Declaração em apoio à 2ª Marcha Mundial de Mulheres Indígenas no Brasil. Quem é Kunangue Aty Guasu?
Kuñangue Aty Guasu é a Grande Assembleia de Mulheres Kaiowá e Guarani, organizada a partir do Cone Sul do Mato Grosso do Sul. Teve início em 2006, quando mulheres indígenas decidiram coletivamente ser porta-vozes de sua caminhada. Essa decisão histórica teve início no território sagrado de Nãnderu Marangatu, município de Antônio João-MS. Outras edições foram realizadas em 2012, 2013, 2014, 2017, 2018, 2019 e 2020.
Em suas assembleias, as mulheres Guarani e Kaiowá discutem pautas que vão além das questões territoriais, abrangendo aspectos de seu cotidiano: demarcação de terras tradicionais, promoção da cidadania, direitos sociais, segurança pública e participação social. Elas também abordam questões específicas como: violência em seus acampamentos resultante de ataques armados contra suas comunidades; alimentação/agricultura, soberania alimentar e consumo de alimentos sem agrotóxicos, bem como os impactos da monocultura de grãos ao redor das aldeias Guarani e Kaiowá; racismo, preconceito, intolerância religiosa, direitos de crianças e adolescentes, direitos das mulheres e dos idosos, meio ambiente, clima e a agenda de luta/mobilização Guarani Kaiowá.
A Kuñangue Aty Guasu é uma assembleia organizada por mulheres, onde representantes de diversas comunidades têm voz, espaço, participação e poder de decisão. Estão presentes na Assembleia Nhandesys (anciãs - Jary) e Nhanderus (anciãs - Ñamõi), jovens, orações, crianças, movimentos sociais, ativistas, imprensa nacional e internacional, universidades, pesquisadores e apoiadores. Autoridades regionais, provinciais e federais ligadas a questões indígenas, bem como organizações indígenas, também marcam presença na sessão plenária, recebendo as demandas da Kuñangue Aty Guasu. A plateia da plenária varia entre 400 e 600 pessoas, sendo um espaço de protagonismo e debate sobre temas de grande relevância para as comunidades indígenas. A Kuñangue Aty Guasu é o único espaço onde mulheres Kaiowa e Guarani, representantes de todos os povos Tekoha , se reúnem para dialogar e discutir os direitos e as reivindicações das mulheres.

Foto: Mulheres Kaiowá e Guarani
Nossa voz ecoará em Brasília por 19 dias!
Junte-se a nós, esta luta é para todos!
IX Kuñangue Aty Guasu – Grande Assembleia de Mulheres Kaiowá e Guarani: Corpos silenciados, vozes presentes.
1 a 5 de setembro de 2021
Destaques da Assembleia:
1º de setembro – A jornada das mulheres Kaiowá e Guarani desde o retorno a Brasília;
2 de setembro – Agenda anti-indígena: nossa existência está ameaçada;
3 de setembro – Um apelo das matriarcas Kaiowá e Guarani aos movimentos sociais: esta luta não é apenas nossa, esta luta pertence a todos;
4 de setembro – Corpo, saúde e alma das mulheres Kaiowa e Guarani em tempos de pandemia;
5 de setembro – Dia Internacional das Mulheres Indígenas
Primeira Audiência Pública Internacional “Corpos Silenciados, Vozes Presentes – Violência contra Mulheres Kaiowa e Guarani” Lançamento do Mapa Virtual “Corpos Silenciados, Vozes Presentes…”

De 23 de agosto a 11 de setembro de 2021, a força, a resistência, os cânticos e as orações das mulheres Kaiowá e Guarani voltarão a ecoar na capital federal do Brasil.
De 23 de agosto a 11 de setembro de 2021, a força, a resiliência, os cantos e as orações das mulheres Kaiowá e Guarani ressoarão mais uma vez no Distrito Federal. Nós, Mulheres do Conselho Kuñanque Aty Guasu – Conselho de Mulheres Kaiowá e Guarani /MS, estaremos presentes em acampamentos, assembleias e manifestações, com nossos corpos, nossas vozes e nossa ancestralidade. A marcha terá início em 23 de agosto com a chegada de nossa primeira delegação ao acampamento "Luta pela Vida", onde líderes indígenas de todo o país estarão presentes, lutando contra a Tese do Tempo e o Projeto de Lei 490/07, atualmente em pauta no Congresso Nacional. De diferentes terras sagradas Kaiowá e Guarani (territórios indígenas), 84 mulheres de nosso povo unirão suas vozes às das mulheres de outros povos que aqui compõem a luta nacional dos movimentos indígenas.
A luta pela Mãe Terra é a mãe de todas as lutas!
Sônia Guajajara
Após 10 Assembleias de Mulheres Kaiowá e Guarani, devido a ataques aos nossos direitos originários e constitucionais, pela primeira vez, a Kuñangue Aty Guasu acontecerá longe de nossas comunidades no sul do Mato Grosso do Sul. Porque existir é resistir, e resistimos em todos os lugares! O encontro incluirá, entre outros eventos:
- Debate sobre o fortalecendo nossa existência;
- publicação do Mapa Virtual da Violência, escrito pelas mulheres Kaiowá e Guarani;
- Primeira Audiência Pública: Corpos e Vozes Silenciadas apresenta – Violência contra as mulheres Kaiowá e Guarani e a Aliança Internacional com os Movimentos Sociais, um apelo das mulheres Kaiowá e Guarani.
Além do encontro de líderes indígenas no Brasil, o Conselho de Mulheres Kaiowá e Guarani será transmitido online com tradução simultânea para o inglês, assim como em sua última edição, em novembro de 2020.
“Nossas vidas, nossos sonhos, nós os desenhamos todos os dias. No entanto, nossos corpos continuam sendo violados, nossa linhagem atacada e nossa existência ameaçada por todos os lados. Nossa pele cor de terra continua sangrando. Nossas sementes são envenenadas repetidamente. E estamos cansadas de nos defender contra esse ataque. Esta luta é nossa. E do mundo. Resistiremos, devemos resistir, até o dia de nossa morte!” – Kuña Aranduhaá – conselheira da Kuñangue Aty Guasu.
Após a reunião, a delegação permanecerá no Brasil para participar da II Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, que ocorrerá de 8 a 11 de setembro de 2021 , com diversas manifestações e debates, além de audiências públicas, em defesa dos direitos das mulheres indígenas no país.
Kaiowá e Conselho de Mulheres Guarani / Sra. Dourados / Sra.
Campanha para ajudar a infraestrutura da delegação: https://www.kunangue.com/vaquinha
Conselho Kuñangue Aty Guasu – Conselho das Mulheres Kaiowá e Guarani/MS. DATA / Brasília | [e-mail protegido] / [e-mail protegido] | +55 67 9925-9450 | www.kunangue.com

MAPEANDO A VIOLÊNCIA
Mapear a violência contra mulheres Kaiowá e Guarani é uma reivindicação da Grande Assembleia de Mulheres Kuñangue Aty Guasu, empreendida pelas mulheres dessa comunidade. Estamos abordando a violência perpetrada contra mulheres indígenas no Cone Sul do Mato Grosso do Sul, região centro-oeste do Brasil. Trata-se de um processo lento, porém constante, construído coletivamente a partir da captação das perspectivas, dos gritos e das vozes dessas mulheres Guarani e Kaiowá. Para viabilizar isso, formou-se uma equipe de mulheres indígenas de diversas regiões do estado, integrantes do conselho Kuñangue Aty Guasu, para realizar pesquisas em suas comunidades.
Para desenvolver este projeto de mapeamento sobre a violência contra mulheres indígenas Kaiowá e Guarani, foram realizadas entrevistas e visitas de campo em terras indígenas e áreas recuperadas. Durante o processo de coleta de dados, foram documentados inúmeros atos de violência contra mulheres Guarani e Kaiowá no Cone Sul, incluindo tortura psicológica, violência física, preconceito, humilhação, violência econômica, ameaças de morte e assassinatos de mulheres líderes perpetrados por seus maridos, namorados, capitães de equipe, policiais, instituições públicas e pela universidade.
O objetivo desta pesquisa é documentar, dar visibilidade e transformar o sofrimento vivenciado pelas mulheres Guarani e Kaiowá em uma narrativa, e conscientizar sobre os diferentes tipos de violência que elas sofrem no contexto atual. Em outras palavras, a meta é garantir que as demandas das mulheres Kaiowá e Guarani do Mato Grosso do Sul sejam ouvidas e atendidas. Para melhor descrever a violência atual contra as mulheres Guarani e Kaiowá, ressaltamos que o mapeamento continuará após a conclusão desta primeira etapa. Isso envolverá a identificação e sistematização contínuas dos tipos de violência física e psicológica/mental contra as mulheres, bem como a situação das famílias vítimas de violência em aldeias, reservas e terras indígenas afetadas por conflitos.
Nossa luta, infelizmente, teve que seguir o modelo Karai (não indígena). Hoje, precisamos dialogar com o Estado por meio de documentos oficiais; precisamos escrever em língua Karai (que seria o português, idioma da comunidade não indígena envolvida). Dessa forma, o mapeamento e a indexação de um banco de dados específico sobre as lutas de mulheres líderes, utilizando tecnologia apropriada, servirão de base para apoiar as reivindicações das mulheres e, sobretudo, para denunciar consistentemente a violência contra mulheres indígenas.
Ao longo do final de 2019 e início de 2020, foram realizadas visitas semanais a aldeias indígenas em reservas e em terras reocupadas e disputadas, áreas onde ocorreram diversas formas de violência contra as mulheres. Nessas terras recuperadas, essas famílias foram submetidas a ataques, massacres, tortura e assassinato de líderes, perpetrados por homens armados contratados pelos latifundiários.
Nossa voz ecoará em Brasília por 19 dias!
Dourados-MS, 11 de agosto de 2021.
Carta nº 32
PARA OS COLABORADORES
Ref.: Apoio à infraestrutura para a delegação de mulheres Kaiowá e Guarani em Brasília-DF.
Por meio desta carta, a diretoria da Kuñangue Aty Guasu solicita apoio em infraestrutura para logística, transporte, alimentação e/ou equipamentos de proteção individual (EPI) para nossa delegação de 84 mulheres Kaiowá e Guarani, em sua maioria religiosas idosas, que se dirigem a Brasília para participar da Mobilização Nacional Indígena.
Nosso calendário inclui as seguintes ações e atividades:
- Acampamento Luta pela Terra: 22 a 28 de agosto de 2021;
- IX KUÑANGUE ATY GUASU: “Grande Assembleia das Mulheres Kaiowá e Guarani”, de 1º a 5 de setembro de 2021;
- Dia Internacional das Mulheres Indígenas: 1ª Audiência Pública Internacional com apresentação do relatório “Corpos Silenciados e Vozes Presentes – Violência contra Mulheres Kaiowá e Guarani”, em 5 de setembro de 2021;
- Marcha Nacional de Mulheres Indígenas: “Mulheres Nativas | Reflorestando mentes para a cura da Terra”, de 7 a 11 de setembro de 2021.
Todos esses eventos ocorrerão em Brasília e as mulheres Kaiowá e Guarani estarão presentes na capital federal por dezenove dias, em luta e resistência, contra a agenda anti-indígena do Congresso Nacional.
É importante mencionar que, pela primeira vez em nossa história, a Kuñangue Aty Guasu – Grande Assembleia de Mulheres Kaiowá e Guarani, nossa principal plataforma de voz e luta pelos direitos das mulheres indígenas, apresentará um diagnóstico da realidade que vivemos. Nosso cotidiano se dará fora de nossa tekoha (território sagrado), a área de recuperação no Mato Grosso do Sul (MS).
Nesse sentido, precisamos de apoio financeiro para viabilizar nossa estadia em Brasília, bem como a visita e o retorno de nossa delegação. Para tanto, apresentamos o seguinte orçamento:
- Transporte (02 ônibus para 84 mulheres Kaiowá e Guarani):
1) Coletivo 01 – Saída dia 23/21 de agosto dos territórios Kaiowá e Guarani: 25 mil reais.
2) Coletivo 02 – Saída dia 30/21 de agosto dos territórios Kaiowá e Guarani: 20 mil reais.
Nota: Toda a delegação retorna após a conclusão da II Marcha das Mulheres Indígenas, que ocorrerá em 11 de setembro.
- Alimentação (23 de agosto a 11 de setembro):
1) Doações de alimentos perecíveis e não perecíveis para 19 dias.
2) Valor em 30.000 reais para cobrir despesas com alimentação.
- EPI:
1) 1.000 máscaras N95 ou PFF2 e 100 unidades de 500ml de gel de álcool 70.
2) Doações de cobertores, colchonetes, barracas e roupas quentes para 84 pessoas.
Apoie esta causa, a luta é de todos, por todos e por todos!
Atymã Porã, obrigada, obrigada.
🙌🏾 Apoie a luta das Mulheres Kaiowa e Guarani de 23 de agosto a 11 de setembro em Brasília 🙌🏾.
🙌🏾 Nossas mulheres do Conselho de Kuñangue Aty Guasu – Grande Assembleia das Mulheres Kaiowá e Guarani/ MS, estaremos presentes nos acampamentos, assembleias e manifestações com nossos corpos, nossas vozes e nossa ancestralidade! 🙌🏾
☝🏾 Campanha em apoio à infraestrutura da delegação: https://www.kunangue.com/vaquinha☝🏾
Doação via pix: [email protected]
🙏🏾Atyma porã, obrigadx.🙏🏾
💪🏾Conselheiras Da Kunangue Aty Guasu🍀
20 agosto, 2021
Grupo de Trabalho CLACSO Epistemologias do Sul
Cátedra UNESCO do Grupo de Trabalho Universal sobre «Gênero, Diversidade Cultural e Fronteiras»
NuSUR. Centro Sul-Sul para Identidades e Feminismos Pós-coloniais, Performáticos e Afro-Diaspóricos IDAES/UNSAM
Conferências sobre feminismo pós-colonial
Esta declaração expressa a posição do Grupo de Trabalho Epistemologias do Sul e dos demais grupos que o acompanham, e não necessariamente a dos centros e instituições que compõem a rede internacional CLACSO, seu Comitê Diretivo ou seu Secretariado Executivo.