipe Magalhães (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) | Angélica Sierra Gaona (UNAL, Colômbia)
Início: 06/05/2026 | Inscrições: 12/01/2026 a 06/05/2026
Formato virtual | Maio a agosto de 2026
Este programa de diploma aborda o campo das economias populares na América Latina a partir de diversas perspectivas políticas, epistemológicas e conceituais, vinculando-as à economia feminista, à ecologia política, aos estudos migratórios, às políticas públicas e a outras formas de conflito social. Como funcionam? Que experiências e subjetividades abrangem? Quais são suas genealogias, formas de trabalho e territórios? Por que e como se vinculam à economia feminista e à ecologia política? Que lógicas produtivas e políticas mobilizam? Que relações estabelecem com o Estado, as políticas públicas e os movimentos sociais? Partindo dessas questões, exploraremos as economias populares como uma multiplicidade, ou seja, a partir da perspectiva dos diversos processos econômicos, sociais, culturais e políticos que envolvem, delineando, assim, uma constelação de problemas, conjunturas e espacialidades. Este programa de diploma integra a experiência de pesquisa do Grupo de Trabalho “Economias Populares: Mapeamento Teórico e Prático” da CLACSO e, portanto, se insere em um quadro de pesquisa coletiva. Os instrutores do curso estão ligados a instituições em diferentes países, investigam experiências de economias populares, comunitárias e feministas em diferentes territórios e, ao mesmo tempo, participam de um espaço de debate e articulação que entrelaça pesquisa etnográfica, trabalho de campo, reflexões teóricas e análise política.
Como espaço de formação oferecido pelo Grupo de Trabalho, o programa de Diploma também visa atualizar as discussões e debates que desenvolvemos nas pesquisas do grupo. Portanto, ano após ano, o programa de Diploma busca evoluir para incorporar essas linhas de análise crítica em consonância com as pesquisas atuais. Nesta edição de 2026, pretendemos analisar como as formas articuladas de violência estão sendo mobilizadas e ampliadas contra as economias populares. É a isso que nos referimos como a “guerra contra as economias populares”. É essencial caracterizar as formas que essa guerra assume na violência desencadeada contra nossas comunidades, redes, corpos e territórios; e qual o impacto que ela tem sobre as estruturas organizacionais das economias populares.
A conceitualização da economia popular é relativamente recente e permanece um tema de debate contínuo. Com este Diploma Avançado, buscamos explicar como esse campo se forma, enfatizando a natureza aberta de sua definição. Partindo de diversas perspectivas, propomos uma compreensão pluralista das economias populares como um conjunto de experiências e práticas diversas relacionadas às formas de produção, circulação e consumo; aos modos de organização da reprodução e cooperação social; e à produção da subjetividade política. O Diploma Avançado surge do processo de pesquisa coletiva do Grupo de Trabalho “Economias Populares: Mapeamento Teórico e Prático” em diversos territórios e universidades da América Latina. Este grupo está em expansão durante o atual triênio (2022-2025) com a adição de novos membros e linhas de pesquisa.
As economias informais tornaram-se uma característica estável das metrópoles latino-americanas, incorporando as formas pelas quais a maioria da população reproduz suas vidas. Isso as transforma em superfícies onde crises recorrentes se inscrevem, ao mesmo tempo que servem como estratégias múltiplas e multifacetadas para estabilizar e contestar novas dinâmicas de trabalho. Particularmente durante a pandemia, as chamadas tarefas “essenciais” mostraram-se indispensáveis e, com sua ambivalência inerente, revelaram a capacidade dessas economias de criar “infraestrutura popular”. Nessa perspectiva, interessa-nos problematizar e investigar as complexas dinâmicas da produção institucional popular que emergem de suas infraestruturas sociais, logísticas, produtivas e reprodutivas. Utilizando uma abordagem cartográfica e etnográfica, propomos mapear um processo contínuo que dá conta das formas de reprodução da vida e do trabalho adotadas pela grande maioria.
Em termos temporais, as economias populares emergiram como resposta ao desmantelamento neoliberal do mundo assalariado, como modelo para a inclusão da maioria da população trabalhadora no aprofundamento de regimes de trabalho descentralizados em escala global e em oposição à hegemonia do capitalismo financeiro e ao endividamento popular massivo. Nesse sentido, toda uma série de conceitos e premissas interconectados se vinculam ao problemático campo das economias populares e devem ser analisados criticamente: a informalidade como sinônimo de ilegalidade e as chamadas economias de subsistência como sinônimo de pobreza. A privatização dos serviços públicos intensificou as tarefas do trabalho reprodutivo para garantir a reprodução social e, por essa razão, propomos considerar as economias populares sob a perspectiva da economia feminista; não há como compreender uma sem a outra. Portanto, incorporamos uma perspectiva feminista que valoriza o cuidado e o trabalho doméstico como elementos fundamentais do seu cotidiano.
Em termos espaciais, as economias populares surgem como uma experiência das periferias das metrópoles latino-americanas e do chamado Sul Global, mas isso não exclui as economias comunitárias, camponesas e indígenas. Propomos, portanto, considerar as economias populares como uma ampla constelação de práticas e conceitos que evita o silêncio em torno do "outro" do trabalho, a fim de questionar e analisar sua multiplicação, heterogeneização e transformação. Interessa-nos que o programa de Diploma facilite discussões em torno dos conceitos de periferia, marginalidade e exclusão, e analise os processos de valorização do capital como parte de um processo de colonização em direção a novos territórios (não apenas urbanos) que se transformam em espaços de conflito. Propomos sistematizar os principais debates deste campo problemático nas ciências sociais e políticas, nas instituições e nos movimentos sociais em torno de cinco eixos, que enquadram os módulos do Diploma Superior: 1) a multiplicação do trabalho e as novas dinâmicas de exploração, 2) as perspectivas da economia feminista, 3) dinâmicas coletivas e a produção do comum, 4) mobilidades e subjetividades migrantes, 5) políticas públicas e finanças.
Finalmente, nesta edição de 2026, propomos analisar como as formas articuladas de violência se desdobram e se expandem, visando e atacando as economias populares e feministas. Por “guerra contra as economias populares”, referimo-nos, por um lado, às políticas sistemáticas que buscam destruir uma rede de práticas e subjetividades percebidas como um obstáculo neste momento de acumulação de capital, em que a própria guerra desempenha um papel fundamental. Mas, por outro lado, questionamos uma dimensão molecular dessa guerra, disseminada de maneiras não institucionais. Sustentamos que as economias populares persistem como uma microfísica de realidades insubordinadas à lógica pura do capital humano e, ao mesmo tempo, é nelas que se sentem os efeitos mais severos da crise, revelando-se como o terreno inescapável para a compreensão das formas contemporâneas de trabalho. Portanto, é necessário caracterizar as formas que essa guerra assume, quem são seus atores, quais dinâmicas geopolíticas estão em jogo, a quais dinâmicas ela responde e como se organizam as práticas de autodefesa.
OBJETIVO GERAL
O objetivo geral do “Diploma Superior em Economias Populares e Feministas” é proporcionar uma introdução consistente aos debates latino-americanos no campo das economias populares e feministas e suas intersecções; contribuir para o mapeamento das perspectivas teórico-práticas em relação tanto aos estudos de campo quanto às experiências concretas das economias populares e feministas e suas diversas conceitualizações.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Que os participantes do Diploma serão capazes de:
1. Analisar as leituras e os principais debates conceituais, políticos e experienciais que envolvem os atores da economia popular, seus territórios específicos e os conflitos que os permeiam.
2. Elaborar abordagens críticas para analisar as práticas econômicas, políticas e sociais na América Latina relacionadas às economias populares.
3. Atualizar os debates sobre as múltiplas realidades do trabalho nas metrópoles e nos diversos territórios da nossa região, a partir da perspectiva das economias populares 5 como realidade de massa e laboratório das crises e recomposições do neoliberalismo.
4. Cruzar os debates das economias populares com as ferramentas conceituais da economia feminista e compreender, nessa intersecção, as novas formas de trabalho e as relações de sexo e gênero, no mapa mais global de um regime de acumulação colonial e patriarcal.
5. Interligar os debates sobre economias populares com as perspectivas da ecologia política, das redes comunitárias e dos bens comuns.
6. Problematizar as relações entre finanças, políticas públicas e economias populares.
O Diploma Superior em Economias Populares e Feministas destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
O programa é composto por 5 módulos, cada um com 3 aulas semanais, ministradas consecutivamente e interligadas. O curso combina aprendizagem síncrona e assíncrona.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o diploma avançado são:
- AULA 1: Aula inaugural. Trabalho e vida sem salário, além da informalidade.
Professores: Cristina Cielo FLACSO-Equador; Alioscia Castronovo, Universidade de Pádua.
Nesta disciplina, apresentamos reflexões introdutórias sobre a caracterização das economias populares nos debates latino-americanos, oferecendo uma crítica às categorias de informalidade e marginalidade utilizadas para conceituar as atividades produtivas e reprodutivas de grandes maiorias das populações urbanas e rurais da região. Propomos analisar as economias populares como uma composição de subjetividades, redes e práticas que desafiam os limites e fronteiras do urbano, recompondo e reinventando, a partir de baixo, os laços de solidariedade, as estruturas comunitárias e as dinâmicas coletivas diante da desapropriação, da precarização e do estabelecimento progressivo da lógica neoliberal da competição individual como forma de relação social. Em segundo lugar, analisamos a condição do trabalhador não remunerado e a dinâmica da multiplicação do trabalho, explorando diferentes perspectivas sobre a conceituação dos processos de reconfiguração do trabalho no capitalismo contemporâneo. Buscamos desenvolver uma noção mais ampla de trabalho e das formas de produção e reprodução em "vidas sem salário", focando a análise na relação entre a nova divisão internacional do trabalho, os processos de acumulação, multiplicação e heterogeneização do trabalho, conforme proposto por Mezzadra e Neilson. O objetivo desta disciplina é propor uma ampliação da categoria de trabalho e exploração nas e a partir das economias populares, de modo a contribuir para o desenvolvimento de uma antropologia do trabalho na atual fase de crise hegemônica do capitalismo financeiro global. Propõe-se focar nos processos de desapropriação, nas disputas urbanas e rurais por terra, no acesso à moradia e no avanço da fronteira do agronegócio e do narcotráfico, como parte de uma renovada implantação de múltiplas formas de violência e dinâmicas de exploração nesses territórios.
- AULA 2: Guerra contra as Economias Populares
Professor: Verónica Gago, IDAES-UNSAM, UBA.
Nesta segunda aula, propomos abrir novos caminhos para interpretar e mapear a dinâmica das economias populares no contexto de um regime avançado e generalizado de guerra global (Hardt, Mezzadra, 2024). Especificamente, nesta edição de 2025, pretendemos analisar como as formas articuladas de violência se desdobram e se expandem, visando e atacando as economias populares e feministas. Por “guerra contra as economias populares” (Gago, 2025), referimo-nos, por um lado, a políticas sistemáticas que buscam destruir uma rede de práticas e subjetividades percebidas como obstáculos neste momento de acumulação de capital, em que a própria guerra desempenha um papel fundamental. Mas, por outro lado, examinamos uma dimensão molecular dessa guerra, disseminada de maneiras não institucionais. Sustentamos que as economias informais persistem como um microcosmo de realidades que resistem à lógica pura do capital humano e, ao mesmo tempo, é nelas que se sentem os efeitos mais severos da crise, revelando-se como terrenos essenciais para a compreensão das formas contemporâneas de trabalho. Portanto, é necessário caracterizar as formas que essa luta está assumindo, quem são seus atores, quais dinâmicas geopolíticas a permeiam, a quais dinâmicas ela responde e como as práticas de autodefesa estão organizadas. - AULA 3: Acumulação primitiva, extrativismo e economias populares
Professores: Verónica Gago IDAES-UNSAM, UBA e Santiago Azzati, UBA.
Esta disciplina apresentará o conceito de extrativismo expandido e a relação entre extração e exploração em economias populares a partir de uma perspectiva teórica marxista, aprofundando o debate em torno dos processos de acumulação primitiva em Marx e outros autores dentro do discurso crítico contemporâneo. Em seguida, serão propostas interpretações desses processos com base em experiências e práticas concretas que confrontam as múltiplas formas de extração de valor dentro da dinâmica de produção e reprodução social nas redes de economias populares e indígenas da América Latina.
- AULA 1: Exploração e extração: economia popular e economia feminista
Professores: Verónica Gago IDAES-UNSAM, UBA e Maisa Bascuas, UBA.
O objetivo desta disciplina é apresentar e discutir questões centrais nas críticas econômicas feministas e as relações entre acumulação, exploração e valorização do trabalho, com foco especial nas diferentes formas de exploração. Propõe-se também uma análise das redes políticas, reprodutivas e de mobilização política das economias informais, levando em consideração experiências de sindicalização, greves e criminalização. Diversos debates da economia feminista demonstram que o trabalho reprodutivo não se restringe à esfera doméstica, mas se estende à reprodução da vida em vizinhanças e comunidades. Muitas economias informais são tecidas e construídas em redes; portanto, é fundamental compreender sua dimensão comunitária, tanto historicamente quanto em seu contexto atual. - AULA 2: Perspectivas do Sul Global: experiências de economias populares na África
Professor: Cristina Cielo, FLACSO-Equador. Professor visitante: Chrystel Oloukoï, Universidade de Seattle.
Nesta disciplina, propomos apresentar e discutir, em primeiro lugar, o trabalho de pesquisa coletiva transnacional do Coletivo de Economia Popular Urbana, com foco nas economias populares como territórios de atuação. Concebemos as economias populares como plataformas alternativas de criação de valor que combinam práticas econômicas, modos de vida, táticas de bem-estar e estratégias de conexão, extensão e expansão para produzir territórios que possam ser habitados pelas maiorias urbanas. A produção de valor transcende o meramente econômico e cria atividades, incluindo formas de cuidado mútuo, compartilhamento de recursos e capitalização de conexões para operar conjuntamente na cidade, com base na interseção de pessoas, lugares e materiais para reproduzir a vida. Nesta ocasião, a convite da Professora Chrystel Oloukoï, exploraremos pesquisas sobre “economias noturnas” e proporemos um diálogo entre perspectivas latino-americanas e debates sobre economias populares urbanas na África, a fim de enriquecer uma perspectiva que integre os debates do Sul Global. - AULA 3: Interseccionalidade e Reprodução Ampliada
Professores: Cristina Vera, FLACSO-Equador e Magalí Marega, FLACSO-Equador
Esta disciplina visa aprofundar as complexidades conceituais das economias de base a partir das perspectivas feministas da interseccionalidade e da reprodução expandida. Essa perspectiva nos permite compreender as práticas de subsistência como produto da intersecção dinâmica de sexo/gênero, classe e raça dentro de contextos historicamente construídos de dominação. O reconhecimento das conexões corporais e materiais com o meio ambiente, conforme proposto pela perspectiva da reprodução expandida, amplia a abordagem interseccional ao considerar as materialidades humanas e não humanas, as trajetórias e interconexões para a subsistência e os modos de cooperação, negociação e disputa para a coexistência. Nesta disciplina, apresentamos uma abordagem específica para a intersecção entre economia feminista, estudos reprodutivos e de cuidado, feminismos negros e comunitários e ecologia política feminista.
- AULA 1: Auto-organização do trabalho, cuidado nos territórios e subjetivação política: perspectivas da Colômbia
Professores: Alioscia Castronovo, Universidade de Pádua, Yenny Ramirez, UNAL.
Nesta disciplina, propomos abordar a dinâmica da auto-organização nas economias populares, com base em pesquisa etnográfica em andamento com organizações de mulheres ligadas ao cuidado comunitário e a processos de trabalho autogeridos na Colômbia. Primeiramente, exploraremos como os setores populares buscam garantir seu sustento e tentam construir "vidas que valham a pena" (Narotzky & Besnier, 2020), refletindo sobre as múltiplas formas de compreender e contestar o valor socialmente produzido. Em segundo lugar, propomos considerar essas redes socioeconômicas sob a perspectiva da interdependência, diluindo as fronteiras e hierarquias entre o produtivo e o reprodutivo. Em terceiro lugar, refletiremos sobre os processos emergentes de subjetivação política e a produção dos bens comuns em diferentes territórios. Daremos ênfase especial às disputas políticas e econômicas da conjuntura atual, considerando-as desde os levantes sociais até o atual governo progressista, investigando as relações das economias populares com as lutas sociais, sindicais, indígenas, feministas e antirracistas. - AULA 2: Crises, revoltas e economias populares no Peru
Professores: Anahí Durand, Universidade San Marcos Peru e Víctor Miguel Castillo, UBA.
Nesta disciplina, pretendemos aprofundar a experiência peruana através de duas abordagens que nos permitem explorar a dinâmica do conflito social a partir de uma perspectiva crítica sobre a lógica da informalidade. Por um lado, abordaremos a luta emblemática relacionada ao despejo do mercado de rua La Parada, em Lima. Por outro, contaremos com a participação da socióloga Anahí Durand — professora da Universidade Nacional de San Marcos, membro do Grupo de Trabalho e ex-Ministra da Mulher do Peru — que nos ajudará a direcionar o debate para os levantes populares dos últimos anos e a deriva autoritária do Estado peruano em meio a uma profunda crise da democracia representativa. Com base nos processos da economia informal, refletiremos sobre a possibilidade de transformação social e de uma política de emancipação vinculada à busca por novos processos constitutivos que encerrem o ciclo de instabilidade política com um novo pacto social. Nesse contexto, também será desenvolvida uma caracterização do neoliberalismo autoritário do Peru contemporâneo, que se expressa em dinâmicas repressivas e violentas por parte do establishment político e econômico. - AULA 3: Novas geografias da produção de valor: economias populares, entre o direito à cidade e as plataformas no Brasil
Professor: Márcia Moreno Benítez, ITESO. Professor visitante: Felipe Magalhães, Universidade Federal de Minas Gerais.
Nesta disciplina, analisaremos como a financeirização, as economias informais e as plataformas digitais estão remodelando o espaço urbano, que se tornou objeto de quatorze disputas entre forças que buscam construir os bens comuns e grupos hegemônicos ligados ao neoliberalismo. Utilizando o Brasil como estudo de caso, exploraremos as tensões entre o capital financeiro e as estratégias de resistência de redes subalternas nas cidades contemporâneas, bem como nos territórios da chamada urbanização extensiva. Abordaremos também como os mercados são produzidos social, política e geograficamente por agentes hegemônicos, e o papel das plataformas digitais na produção de subjetividades dentro da economia informal e na configuração de novas geografias urbanas. Essa discussão permitirá um diálogo crítico com as economias informais no Brasil, fomentando a reflexão sobre os desafios, as oportunidades e as formas dos bens comuns que emergem nessas disputas entre lógicas de acumulação e resistência.
- AULA 1: Mobilidades Migratórias, Recuos/Retrocessos e Resistência
Professor: Alfonso Hinojosa, UMSA Bolívia; Professora Convidada: Delia Colque Quillca, UMSA, Bolívia.
Na última década, a América Latina passou por uma série de transformações profundas ligadas à mobilidade populacional. Essas transformações incluem novos fluxos migratórios regionais e extrarregionais (notadamente a migração venezuelana, com milhões de pessoas se deslocando para países vizinhos e mais distantes devido à crise econômica e política), fechamento de fronteiras resultante da Covid-19, políticas migratórias mais restritivas, o surgimento de novos espaços de trânsito migratório e a familiarização dos migrantes e a formação de caravanas dentro desses fluxos populacionais. Nesses novos contextos, os espaços nacionais e suas fronteiras, as cidades e territórios que conectam e as diversas práticas de auto-organização empregadas pelas pessoas em movimento nos levam a considerar uma perspectiva autonomista sobre a migração. Neste contexto de retrocessos e erosão de direitos e políticas, observamos o aumento do controle de fronteiras, a construção de muros ou trincheiras, deportações aceleradas, restrições ao acesso ao trabalho, à saúde e à educação, altos riscos nas travessias de fronteira, a criminalização de migrantes, a exacerbação do nacionalismo e, consequentemente, a radicalização da xenofobia, etc. Nesse sentido, a disciplina busca refletir sobre esses novos contextos altamente restritivos, resgatando e valorizando as vozes dos próprios migrantes, suas lutas e resistências. Por meio de estudos de caso e experiências concretas, discutimos a emergência de novas subjetividades políticas migrantes a partir de e dentro das economias populares e feministas na América Latina, em conexão com processos globais semelhantes. - AULA 2: Economias populares na/da Bolívia: mobilidades internacionais, estratégias e infraestruturas populares
Professores: Nico Tassi, CIDES-UMSA - Tania Jiménez, CIDES-UMSA.
O que acontece quando as comunidades da classe trabalhadora não apenas têm acesso a bens globais, mas também estruturam suas próprias cadeias de suprimentos, conectando-se à Ásia ou a outros países da região? Nesta disciplina, exploraremos como comerciantes, motoristas, mecânicos, sindicatos, migrantes e famílias da classe trabalhadora articulam circuitos econômicos transnacionais. Investigaremos as redes que permitem que as comunidades da classe trabalhadora participem da esfera global por meio de suas práticas cotidianas, com foco nas infraestruturas, temporalidades e geografias que se cristalizam nesse processo. Nesta disciplina, buscamos explorar como esses circuitos articulam escalas, traduzem linguagens técnicas, reorganizam o trabalho familiar e produzem geografias econômicas que contestam territorialidades, noções de legalidade e horizontes futuros. Essas são redes econômicas que, embora marcadas por tensões e limitações, nos obrigam a repensar as formas contemporâneas de trabalho, comércio e desenvolvimento a partir de suas margens e (inter)conexões. - AULA 3: Fronteiras, economias populares e economias ilegais
Professores: Ana María Morales, IDAES-UNSAM e Juan Camilo Quesada, IDAES-UNSAM.
O ilegal se constitui como um espaço aparentemente isolado, como um todo social que deve ser colonizado e que se situa além das fronteiras do Estado; contudo, coexiste dentro e com o Estado. Dentro da jurisdição estatal, produz seu próprio espaço fora de suas regulamentações, configurando-se como sujeito de disciplina. É assim que operam as “geografias da imaginação”, desvinculando semanticamente espaços geográficos isolados da vida nacional, estabelecendo fronteiras de acordo com a presença do próprio Estado, atribuindo seus papéis a atores terceiros e tornando invisível a influência da periferia, do aparente exterior, sobre a acumulação do centro. Esse foi o modelo que sustentou a intervenção estatal em áreas rurais com cultivos ilícitos até 2022 na Colômbia: criminalizar tudo o que acontece onde “não há Estado”, situando a produção de valor dentro da Economia Popular dessas áreas em um movimento fronteiriço, aparentemente alheio ao mundo imaginado da vida nacional. Claramente, as economias ilegais operam em diversos territórios: rurais, urbanos, de classe alta e também em comunidades de baixa renda. Contudo, a forma como operam em cada território não é a mesma. Este curso procura analisar o impacto da criminalização e da ilegalização de certas economias e a coexistência de economias de baixo rendimento e economias ilegais. As economias ilegais não se limitam ao tráfico de drogas, mas incluem também o contrabando, o tráfico de seres humanos, a extorsão, entre outras.
- AULA 1: Finanças e economias populares: uma leitura feminista da dívida
Professor: Lucía Cavallero, UBA.
Esta aula apresenta e discute a pesquisa publicada no livro "O Lar como Laboratório", que resume e condensa as questões que surgiram durante a pandemia. Também dá continuidade à pesquisa sobre os impactos da dívida pública e privada no cotidiano de mulheres, lésbicas, travestis e pessoas trans, conduzida no âmbito do Grupo de Pesquisa e Intervenção Feminista (GIIF). O encontro aprofundará uma série de discussões relacionadas às seguintes questões: Como a politização do espaço doméstico — um grito de guerra histórico e uma conquista do feminismo — impactou as políticas públicas implementadas durante a pandemia de COVID-19? Como isso influenciou a percepção da vida doméstica como um espaço de trabalho obrigatório e não remunerado? - AULA 2: Economia Popular e Desengajamento
Professores: Alexandre Roig, IDAES-UNSAM e Santiago Azzati, UBA.
A desvalorização do trabalho e da produção é uma consequência do capitalismo financeiro, que inicialmente governava por meio da dívida e agora busca fazê-lo também a partir da "nuvem". A economia informal e o trabalho em plataformas digitais expressam algumas das formas de trabalho com um empregador oculto. Mas quais efeitos subjetivos essa relação produz? Nesta aula, exploraremos a ideia de uma subjetividade deslocada para responder a essa pergunta. - AULA 3: Disputas sobre marcos institucionais e políticas públicas na perspectiva das economias populares. Reunião de encerramento.
Professores: Martha Lucia Bernal UNAL, IDAES-UNSAM, Colômbia/Argentina; Angélica Sierra Gaona EIDAES /UNAL Colômbia/Argentina; Hernán Vargas CLACSO Venezuela.
Este curso visa identificar e analisar as disputas e conflitos emergentes em torno de novos marcos institucionais e como estes se traduzem em políticas públicas para as economias informais. As experiências na região que buscaram garantir marcos institucionais voltados para novas formas de trabalho evidenciam as disputas em torno de seus significados, mensurações e práticas, como observado nos casos do Cadastro Nacional de Trabalhadores da Economia Informal (ReNaTEP) na Argentina e do Sistema de Informações Estatísticas da Economia Informal (SIEP) na Colômbia. Além disso, as ações promovidas pelo Estado para transferir capital, conhecimento e direitos a esses setores não foram isentas de obstáculos, tensões e limitações. Nesse contexto, e à luz das lições aprendidas na região, principalmente a partir das experiências na Colômbia, Argentina e Venezuela, propomos áreas-chave para discussão sobre a construção de marcos institucionais e políticas públicas para as economias informais. Questionaremos: Quais foram essas dificuldades e limitações? Quais disputas e interesses estão em jogo? É possível construir marcos institucionais para as economias informais dentro das estruturas e marcos estatais existentes? Que impacto tem a guinada à direita de alguns governos da região nas políticas para os setores e economias populares? Responder a essas perguntas pode nos fornecer elementos a serem considerados e a propor alternativas que contribuam para o reconhecimento, o fortalecimento e a autonomia das economias populares na região.
- Verónica Gago (IDAES-UNSAM, Argentina)
- Cristina Cielo (FLACSO, Equador)
- Aliscia Castronovo (IDAES-UNSAM, Università di Padova, Argentina-Itália)
- Ana Julia Bustos (UBA, Argentina)
- Alexandre Roig (IDAES-UNSAM, Argentina)
- Marta Lúcia Bernal Suárez (UNAL, IDAES-UNSAM, Colômbia-Argentina)
- Alfonso Hinojosa Gordonava (IDIS-UMSA, Bolívia)
- Yenny Ramirez (UNAL, Colômbia)
- Ana María Morales Troya (IDAES-UNSAM, Equador-Argentina)
- Vítor Miguel Castillo (UBA, Peru-Argentina)
- Anahí Durand Guevara (Universidade de San Marcos, Peru),
- Maisa Bascuas (UBA, Argentina)
- Santiago Azzati (UBA, Argentina)
- Cristina Bertha Vera Vega (FLACSO, Equador)
- Juan Camilo Quesada Torres (IDEAS UNSAM, Argentina-Colômbia)
Palestrantes convidados:
- Marcia Moreno Benítez (ITESO, México)
- Magalí Marega (FLACSO Equador)
- Hernán Vargas (Observatório de Economias Populares, Venezuela)
- Delia Colque Quilca (Observatório de Migração da UMSA, Bolívia)
- Nico Tassi (CIDES-UMSA, Bolívia)
- Tania Jimenez (CIDES-UMSA, Bolívia)
- Luci Cavallero (UBA, Argentina)
- Chrystel Oloukoï (Universidade de Seattle, França/Estados Unidos)
- Felipe Magalhães (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil)
- Angélica Sierra Gaona (UNAL, Colômbia)
| Inscrições antecipadas (até 04/03) | Inscrições gerais (6 a 30 de maio) | Inscrições sem desconto (de 30 a 05 de maio) | Pagamento em 3 parcelas | |
| Centro de Membros Plenos ou Associados | 150 USD | 220 USD | 300 USD | USD 360 (3 x USD 120) |
| Sem link | 300 USD | 370 USD | 420 USD | USD 600 (3 x USD 200) |
* Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
Você precisa estar cadastrado no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC) e inserir seu nome de usuário e senha. Caso não esteja cadastrado, clique aqui . Para acessar o formulário de cadastro, clique no botão "Cadastrar" na página do programa de diploma de seu interesse.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em abril e terminarão em julho de 2026.
Todos os participantes inscritos receberão, no primeiro dia de atividades, as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço Virtual de Treinamento da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre disponível. Para dúvidas, entre em contato pelo e- mail [email protected]
Você deve enviar um e-mail com a solicitação para [email protected] e nós lhe enviaremos o certificado solicitado o mais breve possível.
Critérios Excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro dos primeiros 20 dias do início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem enviar um e-mail para [email protected] solicitando o cancelamento da matrícula e apresentando as razões. Após avaliação do caso, uma resposta será enviada à solicitação. Se aprovada, o aluno poderá retomar o programa de Diploma Avançado caso uma nova turma seja oferecida no ano seguinte. Após esse período, nenhuma solicitação será aceita.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
Sim, o diploma avançado é certificado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.
O pagamento pode ser feito em uma única parcela, por cartão de crédito ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Você pode verificar se pertence a um centro de membros aqui:
O programa de Diploma Avançado integra uma dinâmica de aulas assíncronas e síncronas. As aulas são predominantemente assíncronas. O cronograma das sessões síncronas será comunicado pelo coordenador do Diploma no início do programa, e a participação nessas sessões não é um pré-requisito para a aprovação.
Informações: WhatsApp: +54 9 11 3880-1388
E-mail: [email protected]