Declaração sobre a Guatemala

Em 16 de novembro deste ano, as forças de segurança do Estado guatemalteco, lideradas pelo Ministério Público, invadiram a residência de 27 cidadãos acusados, entre outros supostos crimes, de associação ilícita, depredação de bens culturais e sedição.
A maioria dos acusados são professores, estudantes e profissionais da Universidade de San Carlos da Guatemala e representantes de organizações de direitos humanos na Guatemala. Eles foram presos e acusados ilegalmente: Marcela Blanco (partido Movimento Semilla), Dr. Rodolfo Chang (Reitor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia), Alfredo Beber (Professor da Faculdade de Engenharia), Javier de León (estudante da Escola de Ciências Físicas e Matemáticas) e Dr. Eduardo Velásquez (ex-Reitor da Faculdade de Ciências Econômicas e ex-presidente da Associação Latino-Americana de Ciências Sociais - ALAS).
Como já foi apontado em diversos meios de comunicação e fóruns de discussão, essas prisões fazem parte de um esquema orquestrado por setores identificados como os arquitetos da fraude eleitoral que levou Walter Mazariegos à reitoria da Universidade de San Carlos (USAC). Mazariegos agora busca inocentar todos os profissionais e estudantes da universidade que fazem parte da resistência digna e que lutaram para preservar a autonomia universitária. Além disso, a conivência entre as atuais autoridades universitárias e o governo guatemalteco é inegável. Seu objetivo é fabricar processos políticos para impedir que Bernardo Arévalo e Karin Herrera, eleitos democraticamente em agosto e também ligados às manifestações e ao apoio às reivindicações da universidade, assumam seus cargos.
Diante dessa situação, o Comitê Diretivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) apela às autoridades competentes para que garantam o respeito à integridade física e ao devido processo legal de todos os profissionais e estudantes da Universidade de San Carlos e de outras universidades, bem como dos representantes de organizações populares que foram injustamente privados de seus direitos à liberdade de movimento e de denúncia da injustiça.
A liberdade de expressão e o ensino universitário público devem prevalecer sobre ações que minam os alicerces das democracias nascentes da América Central. As vozes daqueles que, dentro da academia crítica, moldaram e orientaram as demandas de setores tradicionalmente excluídos não devem ser silenciadas.
Comitê Diretivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais
novembro de 2023
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