Diploma Avançado em Ciência Aberta e Soberania do Conhecimento

 Diploma Avançado em Ciência Aberta e Soberania do Conhecimento

COORDENAÇÃO ACADÊMICA

Fernando Ariel López (Fundação Outubro dos Trabalhadores / Universidade Metropolitana de Educação e Trabalho, Argentina) | Arianna Becerril García (Universidade Autônoma do Estado do México)

CORPO DOCENTE

Fernando Ariel López (Fundação Outubro dos Trabalhadores / Universidade Metropolitana de Educação e Trabalho, Argentina) | Arianna Becerril García (Universidade Autônoma do Estado do México) Fernanda Beigel (CONICET – Universidade Nacional de Cuyo, Argentina) Laura Rovelli (Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, CONICET, Universidade Nacional de La Plata, Argentina) | Judith Naidorf (Instituto de Pesquisas Educacionais, Faculdade de Filosofia e Letras, Universidade de Buenos Aires, Argentina) | Gabriel Vélez Cuarta (Universidade de Antioquia, Colômbia) Sarita Albagli (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Brasil)

Formato virtual | Agosto a novembro de 2026

Início: 19/08/2026 | Inscrição: 15/05/2026 a 18/08/2026


O Diploma de Pós-Graduação em Ciência Aberta e Soberania do Conhecimento oferece formação crítica e estratégica com o objetivo de fortalecer a capacidade das universidades latino-americanas de produzir, gerir e disseminar conhecimento a partir de uma perspectiva de soberania epistêmica, justiça cognitiva e compromisso social. Diante da mercantilização, da concentração midiática e da dependência tecnológica impulsionadas por atores do Norte Global, o Diploma resgata a tradição regional de cooperação, acesso aberto não comercial e defesa do conhecimento como um direito coletivo.

Destinada a autoridades, gestores, equipes de bibliotecas e departamentos de publicações, a proposta articula referenciais teóricos, análises político-institucionais e ferramentas operacionais para a concepção e implementação de políticas de Ciência Aberta contextualizadas. Baseada em quatro dimensões integradas — teórica, social, intelectual e estratégica —, aborda questões relacionadas ao modelo diamante, infraestruturas soberanas, avaliação situada da pesquisa e ciência cidadã.

A formação combina aulas teóricas, estudos de caso, espaços de debate e produção reflexiva, visando promover práticas institucionais sustentáveis, democráticas e socialmente relevantes, capazes de posicionar a universidade latino-americana como ator central na defesa do conhecimento como bem comum.

A expansão global da Ciência Aberta ocorre em um contexto marcado por profundas desigualdades geopolíticas, econômicas e cognitivas. Longe de ser um processo neutro, as atuais políticas de conhecimento aberto são permeadas por dinâmicas de mercantilização, concentração editorial, dependência tecnológica e subordinação a indicadores construídos a partir do Norte Global. Nesse cenário, as universidades latino-americanas correm o risco de reproduzir modelos extrativistas que enfraquecem sua autonomia intelectual e limitam o impacto social de suas pesquisas.

Historicamente, a região desenvolveu experiências pioneiras em acesso aberto não comercial, cooperação acadêmica e disseminação pública do conhecimento. No entanto, essas capacidades são limitadas por estruturas de financiamento, avaliação e visibilidade científica que priorizam lógicas de mercado e plataformas privadas. Isso impacta negativamente a soberania epistêmica, a diversidade do conhecimento e a capacidade das instituições de responder aos problemas sociais locais.

Neste contexto, é prioritário capacitar os atores institucionais com competências críticas e estratégicas para conceber, implementar e sustentar políticas de Ciência Aberta alinhadas com os interesses públicos e as necessidades territoriais. A proposta baseia-se em quatro dimensões interligadas: uma dimensão teórica, centrada na defesa da soberania do conhecimento; uma dimensão social, orientada para a democratização e a ciência cidadã; uma dimensão intelectual, centrada na consolidação do modelo diamante e da bibliodiversidade; e uma dimensão estratégica, ligada ao desenvolvimento de infraestruturas soberanas e sustentáveis.

O programa de diploma avançado aborda a necessidade de passar de iniciativas fragmentadas para políticas institucionais abrangentes, capazes de integrar repositórios, dados abertos, avaliação situada, publicações não comerciais e engajamento social. Dessa forma, contribui para fortalecer o papel das universidades latino-americanas como produtoras de conhecimento crítico, acessível e socialmente relevante.

OBJETIVO GERAL

Fortalecimento das capacidades políticas, teóricas e operacionais das autoridades e gestores universitários para desenvolver políticas abrangentes de Ciência Aberta, orientadas para a soberania do conhecimento, a justiça cognitiva e o fortalecimento do papel público das universidades latino-americanas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Analisar criticamente os fundamentos epistemológicos, geopolíticos e éticos da Ciência Aberta no contexto do Sul Global.

2. Compreender os efeitos da mercantilização do conhecimento na produção, circulação e avaliação científica.

3. Analisar modelos regionais de publicação não comercial e seu potencial para fortalecer a autonomia institucional.

4. Desenvolver estratégias para o desenvolvimento e a governança de infraestruturas abertas para publicações, dados, repositórios e software.

5. Promover abordagens de avaliação da pesquisa baseadas em indicadores situados e relevância social.

6. Integrar as perspectivas da ciência cidadã e o diálogo sobre conhecimento nas políticas universitárias.

7. Desenvolver propostas institucionais contextualizadas que articulem teoria, gestão e compromisso social.

8. Reforçar as redes de cooperação regional em Ciência Aberta.

O Diploma Superior em Ciência Aberta e Soberania do Conhecimento destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores de todos os níveis; ativistas e membros de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais e profissionais interessados ​​no tema.

O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas. 

Carga horária total de 128 horas.

 Os módulos que compõem o Diploma Superior são: 

  • Aula 1: Ciência Aberta como Bem Comum: Debates Contemporâneos
    Professora: Fernanda Beigel

    Este curso apresenta os fundamentos conceituais da Ciência Aberta como um bem comum global, analisando sua evolução histórica desde as declarações fundadoras até as atuais agendas multilaterais. Explora a tensão entre abertura, mercantilização e apropriação corporativa do conhecimento, destacando debates sobre propriedade intelectual, acesso, reutilização e governança. De uma perspectiva latino-americana, examina o papel das universidades públicas na produção de conhecimento socialmente relevante e discute o significado da abertura como um direito humano. O curso promove uma leitura crítica dos discursos dominantes e incorpora contribuições regionais focadas na autonomia acadêmica, cooperação e fortalecimento da infraestrutura pública.

  • Classe 2: Mercantilização, extrativismo cognitivo e dependência acadêmica
    Professora: Fernanda Beigel

    Este curso analisa a mercantilização do sistema científico por meio da concentração editorial, dos modelos de publicação paga e das plataformas comerciais. Introduz o conceito de extrativismo cognitivo para descrever a apropriação privada do trabalho acadêmico do Sul Global. As estratégias dos grandes conglomerados editoriais e seu impacto nos orçamentos universitários, na disseminação do conhecimento e na autonomia institucional são examinadas. Além disso, são consideradas as formas contemporâneas de dependência acadêmica e seus efeitos sobre as agendas de pesquisa, as linguagens de publicação e as hierarquias simbólicas.

  • Aula 3: Soberania epistêmica e epistemologias do Sul
    Professora: Fernanda Beigel

    Esta disciplina aborda o conceito de soberania epistêmica como eixo estratégico para as universidades latino-americanas. Analisa as relações entre a colonialidade do saber, as hierarquias linguísticas e os sistemas de legitimação científica. Com base em contribuições das epistemologias do Sul Global, reflete sobre a pluralidade do saber, a produção situada do saber e o papel das instituições na valorização de agendas locais. Discute também políticas editoriais, avaliativas e educacionais voltadas para o fortalecimento da autonomia intelectual e a circulação regional do saber.
  • Classe 4: O ecossistema regional de Acesso Aberto
    Professora: Arianna Becerril García 

    Este artigo apresenta o desenvolvimento histórico do acesso aberto na América Latina. Analisa redes institucionais, repositórios, portais e sistemas cooperativos. Examina o papel das universidades públicas na construção de infraestrutura compartilhada. Enfatiza-se a natureza solidária e sem fins lucrativos do modelo regional.

  • Aula 5: Modelo Diamante: Gestão Institucional vs. Terceirização
    Professora: Arianna Becerril García 

    Este artigo explora o modelo diamante de publicação científica, que não cobra nem de autores nem de leitores. Compara modelos geridos por universidades com esquemas terceirizados. Analisa os riscos da privatização, da perda de controle editorial e da dependência tecnológica. Também discute estratégias para o fortalecimento institucional.

  • Aula 6: Bibliodiversidade e multilinguismo na comunicação científica
    Professora: Arianna Becerril García

    Este artigo aborda a concentração linguística e temática no sistema editorial global. Analisa-se o impacto do inglês como língua hegemônica. Promove-se a bibliodiversidade como política acadêmica. Consideram-se a produção literária em línguas locais, a pluralidade disciplinar e a inclusão do conhecimento regional.
  • Aula 7: Repositórios institucionais e marcos regulatórios
    Professor: Fernando Ariel López

    Os repositórios institucionais são analisados ​​como componentes centrais da política de ciência aberta. São examinados os marcos regulatórios nacionais e institucionais que regem o acesso aberto, o depósito obrigatório, a preservação digital e a gestão de direitos. São explorados os desafios relacionados à implementação, interoperabilidade e sustentabilidade. O repositório é considerado uma ferramenta estratégica para a visibilidade, a memória institucional e a soberania da informação.

  • Aula 8: Publicações, dados abertos, educação aberta, software e hardware livres
    Professor: Fernando Ariel López

    Este artigo aborda o ecossistema integrado de recursos abertos dentro da universidade. Analisa políticas sobre publicação aberta, dados abertos, recursos educacionais abertos, software livre e hardware aberto. Examina suas inter-relações, impactos institucionais e potencial para democratizar o conhecimento. Promove uma visão sistêmica da abertura como uma política transversal, em vez de iniciativas isoladas.

  • Aula 9: Dados de pesquisa, princípios FAIR e planos de gestão de dados
    Professor: Fernando Ariel López

    A gestão de dados de pesquisa é apresentada como um componente estrutural da ciência aberta. Os princípios FAIR e sua adaptação aos contextos institucionais da América Latina são analisados. O planejamento e a implementação de planos de gestão de dados são estudados, considerando aspectos técnicos, legais, éticos e organizacionais. A institucionalização de boas práticas é promovida para garantir a reutilização, a rastreabilidade e o valor público dos dados científicos.
  • Aula 10: Crise das métricas de negócios e o fator de impacto
    Professor: Gabriel Vélez-Cuartas

    Este artigo examina a origem e a consolidação dos indicadores bibliométricos comerciais. Analisa seus efeitos sobre as agendas de pesquisa, as práticas de publicação e as carreiras acadêmicas. Problematiza-se a redução da qualidade científica a rankings. Reflete-se sobre os incentivos perversos do sistema atual.

  • Aula 11: Novos Horizontes em Avaliação: A Proposta FOLEC
    Professora: Judith Naidorf

    Este artigo apresenta a abordagem latino-americana para a avaliação responsável. Analisam-se os princípios, critérios e recomendações da FOLEC. Examina-se a avaliação da relevância social, da diversidade de produtos e do trabalho colaborativo. Promove-se uma avaliação contextualizada e democrática.

  • 12º ano: Incentivos e carreira docente em Ciências Abertas
    Professora: Laura Rovelli

    Este artigo aborda a relação entre políticas de avaliação, incentivos e trajetórias de carreira acadêmica. Analisa as tensões entre produtividade, ensino, extensão e gestão. Discutem-se estratégias para incorporar práticas abertas em regulamentos e leis. Propõe-se uma reforma abrangente da carreira acadêmica.
  • Aula 13: Ciência Cidadã: Participação e Conhecimento Popular
    Professora: Sarita Albagli

    A ciência cidadã é apresentada como uma forma de coprodução de conhecimento. As experiências latino-americanas são analisadas. A integração dos saberes comunitários, territoriais e ancestrais é considerada. As relações de poder nos processos participativos são examinadas.

  • Aula 14: Justiça Cognitiva. Justiça de Dados, protocolos e salvaguardas.
    Professora: Sarita Albagli

    Este curso aborda a concepção e implementação de protocolos éticos, metodológicos e institucionais em ciência cidadã e processos participativos de produção de conhecimento. Analisa critérios para consentimento informado, proteção de dados, propriedade coletiva dos resultados, reconhecimento da autoria e salvaguarda do conhecimento sensível. São estudados marcos regulatórios e boas práticas voltados para a prevenção da extração, mercantilização e apropriação indevida do conhecimento comunitário. Além disso, são examinados mecanismos de governança colaborativa, acordos institucionais e ferramentas de mediação intercultural que garantem relações simétricas entre universidades e atores sociais. O curso promove o desenvolvimento de salvaguardas que visam fortalecer a integridade científica, a justiça cognitiva e a sustentabilidade dos processos de coprodução em contextos latino-americanos.

  • Aula 15: Desafios Futuros: Da Teoria à Implementação Institucional
    Professora: Arianna Becerril García

    O conteúdo do Diploma é integrado estrategicamente. Barreiras políticas, culturais e organizacionais são analisadas. Modelos de implementação institucional são estudados.
    Promove-se a elaboração de planos de ação contextualizados para universidades latino-americanas.

  • Fernando Ariel López (Fundação Outubro dos Trabalhadores / Universidade Metropolitana de Educação e Trabalho, Argentina)
  • Arianna Becerril Garcia (Universidade Autônoma do Estado do México)
  • Fernanda Beigel (CONICET – Universidade Nacional de Cuyo, Argentina)
  • Laura Rovelli (Instituto de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, CONICET, Universidade Nacional de La Plata, Argentina)
  • Judith Naidorf (Instituto de Pesquisas Educacionais, Faculdade de Filosofia e Letras, Universidade de Buenos Aires, Argentina) | Gabriel Vélez Cuarta (Universidade de Antioquia, Colômbia)
  • Sarita Albagli (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Brasil)
  Inscrições antecipadas (até 07/07) Inscrições gerais (6 a 12 de maio) Inscrições sem desconto (de 13 a 19 de maio) Pagamento em 3 parcelas
Centro de Membros Plenos ou Associados 190 USD 260 USD 340 USD USD 420 (3 x USD 140)
Sem link 340 USD USD 410 460 USD USD 630 (3 x USD 210)
 
Em todos os casos, o pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou transferência bancária.

* Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento. 
 
*Ao se inscrever nesta atividade de treinamento, você receberá 3 meses de acesso gratuito ao Aula CLACSO. Acesso ilimitado a todo o conteúdo. 

Você precisa estar cadastrado no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC) e inserir seu nome de usuário e senha. Se você não estiver cadastrado, clique aqui. aquiPara acessar o formulário de inscrição, você deve clicar no botão "Inscrever-se" na página do diploma de seu interesse.

Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.

As aulas começarão em agosto e terminarão em dezembro de 2026.

Todos os participantes inscritos receberão, no primeiro dia de atividades, as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do [inserir plataforma/plataforma]. Espaço de Treinamento Virtual CLACSO.

Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre disponível. Para dúvidas, entre em contato pelo e-mail [inserir e-mail aqui]. [email protected] 

 Você deve enviar um e-mail com a solicitação para [email protected] Enviaremos o certificado solicitado assim que possível.

Critérios excepcionais: Em casos excepcionais e nos primeiros 20 dias de início do Diploma Superior, o aluno poderá escrever para [email protected] O pedido de cancelamento de matrícula deve ser feito mediante justificativa. Após avaliação do caso, uma resposta será enviada. Se aprovado, o aluno poderá retomar o programa de Diploma Superior caso uma nova turma seja formada no ano seguinte. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.

O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade. 

Sim, o diploma avançado é certificado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.

O pagamento pode ser feito em uma única parcela, por cartão de crédito ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.

Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.

Você pode verificar se pertence a um centro de membros aqui: 

https://www.clacso.org/institucional/centros-asociados/

O programa de Diploma Avançado integra uma dinâmica de aulas assíncronas e síncronas. As aulas são predominantemente assíncronas. O cronograma das sessões síncronas será comunicado pelo coordenador do Diploma no início do programa, e a participação nessas sessões não é um pré-requisito para a aprovação.



Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388

E-mail: [email protected]