Diploma Avançado em Economias Populares e Feministas
2ª Turma | Modalidade Virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Maria Verónica Gago (Universidade Nacional de San Martín, Argentina), Maria Cristina Cielo (FLACSO, Equador) e Aliscia Castronovo (IDAES-UNSAM, Università di Padova, Argentina-Itália)
CORPO DOCENTE
Verónica Gago (IDAES-UNSAM, Argentina), Cristina Cielo (FLACSO, Equador), Aliscia Castronovo (IDAES-UNSAM, Università di Padova, Argentina-Itália), Ana Julia Bustos (UBA, Argentina), Alexandre Roig (IDAES-UNSAM, Argentina), Marta Lúcia Bernal Suárez (UNAL, IDAES-UNSAM, Colômbia-Argentina), Alfonso Hinojosa Gordonava (UMSA, Bolívia), Yenny Ramirez (UNAL, Colômbia), Ana María Morales Troya (IDAES-UNSAM, Equador-Argentina), Vítor Miguel Castillo (UBA, Peru-Argentina), Anahí Durand Guevara (Universidade de San Marcos, Peru), Maisa Bascuas (UBA, Argentina), Santiago Azzati (UBA, Argentina), Cristina Bertha Vera Vega (FLACSO, Equador) e Juan Camilo Quesada Torres (IDEAS UNSAM, Argentina-Colômbia)
Formato virtual | Junho a setembro de 2024
Este programa de diploma aborda o campo das economias populares na América Latina a partir de diversas perspectivas políticas, epistemológicas e conceituais, vinculando-as à economia feminista, à ecologia política, aos estudos migratórios, às políticas públicas e aos estudos de conflito social. Como funcionam? Que experiências e subjetividades abrangem? Quais são suas genealogias, formas de trabalho e territórios? Por que e como se relacionam com a economia feminista e a ecologia política? Que lógicas produtivas e políticas empregam? Que relações mantêm com as políticas públicas e os movimentos sociais? Por meio dessas questões, exploraremos as economias populares em sua multiplicidade — isto é, a partir dos diversos processos econômicos, sociais, culturais e políticos que envolvem — delineando, assim, uma constelação de problemas, conjunturas e espacialidades. Este programa de diploma integra a experiência de pesquisa do Grupo de Trabalho “Economias Populares: Mapeamento Teórico e Prático” da CLACSO e, portanto, se insere em um quadro de pesquisa coletiva. Os instrutores do curso estão ligados a instituições em diferentes países, investigam experiências de economias populares, comunitárias e feministas em diferentes territórios e, ao mesmo tempo, participam de um espaço de debate e articulação que entrelaça pesquisa etnográfica, trabalho de campo, reflexões teóricas e análise política.
A conceitualização da economia popular é relativamente recente e permanece um tema de debate contínuo. Com este Diploma Avançado, buscamos explicar como esse campo se forma, enfatizando a natureza aberta de sua definição. A partir de contribuições de diversas perspectivas, propomos uma leitura das economias populares no plural, como um conjunto de experiências e práticas diversas relacionadas a formas de produção, circulação e consumo; modos de reorganização da reprodução e cooperação social; e a produção da subjetividade política. O Diploma Avançado surge do processo de pesquisa coletiva do Grupo de Trabalho “Economias Populares: Mapeamento Teórico e Prático” em diversos territórios e universidades da América Latina. Esse grupo está se expandindo durante o atual triênio (2022-2025) com a adição de novos membros e linhas de pesquisa. As economias populares se tornaram uma característica estável das metrópoles da região, servindo como modos de reprodução para a maioria da população, superfícies onde a crise se inscreve e estratégias múltiplas e multifacetadas para estabilizar e contestar as novas dinâmicas do trabalho. Particularmente durante a pandemia, as chamadas tarefas “essenciais” mostraram-se indispensáveis e, com sua ambivalência inerente, revelaram a capacidade dessas economias de criar “infraestrutura popular”. Nessa perspectiva, interessa-nos problematizar e investigar as dinâmicas complexas de institucionalização popular que emergem de suas infraestruturas sociais, logísticas, produtivas e reprodutivas. Utilizando uma abordagem cartográfica e etnográfica, propomos mapear um processo contínuo que reflete a reprodução da vida e das formas de trabalho da grande maioria.
Em termos temporais, as economias populares emergem como resposta ao desmantelamento neoliberal do mundo assalariado como modelo de inclusão da população trabalhadora e ao aprofundamento global dos regimes de trabalho desprotegido, caracterizados pela hegemonia do capitalismo financeiro e pelo endividamento generalizado. Nesse sentido, toda uma série de conceitos e premissas interconectados se vinculam ao problemático campo das economias populares e devem ser analisados criticamente: a informalidade como sinônimo de ilegalidade e as chamadas economias de subsistência como sinônimo de pobreza. A privatização dos serviços públicos intensificou as tarefas do trabalho reprodutivo para garantir a reprodução social e, por essa razão, propomos considerar as economias populares sob a perspectiva da economia feminista; uma não pode ser compreendida sem a outra. Portanto, incorporamos uma perspectiva feminista que valoriza o cuidado e o trabalho doméstico como elementos fundamentais do seu cotidiano. Em termos espaciais, as economias populares se manifestam, de modo geral, como uma experiência das periferias das metrópoles latino-americanas ou do chamado Sul Global, mas as economias camponesas e indígenas também devem ser consideradas. Propomos, então, considerar uma constelação de práticas e conceitos onde as economias populares não são entendidas como "o outro" do trabalho, mas sim onde sua multiplicação, heterogeneização e transformação são questionadas e analisadas para discutir periferia, marginalidade e exclusão, e para analisar os processos de valorização do capital como parte de um processo de colonização de novos territórios (não apenas urbanos) que se transformam em espaços de conflito. Propomos sistematizar os principais debates desse campo problemático nas ciências sociais e políticas, nas instituições e nos movimentos sociais em torno de cinco eixos, que estruturam os módulos do Diploma Superior: 1) a multiplicação do trabalho e as novas dinâmicas de exploração, 2) as perspectivas da economia feminista, 3) dinâmicas coletivas e a produção do comum, 4) mobilidades e subjetividades migrantes, 5) políticas públicas e finanças.
OBJETIVO GERAL
Oferecer uma introdução consistente aos debates latino-americanos no campo das economias populares e feministas e suas intersecções, a fim de contribuir para o mapeamento das perspectivas teórico-práticas em relação tanto aos estudos de campo quanto às experiências concretas das economias populares e feministas e suas diversas conceitualizações.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Que os participantes do Diploma serão capazes de:
- Para aprofundar as leituras e os principais debates conceituais, políticos e experienciais em torno dos atores da economia popular, seus territórios específicos e os conflitos que os permeiam.
- Produzir abordagens críticas para analisar as práticas econômicas, políticas e sociais na América Latina relacionadas às economias populares.
- Atualizar os debates sobre as múltiplas realidades do trabalho nas metrópoles e nos diversos territórios da nossa região, a partir da perspectiva das economias populares como realidade de massa e laboratório das crises e recomposições do neoliberalismo.
- Cruzar os debates sobre economias populares a partir das ferramentas conceituais da economia feminista e compreender, a partir dessa intersecção, as novas formas de trabalho e as relações de sexo e gênero, no mapa mais global de um regime de acumulação colonial e patriarcal.
- Interligar os debates sobre economias populares com as perspectivas da ecologia política, das redes comunitárias e dos bens comuns.
- Problematizar as relações entre finanças, políticas públicas e economias populares.
O Diploma Superior em Economias Populares e Feministas destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o Diploma Superior são:
Aula 1: Aula introdutória. Trabalho e vida sem salário além da informalidade.
Apresentação da proposta de diploma, atividades, equipe docente, programa acadêmico e cronograma de trabalho.
Professores responsáveis: Verónica Gago e Ana Júlia Bustos
Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, apresentamos reflexões introdutórias sobre a caracterização das economias populares nos debates latino-americanos, oferecendo uma crítica às categorias de informalidade e marginalidade utilizadas para conceituar as atividades produtivas e reprodutivas de grandes maiorias das populações urbanas e rurais da região. Propomos analisar as economias populares como um conjunto de subjetividades, redes e práticas que desafiam os limites e as fronteiras do urbano, reconstruindo e reinventando, a partir de baixo, os laços de solidariedade, as estruturas comunitárias e as dinâmicas coletivas diante da desapropriação, da precarização e do estabelecimento progressivo da lógica neoliberal da competição individual como forma dominante de relações sociais.
Em segundo lugar, o curso analisa a condição do trabalhador não remunerado e a dinâmica da multiplicação do trabalho, explorando diferentes perspectivas sobre a conceitualização dos processos de reconfiguração do trabalho no capitalismo contemporâneo. Isso visa desenvolver uma noção mais ampla de trabalho e das formas de produção e reprodução em "vidas sem salário". Com foco na relação entre a nova divisão internacional do trabalho, os processos de acumulação e a multiplicação e heterogeneização do trabalho, conforme proposto por Mezzadra e Neilson, o objetivo desta disciplina é propor uma expansão das categorias de trabalho e exploração nas economias populares. Isso contribuirá para o desenvolvimento de uma antropologia do trabalho no atual estágio de crise dominado pelo capitalismo financeiro global. O curso propõe um enfoque nos processos de desapropriação, nas disputas urbanas e rurais por terra, no acesso à moradia e no avanço das fronteiras do agronegócio e do narcotráfico, como parte de uma renovada implantação de múltiplas formas de violência e dinâmicas de exploração nesses territórios.
Aula 2: Acumulação primitiva, extrativismo e economias populares
Professores responsáveis: Verónica Gago e Santiago Azzati
Resumo conceitual da aula
Esta disciplina apresentará o conceito de extrativismo expandido e a relação entre extração e exploração em economias populares a partir de uma perspectiva teórica marxista, aprofundando o debate em torno dos processos de acumulação primitiva em Marx e outros autores dentro do discurso crítico contemporâneo. Em seguida, proporá interpretações desses processos com base em experiências e práticas concretas que confrontam as múltiplas formas de extração de valor dentro da dinâmica de produção e reprodução social nas redes de economias populares e indígenas da América Latina.
Aula 3: Ganhar a vida: crise, coragem, territórios
Professores responsáveis: Alioscia Castronovo e Cristina Cielo
Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, propomos começar discutindo um projeto de pesquisa colaborativa transnacional do Coletivo de Economia Popular Urbana sobre economias populares como territórios de atuação. Consideramos as economias populares como plataformas alternativas de criação de valor que combinam práticas econômicas, modos de vida, táticas de bem-estar e estratégias de conexão, extensão e expansão para produzir territórios que possam ser habitados pelas maiorias urbanas. A produção de valor transcende o meramente econômico, criando atividades que incluem formas de cuidado mútuo, compartilhamento de recursos e capitalização de conexões para operar em conjunto na cidade, com base na interseção de pessoas, lugares e materiais para reproduzir a vida. Além disso, em diálogo com Susana Narotzky e Niko Besnier, para repensar a economia através dos conceitos de crise, valor e esperança, exploraremos as múltiplas dinâmicas e formas de "ganhar a vida" que emergem e são reconfiguradas em tempos de crise. Analisaremos as maneiras complexas pelas quais as pessoas tentam construir "vidas que valham a pena serem vividas", tanto para si mesmas quanto para as gerações futuras. Em suma, propomos um diálogo entre as perspectivas latino-americanas e os debates sobre economias populares urbanas na África, visando uma perspectiva que integre os debates do Sul Global.
Aula 4: Exploração e extração: economia popular e economia feminista
Professores: Verónica Gago e Cristina Cielo
Resumo conceitual da aula
A disciplina tem como objetivo apresentar e discutir questões centrais nas críticas econômicas feministas e as relações entre acumulação, exploração e valorização do trabalho, com foco particular nas diferentes formas de exploração. Além disso, propõe uma análise das redes políticas, reprodutivas e de mobilização política das economias informais em relação à greve feminista internacional na Argentina e na América Latina. Diversos debates da economia feminista têm demonstrado que o trabalho reprodutivo não se limita à esfera doméstica, mas se estende à reprodução da vida em vizinhanças e comunidades. Muitas economias informais são tecidas e estruturadas em redes; portanto, é fundamental compreender sua dimensão comunitária e sua coexistência com o trabalho reprodutivo.
Aula 5: Desafios de abordar a interseccionalidade nas/a partir das economias populares
Professor: Cristina Vera. Professor visitante: Magali Marega
Resumo conceitual da aula
Esta disciplina visa aprofundar as complexidades conceituais das economias populares a partir da perspectiva feminista da “interseccionalidade”. Essa perspectiva nos permite compreender as práticas de subsistência como produto da intersecção dinâmica de sexo/gênero, classe e raça dentro de contextos historicamente construídos de dominação. Mantemos o termo “interseccionalidade” devido à sua genealogia e ao potencial emancipatório que representa, originado nos feminismos negros latino-americanos em convergência com o feminismo negro e as contribuições dos feminismos comunitários e indígenas. Enfatizamos que essa perspectiva não se refere a uma soma de segmentos, mas sim a relações historicamente mutáveis de dominação, resistência e coexistência.
Aula 6: Reprodução Ampliada da Vida: Entre a Economia Popular, o Feminismo e a Ecologia Política
Professores: Cristina Cielo e Santiago Azzati
Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, apresentamos uma abordagem particular para a interseção entre economia feminista, estudos reprodutivos e de cuidado, e ecologia política feminista e urbana. Essa abordagem concentra-se na política dos bens comuns, ou seja, naquelas que exploram os aspectos colaborativos envolvidos na reprodução ampliada da vida. Desenvolvida na América Latina em diálogo com outras regiões do Sul Global, essa abordagem envolve a redefinição do político por meio da salvaguarda e recriação dos bens comuns para a reexistência, com base em três eixos: as materialidades da reprodução ampliada; as trajetórias e interconexões para a subsistência; e os modos de cooperação, negociação e disputa para a reexistência.
Aula 7: Auto-organização, autogestão e produção do bem comum
Professores: Alioscia Castronovo e Maisa Bascuas
Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, pretendemos apresentar a dinâmica organizacional da cooperação social e a criação dos bens comuns a partir da perspectiva de um novo quadro institucional popular. Analisaremos, por meio de estudos de campo e experiências ativistas, os processos de auto-organização e autogestão em cooperativas e a dinâmica sindical da economia popular na Argentina. Para enriquecer e problematizar as diversas experiências de auto-organização e as estratégias de luta social, propomos diferentes leituras para construir um quadro de interpretação dos processos de produção dos bens comuns a partir de diversas perspectivas e territórios.
Aula 8: Crises, revoltas e economias populares no Peru
Professores: Anahí Durand e Victor Miguel
Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, propomos aprofundar a experiência peruana com duas abordagens que nos permitem investigar a dinâmica do conflito social a partir de uma crítica à lógica da informalidade. Isso inclui uma apresentação da luta emblemática ligada ao despejo do mercado popular La Parada, em Lima, e, por outro lado, uma discussão com a socióloga Anahí Durand, professora da Universidade San Marcos, membro do Grupo de Trabalho e ex-Ministra da Mulher do Peru. Essa discussão centra-se nos processos de levantes populares dos últimos anos no Peru, com foco nos processos de economias populares para considerar a possibilidade de transformação social e uma política de emancipação vinculada à busca de novos processos constitutivos que confrontem as dinâmicas reacionárias, repressivas e violentas por parte do establishment político e econômico.
Aula 9: Economias comunitárias, circuitos de valor e disputas sobre políticas públicas para a economia popular na Venezuela e na Colômbia
Professores: Hernán Vargas e Juan Camilo Quesada
Resumo conceitual da aula
O foco desta disciplina está ligado à questão do valor em jogo nas áreas rurais de diferentes regiões da Venezuela e da Colômbia. Ela conecta a compreensão da produção de valor com diversas atividades produtivas, particularmente as experiências da agricultura familiar. A agricultura familiar, a forma de organização mais difundida no mundo, representando 90% dos métodos de produção, produz mais de 80% dos alimentos do mundo em termos de valor e é o setor que gera mais empregos globalmente. Como essa situação se manifesta na Venezuela? Com base no primeiro relatório periódico do Observatório Venezuelano de Economias Populares sobre a "Contribuição das Economias Populares para a Soberania Alimentar" e em pesquisas realizadas com cooperativas nas economias populares camponesas da Argentina, esta disciplina aprofunda o debate em torno da agroecologia, da soberania alimentar e da economia comunitária no contexto da crise. Além disso, examina dois processos rurais na Colômbia ligados a dinâmicas consideradas ilegais: o cultivo da folha de coca e a mineração artesanal, que disputam o poder hegemônico. Na busca por respostas, serão evidenciadas as formas pelas quais os atores e grupos de atores, sujeitos da Economia Popular, se tornam visíveis no espaço público, legitimam suas decisões, tornam visíveis suas estratégias e dinamizam seus significados; o objetivo será problematizar as noções de valor e justiça nas economias populares em territórios fronteiriços.
10ª aula: Mobilidades populares, estratégias e infraestruturas
Professor: Alfonso Hinojosa. Professor visitante: Nico Tassi
Resumo conceitual da aula
A migração, entendida como movimento, é tomada como uma lente específica para investigação. Utilizar a migração como uma perspectiva crítica permite-nos explorar como o movimento e o ser movido estão interligados, onde o que está em jogo é como o movimento os coloca em prática e os mundos que ele possibilita. Nestes novos contextos, os espaços nacionais e as suas fronteiras, as cidades e os territórios que se articulam, bem como as diversas práticas de auto-organização que os sujeitos em movimento empregam, levam-nos a considerar uma perspectiva autonomista sobre a migração.
Aula 11: Genealogia dos mercados nos Andes do Sul e pesquisa sobre o comércio popular globalizado.
Professor: Ana Julia Busto. Professor visitante: Juliane Müller
Resumo conceitual da aula
Pensar nas economias populares como formas de reprodução e subsistência em tempos de crise neoliberal significa também revisitar as genealogias da organização política e econômica em nosso continente. Em nossos estudos, é essencial examinar a história, as memórias de longo prazo e seus fragmentos, que são constantemente reavaliados no presente; analisar as redes de economias populares móveis, migrantes e itinerantes que envolvem formas de saber em mobilidade e estratégias de organização comunitária. Os circuitos do comércio popular globalizado desempenham um papel fundamental nos mapas atualizados desse movimento. O trabalho da antropóloga Juliane Müller, nesse sentido, é fundamental para compreender como as economias andinas, a partir dos níveis local e regional, adquirem dimensões multiescalares que, em última análise, tecem conexões transnacionais essenciais para a circulação de bens de consumo em toda a região.
12ª aula: Novas subjetividades políticas e lutas dos migrantes
Professor: Ana María Morales Troya. Professor VisitanteDelia Colque Quillca
Resumo conceitual da aula
Nesta disciplina, pretendemos apresentar estudos de caso e experiências concretas da emergência de novas subjetividades políticas migrantes a partir de e dentro de economias populares e feministas na América Latina, em conexão com processos globais semelhantes. Com base em pesquisa etnográfica e ativista, a disciplina discutirá as maneiras pelas quais a vida em comum resiste a ser restringida e governada por mecanismos como o racismo e o uso fixo e reacionário de fronteiras e identidades culturais. Pretendemos questionar o sistema de produção hierárquica no mundo do trabalho e da migração, que envolve diferentes atores políticos e econômicos de diversas nacionalidades. Dentro dessa estrutura, analisaremos a emergência de novos processos políticos e sociais, como o Bloco dos Trabalhadores Migrantes, o movimento Ni Una Migrante Menos (Nem uma Migrante a Menos) e os processos de sindicalização, produção e organização política de trabalhadores migrantes bolivianos na Argentina. Também conectaremos esses processos à luta dos trabalhadores rurais na Espanha, trabalhadores migrantes que desafiam os modos de produção na terra.
Classe 13: A casa como laboratório: finanças, habitação e trabalho essencial.
Professor responsável: Verónica Gago. Professor VisitanteLúcia Cavallero
Resumo conceitual da aula.
Esta aula apresenta e discute a pesquisa publicada no livro "O Lar como Laboratório", que resume e condensa as questões que surgiram durante a pandemia e, ao mesmo tempo, dá continuidade à pesquisa sobre os impactos da dívida pública e privada no cotidiano de mulheres, lésbicas, travestis e pessoas trans, realizada no âmbito do Grupo de Intervenção e Pesquisa Feminista (GIIF). O encontro aprofundará uma série de debates relacionados às seguintes questões: Como a politização do espaço doméstico — bandeira histórica e conquista do feminismo — impactou as políticas públicas implementadas durante a pandemia de COVID-19? Como isso influenciou a percepção da vida doméstica como um espaço de trabalho obrigatório e não remunerado?
Aula 14: Economia Digital, Logística e Economias Populares.
EnsinoAna Julia Bustos. Professor Visitanteo: Martín Arboleda
Nos últimos anos, temos testemunhado mudanças significativas no modelo econômico, impulsionadas por novas tecnologias de informação e comunicação, plataformas e seus métodos de geração de renda, e mecanismos financeiros complexos que operam por meio de trabalho algorítmico. Esses processos têm sido denominados “uberização da economia” ou economias digitais, economias de plataforma, e envolvem práticas de exploração do trabalho por meio do uso de plataformas digitais e aplicativos móveis que afetam tanto trabalhadores quanto consumidores. Nesse sentido, eles suscitam uma ampla gama de questões que nos preocupam sob as perspectivas da economia popular e feminista. Com base no trabalho de alguns pesquisadores convidados, propomos abrir uma nova dimensão de mapeamento que visualize os novos desenvolvimentos nos modos de produção e valorização, os quais, ao mesmo tempo, estão dando origem a modos de organização política dos trabalhadores que transcendem as formas sindicais tradicionais.
Aula 15: Estrutura Institucional e Políticas Públicas para Economias Populares. Reunião de Encerramento
Professores: Martha Lucia Bernal, Yenny Ramirez e Alexandre Roig
Resumo conceitual da aula
Esta disciplina propõe analisar e abordar os processos de nova institucionalização nas economias informais. O fortalecimento da autonomia das organizações, a transferência de capital, conhecimento e direitos, e a mediação das relações assimétricas entre capital e trabalho são as ações que o Estado deve empreender para garantir um novo marco institucional no mundo do trabalho. Propõe-se um diálogo reflexivo e comparativo entre as experiências da Argentina e da Colômbia. A partir da perspectiva das organizações sindicais, profissionais e políticas, em termos de movimentos sociais e políticas públicas que emergiram na Argentina — com suas ambivalências, tensões, potencialidades e limitações — e de uma ampla tradição de pesquisa no âmbito do Grupo de Socioeconomia, Instituições e Desenvolvimento da Universidade Nacional da Colômbia, culminando na experimentação com políticas públicas para economias informais nos níveis estadual e municipal, analisaremos os desafios, as limitações e o potencial das economias informais.
- Verónica Gago (IDAES-UNSAM, Argentina)
- Cristina Cielo (FLACSO, Equador)
- Aliscia Castronovo (IDAES-UNSAM, Università di Padova, Argentina-Itália)
- Ana Julia Bustos (UBA, Argentina)
- Alexandre Roig (IDAES-UNSAM, Argentina)
- Marta Lúcia Bernal Suárez (UNAL, IDAES-UNSAM, Colômbia-Argentina)
- Alfonso Hinojosa Gordonava (UMSA, Bolívia)
- Yenny Ramirez (UNAL, Colômbia)
- Ana María Morales Troya (IDAES-UNSAM, Equador-Argentina)
- Vítor Miguel Castillo (UBA, Peru-Argentina)
- Anahí Durand Guevara (Universidade de San Marcos, Peru),
- Maisa Bascuas (UBA, Argentina)
- Santiago Azzati (UBA, Argentina)
- Cristina Bertha Vera Vega (FLACSO, Equador)
- Juan Camilo Quesada Torres (IDEAS UNSAM, Argentina-Colômbia)
| Em um único pagamento até 05/06 | Em um único pagamento após 05/06 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 185 USD | 240 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 185 USD | 240 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Sem link | 310 USD | 370 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
Para participar, é essencial que você se inscreva usando o formulário online.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em junho e terminarão em setembro de 2024.
Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388
E-mail: [email protected]