Diploma Avançado em Povos Afrodescendentes e Reparação Histórica
1ª Turma | Modalidade Virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA:
Rosa Campoalegre Septien (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba) e Anny Ocoró Loango (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais / CONICET, Argentina)
CORPO DOCENTE
Rosa Campoalegre Septien (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba), Anny Ocoró Loango (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais / CONICET, Argentina), Paulo Vinícius Baptista da Silva (Universidade Federal do Paraná, Brasil), Karina Bidaseca (Universidade de Buenos Aires, Argentina), Santiago Arboleda Quiñonez (Universidade Andina Simón Bolívar, Equador), Roberto Carlos Borges da Silva (Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, Brasil), Luís Osvaldo Martelo (Conferência Nacional das Organizações Afro-Colombianas, Colômbia) Elia Avendaño Villafuerte (Universidade Nacional Autônoma do México), Hernán Mariano Amar (Universidade Pedagógica Nacional / CONICET, Argentina), João Anton Sanchez (Instituto Nacional de Estudos Superiores, Equador), Felicitas Regla López (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba) e Claudia miranda (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil).
Formato virtual | Agosto a novembro de 2024
O Diploma Avançado em “Povos Afrodescendentes e Reparação Histórica” é um programa de formação que surge em resposta à necessidade de construir uma agenda antirracista, especialmente no contexto das pandemias racializadas e feminizadas. Ele se insere no contexto do término da Década Internacional dos Afrodescendentes, proclamada pelas Nações Unidas (2015-2024). Esta Década não alcançou seus objetivos: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento.
O tema central do programa é a reparação histórica, concebida de forma holística e a partir de uma perspectiva decolonial. A análise aborda duas questões cruciais: Quais são as implicações teóricas, metodológicas e práticas do estudo dos povos afrodescendentes sob a perspectiva do direito à reparação histórica? O que pode ser feito para defender esse direito e outros em uma segunda Década Internacional dos Afrodescendentes? Essas questões norteiam a estrutura do curso, que é organizado em cinco módulos e ministrado por um corpo docente internacional de Centros CLACSO e importantes organizações afrodescendentes.
Até recentemente, o conhecimento sobre o Caribe como parte da América era pouco explorado. O estudo da história, do espaço geopolítico e cultural caribenho fazia parte de estudos generalistas que assumiam uma visão eurocêntrica, moderna, colonial e liberal, deixando a região como um mero apêndice da grande história ocidental.
Ao longo da história da América Latina, as ilhas caribenhas e suas fronteiras continentais estiveram interligadas, compartilhando um passado repleto de eventos que moldaram um universo único dentro do mundo americano. Foi a presença imperial que fragmentou e desconstruiu a realidade caribenha, transformando enclaves continentais em ilhas, fraturando a região em fragmentos isolados, independentemente de estarem separados por um mero estreito ou uma fronteira precária, ou de falarem línguas diferentes do espanhol, dominante na região.
Para além da diversidade encontrada nas várias regiões caribenhas, elas compartilham um fio condutor comum forjado pela dominância metropolitana e pela dependência de centros de poder. Seu passado etno-histórico compartilhado, a relocalização das fronteiras europeias para a região e os modelos de exploração econômica forjaram laços profundos e duradouros. O poder metropolitano isolou e interrompeu a continuidade da região, ao mesmo tempo que possibilitou o surgimento de um mundo distinto, uma unidade dentro de suas diversas circunstâncias.
Como consequência da dominação colonial e da ascensão do capitalismo, que encontrou um ponto de referência no Caribe, estabeleceram-se sociedades que ainda hoje persistem e preservam a memória das amargas experiências associadas ao genocídio indígena, à transposição de diferentes partes da África para um espaço fragmentado, à escravização, à desapropriação e à indignação. Compreender essa história e essas realidades exige pesquisa e abordagens que abandonem visões abstratas e generalizantes e consolidem um conhecimento específico e alternativo, fundamentado no rigor do pensamento e da prática caribenhos. Uma visão reflexiva e crítica é essencial, que dialogue com as formas tradicionais de conhecimento a partir de uma perspectiva transdisciplinar e "indisciplinada", característica do trabalho cognitivo caribenho. Essa é a abordagem que este Diploma de Pós-Graduação propõe adotar.
Ao mesmo tempo, o curso irá aprofundar a análise crítica da história, geopolítica, economia, expressões culturais e linguísticas, produção artística e literária e relações internacionais de pequenos estados, partindo do desafio à dependência metropolitana, do questionamento do poder hegemônico e do legado colonial, e dos desafios e rupturas epistêmicas. Questões raciais e de gênero, dentro de contextos políticos e históricos específicos, serão consideradas temas transversais em todo o conteúdo.
Os estudos caribenhos, essenciais para a ação prática e a transformação da realidade da região, alcançaram sistematização em universidades da América do Norte e da Europa e, nas últimas décadas, em universidades e centros de pesquisa de países latino-americanos como Chile, Argentina, México, Colômbia, Venezuela e Brasil, entre outros. Nos estados insulares e dependências metropolitanas do Caribe, o estudo de suas próprias realidades com "independência epistêmica", em vez de mera reprodução de conhecimento de outras instituições acadêmicas, tornou-se um ponto forte. Isso se evidencia nos círculos acadêmicos e intelectuais das ilhas maiores e dos territórios anglófonos, francófonos e holandeses, bem como em comunidades acadêmicas como as que circundam a Universidade das Índias Ocidentais.
Outro objetivo importante deste Diploma Superior é tornar visíveis as abordagens e os conceitos dos estudos caribenhos que buscam a emancipação e a superação da dependência epistêmica dos centros ocidentais de produção de conhecimento.
Objetivo geral
- Contribuir para a formação especializada sobre povos afrodescendentes a partir do paradigma emergente e em desenvolvimento do direito à reparação histórica.
Objetivos específicos
- Utilizar ferramentas teóricas e metodológicas para a compreensão e transformação de políticas de ação afirmativa voltadas para pessoas afrodescendentes.
- Construir um posicionamento epistêmico e político afrocentrado na luta contra o racismo estrutural e sistêmico diante da reparação histórica.
- Caracterizar as desigualdades sociais a partir de uma perspectiva interseccional, com ênfase no campo educacional, a partir do lugar de enunciação dos povos afrodescendentes.
- Avaliar a história e o desenvolvimento das políticas de ação afirmativa, destacando a necessidade de sua desconstrução com base no direito à reparação histórica no campo educacional da América Latina e do Caribe.
- Enfrentando os desafios legais no contexto da segunda Década Internacional dos Afrodescendentes, com base na reparação histórica.
O Diploma Superior em Povos Afrodescendentes e Reparação Histórica destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados no tema.
- Rosa Campoalegre Septien (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba)
- Anny Ocoró Loango (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais / CONICET, Argentina)
- Paulo Vinícius Baptista da Silva (Universidade Federal do Paraná, Brasil)
- Karina Bidaseca (Universidade de Buenos Aires, Argentina)
- Santiago Arboleda Quiñonez (Universidade Andina Simón Bolívar, Equador)
- Roberto Carlos Borges da Silva (Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, Brasil)
- Luís Osvaldo Martelo (Conferência Nacional das Organizações Afro-Colombianas, Colômbia)
- Elia Avendaño Villafuerte (Universidade Nacional Autônoma do México)
- Hernán Mariano Amar (Universidade Pedagógica Nacional / CONICET, Argentina)
- João Anton Sanchez (Instituto Nacional de Estudos Superiores, Equador)
- Felicitas Regla López (Centro de Pesquisa Psicológica e Sociológica, Cuba)
- Claudia miranda (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o Diploma Superior são:
Aula 1: Apresentação do programa de Diploma Superior em povos afrodescendentes e reparação histórica
Professores responsáveis: Rosa Campoalegre Septien e Anny Ocoró Loango
Resumo conceitual da aula
Esta é a aula introdutória do programa de Diploma Avançado. Ela foi elaborada para fornecer uma visão geral abrangente do programa acadêmico. Inclui uma apresentação dialógica dos objetivos, da estrutura do programa destacando seus temas centrais, do corpo docente e do corpo discente. Descreve a estrutura organizacional e a dinâmica do Diploma, bem como o processo de avaliação final.
Aula 2: Povos afrodescendentes e reparação histórica: abordagens em tensão e emergências
Professor responsável: João Anton Sanchez
Resumo conceitual da aula
O objetivo desta disciplina é desenvolver uma postura epistêmica e política sobre conceitos fundamentais neste campo de estudo. No cerne da análise está o conceito de afrodescendentes e reparações históricas como paradigma na construção da luta antirracista e epicentro da futura Declaração Internacional sobre os Direitos dos Afrodescendentes. O debate no âmbito do Fórum Permanente dos Afrodescendentes, patrocinado pelas Nações Unidas, centra-se nesta questão.
Simultaneamente, novas perspectivas estão sendo promovidas por meio do diálogo entre a academia e o movimento afrodescendente. Apresenta-se o processo de desconstrução das categorias tradicionais relacionadas ao tema — negritude, identidade negra e afrodescendentes — com o objetivo de fortalecer a abordagem dos povos afrodescendentes. Nesse sentido, analisa-se o posicionamento teórico do Grupo de Trabalho sobre Afrodescendentes e Propostas Contra-Hegemônicas, com foco na sociologia e na mobilização da ação política.
O projeto contempla um espaço para a reflexão experiencial dos alunos sobre seus imaginários e o significado da reparação histórica, bem como do fato de ser afrodescendente ou assumir outros nomes com os quais pessoas, comunidades e povos africanos se identificam nos diversos países.
Aula 3: Interseccionalidade como ferramenta analítica para o estudo dos povos afrodescendentes e sua reparação histórica.
Professores responsáveis: Cláudia Miranda e Karina Bidaseca
Resumo conceitual da aula
Este curso visa contribuir para a compreensão e, com base nessa compreensão, para o uso efetivo da perspectiva interseccional como ferramenta analítica com grande potencial para a compreensão de sistemas de opressão. Isso explica sua relevância para o estudo e o combate ao racismo. O curso inicia-se com a análise da genealogia dessa perspectiva, destacando o contexto de seu surgimento, suas obras, autores principais e seu alcance. Simultaneamente, promove uma discussão crítica sobre as limitações e os desafios de sua aplicação.
É dada especial atenção à obra da autora Mara Viveros, devido às suas contribuições neste campo, a partir de um conhecimento situado nas realidades e conflitos da articulação entre as academias e o movimento afrodescendente.
Lição 4: Racismo e suas tipologias. Como compreendê-las hoje.
Professores responsáveis: Rosa Campoalegre Septien e a Rede Internacional de Vozes Afrofeministas
Resumo conceitual da aula
Colonialidade, decolonialidade e racismo. O racismo como processo e ideologia que constitui um dos principais instrumentos de dominação. Disputas epistêmicas e práticas políticas em torno da definição de racismo e seu impacto nas reparações históricas. Origens do racismo. O genocídio do tráfico transatlântico de escravos. Causas de sua perpetuação até os dias atuais. O racismo é sistêmico e estrutural. Racismo e discriminação racial.
Tipos de racismo e a importância metodológica e política de sua diferenciação: racismo doutrinário, racismo partidário, racismo programático, racismo de convicção, racismo institucional, racismo habitual, racismo midiático, racismo epistêmico e outras formas de racismo. Principais formas e áreas de manifestação. Estratégias para combater o racismo. Desmistificando mitos e estereótipos racistas. Por que não basta simplesmente não ser racista (Davis, 2019)¹ e o que, então, é suficiente para combater o racismo.
Aula 5: O legado duradouro de Durban na luta contra o racismo
Professor responsável: Roberto Borges da Silva
Resumo conceitual da aula
A disciplina fundamenta seu propósito na valorização e recuperação histórica do legado da Terceira Conferência Internacional contra o Racismo, a Xenofobia e Outras Formas de Intolerância, realizada em Durban, África do Sul, em 2001, doravante denominada Conferência de Durban. Nesse contexto, analisa seus antecedentes, destacando as contribuições da conferência preparatória em Santiago, Chile, e especialmente o papel do movimento de mulheres da América Latina nesse processo. Demonstra como, nesse contexto, se concretizou um processo de fortalecimento e articulação do movimento afrodescendente.
Um aspecto central deste tema é a análise da Declaração e Programa de Ação de Durban. Seu conteúdo e significado histórico para a compreensão e o combate ao racismo são examinados, assim como o alcance da plataforma internacional de combate ao racismo estabelecida em Durban. A emergência de novas abordagens, conceitos e práticas também é explorada. A discussão se concentra na potencial invisibilidade do legado de Durban nas políticas estatais e nas estratégias do movimento afrodescendente nesse sentido. Por fim, a Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) e o Programa de Durban são examinados: pontos de convergência, divergência e a emergência de mudanças.
Aula 6: A reconfiguração do racismo e a des/construção da agenda antirracista
Professores responsáveis: Rosa Campoalegre Septien e a Rede Internacional de Vozes Afrofeministas
Resumo conceitual da aula
A disciplina se concentra na reflexão sobre as chaves epistêmicas e políticas para um debate antirracista na "América Latina", após o impacto de pandemias racializadas e feminizadas, onde os afrodescendentes não foram apenas uma das principais vítimas, mas também marcaram com suas lutas a alternativa de outros mundos possíveis.
O conceito de reconfiguração do racismo abrange o processo multidimensional de reafirmação e mudanças na teoria e nas práticas racistas, caracterizado pelo aumento da violência racial, pela promoção e legitimação do discurso de ódio, pelo cyberbullying racista e patriarcal e pela impunidade em torno do assassinato de líderes racializados e mulheres.
Esse processo se manifesta no surgimento de tendências regressivas, tais como: o desmantelamento de instituições governamentais especializadas e outros mecanismos de equidade racial, conquistados nas décadas anteriores como uma vitória do movimento afrodescendente e suas alianças estratégicas; a ascensão e legitimação do discurso político e midiático racista a partir de centros de poder e dentro dos imaginários e práticas de certos grupos e organizações sociais; o aumento da impunidade em torno dos assassinatos de líderes afrodescendentes; o aprofundamento do genocídio policial baseado em perfilamento racial que normaliza o assassinato de jovens como um fato cotidiano; e a invisibilidade estatística da variável racial e étnica antes, durante e depois da pandemia, com casos notáveis de manipulação política.
Diante desse cenário, a disciplina incentiva a identificação, avaliação e promoção de estratégias de ação política em resposta à reconfiguração do racismo. Aborda a necessidade de desconstruir a agenda antirracista. Nesse sentido, a disciplina enfatiza o papel das mulheres afrodescendentes nesse processo e qual deveria ser sua agenda política antirracista.
Aula 7: Desigualdades sociais e educacionais na América Latina sob uma perspectiva étnico-racial
Professor responsável: Hernán Amar
Resumo conceitual da aula
A disciplina está organizada em duas partes: a primeira analisa as desigualdades relacionadas ao mercado de trabalho, emprego, renda, saúde e educação na América Latina; a segunda examina algumas desigualdades socioeducacionais em nível regional, com foco em questões étnicas e raciais. Entre outros objetivos, o curso visa ajudar os participantes a compreender as relações de reforço mútuo entre educação e desigualdades sociais de origem, bem como a reconhecer que os desafios de acesso, permanência e conclusão do ensino médio e superior para estudantes latino-americanos estão intimamente ligados às condições de trabalho, salários, saúde, moradia e circunstâncias culturais de suas famílias e núcleos familiares.
8ª aula: Reparações simbólicas e materiais para afrodescendentes na educação
Professor responsável: Anny Ocoró Loango
Resumo conceitual da aula
Atualmente, os afrodescendentes enfrentam obstáculos estruturais significativos para concluir seus percursos educacionais, tanto no ensino secundário quanto no acesso ao ensino superior. Além das dificuldades de acesso à educação, as desigualdades étnicas e raciais que afetam os afrodescendentes também se manifestam na falta de inclusão de sua história e epistemologias nos currículos, na invisibilidade de suas contribuições para o conhecimento, na subvalorização de sua produção acadêmica e científica e na negação de suas contribuições para a construção das identidades nacionais, entre outros problemas (Ocoró, 2016).
Como é sabido, historicamente o currículo reforçou perspectivas eurocêntricas e excluiu a diversidade étnica dos países, fortalecendo narrativas que apresentavam as sociedades nacionais como homogêneas. Da mesma forma, refletiu o racismo e a desigualdade de gênero, e contribuiu para manter a subordinação da história e da cultura das populações indígenas e afrodescendentes (Ocoró, 2021). Com base nisso, esta disciplina reflete sobre a necessidade de incluir as contribuições desses povos para a história nacional no currículo, refletindo assim a pluralidade social e cultural das sociedades latino-americanas, a fim de romper com o que Fricker (2017) chama de injustiça epistêmica e promover reparações simbólicas e materiais para os afrodescendentes no campo da educação.
Aula 9: Cartografias Políticas e Debates Teóricos Contemporâneos sobre o Currículo com uma Perspectiva Interseccional
Professor responsável: Cartografias curriculares da diáspora africana na América Latina
Resumo conceitual da aula
Nas últimas décadas, diversas áreas curriculares do ensino secundário na América Latina e no Caribe incorporaram o conhecimento e a história dos afrodescendentes, abrindo novas possibilidades e horizontes para dar visibilidade à diáspora africana na América Latina, valorizar sua história e combater o racismo. Contudo, os esforços para valorizar e dar visibilidade à cultura e às contribuições dos afrodescendentes não foram igualmente disseminados em todos os países, manifestando-se de diversas maneiras e cruzando-se com a complexa realidade da desigualdade, do racismo e da discriminação racial que existe na região.
Este curso avalia essa incorporação e os contextos em que seu desenvolvimento se desenrola, analisando experiências de diversos países da região. Consequentemente, este trabalho examina em que medida essas abordagens curriculares dialogam com a história africana, quais mudanças e continuidades emergem e quais são suas contribuições para a descolonização da educação na região. Este curso apresenta aos alunos os principais debates teóricos contemporâneos sobre desigualdades educacionais, a partir de uma perspectiva interseccional de raça, gênero e classe social, com o objetivo de refletir sobre os desafios impostos por uma educação antirracista, igualitária e intercultural. Essa abordagem permitirá que os alunos ampliem sua compreensão das desigualdades educacionais e enriqueçam sua formação por meio de uma análise interseccional e um exame da diversidade cultural no campo da educação.
Aula 10: Genealogias das políticas de ação afirmativa para afrodescendentes na América Latina e no Caribe
Professor responsável: Paulo Vinícius Baptista da Silva
Resumo conceitual da aula
O surgimento das políticas de ação afirmativa: o que são e por que existem. Formas de hegemonia baseadas na hierarquia étnica e racial operam para manter os "brancos" ou descendentes de europeus no topo da pirâmide racial, enquanto a racialização de pessoas negras e indígenas mantém esses grupos em situações de menor acesso a recursos materiais e simbólicos. A retórica da mestiçagem é usada para minar as demandas sociais dos movimentos sociais e intelectuais negros e indígenas, perpetuando assim a concentração de poder entre as elites locais dentro da estrutura racializada e eurocêntrica.
Cada país da América Latina e do Caribe possui suas próprias particularidades e processos sociais complexos, distintos e em constante evolução. Há também diversos pontos de convergência em nossos processos históricos e em nossas estratégias de acesso ao poder material e simbólico por diferentes grupos étnicos e raciais.
Esta disciplina se concentra nas maneiras pelas quais o processo de resistência às hierarquias raciais/étnicas desenvolveu propostas políticas para promover a igualdade para a população afrodescendente em vários países da América Latina.
11ª aula: Movimentos negros e diferentes contextos de discussão e surgimento de ações afirmativas para afrodescendentes
Professor responsável: Rosa Berrio
Resumo conceitual da aula
Ao longo dos séculos de escravidão e nos períodos subsequentes em que persistiram formas de hierarquia étnica e racial, os movimentos afrodescendentes mantiveram diferentes formas de resistência, lutando contra a dominação e por direitos e cidadania. No século XX, essas lutas ganharam espaço no debate público e diversas experiências políticas foram realizadas para promover a igualdade.
Esta disciplina discute como, em diferentes contextos, as lutas dos movimentos afrodescendentes foram canalizadas para gerar uma resposta do Estado em termos de políticas de equidade.
As reivindicações sociais ganharam impulso com a organização de organizações multilaterais, as propostas para um sistema internacional de direitos humanos e a realização de três conferências das Nações Unidas sobre o racismo. A disciplina também analisa o impacto dessas conferências internacionais, em particular a Conferência de Durban, no desenvolvimento de políticas de ação afirmativa para pessoas afrodescendentes em diversos países da América Latina.
12ª série: Análise comparativa das experiências nacionais de políticas de ação afirmativa no campo educacional na região.
Professor responsável: Pablo Vinícius Batista da Silva
Resumo conceitual da aula
A disciplina realiza uma análise comparativa das experiências nacionais com políticas de ação afirmativa na educação em diversos países da região: Brasil, Colômbia, Equador, Argentina, Uruguai e México. Ao fazê-lo, avalia as semelhanças e diferenças entre essas políticas, considerando seu histórico, regulamentações, controvérsias, atuação e desafios.
Aula 13: O atual quadro regulatório relativo aos direitos dos afrodescendentes: desafios e alternativas
Professores responsáveis: Elia Avendaño Villafuerte e Felicitas López Sotolongo
Resumo conceitual da aula
A disciplina examina o marco regulatório das políticas de ação afirmativa com base nos principais instrumentos legais em âmbito nacional, regional e internacional que promovem os direitos dos afrodescendentes, com ênfase naqueles relacionados à educação. Ao mesmo tempo que considera as transformações ocorridas na abordagem jurídica do tema, revela como aspecto central a necessidade de lidar com a tensão entre a regulamentação desses direitos e sua implementação na prática. Isso configura um desafio histórico para a garantia da plena cidadania diante do racismo estrutural e sistêmico.
Este artigo aborda o processo de promoção e elaboração, pela primeira vez na história, de uma Declaração Internacional dos Direitos dos Afrodescendentes e o papel do movimento afrodescendente nesse contexto. Analisa novos mecanismos internacionais e nacionais, especialmente a importância e os desafios do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Afrodescendentes. Dá-se ênfase ao papel dos programas nacionais e ao impacto das reivindicações do movimento afrodescendente nas constituições da região.
Classe 14: Ecogenoetnocídio, verdade e justiça histórica
Professor responsável: Santiago Arboleda Quiñones
Resumo conceitual da aula
Este curso visa fornecer ferramentas para reinterpretar os danos infligidos aos afro-colombianos durante o conflito armado interno. Busca ir além das abordagens descritivas e interpretativas fragmentadas que prevaleceram até o momento. As questões norteadoras são: Em que medida o ocorrido pode ser considerado um ecogeno-etnocídio? E por que é necessário compreender holisticamente o ecocídio, o genocídio e o etnocídio como um padrão colonial e neocolonial necrófilo?
Defende-se a relevância de conceitos como genocídio, etnocídio e ecocídio, propondo-se um quadro conceitual que integra a visão holística e relacional dessas comunidades ancestrais com a noção de ecogenoetnocídio. Esse quadro conceitual busca abordar a tensão persistente entre a verdade socio-histórica e a verdade jurídica, presente nesses tipos de fenômenos sujeitos a disputas interpretativas. Defende-se, ainda, ciências sociais, humanas e interculturais críticas, biocêntricas e descolonizadoras que, a partir das experiências vividas e das perspectivas dissidentes emergentes das vítimas, se esforcem para construir memórias dignas, promover a humanização e alcançar uma justiça histórica abrangente.
Aula 15: Sistematizando diálogos para o encerramento do Diploma Superior
Professores responsáveis: Rosa Campoalegre Septien, Anny Ocoró Loango e a Rede Internacional de Vozes Afrofeministas
Resumo conceitual da aula
Avaliação da aprendizagem, desconstruções e abordagens alternativas. Revisão das expectativas iniciais do programa de Diploma. Reflexões sobre o alcance dos objetivos. Identificação de conteúdos emergentes para edições futuras. Avaliação por pares. Esclarecimentos metodológicos e organizacionais relativos aos projetos finais.
| Em um único pagamento até 19/08 | Em um único pagamento após 19/08 | Pagamento em 3 parcelas | |
| CM Pleno | 185 USD | 240 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Associado de CM | 185 USD | 240 USD | USD 315 (3 x USD 105) |
| Sem link | 310 USD | 370 USD | USD 540 (3 x USD 180) |
Para participar, é essencial que você se inscreva usando o formulário online.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em agosto e terminarão em novembro de 2024.
Todos os participantes inscritos receberão as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do Espaço de Treinamento Virtual da CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre à sua disposição.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais, e dentro do primeiro mês de início do programa de Diploma Avançado, os alunos podem solicitar o desligamento da turma e retornar no ano seguinte. Em todos os casos, os motivos da solicitação devem ser apresentados por escrito. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
O pagamento pode ser feito em uma única parcela por cartão de crédito, depósito bancário ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388
E-mail: [email protected]