Descolonização e Cooperação

COORDENAÇÃO: Asier Hernando Malax-Echevarria (Acápacá) e Pablo Vommaro (CLACSO)
EQUIPE DOCENTE: Karina Batthyány (CLACSO/Universidade da República, Uruguai) | Asier Hernando Malax-Echevarria (Acápacá) | Claudia miranda (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil) | Sérgio Calundungo (Acápacá) | Adriana Anacona (Universidade do Valle, Colômbia) | Damaris Ruiz (Nós Efetivamos) | Andrea Villaseñor (Hispânicos na Filantropia) | Cláudia Caselli (Acápacá) | Alba Múrcia (Centro de Desenvolvimento) | Lourdes Huanca (Federação Nacional de Mulheres Camponesas, Artesãs, Indígenas, Nativas e Assalariadas do Peru) | Romel Rubén González Díaz (Coalizão Coordenadora Indígena Abya Yala) | Sofia Sprechmann Sineiro (Compromisso com a Mudança)
Home: 11/03/2025
Registo: 17/01/2025 al 10/03/2025
Acápacá e CLACSO unem forças para oferecer a terceira edição do curso “Descolonização e Cooperação”, uma proposta de formação que aborda um dos debates mais relevantes e urgentes na cooperação internacional contemporânea.
Após duas edições bem-sucedidas com mais de 200 participantes focados em ONGs, esta terceira edição amplia seu escopo para abranger todo o ecossistema da cooperação internacional. Nosso objetivo é proporcionar uma compreensão das origens e dos conceitos fundamentais do debate, juntamente com ferramentas práticas para aplicação em seu trabalho. Os participantes terão a oportunidade de aprender com alguns dos principais pensadores da América Latina e do mundo, que fazem parte da equipe docente.
A descolonização não é um conceito novo. Há pesquisas, debates e ações sobre esse tema no Sul Global. Essa questão ganhou nova visibilidade após a morte de George Floyd e o impacto global do movimento Black Lives Matter. O questionamento do Norte Global chamou a atenção para tendências coloniais visíveis em todas as esferas, desafiando a perspectiva eurocêntrica e exigindo uma distribuição mais equitativa do conhecimento. No entanto, esse processo não pode se basear apenas em teorias críticas do Norte. A ação precisa estar fundamentada nas vozes, ideias e experiências do Sul Global.
A cooperação para o desenvolvimento está profundamente entrelaçada com a história colonial. Suas raízes encontram-se na missão civilizadora que acompanhou a colonização e perpetua uma lógica racista de superioridade ocidental. Esse legado ainda se reflete nos termos e abordagens utilizados no setor, como "Norte-Sul" ou "cooperação para o desenvolvimento". Portanto, repensar a cooperação a partir de uma perspectiva decolonial é essencial para avançar rumo a uma verdadeira justiça global.
Diversas das principais ONGs e doadores do mundo, como Plan International, Care, Open Society, Fundação Ford, Oxfam e Médicos Sem Fronteiras, já estão empreendendo esse processo de mudança. Elas o fazem em resposta às demandas das organizações com as quais trabalham. É um processo irreversível.
Na sequência da reunião de fundação do Fórum Permanente para a Descolonização da Cooperação, realizada em Lima, este curso visa fortalecer o debate e fomentar mudanças concretas. Junte-se a nós neste processo transformador que promove uma cooperação mais equitativa, feminista e decolonial.
O curso é destinado a profissionais de cooperação internacional com formação técnica e gerencial. Terá uma abordagem prática e será ministrado em sete sessões de 120 minutos por semana.
Este treinamento permitirá que você aprenda sobre a evolução do setor de cooperação internacional. Ele se baseará na experiência de movimentos sociais, da academia e de ONGs para fornecer uma perspectiva ampla sobre como promover essa importante agenda.
As sessões serão realizadas às terças-feiras nos seguintes horários: 9h-11h América Central-México | 10h-12h Peru-Equador-Colômbia | 11h-13h Nova York-República Dominicana-Haiti-Cuba | 12h-14h Argentina-Brasil
Sessão 1: Descolonização do Poder e Epistemologias do Sul
Professora Claudia Miranda
A colonialidade permanece uma força onipresente em nossas estruturas sociais, perpetuando desigualdades e opressão. Esta sessão aprofunda a necessidade de reconhecer e valorizar as epistemologias do Sul Global, desafiando as narrativas coloniais dominantes na cooperação internacional. Por meio de análises críticas, revela como o racismo estrutural e o legado colonial continuam a moldar o sistema humanitário. Baseando-se nas ideias de Aníbal Quijano e Rita Laura Segato, analisa os impactos históricos e atuais do poder colonial na América Latina.
Sessão 2: Descolonizando a Cooperação: Rumo a uma Transformação Equitativa
Professora Adriana Anacona e Alba Murcia
Esta disciplina aborda a importância da descolonização da cooperação internacional. Explora os conceitos de colonialismo, colonialidade, localização e decolonialidade, e sua relação com as dinâmicas opressivas na cooperação internacional. Propõe-se uma abordagem transformadora para lidar com essas questões, visando construir relações mais equitativas e eficazes nas práticas de cooperação internacional. São apresentados exemplos de resistência e recuperação de conhecimentos ancestrais, destacando como essas contribuições podem enriquecer o trabalho das ONGs em prol de um desenvolvimento mais equitativo.
Sessão 3: Abordagens Programáticas e Linguagem Descolonial
Profª Andrea Villaseñor e Claudia Caselli
O planejamento desenvolvido em colaboração com organizações parceiras oferece novas perspectivas e abordagens decoloniais para a cooperação internacional. Este curso se concentra em como implementar um planejamento programático transformador que redefine as práticas tradicionais. Também analisa expressões coloniais ainda presentes no setor e propõe ferramentas para construir uma comunicação mais respeitosa, alinhada aos princípios decoloniais.
Sessão 4: Propostas decoloniais de movimentos sociais
Professor Romel González
Os movimentos sociais desempenham um papel crucial na construção de propostas decoloniais para a cooperação. Esta sessão destaca os desafios que a sociedade civil enfrenta devido a barreiras sistêmicas e apresenta as agendas transformadoras das organizações sociais. Com base na experiência de Romel González, Coordenador da Coligação Coordenadora Indígena Abya Yala, a sessão reflete sobre estratégias práticas para que as ONGs se adaptem e contribuam para as agendas dos movimentos e organizações sociais.
Sessão 5: Perspectiva Feminista e Financiamento Descolonial
Profª Damaris Ruiz e Sergio Calundungo
Os princípios feministas desempenham um papel fundamental na descolonização das ONGs. Esta sessão aborda como integrar perspectivas feministas na captação de recursos e na gestão, desafiando as estruturas de poder tradicionais. Serão apresentados exemplos práticos de como as ONGs podem adotar abordagens transformadoras que questionem as estruturas tradicionais de poder e financiamento, promovendo mudanças sistêmicas rumo a uma cooperação mais equitativa.
Sessão 6: Resistência e Mudança: Doadores e Governança
Professora Sofia Sprechmann
A resistência à transformação do sistema de cooperação é um tema muito debatido no setor. Esta sessão analisa a resistência interna e externa à mudança, tanto por parte da governança organizacional quanto dos doadores. Discute tensões e exemplos positivos de mudança sistêmica.
Sessão 7: Como mudar o sistema de cooperação: Fórum Permanente para a Descolonização da Cooperação
Prof. Asier Hernando e Lourdes Huanca
Esta sessão analisa como transformar coletivamente o sistema de cooperação rumo a uma abordagem verdadeiramente decolonial. Utilizando a iniciativa "Fórum Permanente para a Descolonização da Cooperação" como exemplo, aprofunda-se nos compromissos assumidos e nas estratégias implementadas por diversas organizações para reconfigurar a dinâmica tradicional do setor. Examina os progressos concretos na aplicação de práticas decoloniais, ao mesmo tempo que reflete sobre os desafios e as oportunidades para a construção de um sistema mais equitativo e inclusivo, alinhado com as demandas globais por maior equidade.
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América Latina, Caribe, África ou Ásia |
185 USD |
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Europa, EUA, Canadá ou Oceania |
215 USD |
Consultas: [email protected]
