Desigualdades, exclusão e crise de sustentabilidade nos sistemas previdenciários da América Latina e do Caribe.
CLACSO – BOLSAS DE ESTUDO CLATE
tópico:
Desigualdades, exclusão e crise de sustentabilidade
Este apelo visa aprofundar o conhecimento sobre os sistemas previdenciários na América Latina e no Caribe, suas características gerais, os elementos que mantêm ou exacerbam a desigualdade entre seus beneficiários, os fatores que excluem grandes setores da população do direito à seguridade social e compreender as causas que explicam a crise de sustentabilidade que muitos deles estão vivenciando.
O objetivo é construir um quadro analítico que nos permita compreender como a concepção, a estrutura, o financiamento e a administração de um sistema de pensões se relacionam com a possibilidade de garantir o direito à segurança social. Nesse sentido, a finalidade dos projetos é explorar explicações para a crise de sustentabilidade que afeta muitos sistemas na região e desenvolver propostas que nos permitam enfrentar e superar essas crises a partir da perspectiva de um sistema público, estatal e solidário.
O direito à seguridade social, entendido como a garantia de proteção social e bem-estar para todos os trabalhadores na velhice ou em situação de invalidez, goza de reconhecimento constitucional na maioria dos países da América Latina e do Caribe. Também possui reconhecimento internacional, por exemplo, por meio da Convenção 102 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). No entanto, o reconhecimento legal muitas vezes se mostra insuficiente quando não existem mecanismos que garantam de fato e efetivamente o gozo de benefícios previdenciários que permitam alcançar um estado de bem-estar.
Entendemos o bem-estar como aquilo que transcende a mera satisfação das necessidades básicas e permite aos trabalhadores alcançar a plena inclusão na vida econômica, social e cultural, bem como manter a posição conquistada durante sua vida profissional. Nesse sentido, as variáveis de exclusão e desigualdade devem estar relacionadas à possibilidade de alcançar esse bem-estar e não simplesmente à percepção de aposentadorias que servem como "alívio da pobreza" para idosos e/ou pessoas com deficiência.
Por outro lado, os sistemas de pensões não estão imunes às realidades enfrentadas pelos trabalhadores e trabalhadoras, em que o desemprego, o subemprego e o trabalho informal, bem como a incerteza em relação ao futuro do trabalho provocada pela automação e pela incorporação da inteligência artificial, são variáveis que impactam tanto as suas opções de financiamento quanto a sua capacidade de cumprir os requisitos para acesso aos benefícios. Essas e outras variáveis, como o aumento da longevidade, exigem uma reformulação da estrutura dos sistemas de pensões para garantir a sua sustentabilidade a longo prazo.
Contudo, sempre que um sistema de pensões é analisado sob a perspectiva dos seus beneficiários, o objetivo primordial deve ser garantir o seu bem-estar, e não utilizar os fundos de pensão como meio de acumulação financeira. Nesse sentido, o desafio reside em desenvolver alternativas que superem a crise que os sistemas atuais enfrentam, dentro de um quadro público, estatal e solidário. Isso exige a consideração de métodos de financiamento que envolvam não apenas contribuições de trabalhadores e empregadores, mas também do próprio Estado.
Relatórios:
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PRAZO DE INSCRIÇÃO: 14 DE AGOSTO DE 2017