Diploma Avançado em Cartografias Críticas e Territórios em Tensão
1ª Turma | Modalidade Virtual
COORDENAÇÃO ACADÊMICA
Rolando Durán Cavieres (Coletivo Cartografias da Memória, Chile) e Jorge Leal (Departamento de Ciências Sociais do Centro Universitário Regional Litoral Norte da Universidade da República, Uruguai)
CORPO DOCENTE
Rolando Durán Cavieres (Coletivo Cartografias da Memória, Chile) | Gonzalo Conte (Topografias da Memória – Memória Aberta, Argentina) | Valeria Durán (Topografias da Memória – Memória Aberta, Argentina) | Marco Álvarez (Universidade Tecnológica Metropolitana, Chile) | Carlos Salamanca (CONICET/Universidade de Buenos Aires, Argentina) | Fidel Mingorance (Pesquisador independente e membro do coletivo HREV, Luxemburgo) | Maite Borjabad López-Pastor (Pesquisador independente, Espanha) | Nelson Carroza (Universidade de Playa Ancha, Chile) | Jorge Leal (Departamento de Ciências Sociais do Centro Universitário Regional Litoral Norte da Universidade da República, Uruguai) | Paulina Cárdenas Ovalle (Universidade Tecnológica Metropolitana, Chile) | Fernanda Torres (CONICET/Universidade Nacional de La Plata, Argentina) | Juan Manuel Estrada (Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Pensamento Geográfico Crítico na América Latina e no Caribe, CLACSO) | Valéria Consuelo de Pina Ravest (Instituto de Geografia, Universidade Nacional Autônoma do México) | Fernanda Flores Zorrilla (Universidade Católica do Chile) | Paula Monroy (Universidade Andrés Bello/Universidade de San Sebastián, Chile-Brasil)
Formato virtual | Agosto a novembro de 2026
Início: 19/08/2026 | Inscrição: 15/05/2026 a 18/08/2026
O Diploma Avançado em Cartografias Críticas e Territórios em Tensão oferece um conjunto de ferramentas conceituais e metodológicas para a leitura crítica e a reapropriação do espaço urbano e territorial na América Latina. O Diploma aborda a cartografia como uma prática política situada, visando tornar os conflitos visíveis, contestar significados e expandir o direito à cidade e ao território em direção a dimensões públicas, coletivas e utópicas.
O percurso está organizado em cinco módulos:
1. Memória: Analisa a memória como uma prática espacial, com ênfase nas memórias traumáticas das ditaduras do Cone Sul e sua inscrição no espaço urbano e territorial por meio de cartografias críticas.
2. Violência: Examina os mecanismos da violência espacial e territorial, seus padrões, causas e efeitos, bem como os desafios políticos e metodológicos de sua representação e mapeamento.
3. Território: Aborda o território como um campo de disputa material e simbólica, atentando para os conflitos sobre terra, habitação e reprodução social na relação rural-urbana-periferia.
4. Direito à cidade: Desenvolver uma leitura crítica do direito à cidade como um slogan político contestado, com base nos movimentos sociais urbanos e nas contribuições dos feminismos.
5. Utopia: Aborda a utopia como uma prática política situada, explorando experiências concretas da produção do comum, micropolíticas cotidianas e disputas territoriais que ensaiam futuros possíveis a partir de conflitos reais.
Nos últimos anos, a cartografia consolidou-se como um exercício teórico e prático amplamente difundido em diversos campos do conhecimento, do ativismo e das práticas territoriais. Seu uso expandiu-se como metáfora do pensamento situado, associado à produção de conhecimento local e à visibilidade de experiências subalternas. Contudo, essa proliferação nem sempre foi acompanhada por um diálogo sistemático com o pensamento crítico espacial, cartográfico e territorial, resultando em uma lacuna entre o poder político do mapa e seu fundamento teórico.
O Diploma Avançado em Cartografias Críticas e Territórios em Tensão situa-se nessa intersecção, propondo rearticular a cartografia com uma reflexão rigorosa sobre espaço, território e poder. A partir de uma perspectiva latino-americana, o Diploma compreende as cartografias não apenas como ferramentas de representação, mas também como dispositivos práticos de luta hegemônica, capazes de intervir na construção de memórias, na visibilidade da violência e na produção de narrativas territoriais contra-hegemônicas.
A cartografia não se resume a mapas, diagramas ou à delimitação de fronteiras, áreas, pontos ou linhas. Mapear implica construir território, produzir uma paisagem de ação coletiva e aprender a posicionar-se a partir de um lugar sempre mais amplo do que a experiência individual. Nesse sentido, os módulos do Diploma Avançado constituem, em si mesmos, uma cartografia crítica, organizada em torno de cinco áreas centrais das ciências sociais contemporâneas, articuladas por meio de um quadro teórico-prático.
Este Diploma Avançado está organizado em torno de uma coerência histórico-prática, na qual os módulos são articulados sequencial e cumulativamente. Começa com os módulos sobre memória e violência, entendidas como categorias que ordenam o território de uma forma traumática, porém eficaz, e cuja compreensão é essencial para um engajamento crítico com o espaço. Partindo dessa base, o módulo sobre territórios permite a análise das dinâmicas socioespaciais contemporâneas, enquanto o módulo sobre o direito à cidade incorpora ferramentas para mapear atores e disputas específicas que reivindicam território. Finalmente, o módulo sobre utopia projeta futuros possíveis, entendendo a utopia como uma prática política situada, ancorada em experiências reais de produção dos bens comuns.
Num contexto regional marcado pelo aprofundamento das desigualdades, pela violência territorial e pela mercantilização do espaço, este Diploma Superior propõe fortalecer instâncias de formação crítica que articulem teoria e prática, contribuindo para a construção de leituras espaciais capazes de contestar significados, expandir o direito à cidade e ao território e imaginar horizontes emancipatórios a partir da América Latina.
OBJETIVO GERAL
Contribuir para a formação em pensamento geográfico e cartográfico crítico na América Latina, por meio de uma jornada teórico-prática que forneça aos participantes ferramentas conceituais, metodológicas e políticas para compreender, analisar e produzir leituras críticas do espaço, do território e de suas disputas contemporâneas.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Que as pessoas participantes:
- Aprenda sobre abordagens críticas ao espaço, território e cartografia, compreendendo sua natureza histórica, política e não neutra.
- Reflita sobre a cartografia como uma prática teórico-prática, distinguindo entre seus usos metafóricos e seu potencial como um dispositivo situado para a produção de conhecimento e as lutas de poder.
- Analise as relações entre memória, violência e território, reconhecendo como essas categorias ordenam o espaço de forma traumática e estrutural em contextos latino-americanos.
- Compreender a dinâmica territorial contemporânea, incluindo conflitos sobre terra, habitação, infraestrutura e reprodução social, a partir de uma perspectiva multiescalar.
- Eles se apropriam de ferramentas conceituais e metodológicas para produzir cartografias críticas que permitam mapear atores, conflitos, memórias e disputas sobre território e o direito à cidade.
- Desenvolver uma leitura crítica das lutas urbanas e territoriais, incorporando contribuições de movimentos sociais, feminismos e práticas comunitárias.
- Explore a utopia como uma prática política situada, articulando cartografias críticas com a projeção de futuros possíveis ancorados em experiências concretas.
- Fortalecer as capacidades de articular os aprendizados do Diploma em diversas áreas, como pesquisa, ensino, ação coletiva, movimentos sociais ou a concepção e análise de políticas públicas, sem reduzir o percurso a uma abordagem instrumental de influência.
- Promover a influência da abordagem da cartografia crítica na pesquisa acadêmica, nas políticas públicas e nos movimentos sociais e territoriais.
O Diploma Superior em Cartografias Críticas e Territórios em Tensão destina-se a estudantes de graduação e pós-graduação; professores e pesquisadores; ativistas e militantes de movimentos sociais e territoriais; funcionários públicos; membros e gestores de organizações não governamentais; e profissionais interessados na análise crítica do espaço, do território e das cartografias como ferramentas teórico-práticas.
O programa consiste em 5 módulos de 3 aulas semanais cada, ministradas consecutivamente e interligadas.
Carga horária total de 128 horas.
Os módulos que compõem o Diploma Superior são:
- Aula 1: Memória, espaço, poder e urbanismo
Professor: Rolando Durán Cavieres
Esta disciplina apresenta uma leitura crítica da memória como prática espacial e política, analisando sua relação com o urbanismo, o poder e a produção do espaço. Explorará como as memórias coletivas, particularmente aquelas ligadas a conflitos, ditaduras e violência estrutural, são inscritas, contestadas e ressignificadas no espaço urbano e territorial. A disciplina utilizará mapas da memória, entre outras ferramentas analíticas, para compreender como a memória opera como um campo ativo de disputa sobre o significado do território, capaz de ordenar hierarquias espaciais, produzir silêncios e viabilizar práticas de reapropriação urbana a partir de uma perspectiva crítica latino-americana. - Aula 2: Cartografias da Justiça: Métodos Críticos
Professores: Gonzalo Conte e Valeria Durán
Este curso explora o uso da cartografia como ferramenta crítica aplicada aos processos de memória, verdade e justiça. Com base em experiências desenvolvidas na Argentina, analisa metodologias cartográficas voltadas para a reconstrução espacial da violência estatal e dos crimes contra a humanidade. O curso enfatiza a natureza política dos mapas, não apenas como dispositivos de representação, mas também como ferramentas probatórias, narrativas e analíticas em processos de memória judicial e histórica. A cartografia será examinada como uma prática situada, coletiva e metodologicamente rigorosa, capaz de desafiar narrativas oficiais, revelar padrões espaciais de violência e contribuir para a produção da verdade histórica e da justiça. - Aula 3: Melancolia política, luto e espaço urbano
Professor: Marco Álvarez Vergara
Este curso oferece uma reflexão crítica sobre a melancolia política e o luto como categorias analíticas para a compreensão de processos históricos, sociais e urbanos associados à esquerda latino-americana. A partir de uma abordagem que combina historiografia crítica e sociologia histórica, o curso analisa como as experiências de derrota, a interrupção de projetos emancipatórios e o silenciamento político se inscrevem nos espaços urbanos e nas subjetividades coletivas.
A melancolia será abordada não como uma mera disposição individual ou psicológica, mas como uma forma socialmente construída de se relacionar com o passado, capaz de estruturar memórias políticas, imaginários urbanos e práticas cotidianas. A disciplina explora como certos processos urbanos funcionam como suportes materiais para essas experiências históricas, afetando as maneiras de habitar, lembrar e projetar o político na cidade contemporânea.
- Aula 4: Destruição criativa e espacialidades do capital
Professor: Carlos Salamanca Villamizar
A disciplina aborda a violência como uma dimensão constitutiva da produção capitalista do espaço a partir de uma perspectiva antropológica e etnográfica. Com base na pesquisa do professor, analisa os processos de destruição criativa, reconfiguração territorial e controle espacial associados à expansão do capital em contextos urbanos e rurais da América Latina.
É dada especial ênfase ao trabalho etnográfico situado e ao uso da cartografia e dos mapas como ferramentas analíticas para compreender como a violência é organizada, disseminada e contestada dentro de um território. O espaço é examinado como uma relação fundamental entre os atores (Estado, capital, comunidades, aparatos de segurança), permitindo a compreensão de como as práticas, os conflitos e as formas de poder são inscritos tanto material quanto simbolicamente. Por meio de estudos de caso desenvolvidos na plataforma "Violência no Espaço", a disciplina explora o mapa não apenas como uma representação, mas também como uma ferramenta crítica para articular relações, tornar visíveis os padrões de violência e compreender dinâmicas territoriais complexas. - Aula 5: Geoativismo e violência territorial
Professor: Fidel Mingorance Cruz
Esta disciplina explora o geoativismo como uma prática política, metodológica e cartográfica em resposta a contextos de violência territorial na América Latina, com foco especial nos casos da Colômbia, Guatemala e México (entre outros). A partir de experiências em mapeamento crítico, cartografia colaborativa e uso de tecnologias digitais, analisa formas contemporâneas de violência associadas a conflitos armados, narcotráfico, extrativismo, militarização e controle territorial.
A disciplina explora o mapa como ferramenta de ação coletiva e denúncia, examinando como a cartografia nos permite tornar visíveis formas invisíveis de violência, articular memórias territoriais e desafiar narrativas oficiais sobre o espaço. A partir de uma perspectiva situada, analisa experiências concretas de geoativismo na Colômbia, Guatemala e México (entre outros), destacando o papel das comunidades, organizações sociais e coletivos de direitos humanos na produção de conhecimento espacial crítico diante de contextos de risco, ameaça e conflito. - Aula 6: Violência, controle urbano e regimes de representação do poder
Professora: Maite Borjabad López-Pastora
Esta disciplina aborda a relação entre violência, controle urbano e regimes de representação do poder, com foco nos dispositivos espaciais, visuais e curatoriais por meio dos quais a violência se torna legível, governável ou, inversamente, invisível no espaço urbano contemporâneo. De uma perspectiva crítica, a disciplina propõe analisar como o poder é exercido não apenas materialmente sobre o território (por meio de infraestrutura, dispositivos de segurança, planejamento urbano ou tecnologias de vigilância), mas também por meio de regimes de representação que organizam o que é visível, dizível e imaginável na cidade.
Com base na pesquisa e no trabalho curatorial de Maite Borjabad López-Pastor, este curso explora o papel da arquitetura, do design e da prática curatorial como campos estratégicos na produção de narrativas sobre violência, futuro, segurança e ordem urbana. Exposições, catálogos e dispositivos museográficos são analisados como tecnologias políticas que mediam entre conflito, conhecimento e poder, produzindo leituras específicas do espaço urbano e territorial. O curso propõe a compreensão da curadoria e da representação espacial não como práticas neutras, mas como operações críticas capazes de reproduzir ou desafiar os imaginários dominantes sobre violência, desenvolvimento e cidade. Nesse sentido, a cartografia é utilizada como ferramenta que permite a desnaturalização desses regimes de representação, evidenciando seus efeitos políticos e abrindo a possibilidade de leituras contra-hegemônicas do espaço urbano contemporâneo.
- Aula 7: Crise habitacional e autogestão do habitat
Professor: Nelson Carroza Atenas
Este curso aborda, analisa e reflete sobre a questão da habitação na América Latina, entendendo a crise habitacional como uma dimensão da policrise contemporânea e, ao mesmo tempo, a autogestão como um horizonte possível: um caminho impulsionado por coletivos que contestam a produção do espaço urbano e propõem alternativas para a produção de habitat e moradia. O curso aprofunda as características, gramáticas e repercussões da crise da habitação social na região, bem como sua ligação com a reprodução das desigualdades socioespaciais. Paralelamente, examina a autogestão do habitat e sua articulação com os movimentos urbano-populares, entendidos como sujeitos coletivos que desafiam tanto a materialidade da cidade quanto os significados políticos e sociais a ela atribuídos.
As questões norteadoras são: Quais são as gramáticas e disputas políticas que estruturam a crise habitacional na América Latina? E como a produção habitacional se organiza autonomamente diante do esgotamento das políticas estatais tradicionais e da mercantilização da moradia? Com base nessas questões, são analisados os discursos que moldam a crise habitacional, suas principais características, e os processos sociais, práticas coletivas e repertórios de ação que emergem como respostas alternativas, especialmente em contextos marcados por profundas desigualdades regionais. - Aula 8: Territórios de desenvolvimento desigual
Professor: Jorge Leal Fagúndez
Este curso aborda o desenvolvimento desigual como um processo histórica e territorialmente construído, com foco no papel do Estado, das políticas públicas e das transformações produtivas na configuração das desigualdades socioespaciais na América Latina. A partir de uma perspectiva crítica, questiona a ideia de desenvolvimento como um processo homogêneo ou neutro, mostrando como as dinâmicas econômicas, trabalhistas e produtivas se distribuem de forma desigual pelo território, gerando padrões persistentes de concentração, exclusão e marginalização.
Este artigo propõe analisar como as políticas de desenvolvimento territorial, longe de corrigirem automaticamente as desigualdades, muitas vezes contribuem para reproduzi-las ou consolidá-las espacialmente. Examina as relações entre estrutura produtiva, emprego e território, destacando a importância de diferentes escalas de análise para a compreensão dos processos de desenvolvimento desigual.
Este curso propõe a compreensão do território não como um suporte passivo, mas como uma construção social moldada por relações de poder assimétricas, decisões políticas e conflitos distributivos. Por meio de abordagens comparativas na América Latina, reflete sobre como diferentes modelos de desenvolvimento geram impactos diferenciados em regiões, cidades e comunidades, e como essas desigualdades condicionam as possibilidades de ação coletiva, autogestão e democracia territorial. Dessa forma, o curso fornece um arcabouço estrutural para a compreensão das disputas territoriais abordadas neste programa de Diploma Avançado. - Aula 9: Habitação, participação comunitária e mapeamento social
Professora: Paulina Cárdenas Ovalle
Este curso aborda a participação comunitária como uma dimensão central da produção social do território, com ênfase especial em habitação, habitat e processos de ação coletiva em contextos urbanos e periurbanos. De uma perspectiva crítica, o curso problematiza as abordagens institucionais da participação que reduzem a intervenção comunitária a mecanismos consultivos ou instrumentais, propondo, em vez disso, compreendê-la como um processo situado, conflituoso e profundamente territorializado. Nesse contexto, a cartografia social é abordada como uma ferramenta metodológica e política que permite a visualização de atores, conflitos, memórias, recursos e desigualdades socioespaciais a partir da perspectiva do conhecimento local.
Esta disciplina propõe compreender a cartografia social não apenas como uma técnica de coleta de dados, mas também como uma ferramenta para mediar e politizar o território, capaz de fortalecer processos organizacionais, desafiar narrativas de especialistas e abrir espaços para a produção de bens comuns. Dessa forma, a intervenção social, a habitação e o planejamento territorial são colocados em diálogo com práticas cartográficas críticas que ampliam as possibilidades de participação efetiva e democracia territorial, preparando o terreno para o módulo Direito à Cidade.
- Aula 10: Movimentos Sociais Urbanos e Justiça Espacial
Professora: Fernanda Valeria Torres
Esta disciplina aborda o direito à cidade a partir da perspectiva dos movimentos sociais urbanos e socioterritoriais, entendidos como atores coletivos que contestam a produção do espaço urbano diante da mercantilização, da segregação e da desigualdade socioespacial. A disciplina propõe uma leitura crítica do direito à cidade não como um quadro normativo abstrato, mas como uma prática política situada, construída por meio de lutas territoriais concretas em contextos urbanos latino-americanos.
Esta disciplina propõe a compreensão da justiça espacial como uma categoria analítica que permite a articulação das desigualdades sociais, econômicas e territoriais, indo além das interpretações jurídicas ou institucionalistas do direito à cidade. Dentro dessa perspectiva, os movimentos urbanos são abordados não apenas como sujeitos de resistência, mas também como produtores de territorialidades alternativas, capazes de desafiar significados, práticas e modos de habitar a cidade. A sessão inaugura o módulo Direito à Cidade, conectando as práticas territoriais analisadas anteriormente com as disputas urbanas contemporâneas na América Latina. - 11ª aula: Direito à cidade hoje: disputas e limites
Professor: Juan Manuel Delgado Estrada
Este curso oferece uma leitura crítica e contemporânea do direito à cidade, abordando suas disputas atuais, limitações estruturais e potencial político em contextos latino-americanos. Longe de compreendê-lo como um direito legal consolidado ou um slogan baseado em consenso, o curso aborda o direito à cidade como um campo de tensões, permeado por relações de poder, desigualdades históricas e disputas territoriais persistentes.
Este curso analisa as limitações das abordagens hegemônicas ao direito à cidade quando aplicadas sem considerar as trajetórias históricas, sociais e territoriais específicas da América Latina, destacando como essas omissões tendem a reproduzir desigualdades e hierarquias espaciais. O objetivo da disciplina é auxiliar os participantes a compreender o direito à cidade como uma prática crítica, histórica e territorialmente situada, capaz de articular lutas urbanas, imaginários políticos e projetos coletivos. - Aula 12: Cartografias afetivas e sensíveis na disputa territorial
Professora: Valéria Consuelo de Pina Ravest
Esta disciplina explora cartografias afetivas e sensoriais como práticas de conhecimento, produção espacial e disputa territorial que integram não apenas a dimensão funcional ou estrutural do espaço urbano, mas também as experiências, memórias, emoções e conexões subjetivas que moldam os sentidos de lugar e os territórios vividos. Longe de entender o mapa como uma representação neutra do espaço, as cartografias afetivas produzem narrativas, conexões e redes que colocam corpo, memória e paisagem em diálogo, possibilitando formas alternativas de ocupar, narrar e transformar o território. A disciplina também reflete sobre as implicações éticas e metodológicas do uso de cartografias afetivas em contextos de disputa territorial: Como representar o que nem sempre é visível? Como dialogar com cartografias institucionais sem diluir as experiências subjetivas? Que tipos de conhecimento são legitimados ou silenciados nesses processos?
- Aula 13: Micropolítica, desejo e vida cotidiana
Professora: Paula Monroy
Esta disciplina propõe uma abordagem para a derivação da utopia, ou heterotopia, a partir da micropolítica do desejo e da vida cotidiana, deslocando sua compreensão das grandes narrativas normativas ou projetos totalizantes para as práticas, afetos e relações que moldam a experiência diária dos indivíduos. A heterotopia é abordada aqui a partir de seu poder transformador de criar realidades possíveis. Ela é o produto de uma relação entre formas e forças que se manifesta em modos de habitar, relacionar-se, organizar-se socialmente e criar em contextos específicos. A disciplina estudará como o desejo opera como uma força política subjetiva que permeia corpos, espaços e relações, produzindo fissuras nas ordens sociais e espaciais dominantes. A vida cotidiana contemporânea será analisada como um campo de luta micropolítica, onde formas de controle e normalização são reproduzidas, mas onde também emergem práticas de reapropriação, cuidado, cooperação e criação coletiva. Nessa perspectiva, a micropolítica não substitui as lutas estruturais, mas as complementa e sustenta, articulando táticas, relações afetivas, corporais e territoriais que nos permitem imaginar e experimentar outras formas possíveis de vida.
Por fim, a aula nos convida a pensar na heterotopia como uma prática situada, frágil e múltipla, que se constrói no fazer cotidiano e em relação aos outros. - Aula 14: Justiça ambiental urbana: território, utopia e sustentabilidade.
Professora: Fernanda Flores Zorrilla
Compreendendo a justiça ambiental — ou injustiça socioambiental — com foco especial no Sul Global e em Santiago, Chile. A cidade é abordada como uma cartografia ativa do poder, onde o clima, a poluição, o acesso a espaços verdes e a qualidade de vida são definidos por um modelo de crescimento urbano e por decisões históricas de planejamento político. Propõe-se uma leitura crítica dos fenômenos climáticos, ambientais e sociais, e questiona-se até que ponto a cidade é um espaço maleável e como, a partir de práticas territoriais voltadas para a sustentabilidade, utopias urbanas concretas estão sendo testadas, desafiando a ordem vigente, permitindo-nos considerar a cidade não apenas como um diagnóstico da desigualdade, mas também como um horizonte político contestado. - Aula 15: Perspectivas e Estratégias Utópicas
Professores: Fernanda Flores Zorrilla, Paula Monroy, Rolando Durán Cavieres e Marco Alvarez Vergara
Esta disciplina final propõe uma síntese que integra os temas explorados ao longo do programa de Diploma, visando compreender a utopia não como um ideal abstrato, mas como um conjunto de perspectivas e estratégias políticas situadas, orientadas para a transformação social e territorial. A utopia é abordada aqui como uma prática crítica que emerge de conflitos reais, experiências coletivas e lutas concretas por espaço, vida e futuro. Essas perspectivas permitem compreender a utopia não como um modelo fechado, mas como um campo aberto para a experimentação política e territorial.
O curso enfatiza estratégias utópicas que se desdobram em múltiplas escalas: desde a micropolítica cotidiana e práticas comunitárias até movimentos sociais, projetos urbanos alternativos e lutas socioambientais. Experiências em cartografia crítica, justiça ambiental, autogestão territorial e reapropriação do espaço são revisitadas como exemplos de utopias em ação — parciais e conflituosas — que articulam memória, desejo e futuro. Assim, a conclusão do Diploma propõe uma perspectiva estratégica sobre a utopia: não como uma promessa de harmonia, mas como uma prática contínua de contestação, criação e cuidado, enraizada em territórios e experiências vividas.
- Rolando Durán Cavieres (Coletivo Cartografias da Memória, Chile)
- Gonzalo Conte (Topografias da Memória - Memória Aberta, Argentina)
- Valeria Durán (Topografias da Memória - Memória Aberta, Argentina)
- Marco Álvarez (Universidade Tecnológica Metropolitana, Chile)
- Carlos Salamanca (CONICET/Universidade de Buenos Aires, Argentina)
- Fidel Mingorance (Pesquisador independente e membro do coletivo HREV, Luxemburgo)
- Maite Borjabad López-Pastor (Pesquisador independente, Espanha)
- Nelson Carroza (Universidade de Playa Ancha, Chile)
- Jorge Leal (Departamento de Ciências Sociais do Centro Universitário Regional Litoral Norte da Universidade da República, Uruguai)
- Paulina Cárdenas Ovalle (Universidade Tecnológica Metropolitana, Chile)
- Fernanda Torres (CONICET/Universidade Nacional de La Plata, Argentina)
- Juan Manuel Estrada (Grupo de Trabalho da CLACSO sobre Pensamento Geográfico Crítico na América Latina e no Caribe, CLACSO)
- Valéria Consuelo de Pina Ravest (Instituto de Geografia, Universidade Nacional Autônoma do México)
- Fernanda Flores Zorrilla (Universidade Católica do Chile)
- Paula Monroy (Universidade Andrés Bello/Universidade de San Sebastián, Chile-Brasil)
| Inscrições antecipadas (até 07/07) | Inscrições gerais (6 a 12 de maio) | Inscrições sem desconto (de 13 a 19 de maio) | Pagamento em 3 parcelas | |
| Centro de Membros Plenos ou Associados | 190 USD | 260 USD | 340 USD | USD 420 (3 x USD 140) |
| Sem link | 340 USD | USD 410 | 460 USD | USD 630 (3 x USD 210) |
* Os residentes da Argentina pagarão o equivalente em pesos argentinos de acordo com a taxa de câmbio oficial do Banco de la Nación Argentina (BNA) no dia do pagamento.
Você precisa estar cadastrado no Sistema Único de Cadastro da CLACSO (SUIC) e inserir seu nome de usuário e senha. Se você não estiver cadastrado, clique aqui. aquiPara acessar o formulário de inscrição, você deve clicar no botão "Inscrever-se" na página do diploma de seu interesse.
Após a conclusão do processo de inscrição, você receberá uma confirmação por e-mail.
As aulas começarão em agosto e terminarão em dezembro de 2026.
Todos os participantes inscritos receberão, no primeiro dia de atividades, as instruções necessárias para acessar as aulas, a bibliografia e os fóruns de discussão por meio do [inserir plataforma/plataforma]. Espaço de Treinamento Virtual CLACSO.
Acessar e navegar no Ambiente Virtual de Aprendizagem é muito simples e intuitivo. Em qualquer caso, uma equipe de suporte técnico e acadêmico estará sempre disponível. Para dúvidas, entre em contato pelo e-mail [inserir e-mail aqui]. [email protected]
Você deve enviar um e-mail com a solicitação para [email protected] Enviaremos o certificado solicitado assim que possível.
Critérios excepcionais: Em casos excepcionais e nos primeiros 20 dias de início do Diploma Superior, o aluno poderá escrever para [email protected] O pedido de cancelamento de matrícula deve ser feito mediante justificativa. Após avaliação do caso, uma resposta será enviada. Se aprovado, o aluno poderá retomar o programa de Diploma Superior caso uma nova turma seja formada no ano seguinte. Após decorrido esse período desde o início do curso, nenhum pedido será aceito.
O valor pago só será reembolsado nos casos em que as instituições organizadoras decidirem cancelar a atividade.
Sim, o diploma avançado é certificado pela CLACSO. O diploma será enviado digitalmente e é totalmente gratuito.
O pagamento pode ser feito em uma única parcela, por cartão de crédito ou transferência bancária. Também oferecemos a opção de pagamento em 3 parcelas.
Sim. Haverá descontos para estudantes pertencentes a Centros Membros da CLACSO e Centros Associados da CLACSO, para Pesquisadores Associados da CLACSO e para todos aqueles que pagarem dentro do período de desconto.
Você pode verificar se pertence a um centro de membros aqui:
O programa de Diploma Avançado integra uma dinâmica de aulas assíncronas e síncronas. As aulas são predominantemente assíncronas. O cronograma das sessões síncronas será comunicado pelo coordenador do Diploma no início do programa, e a participação nessas sessões não é um pré-requisito para a aprovação.
Consultas: WhatsApp: +54 9 11 3880 – 1388
E-mail: [email protected]